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#2971 - UMA PEQUENA LUZ BRUXULEANTE

por Carlos Pereira \foleirices, em 10.03.19

 

Nunca saberei a resposta da pergunta

que nunca farei.

Não sei. 

Não sei por que não a farei!...

A casa em frente das nossas sombras

continua desabitada.

As janelas têm cortinas em teias de aranha

tecidas nas vidraças.

À noite

uma coruja

toma conta do ar frio

e uma luz bruxuleante ilumina as partículas da poeira

que adormecem sobre

os esqueletos do mobiliário.

Murmúrios ouvem-se e

rastejam até aos nossos pés.

Escalam silenciosamente e

com agilidade os nossos corpos e

alojam-se, sem pedir licença,  no

interior do ouvido.

É apenas o murmúrio

de alguém que vive só, faz  demasiado tempo e

procura um confidente,

um ouvinte.

Mas não o entendemos ou

não o queremos ouvir

que o  ouvido já está ocupado com outros rumores

que vêm das folhas inquietas da laranjeira

em cujos ramos bichos de vária natureza se reúnem

todas as noites

para espiar, discutir, especular, intrigar

a coruja.

Mas nada descobrem.

A coruja, apenas cuida da pequena luz bruxuleante

que aquece as várias camadas de pó que

habitam a casa

deitadas sobre o ar horizontal

de todas as coisas

existentes no seu interior.

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publicado às 18:46


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