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#3054 - RELEVÂNCIAS DO PENSAMENTO - ANTÓNIO DE FREITAS

por Carlos Pereira \foleirices, em 31.10.19

ANTÓNIO DE FREITAS

 

O currículo de António de Freitas não pode ser resumido, é um puzzle, onde todos os passos encaixam para compor um mapa-mundi de conhecimento excepcional. Licenciado em Matemática pela Universidade Simón Bolívar de Caracas, fez estudos de pós-graduação no Warburg Institute da Universidade de Londres, na área da Lógica Medieval, e escreveu a sua tese de doutoramento sobre a origem do pensamento filosófico grego e a sua relação com o Oriente  Próximo, especialmente com os hititas. Fez estudos avançados de línguas e culturas do Oriente Próximo na School of Oriental and African Studies (Universidade de Londres) sob a direcção de David Hawkins e de língua grega na Universidade de Cambridge. É especialista em línguas do Oriente Próximo, acádico, outras línguas semitas e sumério, e em escrita cuneiforme. É também conhecedor de línguas indo-europeias como o hitita, o sânscrito e o grego. Tem sido professor de Matemática, Lógica, Filosofia e Linguística Indo-Europeia em diversas universidades portuguesas e estrangeiras. É membro especialista da equipa do projecto de escavação arqueológica de Tel Burna (Israel), comsultor científico do Museu Calouste Gulbenkian e investigador do Centro de Estudos Humanísticos da Universidade do Minho. A sua área de investigação é a interacção entre o Oriente Próximo e o Médio Oriente, o mundo indo-europeu desde a Idade do Bronze até ao período arcaico da Grécia, com enfoque na origem do pensamento matemático-filosófico grego. 

António de Freitas tem 55 anos de idade e pelo menos 43 de prática intensiva de estudo e reflexão. O seu actual projecto está relacionado com o estudo de relatos antigos sobre o fim do mundo, o qual terá como um dos resultados um livro. Em geral, o seu futuro aponta para estudos interculturais na zona do Levante até à Anatólia e à Grécia, nos períodos  desde a Idade do Bronze até à Idade do Ferro.

 

TEXTO DE FILIPA MELO EM ENTREVISTA A ANTÓNIO DE FREITAS PUBLICADA NA REVISTA  LER, EDIÇÃO DE VERÃO 2019, N.º 154

 

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publicado às 16:56


#2605 - O Quixote na voz dos escritores portugueses

por Carlos Pereira \foleirices, em 28.09.17

 Nação pequena que foi maior do que os deuses em geral o permitem, Portugal precisa dessa espécie de delírio manso, desse sonho acordado que, às vezes, se assemelha ao dos videntes (voyants no sentido de Rimbaud) e, outras, à pura inconsciência, para estar à altura de si mesmo. Poucos povos serão como o nosso tão intimamente quixotescos, quer dizer, tão indistintamente Quixote e Sancho. Quando se sonharam sonhos maiores do que nós, mesmo a parte de Sancho que nos enraíza na realidade  está sempre pronta a tomar os moinhos por gigantes. A nossa última aventura quixotesca tirou-nos a venda dos olhos, e a nossa imagem é hoje mais serena e mais harmoniosa que noutras épocas de desvairo o pôde ser. Mas não nos muda so sonhos.

 

Eduardo Lourenço, «Portugal - identidade e imagem».

                                Nós e a Europa ou as duas razões (1988)

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publicado às 19:52


#2427 - George Steiner

por Carlos Pereira \foleirices, em 04.06.17

 George Steiner - (1929 - )

 

A retórica política é capaz de matar. A política pode assassinar por meio da linguagem. O horror do movimento nazi foi largamente baseado na retórica, na propaganda. Muito mais poderosas do que qualquer exército são as mentiras do totalitarismo. O totalitarismo funciona através da linguagem. E também existe outro fenónemo: pode ser-se um grande artista e um assassino, uma pessoa a favor do extermínio. Há um momento muito importante nos diários de Cosima Wagner, em que Wagner está lá em cima, no primeiro andar, e ela ouve-o ao piano a reveer o 3.º acto do "Tristão". Ele desce para almoçar, e de que é que eles falam? De como queimar os judeus. O homem que tinha estado a compor a melhor música do mundo desce para almoçar e discute alegremente como livrar-se dos judeus. O que quero dizer é que eu não poderia viver num mundo sem a música de Wagner. A minha dívida para com ele é enorme. A minha dívida para com Nietszche, para com Céline! Que livros belos e horrendos! Não tenho resposta para estas pessoas. Não há explicação. Perante os gigantes temos de ficar calados."

 

(...) O nacionalismo é um veneno absoluto. Lembro-me das palavras justíssimas de Georges Clemenceau: "Não somos patriotas, somos chauvinistas." É uma distinção importante. O patriotismo pode ser decente, mas o chauvinismo - o nacionalismo - é algo muito, muito feio. Desprezar outra pessoa por ter uma nacionalidade diferente, isso não o posso compreender nem aceitar. Porque, afinal, o que é que nós escolhemos? Não escolhemos onde nascemos, quando, com que condições. Somos convidados nesta terra. Vou dizer-lhe uma coisa central: acredito que cada lugar deste mundo pode ser interessante. Não consigo pensar num lugar que não o pudesse ser. Se fosse mais novo e tivesse de voltar a mudar de país, tentaria, primeiro, aprender a língua. Seria certamente fascinante aceder a uma nova civilização. Não há lugares aborrecidos na Terra. Isto é o que receio em relação aos mais novos hoje em dia: que  por causa da sua obsessão com os media artificiais, tenham pouco entusiasmo pelas experiências genuinamente criativas."

 

Excerto da entrevista realizada por Luciana Leiderfarb a George Steiner e publicada na Revista "E" - A revista do Expresso, Edição 2327, de 3 de Junho de 2017

 

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publicado às 19:50

Antonio Negri, conhecido por Toni Negri, é um pensador e activista italiano. É autor de uma vasta obra em que o pensamento político radical se mistura com a filosofia de Espinosa. Foi dirigente da organização de extrema-esquerda Poder Operário. Esteve preso. É nome cimeiro da corrente marxista autonomista.

 

Num dos seus muitos livros, Antonio Negri fala de Kairòs, o momento em que Deus toca na história; este filósofo italiano que nasceu em Pádua em 1933 já viu muitas vezes a história ser feita. E pagou o preço por isso. Acusado, por “arrependidos”, de ser o mentor ideológico das Brigadas Vermelhas, esteve preso. A Itália assustada com o terrorismo de extrema-direita e de extrema-esquerda precisava de exorcizar os seus fantasmas, mesmo que isso significasse acusar falsamente. Tem uma vasta obra escrita, em que se destaca, depois da sua libertação da prisão, “O Império”, escrito com o norte-americano Michael Hardt. Esteve em Lisboa para falar de manifestações e dos novos manifestos que aí vêm.

 

Ler a entrevista aqui por Nuno Ramos de Almeida

 

 

Vídeo relativo à presença de Antonio Negri em Outubro de 2011 na Biblioteca Municipal de Santa Maria da Feira


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publicado às 19:10


#1569 - Europa ou o diálogo que nos falta

por Carlos Pereira \foleirices, em 11.01.12

 

O mundo da cultura portuguesa arrasta há quatro séculos uma existência crepuscular.

 

Passando à margem dos três decisivos acontecimentos espirituais da idade moderna - a cisão religiosa das reformas, a criação da físico-matemática e a filosofia cartesiana -, a nossa cultura dos séculos XV e XVI perdeu o que tinha de vivo e prometedor, para conservar apenas o comentarismo ruminante e estéril, do qual aliás jamais se libertara completamente, mesmo nas suas horas mais felizes.

 

De então para cá, têm-na salvo da morte absoluta os raros que teimaram em acreditar ser possível ascender de novo ao espírito da Europa. Mas sempre que isso aconteceu, a minoria responsável pelo nosso destino cultural não hesitou em submergir os seus autores no silêncio, antepondo-lhes uma inércia premeditada ou um veto concertado e decidido.

 

 

Excerto de um texto de Eduardo Lourenço retirado do livro Heterodoxia I, edição Gradiva 2005

 

 

 

 

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publicado às 23:29


Eduardo Lourenço (1923-) - Congresso Internacional

por Carlos Pereira \foleirices, em 20.09.08

O Centro Nacional de Cultura organiza nos dias 6 e 7 de Outubro um Congresso Internacional dedicado à obra de Eduardo Lourenço. O congresso realizar-se-á na Fundação Calouste Gulbenkian

 

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publicado às 18:17


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