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#2186 - Pensamento

por Carlos Pereira \foleirices, em 03.03.17

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"Toda a cultura real trabalha para a libertação do homem e por isso é, na sua raiz, revolucionária" (Sophia de Mello Breyner Andresen)

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publicado às 23:27


#1913 - Camões e a Tença

por Carlos Pereira \foleirices, em 02.02.15

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CAMÕES E A TENÇA

 

Irás ao Paço. Irás pedir que a tença

Seja paga na data combinada

Este país te mata lentamente

País que tu chamaste e não responde

País que tu nomeias e não nasce

 

Em tua perdição se conjuraram

Calúnias desamor inveja ardente

E sempre os inimigos sobejaram

A quem ousou seu ser inteiramente

 

E aqueles que invocaste não te viram

Porque estavam curvados e dobrados

Pela paciência cuja mão de cinza

Tinha apagado os olhos no seu rosto

 

Irás ao Paço irás pacientemente

Pois não te pedem canto mas paciência

 

Este país te mata lentamente

 

Poema de Sophia de Mello Breyner Andresen - (Dual, 1972)

 

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publicado às 17:14


#1440 - De Jorge de Sena para Sophia de Mello

por Carlos Pereira \foleirices, em 21.07.11

Sophia de Mello Breyner Andresen

 

Jorge de Sena

 

Filhos e versos, como os dás ao mundo?

Como na praia te conversam sombras de corais?

Como de angústia anoitecer profundo?

Como quem se reparte?

Como quem pode matar-te?

Ou como quem a ti não volta mais?

 

 

1950

 

Jorge de Sena, Peregrinatio ad loca infecta, 1969

 

Retirado do livro "Sophia de Mallo Breyner . Jorge de Sena - Correspondência 1959-1978", edição Guerra & Paz, Fevereiro de 2010

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publicado às 18:46


#1155 - A Rapariga e a Praia

por Carlos Pereira \foleirices, em 27.01.10


Fotografia de  Fernando Bagnola

 

 

Uma rapariga vai como uma espiga

São de cor de areia suas pernas finas

Seu íris é azul verde e cinzento


Uma rapariga vai como uma espiga

Carnal e cereal intacta cerrada

Mas nela enterra sua faca o vento


E tudo espalha com suas mãos o vento


Poema de Sophia de Mello Breyner Andresen

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publicado às 16:46


O Vidente

por Carlos Pereira \foleirices, em 13.01.09

Vimos o mundo aceso nos seus olhos,

E por os ter olhado nós ficamos

Penetrados de força e de destino.

 

Ele deu carne àquilo que sonhámos,

E a nossa vida abriu-se, iluminada

Pelas imagens de oiro que ele vira.

 

Veio dizer-nos qual a nossa raça,

Anunciou-nos a pátria nunca vista,

E a sua perfeição era o sinal

De que as coisas sonhadas existiam.

 

Vimo-lo voltar das multidões

Com o olhar azulado de visões

Como se tivesse ido sempre só.

 

Tinha a face orientada para a luz,

Intacto caminhava entre os horrores,

Interior à alma como um conto.

 

E ei-lo caído à beira do caminha,

Ele - o que partira com mais força

Ele - o que partira para mais longe.

 

Porque o ergueste assim como um sinal?

Pusemos tantos sonhos em seu nome!

 

Como iremos além da encruzilhada

Onde os seus olhos de astro se quebraram?

 

Sophia de Mello Breyner Andresen - Obra Poética - Editoral Caminho, Janeiro de 2007

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publicado às 18:26


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