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#2732 - Poema de Reynaldo Pérez Só

por Carlos Pereira \foleirices, em 21.12.17

 Reynaldo Pérez Só

 

esta é uma cadeira
só uma cadeira
nela
sentou-se meu pai
meus irmãos
todos
os meus melhores amigos
agora
está sozinha
sem ninguém
uma cadeira.

 

Poema do poeta venezuelano Reynaldo Pérez Só

 

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publicado às 18:14


#2666 - Eu sou outro

por Carlos Pereira \foleirices, em 16.11.17

 YOLANDA PANTIN

 

EU SOU OUTRO

 

Aceitei o convite para viajar.

No carro,

a paisagem passa demasiado depressa.

Roça o ouvido

a música surda que o interior repele.

Atravessamos o país sem parar,

a não ser para urinar ou beber um gole de água

nas estações de serviço.

O verão castiga cinzento e estático

como o céu.

Conversas banais distraem o assédio

das horas mortas.

Montamos as tendas

na margem de um rio largo e lamacento.

As aves chilreiam ao levantar voo.

Abeiro-me do rio

como Narciso do lago.

As águas turvas não me reflectem o rosto.

Sonhei com isto

 

              (A ferida sarou sobre a carne morta)
 
_________________________________________________________________________________________________________________
Yolanda Pantin nasceu em Caracas em 1954. Estudou Letras na Universidade de Caracas. Publicou vários livros de poesia, entre os quais se destacam Casa o Lobo, Correo del Corazón, La Canción Fria, Poemas del Escritor, El Cielo de Paris. Com o livro Poemas del Escritor (1989) obteve o Prémio de Poesia Fundarte.

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publicado às 19:15


#2413 - FRACASSO

por Carlos Pereira \foleirices, em 30.05.17

 RAFAEL CADENAS

 

FRACASSO

 

Quando  supus ser vitória é fumo apenas.

 

Fracasso, linguagem do fundo, pista de outro espaço mais exigente, difícil de entreler é tua letra. 

 

Quando punhas tua marca em minha fronte, nunca pensei na mensagem que trazias, mais preciosa que todos os triunfos.

Teu rosto chamejante perseguiu-me e eu não soube que era para salvar-me

Para meu bem desterraste-me para lugares recônditos, negaste-me êxitos fáceis, cortaste-me saídas.

Era a mim que querias defender ao não me conceder brilho.

De puro amor por mim manejaste o vazio que tantas noites me fez falar febril a um ausente.

Para proteger-me deixaste passar outros, fizeste que uma mulher prefira alguém mais ousado, afastaste-me de ofícios suicidas.

 

Vieste sempre dar a cara.

 

Sim, teu corpo chagado, cuspido, odioso, recebeu-me na minha mais pura forma para me entregar à nitidez do deserto.

Por loucura amaldiçoei-te, maltratei-te, blasfemei contra ti.

 

Tu não existes.

Foste inventado pela soberba delirante.

 

Quanto te devo!

Levantaste-me a um novo nível limpando-me com uma áspera esponja, lançando-me para o meu verdadeiro campo de batalha, cedendo-me as armas que o triunfo abandona.

Levaste-me pela mão à única água que ne reflecte.

Por ti não conheço a angústia de representar um papel, manter-me à força num alto, trepar com esforços próprios, discutir por causa de hierarquias, inchar até rebentar.

Fizeste-me humilde, silencioso e rebelde.

Não te canto pelo que és, mas pelo que não me deixaste ser. Por não me dares outra vida. Por me teres diminuído.

 

Ofereceste-me somente nudez.

É verdade que me ensinaste com dureza e tu mesmo trazias o cautério!, mas também me deste a alegria de não te recear.

Obrigado por me tirares espessura em troca de uma letra grande.

 

Obrigado a ti, que me privaste de vaidades.

Obrigado pela riqueza a que me obrigaste.

Obrigado por me construir com meu barro a minha morada.

Obrigado por me afastares.

Obrigado.

 

POEMA DE RAFAEL CADENAS

____________________________________________________________________________

BIOGRAFÍA

Rafael Cadenas nació en Barquisimeto, Venezuela, en abril de 1930. Empezó a escribir poesía desde muy joven y también fue temprana su actividad política en la militancia comunista, por lo que tuvo que exiliarse a Trinidad en 1952, donde permaneció hasta 1957. Allí vivió cuatro años y aprendió el inglés, lo cual le permitió leer y traducir a los poetas anglosajones. De esa experiencia surgió también, ya de regreso a Venezuela, su primer gran libro: Los cuadernos del destierro.

Rafael Cadenas fue uno de los fundadores del grupo y la revista Tabla Redonda (1959-1963).A partir de 1963, la fama de Rafael Cadenas se extendió por toda Latinoamérica tras la publicación de “Derrota”.

Fue profesor de la Escuela de Letras de la Universidad Central.

Recibió la beca Guggenheim en 1986 y el doctorado Honoris Causa de la Universidad Central de Venezuela.

Ganó el Premio Nacional de Ensayo (1984), el Premio Nacional de Literatura (1985), el Premio San Juan de la Cruz y el Premio Internacional de Poesía J. A. Pérez Bonalde (1992), así como una beca de la Fundación Guggenheim (1986). También le fue otorgado en México el Premio FIL de Literatura en Lenguas Romances, antes llamado Juan Rulfo.

Dueño de un lenguaje mágico y depurado, su obra lo sitúa como uno de los grandes exponentes de la poesía modernista  hispanoamericana.

BIBLIOGRAFÍA

Poesía:

Cantos iniciales (1946)

Una isla (1958)

Los cuadernos del destierro (1960, 2001)

"Derrota" (1963)

Falsas maniobras (1966)

Intemperie (1977)

Memorial (1977)

Amante (1983)

Dichos (1992)

Gestiones (1992)

Antología (1958-1993) (1996), (1999)

Obra entera. Poesía y prosa (Fondo de Cultura Económica, 2000)

Amante (bid & co. editor, 2002)

Poemas selectos (bid & co. editor, 2004, 2006, 2009)

El taller de al lado (bid & co. editor, 2005)

Obra entera. Poesía y prosa (1958-1995) (Editorial Pre-Textos, 2007)

 

Ensayo:

Literatura y vida (1972)

Realidad y literatura (1979)

Apuntes sobre San Juan de la Cruz y la mística (1977, 1995)

La barbarie civilizada (1981)

Anotaciones (1983)

Reflexiones sobre la ciudad moderna (1983)

En torno al lenguaje (1984)

Sobre la enseñanza de la literatura en la Educación Media (1998)

 

PREMIOS

Premio Nacional de Ensayo (1984)

Premio Nacional de Literatura (1985)

Premio San Juan de la Cruz (1991)

Premio Internacional de Poesía J. A. Pérez Bonalde (1992)

Premio FIL de Literatura en Lenguas Romances (2009)

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publicado às 18:01


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