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#3069 - TAO YUANMING

por Carlos Pereira \foleirices, em 29.11.19

 

O céu e a terra jamais irão desaparecer

as montanhas e os rios esses não mudarão nunca

ervas e árvores seguem regras imutáveis,

se a geada as engelha,

logo o orvalho as tornará viçosas de novo

o homem gaba-se de ser dotado de razão,

quase divino

porém ele é o único a quem as coisas

não acontecem assim

mal começa a sua viagem neste mundo,

logo parte sem data de regresso

 

alguém se apercebeu de que falta alguém?

pais e conhecidos pensarão nele ainda?

subsistem só os objectos que lhe pertenceram,

quando o olhar os cruza, aflito,

derrama-se em lágrimas

 

eu por mim não tenho o dom da imortalidade,

à mudança estou sujeito

irei morrer, sobre isso não há a mínima dúvida

segue portanto o meu conselho,

se tens por aí um bom vinho,

não o recuses assim sem mais nem menos.

 

POEMA DE TAO YUANMING (365-427), POETA DAS DINASTIAS DE JING E LIU SONG, INCLUÍDO NO LIVRO «POESIA E PROSA», EDIÇÃO ASSÍRIO &  ALVIM, 2019. A VERSÃO PORTUGUESA É DE MANUEL AFONSO E COSTA

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publicado às 22:38


#1627 -

por Carlos Pereira \foleirices, em 20.02.12

Fantoches feitos de pau e trapo,

pareceis mesmo gente viva.

Manejando-vos com os dedos,

três voltinhas dais,

e assim se passa o tempo.

 

Mas quando as mãos do homem

vos recolhem atrás do pano,

desvanece-se a ilusão.

Nós somos todos fantoches:

sonhamos que existimos.

 

 

Poema traduzido por António Ramos Rosa escrito por Hu-Han-Tsing (685-762) - China

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publicado às 22:50


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