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#2729 - Não há nada como um bom charuto

por Carlos Pereira \foleirices, em 18.12.17

NÃO HÁ NADA COMO UM BOM CHARUTO

 

O mar está calmo esta noite

como um colchão,

e o espaço interior habitado

isso sabemos

com certeza, a

uma mesa com

uma toalha de jornal

completo com cabeçalhos que encabeçam

um bem-vindo à tua vida

a observar os poemas

a passar os olhos como carros

ou palavras que são o mesmo

 

Descontrai-te dizem as árvores empolando-se

na sua inocência,

Descontrai-te dizem os pirilampos, descontrai-te

Descontrai-te

o momento chegará,

as árvores aplaudem.

 

Poema de Larry Sawyer

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publicado às 18:53


#2728 - Atravessando o Deserto Sonâmbulo

por Carlos Pereira \foleirices, em 18.12.17

 

ATRAVESSANDO O DESERTO SONÂMBULO

 

Despe as tuas roupas e deixa-as numa longa cobra

Atrás de ti como as estrelas caem sobre ti no céu

 

Qualquer coisa te segue e se suspende do teu respirar cansado

E resmungas qualquer coisa que tropeça na tua boca

 

Ergues uma oração que paira sobre ti como uma nuvem

Enquanto a tua pele nua reflecte as paisagens do teu suor

 

Despe as tuas roupas e deixa-as numa longa cobra

Atrás de ti como as estrelas caem sobre ti no céu

 

Desejas acordar e isso é o desejo que

Não acerta na tua cara para ir repousar nas cicatrizes das dunas

 

Para onde quer que olhes vês o teu próprio corpo

E o som do proprietário dos ossos

 

Ali a caminhar onde o fogo estava

A respirar hesitantemente estas palavras

 

Poema de Larry Sawyer, poeta americano

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publicado às 18:35


#2713 - Então queres ser um escritor?

por Carlos Pereira \foleirices, em 11.12.17

CHARLES BUKOWSKI

 

ENTÃO QUERES SER UM ESCRITOR?

se não sai de ti a explodir
apesar de tudo,
não o faças.
a menos que saia sem perguntar do teu
coração, da tua cabeça, da tua boca
das tuas entranhas,
não o faças.
se tens que estar horas sentado
a olhar para um ecrã de computador
ou curvado sobre a tua
máquina de escrever
procurando as palavras,
não o faças.
se o fazes por dinheiro ou
fama,
não o faças.
se o fazes para teres
mulheres na tua cama,
não o faças.
se tens que te sentar e
reescrever uma e outra vez,
não o faças.
se dá trabalho só pensar em fazê-lo,
não o faças.
se tentas escrever como outros escreveram,
não o faças.

se tens que esperar para que saia de ti
a gritar,
então espera pacientemente.
se nunca sair de ti a gritar,
faz outra coisa.

se tens que o ler primeiro à tua mulher
ou namorada ou namorado
ou pais ou a quem quer que seja,
não estás preparado.

não sejas como muitos escritores,
não sejas como milhares de
pessoas que se consideram escritores,
não sejas chato nem aborrecido e
pedante, não te consumas com auto-devoção.
as bibliotecas de todo o mundo têm
bocejado até
adormecer
com os da tua espécie.
não sejas mais um.
não o faças.
a menos que saia da
tua alma como um míssil,
a menos que o estar parado
te leve à loucura ou
ao suicídio ou homicídio,
não o faças.
a menos que o sol dentro de ti
te queime as tripas,
não o faças.

quando chegar mesmo a altura,
e se foste escolhido,
vai acontecer
por si só e continuará a acontecer
até que tu morras ou morra em ti.

não há outra alternativa.
e nunca houve.

 

POEMA DE CHARLES BUKOWSKI

 

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publicado às 17:12


#2700 - Quatro e Meia da Manhã

por Carlos Pereira \foleirices, em 30.11.17

 CHARLES BUKOWSKI

 

os barulhos do mundo
com passarinhos vermelhos,
são quatro e meia da
manhã,
são sempre

quatro e meia da manhã,
e eu escuto
meus amigos:
os lixeiros
e os ladrões
e gatos sonhando com
minhocas,
e minhocas sonhando
os ossos
do meu amor,
e eu não posso dormir
e logo vai amanhecer,
os trabalhadores vão se levantar
e eles vão procurar por mim
no estaleiro e dirão:
“ele tá bêbado de novo”,
mas eu estarei adormecido,
finalmente, no meio das garrafas e
da luz do sol,
toda a escuridão acabada,
os braços abertos como
uma cruz,
os passarinhos vermelhos
voando,
voando,
rosas se abrindo no fumo e
como algo esfaqueado
e cicatrizando,
como 40 páginas de um romance ruim,
um sorriso bem na
minha cara de idiota.

 

POEMA DE CHARLES BUKOWSKI

 

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publicado às 18:16


#2698 - O PÁSSARO AZUL

por Carlos Pereira \foleirices, em 29.11.17

 CHARLES BUKOWSKI

Nascimento16 de agosto de 1920, Andernach, Alemanha
 
 

há um pássaro azul em meu peito
que quer sair
mas sou duro demais com ele,
eu digo, fique aí, não deixarei que ninguém o veja.
há um pássaro azul em meu peito que
quer sair
mas eu despejo uísque sobre ele e inalo
fumaça de cigarro
e as putas e os atendentes dos bares
e das mercearias
nunca saberão que
ele está
lá dentro.
há um pássaro azul em meu peito
que quer sair
mas sou duro demais com ele,
eu digo,
fique aí,
quer acabar comigo?
(…) há um pássaro azul em meu peito que
quer sair
mas sou bastante esperto, deixo que ele saia
somente em algumas noites
quando todos estão dormindo.
eu digo: sei que você está aí,
então não fique triste.
depois, o coloco de volta em seu lugar,
mas ele ainda canta um pouquinho
lá dentro, não deixo que morra
completamente
e nós dormimos juntos
assim
como nosso pacto secreto
e isto é bom o suficiente para
fazer um homem
chorar,
mas eu não choro,
e você?

 

POEMA DE CHARLES BUKOWSKI

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publicado às 23:16


#2411 - UMA DEDICATÓRIA

por Carlos Pereira \foleirices, em 29.05.17

 JAMES MERRILL (1926-1995)

 

UMA DEDICATÓRIA

 

Hans, há momentos em que todo o espírito

Se transforma num par de olhos transbordantes, ou lábios

Abrindo-se para beber da funda nascente de uma morte

Cuja frescura ainda não precisam de entender.

São estes os momentos, se os há, em que um anjo entra

No espírito, como reis nas vestes

De um pobre cabreiro, para os seus actos de caridade.

Há momentos em que a fala é apenas uma boca colada

Breve e humildemente na mão do anjo.

 

POEMA DO POETA AMERICANO JAMES MERRILL

_______________________________________________________________

James Merrill

1926-1995 , New York City , NY
 
Chancellor 1979-1995
 

James Ingram Merrill was born in New York City on March 3, 1926, and grew up in Manhattan and Southampton. He was the son of Charles Merrill, cofounder of the brokerage firm Merrill Lynch, and his second wife, Hellen Ingram. At the age of eight, he was already writing poems, and at age sixteen, while he was in prep school, his father had a book of them privately printed under the title Jim’s Book. His parents divorced in 1939, when he was thirteen.

He attended Amherst College, where he studied under Reuben Brower, who would later, at Harvard, train many renowned critics and teachers of literature. It was also at Amherst that he first met Robert Frost. His studies were interrupted by service in the U.S. Army from 1944 to 1945. Another book, The Black Swan, was privately printed while he was still in college, in 1946, and in 1947 he graduated summa cum laude. His undergraduate thesis was on metaphor in Proust, and John Hollander writes that Merrill’s work “was continually reengaging those Proustian themes of the retrieval of lost childhood, the operations of involuntary memory and of an imaginative memory even more mysterious . . .”

He went on to teach for a year at Bard College, then spent the next two-and-a-half years traveling Europe—, a period described in his 1993 memoir, A Different Person. His first trade book, First Poems, was published by Alfred A. Knopf in 1951 to great acclaim. In 1955 he moved to the small coastal town of Stonington, Connecticut, with his companion David Jackson. (The address of that house, on Water Street, furnished the title for his 1962 book of poems.) In 1956 he used a portion of his inheritance to found the Ingram Merrill Foundation, which has since awarded grants to hundreds of artists and writers. His first novel, the semi-autobiographical Seraglio, was published by Alfred A. Knopf in 1957. Two years later, he and David Jackson moved to a house in Athens, where they spent part of each year until 1979.

James Merrill’s second novel, The (Diblos) Notebook (1965) was a finalist for the National Book Award in Fiction, and the following year his Nights and Days won the National Book Award in Poetry. He went on to earn numerous awards for his poetry, including the Bollingen Prize for Braving the Elements (1972), the Pulitzer Prize for Divine Comedies (composed with the help of a Ouija board; 1976), a second National Book Award for Mirabell (1978), the National Book Critics Circle Award for his epic poem The Changing Light at Sandover (1982), and the first Bobbitt National Prize for Poetry awarded by the Library of Congress for The Inner Room (1988).

He served as a Chancellor of the Academy from 1979 until his death on February 6, 1995. James Merrill died of a heart attack, at the age of sixty-eight, while on vacation in Arizona. His last book, A Scattering of Salts (Alfred A. Knopf), was published a month later.


Selected Bibliography

Poetry

A Scattering of Salts (1995)
Selected Poems 1946-1985 (1992)
The Inner Room (1988)
Late Settings (1985)
From the First Nine: Poems 1946-1976 (1982)
The Changing Light at Sandover (1982)
Scripts for the Pageant (1980)
Mirabell: Books of Number (1978)
Divine Comedies (1976)
Braving the Elements (1972)
The Fire Screen (1969)
Nights and Days (1966)
Water Street (1962)
The Country of a Thousand Years of Peace (1959)
First Poems (1951)

Prose

A Different Person (1993)
Recitative (1986)

Drama

The Bait (1960)
The Immortal Husband (1955)

Letters

The (Diblos) Notebook (1965)
The Seraglio (1957)

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publicado às 14:30


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