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#2674 - Soneto

por Carlos Pereira \foleirices, em 20.11.17

Nascimento10 de agosto de 1921, Belém, Pará, Brasil
Falecimento1 de julho de 1981, Lisboa
 
 
SONETO
 
Acusam-me de mágoa e desalento,
como se toda a pena dos meus versos
não fosse carne vossa, homens dispersos,
e a minha dor a tua, pensamento.
 
Hei-de cantar-vos a beleza um dia,
quando a luz que não nego abrir o escuro
da noite que nos cerca como um muro,
e chegares a teus reinos, alegria.
 
Entretanto, deixai que me não cale:
até que o muro fenda, a treva estale,
seja a tristeza o vinho da vingança.
 
A minha voz de morte é a voz da luta:
se quem confia a própria dor perscruta,
maior glória tem em ter esperança.
 
Poema de Carlos de Oliveira
 
 

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publicado às 17:46


#1669 - Soneto

por Carlos Pereira \foleirices, em 21.04.12

 

SONETO

 

 

E quando eu era um príncipe e andava entre os rebanhos,

e só havia a pressa do bonde e da guitarra,

eu ia para a escola montado num carneiro,

o pássaro do sonho pousado no meu ombro.

 

E passavam por mim, a conduzir os jumentos,

aguadeiros descalços, franzinos, remelentos,

e a dor que deles tinha, ensolarada no corpo,

eu a via queimar-se no fogão da cozinha,

 

nas guelras dos pescados, na rouquidão espessa

do grito das galinhas, no retesar da corda

que prendia os cabritos, os asnos e os soinhos.

 

Mas não a imaginava nesta adulta tristeza

e que vestiram de amor, como se não bastasse

que a ave no meu ombro me bicasse as orelhas.

 

Poema de Alberto da Costa e Silva

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publicado às 22:40


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