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MICHEL ONFRAY

Michel Onfray, filósofo francês, 58 anos de idade, fundador da Universidade Popular de Caen é o autor de Décadence onde pretende demonstrar como as civilizações são fundadas sobre religiões, como elas nascem, crescem, conquistam, declinam e morrem.

Seu pensamento se caractriza pela afirmação da razão, do  hedonismo e de um ateísmo militante  e é influenciado por Friedrich Nietzche, Albert Camus, Michel Foucault, etc...

 

As pessoas preferem uma ilusão que lhes dê segurança a uma verdade que as inquiete. Antes fábulas que prometem que a morte não existe e que a vida continua depois do falecimento, do que uma verdade científica que traz a prova de que, uma vez mortos, apenas conhecemos a decomposição e o vazio
Michel Onfray
 
Pode ler aqui a entrevista conduzida por JAN LE BRIS DE KERNE e publicada no jornal online PÚBLICO de hoje.

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publicado às 19:42


#1219 - BAHAMUT

por Carlos Pereira \foleirices, em 21.02.10



A fama de Bahamut chegou aos desertos da Arábia, onde os homens alteraram e valorizaram a sua imagem. De hipopótamo ou elefante fizeram-no peixe que se mantém sobre a água sem fundo e sobre o peixe imaginaram um touro e sobre o touro uma montanha feita de rubis e sobre a montanha um anjo e sobre o anjo seis infernos e sobre os infernos a terra e sobre a terra sete céus. Podemos ler numa lenda recolhida por Lane:


"Deus criou a terra, mas a terra não tinha apoio e assim sob a terra criou um anjo. Mas o anjo não tinha apoio e assim sob os pés do anjo criou um penhasco feito de rubis. Mas o penhasco não tinha apoio e assim sobre o penhasco criou um touro com quatro mil olhos, orelhas, narizes, bocas, línguas e pés. Mas o touro não tinha apoio e assim sob o touro criou um peixe chamado "Bahamut", e sob o peixe pôs água, e sob a água pôs escuridão, e a ciência humana não vê para lá desse ponto."


Outros declaram que a terra tem a sua origem na água; a água no penhasco; o penhasco na cerviz do touro; o touro num leito de areia; a areia em Bahamut; Bahamut num vento sufocante; o vento sufocante numa neblina. A base da neblina é desconhecida.


Tão imenso e tão resplandecente é Bahamut que os olhos humanos na~suportam a sua visão. Todos os mares da terra, postos numa das suas fossas nasais, seriam como um grão de mostarda em metade do deserto. Na 496ª noite do livro d' As Mil e Uma Noites  refere-se que a Isa Gesus) foi concedido ver Bahamut e que, dada essa mercê, rolou pelo chão e levou três dias a recuperar o conhecimento. Acrescente-se que sob o desaforado peixe há um mar e sob o mar um abismo de ar, e sob o ar o fogo, e sob o fogo uma serpente que se chama "Falak", em cuja boca estão os infernos.


A ficção do penhasco sobre o touro e do touro sobre Bahamut e de Bahamut sobre qualquer outra coisa parece ilustrar a prova cronológica de que Deus existe, com que se argumenta que toda a cause requer uma causa anterior e assim se proclama a necessidade de afirmar uma causa primeira, para não proceder até ao infinito.

 

Retirado do livro de Jorge Luis Borges - O livro dos seres imaginários.

Jorge Luis Borges contou com a colaboração de Margarita Guerrero.

O livro foi publicado em 1989 e editado em Portugal em Abril de 2005 pela Editorial Teorema

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publicado às 21:25


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