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#3141 - ACONTECEU-ME ||| Poema de José de Almada Negreiros

por Carlos Pereira \foleirices, em 15.11.20

 

ACONTECEU-ME

 

Eu vinha de comprar fósforos

e uns olhos de mulher feita

olhos de menos idade que a sua

não deixavam acender-me o cigarro.

Eu era eureka para aqueles olhos.

Entre mim e ela passava gente como se não passasse

e ela não podia ficar parada

nem eu vê-la sumir-se.

Retive a sua silhueta

para não perder-me daqueles olhos que me levavam espetado.

E eu tenho visto olhos!

Mas nenhuns que me vissem

nenhuns para quem eu fosse um achado existir

para quem eu lhes acertasse lá na sua ideia

olhos como agulhas de despertar

como íman de atrair-me vivo

olhos para mim!

Quando havia mais luz

a luz tornava-me quase real o  seu corpo

e apagavam-se-me os seus olhos

o mistério suspenso por um cabelo

pelo hábito deste real injusto

tinha de pôr mais distância entre ela e mim

para acender outra vez aqueles olhos

que talvez não fossem como eu os vi

e ainda que o não fossem, que importa?

Vi o mistério!

Obrigado a ti mulher que não conheço.

 

Poema de Almada Negreiros  (ALMADA: O Escritor - O Ilustrador, 1993) 

 

____________________________________________________________________________________

JOSÉ DE ALMADA NEGREIROS,  um dos autores fundamentais do Modernismo português, foi uma personalidade eclética: poeta, ficcionista, ensaísta, dramaturgo, mas também bailarino, artista plástico (pintor, desenhador, ilustrador, gravador, cartoonista, caricaturista, etc.). Poeta original, provocador, "sensacionista", tanto se empenhou na problemática do homem moderno como na de Portugal, e alternou os poemas crítico-satíricos com poemas (às vezes em prosa) que remetem para os mistérios da criação.

Nasceu na Ilha de São Tomé, São Tomé e Príncipe, em 1893 e morreu em Lisboa em 1970.

 

 

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publicado às 17:23


Fernando Pessoa e o Modernismo Português

por Carlos Pereira \foleirices, em 12.12.08

 

"Dicionário de Fernando Pessoa e do Modernismo Português" já está nas livrarias
 
Tem quase mil páginas o "Dicionário de Fernando Pessoa e do Modernismo Português" com coordenação de Fernando Cabral Martins, editado pela Caminho, e que está nas livrarias portuguesas desde ontem. Demorou dois anos a ser concretizado é um dos mais importantes lançamentos editoriais deste ano.
 

 

Fernando Pessoa é o "centro" deste livro que pretende reunir a soma dos conhecimentos actuais sobre a sua obra e sobre o Modernismo. "A ideia de um dicionário sobre o Modernismo tinha-se revelado de todo impraticável a princípio, dada a dificuldade conceptual de definir Modernismo", escreve Fernando Cabral Martins no capítulo de apresentação. O professor universitário também explica que havia a dificuldade prática de estabelecer balizas cronológicas que tornassem aceitável a sua transformação em período. Mas tudo isto foi ultrapassado quando decidiram centralizar todas as matérias na figura de Fernando Pessoa e nas datas da sua aparição pública entre 1912 e 1935. O coordenador desta obra foi tradutor e crítico de cinema, doutorou-se na Universidade Nova de Lisboa onde é professor de crítica textual e de literatura portuguesa, e reuniu neste projecto mais de 80 especialistas da área da literatura e das artes visuais (desde Abel Barros Baptista a Zília Osório de Castro), autores das cerca de 600 entradas deste dicionário que ajudam a definir os traços culturais do tempo em que Pessoa viveu. Os principais nomes, títulos, imagens e temas que se relacionam com Fernando Pessoa estão lá. O "Dicionário de Fernando Pessoa e do Modernismo Português" começa com uma cronologia de Fernando Pessoa e depois segue com as entradas. Uma delas é sobre a "arca": a arca dos inéditos que foi leiloada na semana passada em Lisboa. E que nos primeiros tempos albergava sacos de papel e embrulhos atados com cordéis contendo os escritos do poeta. Outra entrada é sobre "cafés" onde se formavam tertúlias, onde se discutia pintura, literatura e política. O dicionário começa com "À Memória do Presidente-Rei Sidónio Pais" e termina com a palavra "Zen".
 

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publicado às 19:40


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