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#2788 - Nuno Júdice vence prémio Rosalía de Castro do PEN Galiza

por Carlos Pereira \foleirices, em 06.03.18

 

Nuno Júdice venceu o prémio Rosalía de Castro do PEN Clube Galego, que distingue, de dois em dois anos, escritores relevantes de língua castelhana, catalã, basca e portuguesa pelos seus trabalhos publicados em vários géneros literários.

Nesta 12ª edição, os prémios foram igualmente atribuídos à mexicana Carmen Boullosa, ao catalão Sergi Belbel e ao basco Harkaitz Cano.

O júri considerou que o escritor português tem feito “um ótimo trabalho em vários géneros”, que vão desde o romance até à poesia, mas que  passam, também, pelo ensaio.

 

Autor: Escritores.online

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publicado às 12:04


#1999 - Carta de Orfeu a Eurídice

por Carlos Pereira \foleirices, em 19.05.16

 Nuno Júdice

 

A brevidade: por vezes, a mais longa das linhas

do tempo, cruzando-se com o desejo de permanência

que sustenta a sua ilusão. Logo, porém, a realidade nos

impõe a sua regra. O que é transforma-se no que foi,

com a melancolia que arrasta o sentimento da 

passagem, como se o rio pudesse parar para sempre

no instante em que a felicidade parece suspender

o seu curso. Avançamos, então, contra essas sensações

que nos trazem um esplendor de rosa, aberta ao sol

do meio-dia, antes que a sombra da tarde a atinja

com a sua seta obscura. Uma ferida sangra entre pétalas

emurchecidas; e o ramo sugere a queda nocturna, onde

uma perseguição de prazer se confunde com a inquietação

da morte.

 

Olho-te, então, contra a perspectiva do efémero. Conto

cada uma das olheiras construídas no trabalho

do amor, sabendo que um vórtice de esquecimento

as restituirá à insónia da madrugada. Nessa hora, quantas 

palavras trocaram esses amantes que o passado

vestiu com o seu manto de memória... Como se a manhã

não chegasse, trazendo a separação que corrói

a pele da alma, e prende toda a esperança a uma ilusão

de saudade. Por que lhe resistes?, pergunto. Em que

vazio afogarás este amor que insiste em respirar, como

se não soubesses que nada o substitui? Não

te enganes, como não se engana esse des cego às concessões

do presente, voando para os espaços mais inacessíveis,

e levando no bater das asas o mais fundo

dos abraços.

 

Segue esse voo com o impulso antigo; e

não percas o sabor desse filtro que os nossos lábios

trocaram, no mais solitário dos instantes.

 

Poema de Nuno Júdice

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publicado às 18:17


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