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Bela Vista

por Carlos Pereira \foleirices, em 13.05.09

Tem nome de condomínio fechado: com jardins amplos e bem tratados, campo de ténis, piscina, solário e todas as mordomias de um espaço construído para  pessoas com muito dinheiro se sentirem confortáveis e protegidas.


Mas afinal o Bairro da Bela Vista é uma metáfora...


Escreve Baptista Bastos no DN. de hoje a seguinte crónica:


Os homens incertos

Os incidentes no Bairro da Bela Vista repõem, de novo, a questão da identidade instável. Não é só a fome, a miséria, o desemprego, a promiscuidade, a ausência de perspectivas, o conceito de cerco que criaram as tensões e os conflitos. Embora essas formas de agressão social fossem mais do que suficientes para os explicar. Aqueles jovens, em última instância, não sabem quem são, e moldaram novas dimensões identitárias.

Quem são os excluídos? Quem se excluiu? Nós. Abandonámo-los. Nasceram em Lisboa mas não são lisboetas; têm a pele escura mas não se sentem africanos; as músicas de que gostam procedem dos Estados Unidos; vestem-se, falam e comportam-se de molde a reivindicarem a "diferença" a que os temos obrigado. A sua comunidade é "outra" porque essa escolha foi-lhes rudemente imposta pela nossa escabrosa indiferença.

Não nos queremos aproximar, descomprometemo-nos das responsabilidades que nos cabem, toleramo-los sem tentar compreendê-los e muito menos lhes manifestar a menor dose de afecto. Os gritos histéricos, e as poses, afinal grotescas, de Paulo Portas, a reclamar mais fortes intervenções policiais, seriam apenas repugnantes, não fossem extremamente perigosas. Elas reflectem a desprezível ignorância de quem deseja, unicamente, conservar o domínio sobre a diferença. Ou, parafraseando D. Manuel Martins, colocar uns de um lado e outros do outro.

As explosões sociais que se avizinham, devido ao acumular dos ressentimentos, e a que o Governo parece alheio, são acirradas por uma comunicação social mal preparada, pouco culta e, até, terrorista. Basta reparar nas perguntas formuladas, no enquadramento (ou na falta dele), para se perceber a distorção da "realidade" e a total vacuidade do conhecimento histórico. A informação que nos servem peca por leviandade, favorece sentimentos xenófobos e racistas, e exala um forte cheiro a retaliação. O pior é que somos impotentes para inverter esta tendência maléfica. Sem compreendermos a complexidade do assunto, a natureza delicada do problema, somos empurrados para a tirania da emoção, a qual nos coage a tomar o "outro" como assassino, ausentando-nos de culpa - como se nada tivéssemos a ver com "aquilo." E "aquilo" é, no fundo, a busca de uma expressão pessoal, entre uma cultura que se defende, por desconhecimento e receio do "outro."

Em que raio de gente nos tornámos? Fomos sempre assim, centralizando-nos num egoísmo tão feroz e num tão gelado desprezo pela humanidade? A simplificação dos elementos, a crise dos laços sociais, procria, diariamente, novas formas de indignação e movimentos irracionais de resultados imprevisíveis. "Uma fogueira preparada para incendiar o País", na acertada expressão de D. Manuel Martins.



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publicado às 11:12


Portugal - desigualdades

por Carlos Pereira \foleirices, em 21.10.08

A OCDE divulgou, hoje, no relatório "Crescimento e Desigualdades"  que Portugal é um dos países com maior desigualdade na distribuição dos rendimentos.

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publicado às 12:47


Desconfianças e enganos

por Carlos Pereira \foleirices, em 30.09.08

Há muito tempo que desconfio de algumas palavras e termos usados no mundo da economia, das finanças, dos negócios, da política, do futebol, da justiça, da saúde, do ensino, da cultura...

 

Há muito tempo que desconfio da inteligência, da seriedade, da bondade de comentadores, analistas e estrategas...

 

Há muito  tempo que desconfio daqueles que aparecem nas televisões  a debitarem opiniões sobre tudo, mesmo que não entendam nada  da poda....

 

Há muito tempo que desconfio daqueles que estão confortavelmente sentados em cima do dinheiro e têm o desplante de darem palpites sobre as nossas vidas, desconhecendo, em absoluto, as realidades económicas, sociais, culturais e as diversas geografias humanas de um mundo onde não penetram porque vivem em redomas confortáveis,  e distantes das vivências rudes, cruas, amargas e negras da maioria das gentes que povoam este planeta.

 

Desconfio dos "gurus" que apenas têm como objectivo ganhar muito dinheiro em livros e conferências por "ideias" desenhadas em noites de insónias, e vendidas nas feiras da ganância como banha-da-cobra.

 

Desconfio dos "engenheiros financeiros???" que constroem fortunas suportadas em estratagemas do "chico espertismo".

 

Desconfio daqueles que, com veemência, auguravam que, antes do mundo dar duas voltas sobre o seu eixo, o preço do barril do petróleo iria atingir os 200 dólares.

 

Desconfio daqueles que defenderam de forma esquizofrénica a invasão do Iraque porque era preciso descobrir e destruir armas com grande poder destrutivo e que a operação duraria o tempo de vida de uma borboleta.

 

Desconfio daqueles que vêm o mercado como se este fosse apenas o único meio de  atingirmos a redenção das nossas vidas e nada mais houvesse para além dele senão o vazio.

 

Desconfio daqueles que apenas falam de números e que nunca leram livros de história, geografia, filosofia, sociologia, poemas.

 

Desconfio daqueles que não sonham.

 

Desconfio daqueles que não brincam.

 

Desconfio daqueles que nos tratam de forma paternalista como se fossemos um bando de imbecis.

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publicado às 13:20


Empresa de construção leva operários ao teatro

por Carlos Pereira \foleirices, em 18.09.08

 Empresa de obras públicas de Braga promove, juntos dos seus trabalhadores idas ao teatro e organiza simpósios de escultura.

A primeira inciativa da empresa, hà 14 anos, foi a instituição de um Prémio Literário

inicialmente dirigido apenas a autores do distrito de Braga. O concurso adquiriu dimensão nacional há três anos (distinguindo os escritores Nuno Júdice, Filomena Marona Beja e Gastão Cruz) e hoje atribui um prémio monetário no valor de 15 mil euros, superior, por exemplo, ao galardão da Associação Portuguesa de Escritores.

Esta notícia pode ser lida na secção de cultura do "JN", de hoje.

 

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publicado às 15:56


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