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#860 - Máscaras da Utopia

por Carlos Pereira \foleirices, em 09.07.09

Apresentação do livro

Apresentação do livro 'Máscaras da Utopia'

por Luís Miguel Cintra e Jorge Silva Melo

10/07/2009
18h30
Aud. 3 da Fundação Calouste Gulbenkian

 


Uma História do Teatro Universitário em Portugal foi recentemente publicada com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian. De autoria de José Oliveira Barata e com o título Máscaras da Utopia, retrata mais de três décadas de actividade dos grupos de teatro académico, abrangendo o período de 1938 a 1974. Ao aprofundar os percursos de grupos como o TEUC(Teatro dos Estudantes da Universidade de Coimbra), o TUP(Teatro Universitário do Porto), o CITAC (Círculo de Iniciação Teatral da Academia de Coimbra), o Grupo Cénico da Associação de Estudantes da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa ou o Grupo de Teatro da Faculdade de Letras de Lisboa, entre outros, o livro reenvia inevitavelmente para a vida cultural e política da época, em pleno Estado Novo, marcada por fortes restrições à expressão criativa e liberdade associativa. Professor catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, José Oliveira Barata participou no TEUC, enquanto estudante, como actor e membro da direcção. Conciliando um percurso de reflexão teórica com a prática cénica, é autor de uma vasta bibliografia sobre teatro. O livro é o resultado de dois anos de investigação a partir de um amplo acervo pessoal, estendido a muitas outras fontes, testemunhos e documentação. Ao longo de quase 400 páginas, reúne informação relevante sobre a vida destes grupos universitários, historiando o seu percurso e identificando, de um modo muito completo, os principais intervenientes. Ao mesmo tempo, procura responder a várias questões como, por exemplo, quem defendeu ou procurou impedir o projecto do Teatro Universitário, de que modo se articulavam os projectos dos vários grupos de teatro universitário com a oposição política do país ou que importância teve o teatro protagonizado por estudantes universitários no diálogo com o teatro profissional e com o teatro amador.


O apoio da Fundação ao teatro em geral é destacado nesta obra, bem como os subsídios regulares aos grupos de teatro universitário. Este apoio traduziu-se no reforço das estruturas logísticas e técnicas, na atribuição de subsídios à produção de espectáculos, na contratação de encenadores e deslocações a Festivais Internacionais. São também lembrados os esforços de descentralização representados por iniciativas como o Ciclo Gulbenkian de Teatro. Em 1961, António Ferrer Correia, na altura administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, justificava o apoio da Fundação ao primeiro curso de teatro do CITAC afirmando na cerimónia de abertura, o valor da cultura “como essencial pressuposto de liberdade, de tolerância, de fraternidade humana”, e sublinhando a necessidade de acordar e fomentar a consciência destes valores no espírito do jovem universitário.

 

Assumindo a sua paixão pelo teatro, que viveu de um modo intenso como actor, dirigente e ensaísta, José Oliveira Barata reúne nesta obra o que até hoje se encontrava disperso e fragmentado, sistematizando estas décadas de actividade teatral, com o olhar informado e cúmplice de quem “esteve lá”. Recordando esses tempos de entusiasmo juvenil, salientou para a Newsletter o modo como a oposição ao regime fervilhava nos movimentos associativos, realçando também o extraordinário espírito colectivo e de cooperação que existia no seio dos grupos de teatro universitário, que levava os actores a desempenhar outras funções de cena, da iluminação à abertura das cortinas. Para além dos problemas suscitados pela mentalidade da época e que, entre outras coisas, colocava reservas à participação das raparigas do grupo em digressões, havia também a convivência regular com a censura. Lembra, por exemplo, que nos ensaios que realizavam para a censura, ensaiavam-se também estratégias para enganar os censores, ao ponto de os actores retirarem toda a intensidade interpretativa, no palco, esperando que qualquer sentido mais “subversivo” de um texto pudesse escapar, neutralizado pelo tom monocórdico da declamação. Às vezes esta estratégia era suficiente para driblar um censor menos perspicaz (o que nem sempre acontecia), e, para grande satisfação de todos, o projecto ia em frente. Centenas e centenas inscreveram o seu nome nos vários grupos de teatro universitário, alguns dos quais tornando-se figuras fundamentais do teatro nacional, pelo que Oliveira Barata afirma estar confiante de que o livro terá uma grande receptividade a nível nacional. O livro será, aliás, apresentado por duas dessas figuras maiores – Luís Miguel Cintra e Jorge Silva Melo – no dia 10 de Julho, às 18h30, na Fundação Calouste Gulbenkian.

 

Fundação Calouste Gulbenkian

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publicado às 23:51


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