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#2879 - A PROPÓSITO DAS PRAXES ACADÉMICAS...

por Carlos Pereira \foleirices, em 16.10.18

MÁRIO DE CARVALHO

 

Mário de Carvalho escreveu para o JL - Jornal de Letras, Artes e Ideias, edição n.º 1253, ano XXXVIII, Outubro de 2018, o seguinte texto a propósito das praxes académicas:

- "Se em 1960 ou 70 alguém em Lisboa se atrevesse a sugerir a qualquer jovem estudante de Engenharia, Direito, Letras, ou Medicina que andasse trajado de preto numa fardola de vestes eclesiais e se embrenhasse em rituais uivados mais ou menos coprófilos, seria tratado com altivo desdém.

 

Capa e batina eram coisa de Coimbra, reminiscência de longe, e de in illo tempore. Seria mesmo desprestigiante usá-la na capital. Não existia de todo praxe em Lisboa. Ninguém pensava vexar alguém. Os jovens que ingressavam nas universidades eram convidados para semanas de recepção, com espectáculos de cinema, teatro, colóquios, poesia e bailes. Os novos alunos (a própria designação de «caloiro» caíra em desuso) eram tratados com urbanidade e apreço, ao nível do que se considerava ser a instituição em que se encontravam e a associação de estudantes que os convocava.

 

Nesses tempos, a juventude estudantil ansiava por grandes transformações sociais, prezava os ideais de liberdade e batia-se por um País moderno, aberto, democrático. Mas a democracia é uma construção. Nunca está garantida de vez.

 

Nos refegos escondia-se o velho portugalório, agachadino  e mendigo, servil e reles, pingue de misérias morais, coio de fascismos. Temporariamente escorraçado, veio a encontrar numa mocidade diversa, mais alargada, sem hábitos de leitura e reflexão, campo estrumado para as suas desforras  e decorrências.

 

Impõe-se uma política de valorização da arte e da cultura, traçada com firmeza pelas instituições universitárias (no fundo, é o seu bom nome que é posto na lama e achincalhado). Urge a intervenção do Estado, encontrando formas democráticas de «desapimbalhar» a grande comunicação social, porque esta pardalada infantilóide, de penico na cabeça,, não é capaz de ler um jornal, sequer um tablóide."

 

 

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publicado às 17:55


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