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#3000 - RETRATO ||| Poema de Francisco Luís Amaro

por Carlos Pereira \foleirices, em 12.06.19

Francisco Luís  Amaro (1923-2018)

 

RETRATO

 

Um silêncio, um olhar, uma palavra:

Nasceste assim na minha vida,

Inesperada flor de aroma denso,

Tão casual e breve...

 

Já te visionara no meu sonho,

Imagem de segredo, esparsa ao vento

Da noite rubra, delicada, intacta.

E pressentira teu hálito na sombra

Que minhas mãos desenham, inquietas.

 

Existias em mim. O teu olhar

Onde cintila, pura, a madrugada,

Guardara-o no meu peito, ó invisível,

Flutuante apelo das raízes

Que teimam em prender-te, minha vida!

 

Poema de Francisco Luís Amaro

 

__________________________________________________________________________________

Poeta português, natural de Alvito. Foi co-fundador e co-director da revista Árvore, publicada entre 1951 e 1952, e da qual fizeram também parte Raul de Carvalho, António Ramos Rosa e António Luís Moita. Colaborou ainda nas revistas Seara Nova, Távola Redonda, Portucale, entre várias outras. Foi secretário de redacção e, posteriormente, director-adjunto e consultor editorial da revista Colóquio/Letras. A sua poesia está inserida numa tendência que tenta conciliar a tradição herdada dos poetas presencistas com alguma da poesia neo-realista, nomeadamente a de Carlos de Oliveira. Da sua obra destacam-se os livros de poemas Dádiva (1949) e Diário Íntimo. Dádiva e outros poemas (1975).

 

 

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publicado às 18:15


2961 - RETRATO || POEMA DE CECÍLIA MEIRELES

por Carlos Pereira \foleirices, em 26.01.19

CECÍLIA MEIRELES (1901 - RIO DE JANEIRO / 1964 - RIO DE JANEIRO)

RETRATO

Eu não tinha este rosto de hoje,
Assim calmo, assim triste, assim magro,
Nem estes olhos tão vazios,
Nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
Tão paradas e frias e mortas;
Eu não tinha este coração
Que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
Tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
A minha face?

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publicado às 19:48


#1964 - Retrato

por Carlos Pereira \foleirices, em 03.04.16

 Eugénio de Andrade

 

RETRATO

 

No teu rosto começa a madrugada.

Luz abrindo,

de rosa em rosa,

transparente e molhada.

 

Melodia

distante mas segura;

irrompendo da terra,

quente, redonda, madura.

 

Mar imenso,

praia deserta, horizontal e calma.

Sabor agreste.

Rosto da minha alma.

 

Poema de Eugénio de Andrade in "Os amantes sem dinheiro" [1947-1949], Edições Limiar, Dezembro 1980

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publicado às 19:40


#1156 - Retrato

por Carlos Pereira \foleirices, em 27.01.10

 

Retrato

Eu não tinha este rosto de hoje,
Assim calmo, assim triste, assim magro,
Nem estes olhos tão vazios,
Nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
Tão paradas e frias e mortas;
Eu não tinha este coração
Que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
Tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
A minha face?

 

Poema de Cecíla Meireles

 

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publicado às 16:57


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