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JONATHAN LITTELL

Respostas de Jonathan Littell retiradas de uma entrevista conduzida por Luciana Leiderfarb e publicada na revista "E" - A Revista do Expresso, Edição 2410, de 5 de Janeiro de 2019.

 

"... Ele (Trump) faz-me lembrar Nixon - embora Nixon fosse muito mais inteligente. Trump é um homem estúpido, parece um daqueles mestres de cerimónia de circo ou de feira [carnival barkers], que berram aos megafones para atrair pessoas."

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Observação da jornalista quando pergunta  ("A História não ensina nada?") Foram sentimentos desse tipo que, em muitos casos, mataram os nossos avós.

Resposta: Sim, e pera isso existem milhares de razões. Uma delas é que a globalização tornou algumas pessoas muito, muito ricas, enquanto outras ficaram muito, muito pobres, à beira da miséria. As pessoas estão assustadas, e por estarem assustadas são permeáveis a todo o tipo de discurso populista e xenófobo, à extrema-direita nacionalista. Veja o que se passa com o «Brexit»: é um dado objectivo que a saída do Reino Unido da União Europeia vai arruinar uma economia já de si bastante frágil, mas vence o argumento de que «as pessoas» escolheram este caminho. Isso é mentira, que «pessoas» são essas? O sistema educativo do país é disfuncional há duas gerações, há desemprego de longa duração, há gente que jamais teve um emprego na vida e cujos pais e avós nunca tiveram. Que tipo de decisão informada pode esta gente tomar sobre a UE? O que lhes interessa a UE?

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"... Vamos estar demasiado ocupados em sobreviver. Se nada mudar, podemos até ter uma guerra na Europa. É matemático: se não fizermos nada acerca das alterações climáticas, as previsões são catastróficas. Agora temos um milhão de migrantes. Imagine 20 ou 30 milhões, a virem de toda a parte, porque as suas regiões foram destruídas. Nessa altura, toda a gente se vai passar, e muito sangue vai ser derramado. E as democracias ocidentais vão sucumbir nos seus valores elementares - o que é típico da forma como os seres humanos gerem as coisas. Criamos todos estes brinquedos, estes computadores, estes smartphones, e nem sabemos como os usar. Uma das mais complexas conquistas da humanidade é utilizada para tirar selfies e fotografias de comida, que partilhamos nas redes sociais.

"(...) Amplificado (egocentrismo)  por estas máquinas, que foram desenhadas para aumentar os traços mais negartivos das pessoas. Gostemos ou não do  comunismo, o movimento que o originou foi o das pessoas a unirem-se e a tentarem mudar a sociedade. O mesmo acontece com as democracias: é sempre a acção colectiva que faz o mundo avançar. Todos estes brinquedos estão a conduzir à desintegração da sociedade, cada um está a olhar para si próprio, a entreter-se a tirar fotografias. Nesse contexto, as pessoas mais estúpidas ficam muito vulneráveis a tipos como Trump ou Bolsonaro. E as pessoas  inteligentes estão demasiado ocupadas com as selfies para empreender algum tipo de acção. Então, quando Lisboa se tiver afundado no Oceano Atlântico, vão poder fotografar-se enquanto se afogam e vai ser genial! Vão com certeza captar momentos muito bonitos."

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publicado às 17:50


#2465 - EDUARDO LOURENÇO

por Carlos Pereira \foleirices, em 24.06.17

 

Pensar é ser um eco do que o Cosmos tem para nos dizer. É saber o que somos como tempo passado, como História

 

In Revista "E" do Jornal Expresso de 24 de Junho de 2017 - Entrevista a Eduardo Lourenço por Luciana Leiderfarb

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publicado às 21:42


#2427 - George Steiner

por Carlos Pereira \foleirices, em 04.06.17

 George Steiner - (1929 - )

 

A retórica política é capaz de matar. A política pode assassinar por meio da linguagem. O horror do movimento nazi foi largamente baseado na retórica, na propaganda. Muito mais poderosas do que qualquer exército são as mentiras do totalitarismo. O totalitarismo funciona através da linguagem. E também existe outro fenónemo: pode ser-se um grande artista e um assassino, uma pessoa a favor do extermínio. Há um momento muito importante nos diários de Cosima Wagner, em que Wagner está lá em cima, no primeiro andar, e ela ouve-o ao piano a reveer o 3.º acto do "Tristão". Ele desce para almoçar, e de que é que eles falam? De como queimar os judeus. O homem que tinha estado a compor a melhor música do mundo desce para almoçar e discute alegremente como livrar-se dos judeus. O que quero dizer é que eu não poderia viver num mundo sem a música de Wagner. A minha dívida para com ele é enorme. A minha dívida para com Nietszche, para com Céline! Que livros belos e horrendos! Não tenho resposta para estas pessoas. Não há explicação. Perante os gigantes temos de ficar calados."

 

(...) O nacionalismo é um veneno absoluto. Lembro-me das palavras justíssimas de Georges Clemenceau: "Não somos patriotas, somos chauvinistas." É uma distinção importante. O patriotismo pode ser decente, mas o chauvinismo - o nacionalismo - é algo muito, muito feio. Desprezar outra pessoa por ter uma nacionalidade diferente, isso não o posso compreender nem aceitar. Porque, afinal, o que é que nós escolhemos? Não escolhemos onde nascemos, quando, com que condições. Somos convidados nesta terra. Vou dizer-lhe uma coisa central: acredito que cada lugar deste mundo pode ser interessante. Não consigo pensar num lugar que não o pudesse ser. Se fosse mais novo e tivesse de voltar a mudar de país, tentaria, primeiro, aprender a língua. Seria certamente fascinante aceder a uma nova civilização. Não há lugares aborrecidos na Terra. Isto é o que receio em relação aos mais novos hoje em dia: que  por causa da sua obsessão com os media artificiais, tenham pouco entusiasmo pelas experiências genuinamente criativas."

 

Excerto da entrevista realizada por Luciana Leiderfarb a George Steiner e publicada na Revista "E" - A revista do Expresso, Edição 2327, de 3 de Junho de 2017

 

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publicado às 19:50


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