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#2424 - Poema de Mahmud Darwish

por Carlos Pereira \foleirices, em 03.06.17

 MAHMUD DARWISH (1941-2008)

 

só me resta

perder-me pela tua sombra, que é a minha.

só me resta

habitar a tua voz, que é a minha.

 

afastei-me da cruz estendida

como claridade em horizonte que não se inclina

até ao mais minúsculo monte que a vista alcança

mas não achei minha ferida, minha liberdade.

 

porque não sei onde moras

não encontro o caminho,

e porque meu dorso não se apoia em ti com pregos

inclinei-me tanto

como teus céus fazem

a quem espreita de escotilhas de avião

 

devolve-me os pedaços do meu nome

para que possa convocar as fibras das árvores

devolve-me as letras do meu rosto

para que possa chamar as tempestades próximas

devolve-me as razões do meu prazer

para que possa invocar esse regresso sem razão

 

porque a minha voz está seca como pau de bandeira

e a minha mão vazia como o hino nacional

porque a minha sombra é ampla como se fora uma festa

e os traços do meu rosto se passeiam de ambulância,

porque eu não sou mais do que isto:

o cidadão de um reino que não nasceu ainda.

 

Poema do poeta palestiniano Mahmud Darwish

 

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Mahmoud Darwish (1942–2008)

Palestinian Mahmoud Darwish was born in al-Birwa in Galilee, a village that was occupied and later razed by the Israeli army. Because they had missed the official Israeli census, Darwish and his family were considered “internal refugees” or “present-absent aliens.” Darwish lived for many years in exile in Beirut and Paris. He is the author of over 30 books of poetry and eight books of prose, and earned the Lannan Cultural Freedom Prize from the Lannan Foundation, the Lenin Peace Prize, and the Knight of Arts and Belles Lettres Medal from France.

In the 1960s Darwish was imprisoned for reciting poetry and traveling between villages without a permit. Considered a “resistance poet,” he was placed under house arrest when his poem “Identity Card” was turned into a protest song. After spending a year at a university of Moscow in 1970, Darwish worked at the newspaper Al-Ahram in Cairo. He subsequently lived in Beirut, where he edited the journal Palestinian Affairs from 1973 to 1982. In 1981 he founded and edited the journal Al-Karmel. Darwish served from 1987 to 1993 on the executive committee of the Palestinian Liberation Organization. In 1996 he was permitted to return from exile to visit friends and family in Israel and Palestine.

Mahmoud Darwish’s early work of the 1960s and 1970s reflects his unhappiness with the occupation of his native land. Carolyn Forché and Runir Akash noted in their introduction to Unfortunately It Was Paradise (2003) that “as much as [Darwish] is the voice of the Palestinian Diaspora, he is the voice of the fragmented soul.” Forché and Akash commented also on his 20th volume, Mural: “Assimilating centuries of Arabic poetic forms and applying the chisel of modern sensibility to the richly veined ore of its literary past, Darwish subjected his art to the impress of exile and to his own demand that the work remain true to itself, independent of its critical or public reception.”

Poet Naomi Shihab Nye commented on the poems in Unfortunately It Was Paradise: “[T]he style here is quintessential Darwish—lyrical, imagistic, plaintive, haunting, always passionate, and elegant—and never anything less than free—what he would dream for all his people.”

Mahmoud Darwish died in 2008 in Houston, Texas.

 

 

 

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publicado às 17:55


#2381 - NA TORRENTE

por Carlos Pereira \foleirices, em 18.05.17

 FADWA THUKAN (1917-2003)

 

NA TORRENTE

 

apagaram-se os rostos à nossa volta

e desapareceram as coisas nessa noite

salvo o brilho azul radioso

dos teus olhos e o apelo.

pelo azul radioso navegava,

em busca dele, meu coração qual barca

que a torrente deseja.

e a ele me amarrou essa torrente

mar sem margens infinito

e irresitível

no qual contam as ondas a história da vida

e da eternidade.

congela aqui contida num só olhar,

já a terra se funde

ao impulso do barro, dos ventos e da chuva.

 

aquela noite

despertou o meu jardim,

arrancaram-lhe a sebe

os dedos da ventania

agitaram-se sob a dança dos ventos

e da chuva

a relva do jardim

as flores e os frutos

menos o brilho radioso que navegava em busca dele

meu coração como barca que a torrente deseja.

 

Poema da palestiniana Fadwa Thukan traduzido por Adalberto Alves

 

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Poetisa palestiniana, Fadwa Tuqan nasceu a 1 de março de 1917, em Nablus(norte da Cisjordânia).
Apesar de ter sido criada num ambiente conservador, a sua poesia apresenta,por um lado, uma consciência nacionalista e política, por outro, um sentidocritico à sociedade árabe pela sua violência, pela maneira como explorava asmulheres, entre outros assuntos.
Fadwa Tuqan conheceu o mundo da poesia através das orientações do irmão,Ibrahim Tuqan, escritor e diretor da rádio palestiniana. Fadwa começou porescrever em formas poéticas tradicionais, passando, em seguida, para o versolivre da poesia árabe. A liberdade poética e o sentido crítico presentes napoesia de Fadwa Tuqan revelaram-se a partir de 1948, ano em que morreu oseu pai e em que foi criado o Estado de Israel. Nessa altura, surgiram asprimeiras obras de Fadwa Tuqan: My Brother Ibrahim (1946, tradução inglesa;Meu Irmão Ibrahim , tradução portuguesa), Alone With The Days (1952,tradução inglesa; Sozinha com os Dias , tradução portuguesa), Give Us Love(1960, tradução inglesa; Danos de Amor , tradução portuguesa) e Before TheClosed Door (1967, tradução inglesa; Antes da Porta Cerrada , traduçãoportuguesa).

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publicado às 19:38


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