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#3241 - MÚSICA

POEMA DE ANTÓNIO GANCHO

por Carlos Pereira \foleirices, em 25.11.22

MÚSICA

 

A música vinha duma mansidão de consciência

era como que uma cadeira sentada sem

um não falar de coisa alguma com a palavra por baixo

nada fazia prever que o vento fosse de azul para cima

e que a pose uma nostalgia de movimento deambulante

era-se como se tudo por cima duma vontade de fazer uma asa

nós não movimentamos o espaço mas a vida erege a cifra

constrói por dentro um vocábulo sem se saber

como o que será

era um sinal que vinha duma atmosfera simplificante

silêncio como um pássaro caído a falar do comprimento.

 

Poema de António Gancho in "Ar  da  Manhã", edição Assírio & Alvim, 2022.

 

_________________________________________________________________________________________________________________

Poeta e ficionista. Nascido no início da década de 40, a poesia de António Gancho permaneceu inédita até 1985, data em que Herberto Helder reuniu, na sua antologia Edoi Lelia Doura, onze poemas do autor até então completamente desconhecido. As poucas informações biográficas disponíveis sobre António Gancho encontram-se aí expostas, dando a perceber a razão da escassez de publicação da obra deste poeta: «Com pouco mais de 20 anos foi internado numa clínica psiquiátrica, tendo vivido desde então em estabelecimentos deste género.» Sabe-se hoje que António Gancho viveu no estabelecimento psiquiátrico de Telhal (arredores de Lisboa) desde 1967 até à sua morte a 2 de Janeiro de 2006. Retirado da convivência editorial devido ao seu internamento, foi através do contacto com alguns amigos (de entre os quais se destacam Álvaro Lapa, António Palolo e Mário Cesariny, com os quais António Gancho tinha primeiramente contactado aquando da sua frequência do Café Gelo, ligado ao grupo dos surrealistas) que a sua produção chegou às mãos do editor. Assim, só em 1995 foi possível reunir, no volume intitulado O Ar da Manhã, toda a sua produção poética, datada de entre 1960 e 1985. Dividido em três conjuntos autónomos de poemas («Gaio do Espírito», 1985/86, «Poesia Prometida», 1985, e «Poemas Digitais», 1989), o livro em que se reúne a poesia de António Grango evidencia alguma heterogeneidade de temas e de formas poéticas, não sendo fácil a sua síntese. Assim, a par de poemas em que se explora ludicamente a materialidade sonora da linguagem como, por exemplo, nos versos «Route / Rota / Caminho puro e são / Chanção / Coração / Sahara / Uazara / Oasara / Oasimara»), com evidentes ressonâncias surrealistas, existem também alguns poemas, escritos na língua original dos autores homenageados, que se constituem como tributos a, entre outros, François Villon e Oscar Wilde, por via dos quais se estabelece uma interessante intertextualidade com os autores citados. Alguns dos mais interessantes poemas de António Gancho são aqueles em que está presente uma certa auto-reflexividade sobre os princípios de criação poética e que dão a ler os alicerçes da sua prática poética: «Nasce o sol e nasce o poema / e com esta simultaneidade / o que o poeta significa é que a sua arte é luz». Concebida como um processo de simultânea integração e totalização do homem na natureza, a poesia de António Gancho poderia ser sintetizada nestes versos seus, onde se afirma que «A poesia nasce e faz-se aqui neste fazer-se poesia. / […] A poesia assim maravilhosamente constituída / […] faz do homem o ser absoluto por natureza», sobretudo porque esta se funda num princípio de transmutação de todas as coisas: «A poesia assim é uma maravilhosa alquimia da vida».

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publicado às 20:58


#3240 - 98

POEMA DE ANTÓNIO CABRITA

por Carlos Pereira \foleirices, em 25.11.22

98

 

Como querer viver sem estar ferido,

meu amor? O falcão e a rola

desprendem-se da mesma nuvem,

de um mesmo sono sem cuidados.

 

Como estar vivo e não me engastar

No medo relativo? Heitor

é o estado que acrescentei ao nome,

a telha que faltava ao céu azul,

 

as tuas três sílabas de argila

com que a água escora o vento

e o hálito aclara a alusão:

presença de si mesmo desvendada

 

Poema de António Cabrita in "Tristia," Porto Eitora, 2021.

 

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BIOGRAFIA

António Cabrita (1959) tem vinte e tal livros publicados, em Portugal, Brasil (três livros de ficção) e Moçambique (livros de fábulas, poesia e ensaio). Foi jornalista durante 23 anos e editor (Fim de Século e Íman Edições). Em 2005 emigrou para Moçambique onde, neste momento, é professor de Dramaturgia e cronista no semanário Savana. Tem também uma coluna no jornal Hoje Macau. Escreveu inúmeros filmes. De entre os seus livros destacam-se: Inferno, 2001, três guiões sobre Camilo Castelo Branco, escritos em parceria com Maria Velho da Costa, Bagagem não ReclamadaAnatomia Comparada dos Animais Selvagens (Prémio PEN Clube 2018), e a Kodak faliu. também Dick, o cão da minha infância, 2020, poesia; e A Maldição de Ondina, 2013 (finalista do Prémio Literário Casino da Póvoa - C. M. Póvoa de Varzim 2013), Éter, 2015 (finalista do Prémio PEN Clube 2016), A Paixão segundo João de Deus, 2019, e Fotografar contra a luz, 2020, romances. Como tradutor, realça-se a sua antologia de poesia hispânica, As Causas Perdidas, 2020.
 
FONTE: 

PORTO EDITORA

 

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publicado às 20:35


#3239 - ROMANCE DE POMPEIA

POEMA DE DAVID MOURÃO-FERREIRA

por Carlos Pereira \foleirices, em 23.11.22

ROMANCE DE POMPEIA

 

Ninguém nos vem em socorro

Ninguém nos liberta os braços

Há dois milénios que somos

os amantes soterrados

Nem o mais ínfimo agouro

na manhã daquela tarde

Mas era o último encontro

sem que ninguém o sonhasse

E soubemos ir tão longe

tão enlaçados ficámos

que em tudo vibrava o sboço

de uma já eternidade

Mergulhados neste sono

há dois milénios ou quase

é ainda o dia de hoje

esse ontem tão recuado

Ou foi sonho o dia de ontem

e desde então acordados

nem cremos que à nossa roda

existisse uma cidade

que lá fora houvesse um Foro

lojas   casas   balneários

Apenas o teu pescoço

Apenas as tuas pálpebras

Apenas o antegosto

de sabê-las deflagradas

Sentimos súbito um sopro

mais escaldante      Julgámos

que o ar se tornara louco

do calor dos nossos lábios

que ia arder o mundo todo

com o fogo que lhe dávamos

Só depois vimos que o fogo

de encontro a nós avançava

líquido    espesso    de rojo

como um imenso lagarto

putrefacto e cujo dorso

cada vez mais coruscava

E tanto crescia em torno

da casa onde stávamos

e tanto subia ao topo

de paredes e telhado

e tanto o ardente bojo

se ia tornando compacto

que de súbito esse forno

de todo nos apertava

Leio terror no teu rosto

pânico em tuas spáduas

pavor em todo o teu corpo

que era hápouco o de uma galga

o de uma galga no ponto

mais elevado do orgasmo

E nesse ponto de há pouco

eternizados ficámos

Somos assim um do outro

há dois milénios ou quase

saboreando o tesouro

da eternidade do auge

Ao profundíssimo poço

até hoje inviolado

que no chão se abriu e onde

vivos ainda tombámos

chegam-nos vagos rumores

do que por cima se passa

todo o sonho     todo o logro

que por cima tem passado

Cascos agudos de donos

e pés desnudos de escravos

cupidez de demagogos

estupidez  de soldados

os que bramam contra o lodo

para mais lodo criarem

os que rastejam no tojo

até se julgarem águias

os que ao céu o fogo roubam

mas em fumo se desfazem

utopias de alguns tontos

visões de alguns visionários

que se quebraram de encontro

ao gelo dos homens práticos

de cujos hábeis engodos

nos poderiam ter salvo

E também a luz     a força

de corpos jovens e ágeis

corças     panteras     e potras

mais belas quanto selvagens

há lei do que há-de ser podre

todavia condenadas

Antes o fim que nos coube

Se é  que fim pode chamar-se

a este abraço em que somos

um só astro     uma só státua

uma só chama     um só tronco

por toda a eternidade

mais livres porque um do outro

um ao outro acorrentados

Ninguém nos venha em socorro

Ninguém nos deslace os braços

 

POEMA DE DAVID MOURÃO-FERREIRA, in "OBRA POÉTICA" [1948-1995], EDIÇÃO ASSÍRIO & ALVIM, NOVEMBRO 2019

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publicado às 17:58


#3238 - PRÉMIO LEYA DE LITERATURA

por Carlos Pereira \foleirices, em 27.10.22

Celso José da Costa, brasileiro, 73 anos, natural do Estado do Paraná, venceu, com o livro "A Arte de Driblar Destinos" o Prémio Leya de Literatura 2022, para romances inéditos em língua portuguesa.

 

Estiveram a concurso 218 originais provenientes de Portugal, Brasil, Espanha, Alemanha, Holanda, Inglaterra, Moçambique e Polónia.

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publicado às 22:07


#3236 - THE BOOKER PRIZE 2022

por Carlos Pereira \foleirices, em 19.10.22

O escritor cingalês Shehan Karunatilaka venceu, com o livro "The Seven Moons Of Maali Almeida", The Booker Prize 2022.

 

"The Seven Moons of Maali Almeida" é o segundo livro do autor nascido em 1975 no Sri Lanka que ganhou notoriedade internacional quando o seu primeiro livro "Chinaman" venceu o Commonwealth Book Prize.

 

The Booker Prize, criado em 1969, distingue anualmente obras de ficção escritas em inglês e publicadas no Reino Unido e Irlanda é considerado um dos Prémios Literários mais importante do mundo.

 

Desde 2015, a Booker Prize Foundation atribui também anualmente o International Booker Prize, um galardão que distingue obras escritas noutras línguas desde que tenham sido traduzidas para inglês. O prémio deste ano foi entregue à escritora Geetanjali Shree, pela obra “Tomb of Sand”. Foi a primeira vez que um livro escrito numa língua indiana venceu este galardão.

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publicado às 18:26


#3235 - LIVROS E LEITURAS

por Carlos Pereira \foleirices, em 11.10.22

SINOPSE
 

Uma Conversa Silenciosa, de Eugénio Lisboa, reúne 78 textos, breves ensaios sobre literatura, sobre escritores, sobre política cultural, sobre edição e editores. ao longo de todos os ensaios perpassa a erudição do autor, o seu vasto conhecimento, não apenas das literaturas lusófonas mas também das literaturas de outras latitudes, nomeadamente de língua inglesa e francesa.

Numa escrita elegante, onde o rigor da palavra se associa a uma enorme amplitude cultural, pontuada, por vezes, pelo episódio curioso ou pela citação oportuna, Uma Conversa Silenciosa é também um diálogo. Diálogo onde o leitor tem como interlocutor um dos maiores críticos literários portugueses.

 

EUGÉNIO LISBOA

Escritor e engenheiro português nascido em 1930, em Lourenço Marques (atual Maputo). Colaborou em diversos jornais e revistas e foi autor de programas radiofónicos de divulgação de teatro. Dedicou-se ao estudo da literatura portuguesa e particularmente do Neorrealismo, tendo publicado, entre outros títulos, José Régio - A Obra e o Homem (1976), O Segundo Modernismo em Portugal (1977) e Poesia Portuguesa: do "Orpheu" ao Neorrealismo (1980). Atualmente ocupa o cargo de adido cultural da Embaixada de Portugal em Londres

 

 

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publicado às 17:06


#3234 - LIVROS E LEITURAS

por Carlos Pereira \foleirices, em 11.10.22

 

 

SINOPSE
 

«Uma questão difícil de tratar. É assim que o historiador e crítico de arte Norte-americano James Elkins vê a relação entre criação artística e religião na contemporaneidade. O seu ensaio mais conhecido sobre este tema tem um título que diz tudo: The Strange Place of Religion in Contemporary Art (2004). E estranho lugar porquê? Certamente as razões culturais são antigas e profundas e ligam-se ao debate que funda a modernidade: a emergência da autonomia do espaço secular face ao religioso, a reivindicação da liberdade individual reinterpretando a estrita normatividade do ethos comunitário, o desmantelamento de uma visão social que tinha no referente religioso o seu elemento decisivo de definição, etc.» É com estas palavras que começa o texto introdutório do Cardeal Tolentino Mendonça.

Este volume nasceu no contexto da pandemia. No primeiro inverno da era pandémica, Álvaro Siza, pelas razões que ele explica no texto, fez uma série de desenhos sobre a Paixão de Cristo, mais precisamente 45. Foram eles o ponto de partida para um diálogo, em forma de entrevista, com o Cardeal Tolentino sobre o lugar estranho do religioso na arte contemporânea e outras questões que sempre surgem quando se fala de arte e de religião e quando os interlocutores são pessoas com a autoridade destes dois referentes da cultura do nosso tempo. Aqui se reproduzem os desenhos e o texto desse diálogo.

 

FONTE: WOOK

 

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publicado às 16:40


#3233 - PRÉMIO NOBEL DA LITERATURA 2022

por Carlos Pereira \foleirices, em 09.10.22

ANNIE ERNAUX

Annie Ernaux, escritora francesa, 82 anos, vence o Prémio Nobel da Literatura 2022.

A escolha, de acordo com o júri da Academia Sueca, refere a "coragem e acuidade clínica" explica a sua decisão.

Os seus livros são publicados em Portugal pela editora Livros do Brasil.

Annie Ernaux nasceu em Lillebonne, na Normandia, em 1940, e estudou nas universidades de Rouen e de Bordéus, sendo formada em Letras Modernas. É atualmente uma das vozes mais importantes da literatura francesa, destacando-se por uma escrita onde se fundem a autobiografia e a sociologia, a memória e a história dos eventos recentes. Uma espécie de «diário em bruto», nas palavras da Academia Sueca.

 

Galardoada com o Prémio de Língua Francesa (2008), o Prémio Marguerite Yourcenar (2017) e o Prémio Formentor de las Letras (2019) pelo conjunto da sua obra, destacam-se os seus livros Um Lugar ao Sol (1984), vencedor do Prémio Renaudot, e Os Anos (2008), vencedor do Prémio Marguerite Duras e finalista do Prémio Man Booker Internacional, e já publicado pela Livros do Brasil em fevereiro de 2020, na coleção Dois Mundos. Em outubro do mesmo ano, foi editado, dessa feita na coleção Miniatura, o romance Uma Paixão Simples. Seguiu-se O Acontecimento, disponível nas livrarias desde o mês passado, um relato despojado de uma situação de aborto ilegal, escrito em 1999 e recentemente adaptado ao grande ecrã num filme premiado em Veneza.

 

Fonte: LIVROS DO BRASIL

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publicado às 22:42


#3232 - EPOPEIAS DE LUZ [POEMA DE ANA LUÍSA AMARAL]

por Carlos Pereira \foleirices, em 26.09.22

 

Ana Luísa Amaral (1956-2022)

EPOPEIAS DE LUZ

 

Queria um poema de epopeia

e luz,

escrito às duas da tarde

e num café,

o espelho à minha esquerda,

o café amarelo (que é cor de que não gosto,

mas que brilha

na tarde adolescente)

 

Se eu não tivesse olhar,

mas só ouivido atento a pequenos ruídos,

como uma voz e coisas indistintas:

o café a sair para lá do balcão,

uma cadeira de ferro

pintado

a arrastar-se de súbito...

 

Incongruências de quem tem olhar:

que no poema de epopeia

e luz

eu fale do que é táctil, mas se vê

(Ah! linha que seduz,

mas que contenho!)

 

Atirar a palavra pelo chão

com o abandono todo

da adolescência em tarde,

tantas horas de sol à minha frente

Deixá-la navegar como se fosse gente

quinhentista:

ao longo do desejo

e para lá

 

À minha esquerda, o espelho

que a reflicta,

a multiplique em sons e em sentidos,,

lhe evite idade adulta

e a guarde finalmente:

adolescente e nua

como a tarde

 

Até que dela nasça,

navegando,

poema de epopeia sem o ser,

mas corpo todo em luz e boa esperança:

como um Adamastor,

uma criança,

uma sereia abandonada

e livre

 

Poema de Ana Luísa Amaral

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publicado às 19:15


#3231 - LIVROS E LEITURAS ||| Histórias de loucura normal

por Carlos Pereira \foleirices, em 26.09.22

 

Estas histórias, inspiradas na própria vida do autor, são tão selvagens e inusitadas quanto as histórias dos seus romances. Bukowski foi uma lenda no seu tempo e um visionário para aqueles que se lhe seguiram. Louco, recluso, amante. Afável e mesquinho. Lúcido e insano. Sempre inesperado. As excepcionais Histórias de loucura normal vêm directas do âmago de uma vida, a que ele mesmo viveu, marcada pela violência e pela depravação. Histórias de liberdade, tão profanas quanto sagradas.
Da prostituição à música clássica, Bukowski traça neste livro um retrato irado, apesar de terno, bem-humorado e inquietante, da vida marginal de Los Angeles, uma realidade obscura e perigosa que emoldurou a vida de um dos maiores escritores de culto do século XX.

Histórias, afinal, da loucura que espreita dentro de cada um de nós, que faz do corpo uma marioneta e que não desaparece senão com a morte.

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Charles Bukowski nasceu na Alemanha, em 1920, mas cresceu em Los Angeles, onde viveu durante cinquenta anos. Publicou o seu primeiro conto em 1944, quando tinha vinte e quatro anos, e começou a escrever poesia com trinta e cinco anos. Morreu em 1994, aos setenta e três anos, pouco tempo depois de completar o seu último romance, Pulp. Viu publicados mais de quarenta e cinco livros de prosa e poesia, incluindo os romances Post Office (1971), Factotum (1975), Women (1978), Ham on Rye (1982), Hollywood (1989) e Pulp (1994). É um dos autores americanos contemporâneos mais conhecidos a nível mundial e, possivelmente, o poeta americano mais influente e imitado de sempre.

FONTE: WOOK

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publicado às 18:38


#3230 - O ESPELHO ||| Poema de Vasco Graça Moura

por Carlos Pereira \foleirices, em 22.08.22

VASCO GRAÇA MOURA [1942-2014]

 

O ESPELHO

 

escrevo, escreverei para espalhar a realidade,

suas sombras rasteiras, suas nuvens altas,

a luz mais líquida de algum olhar, as difíceis ausências

e as plantas lascivas trepando entre os silêncios,

 

entre lisas colunas, níveas tetas, roxos lírios

e citações assim, da minha juventude,

e os ritmos do vento e a erosão dos seixos,

e os fios de algumas ariadnes, solícitas e lúbricas

 

na sua timidez, nos estranhos percursos

em que há devorações e o poema se torna

uma triste película a envolver a alma

para lhe conservar as impurezas do desejo.

 

talvez por isso a escrita não passe de um concheiro

de camadas calcárias que o tempo estratifica,

mas então o real que ela espelhou não mente

embora mais terrível se torne desvendá-lo,

 

digo eu do meu amor, do que trarei comigo

até me calcinar ou da violência dos corpos

por noites esquecidas feitas de fogo e orgasmo

e entrecortadas palavras e roucos monossílabos,

 

digo eu da superfície de um lago de sossego

em que a lua mergulha e uma brisa mais tensa

ressoa nos pinheiros, percorre a habitação

e traz em seus harpejos o eco de um soluço.

 

tornou-se este lugar a pedra da violência

onde se calam a voz, a luz, so sons da terra,

e tudo se entrechoca e tudo se fragmenta

e as quadrigas do tempo não poderão deter-se

 

e então é que eu escrevo desde esta realidade

esperando da escrita que pelo menos sirva

para espelhá-la em suas nuvens altas

e nas sombras que crescem até ao teu olhar.

 

POEMA DE VASCO GRAÇA MOURA RETIRADO DO LIVRO "O CADERNO DA CASA DAS NUVENS", EDIÇÃO N.º 1266  EDIÇÕES AFRONTAMENTO MARÇO DE 2010                                                                

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publicado às 18:43


#3228 - LIVROS E LEITURAS

por Carlos Pereira \foleirices, em 22.07.22

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publicado às 15:58


#3226 - PRÉMIO BOOKER INTERNACIONAL

por Carlos Pereira \foleirices, em 12.03.22

The 2022 International Booker Prize


Paulo Scott, escritor brasileiro, é um dos 13 nomeados da edição deste ano do Prémio Booker Internacional com o livro "Marrom e Amarelo" com a tradução para a língua inglesa de Daniel Hahn.

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The 13 long listed novels have been announced. They are works of fiction translated into English from 11 languages and originate from 12 countries across four continents – including Hindi for the first time.

This year’s longlist includes previous winners Olga TokarczukJennifer CroftDavid Grossman and Jessica Cohen, alongside authors translated into English for the first time. 

Independent presses with a mission for bringing the world’s fiction to English-speaking readers have dominated, with Tilted Axis - the publisher founded by Man Booker International Prize winner Deborah Smith - appearing on the list for the first time with three titles.

The shortlist of six will be announced on 7 April and the winners of the prize will be named on 26 May 2022. 

The Longlist

Paradais

Paradais

byFernanda Melchor

Translated by Sophie Hughes

Heaven

Heaven

byMieko Kawakami

Translated by Samuel Bett David Boyd

Love In The Big City

Love in the Big City

bySang Young Park

Translated by Anton Hur

Happy Stories Mostly

Happy Stories, Mostly

byNorman Erikson Pasaribu

Translated by Tiffany Tsao

Elena Knows

Elena Knows

byClaudia Piñeiro

Translated by Frances Riddle

The Book of Mother

The Book of Mother

byViolaine Huisman

Translated by Leslie Camhi

More Than I Love My Life

More Than I Love My Life

byDavid Grossman

Translated by Jessica Cohen

Phenotypes

Phenotypes

byPaulo Scott

Translated by Daniel Hahn

A New Name, Septology VI-VII

A New Name: Septology VI-VII

byJon Fosse

Translated by Damion Searls

After The Sun

After the Sun

byJonas Eika

Translated by Sherilyn Hellberg

Tomb of Sand

Tomb of Sand

byGeetanjali Shree

Translated by Daisy Rockwell

The Books of Jacob

The Books of Jacob

byOlga Tokarczuk

Translated by Jennifer Croft

Cursed Bunny

Cursed Bunny

byBora Chung

Translated by Anton Hur

 

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publicado às 09:15


#3225 - GRANDE PRÉMIO DE ENSAIO EDUARDO PRADO COELHO

por Carlos Pereira \foleirices, em 12.03.22

 

Cristina Robalo-Cordeiro, professora catedrática da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, venceu o Grande Prémio de Ensaio Eduardo Prado Coelho, da Associação Portuguesa de Escritores (APE), em conjunto com a Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, com a obra "O Véu de Maia - Relendo Almeida Faria".

Esta obra foi publicada por Edições Minerva em 2020.

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publicado às 08:49


#3223 - O MEU FILHO É INTERROGADO

PROSA DE TIMOTHY HAGELSTEIN

por Carlos Pereira \foleirices, em 01.03.22

Ouço um disco da Dulce Pontes, aqueles fados imortais, Canção do Mar, Povo que lavas no rio, Se voasses para perto de mim... todas canções maravilhosas.

 

Isso ajuda-me a suportar a distância, o tempo faz o sentimento, transforma-o e idealiza-o, imagino o brilho suave nas terras escarlates do Alentejo, naquela estrada que leva ao Sul e atravessa aldeias adormecidas. E hoje dou comigo a pensar no que a actual namorada do meu filho, o seu primeiro amor, lhe perguntará daqui a alguns anos quando se voltarem a encontrar, com uma outra vida desenhada e outras respirações partilhadas, para ambos, imagino as suas questões, se eu ainda estiver vivo, ela poderá perguntar-lhe:

 

E o teu pai? Ainda encerrado na sua gruta, o seu escritório e ateliê de  criação? A  procurar palavras e a juntá-las, transmitindo uma ideia, um momento que conseguiu captar, uma pata com os seus patinhos? uma imagem para desenhar ou colorir? uma música que não lhe sai da cabeça e não o deixa em paz até a ter gravado? Ainda tão solitário e afastado de tudo e de todos, sozinho com as suas memórias indefiníveis excepto através dos seus poemas? Continua um misantropo? revoltado contra a ignomínia dos políticos e apoiantes de movimentos políticos ou sindicais hipócritas? Ainda fala das suas noites bravas e das cores do céu cujos perfumes dizia respirar, quando dizia que alguém era um poema que vivia dentro de si e através do qual chegava ao seu coração e aos seus tormentos? Invejoso, mas com admiração, não cobiça, sentimemnto que diz nunca ter tido e que deixou aos medíocres que desperdiçam a sua energia preocupando-se com os outros.

 

Continua tão solitário, tão afastado de tudo, após ter conhecido certas glórias e certas luzes? Revoltado contra as sentinelas da moralidade nas suas cidadelas, intransigentes, contra aqueles que cultivam com talento a denúncia, ele que se alimenta da imprevisibilidade do som das palavras e que vê em cada velho músico uma beleza digna de uma pintura de Miguel Ângelo. Esses Mick Jaggers, esses Keith Richards, septuagenários enrugados e marcados mas tão belos pelas suas vivências.

 

Ainda tem aqueles ímpetos para misturar violentamente cores numa tela infernal que ninguém entende, mas na qual ele vê o deserto florescer ou um pequeno fosso amargo de riquezas íntimas? Ainda diz que as palavras são sons, a música,  cores, e a çpintura, frases coloridas e que, portanto, as expressões das três artes são idênticas e se fundem?

 

Não sei o que o meu filho poderá responder, sei, pelo menos espero, que ele lhe dirá que passou comigo os melhores anos da sua vida familiar e que o amor que lhe dei foi o principal, a arte é apenas uma mensagem que deixarei àqueles que apreciei e amei na vida e que me terá ajudado a viver, sobreviver e morrer e,  na verdade, isso é o principal.

 

TEXTO DE TIMOTHY HAGELSTEIN, DO LIVRO "APNEIAS EMOCIONAIS - POESIAS, PROSAS E NOTAS BIOGRÁFICAS", EDIÇÃO GUERRA E PAZ, EDITORES, NOVEMBRO DE 2021, TRADUÇÃO DE ANA PAULA FILIPE.

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publicado às 19:59


#3216 - LIVROS E LEITURAS

APNEIAS EMOCIONAIS - TIMOTHY HAGELSTEIN

por Carlos Pereira \foleirices, em 05.02.22

AFAGAR A MEMÓRIA

 

Desenho a tua ausência,

perdoo-te por existires;

alquimia que mistura

a chuva do passageiro.

Gestos de amor esquecidos

e esperanças nocturnas

da minha infância destruída

levaram afinal à minha fortuna.

Podes a minha memória afagar

para eu sempre em ti acreditar?

 

POEMA DE TIMOTHY HAGELSTEIN "in Apneias Emocionais" edição Guerra & Paz, Novembro de 2021, tradução de Ana Paula Filipe

 

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publicado às 20:17


#3213 - A STANISLAW WYSPIANSKY

POEMA DE KATHERINE MANSFIELD [1888-1923]

por Carlos Pereira \foleirices, em 13.01.22

Credit: Getty Images/Keystone

 

A STANISLAW  WYSPIANSKY

 

Do outro lado do mundo,

De uma pequena ilha embalada no grande regaço do mar,

De uma pequena ilha sem história,

(Fazendo a sua própria história, lenta e desajeitadamente,

Juntando isto e aquilo, encontrando o padrão, resolvendo o problema,

Como uma criança com uma caixa de tabuinhas),

Eu, uma mulher, com a marca do pioneiro no meu sangue,

Cheio de uma força juvenil que consigo guerreia e ignora leis,

Canto em teu louvor, guerreiro magnífico; Eu proclamo a tua batalha triunfante.

O meu povo não teve nada contra o que lutar;

Trabalharam à luz clara do dia e manipularam o barro com dedos rudes;

A Vida - uma coisa de sangue e músculo; a Morte - um enterro de desperdícios.

 

Que poderiam saber de fantasmas e presenças invisíveis,

De sombras que obscurecem a realidade, da escuridão que nega a manhã?

Límpida e suave é a água que escorre das suas montanhas;

Como poderiam conhecer ervas venenosas, gavinhas podres que estorvam?

A tapeçaria tecida com os sonhos da tua infância trágica

Eles rasgariam com as suas mãos inábeis,

A luz triste e pálida da tuua alma apagariam com o seu riso infantil.

Mas os mortos - os velhos - Oh Mestre, aí te pertencemos;

Oh Mestre, somos crianças e aterrados pela força de um gigante;

Como saltaste vivo para o túmulo e lutaste com a Morte

E encontrste nas veias da Morte o sangue vermelho florindo

E ergueste a Morte nos teus braços e a mostraste a todo  o povo.

A tua foi uma tarefa mais pessoal que os milagres do Nazareno,

O teu um encontro mais estrénuo que as ordens mais amáveis do Nazareno.

Stanislaw Wyspiansky - oh homem com o nome de um combatente,

Através destes milhares de quilómetros estilhaçados de mar, em alta voz te proclamam;

Dizemos «Ele jaz na Polónia, e a Polónia pensa que ele morreu;

Mas ele disse não à Morte - ele jaz ali, acordado;

O sangue do seu grande coração pulsa vermelho nas suas veias».

 

Poema de Katherine Mansfield, escritora neozelandesa, (1888-1923) traduzido por José Alberto Oliveira

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publicado às 06:46


#3210 - LIVROS E LEITURAS

AS CRÓNICAS - ANTÓNIO LOBO ANTUNES

por Carlos Pereira \foleirices, em 26.12.21

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publicado às 22:58


#3207 - "TOMÁS NEVINSO" - O NOVO LIVRO DE JAVIER MARÍAS

por Carlos Pereira \foleirices, em 21.12.21

SINOPSE

Dois homens - um deles na ficção, o outro na vida real - tiveram oportunidade de assassinar Hitler antes que ele desencadeasse a Segunda Guerra Mundial. Um mal menor teria impedido um mal maior. Se é legítimo pensar que aqueles dois homens deveriam ter disparado sobre o Führer para evitar a morte de milhões, até que ponto podemos decidir quem merece viver ou morrer?

Tomás Nevinson, marido de Berta Isla, cai na tentação de regressar aos Serviços Secretos após uma temporada de ausência. Estamos no ano de 1997. Tomás é incumbido de se deslocar a uma cidade do Noroeste de Espanha para identificar uma pessoa que, dez anos antes, participara em atentados do IRA e da ETA.

A missão é-lhe atribuída pelo seu ex-chefe, Bertram Tupra, figura ambígua que já anteriormente lhe atrapalhara a vida. Ambos são anjos desagradáveis que devem velar pela tranquilidade dos demais. Feito espião que sonda a verdade, Javier Marías constrói uma intriga inquietante, uma reflexão profunda acerca do alcance e das consequências das nossas acções.

Quão longe podemos ir para evitar o triunfo do mal? E, num mundo de claro-escuro, como podemos estar certos do que é o mal?

Tomás Nevinson é o retrato do que acontece a alguém a quem já tudo aconteceu, o retrato de um homem que tenta intervir na História e acaba desterrado do mundo.

 

CRÍTICAS DE IMPRENSA
««Tomás Nevinson será talvez o melhor romance que Javier Marías já publicou.»
José-Carlos Mainer, El País

«Sempre que leio Javier Marías, tenho a impressão de estar a ouvir uma sinfonia.» Julia Navarro, Hoy por Hoy

«Marías escreve como sempre, escreve como ninguém, [...] porque está num outro nível: eleva-nos e está a fazer - porque não dizê-lo? - o que Shakespeare fez com a sua época e com os seres humanos da sua época.»
Alberto Olmos, El Confidencial

«É impossível dizer se este é o melhor romance de Marías. Mas é, sem dúvida, um dos mais empolgantes.»
J. A. Masoliver Ródenas, La Vanguardia

«Uma história poderosa, com uma pulsação fortíssima. [...] Um assombroso retrato da realidade. [...] Um romance impressionante.»
Antonio Lucas, El Mundo
 
 
Tomás Nevinson
ISBN 9789897843518Edição/Reimpressão 12-2021Editor: Alfaguara PortugalIdioma: PortuguêsDimensões: 149 x 233 x 42 mmEncadernação: Capa molePáginas: 656Tipo de Produto: LivroClassificação Temática: Livros em Português Literatura Romance
 
 
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Javier Marías nasceu em Madrid em 1951. É um dos mais destacados autores espanhóis da atualidade. É autor de Los dominios del lobo, Travesía del horizonte, El monarca del tiempo, El siglo, El hombre sentimental (Prémio Ennio Flaiano), Todas las almas (Prémio Ciudad de Barcelona), deste Amanhã na batalha pensa em mim (Prémio Fastenrath, Prémio Rómulo Gallegos, Prix Fémina Étranger), Negra espalda del tiempo, Tu rostro mañana (3 volumes), Os enamoramentos e Coração tão branco (vencedor do Prémio da Crítica em Espanha, do Prix l’Oeil et la Lettre e do IMPAC Dublin Literary Award), estes dois últimos já publicados na Alfaguara).
Tem ainda editados vários livros de contos, antologias e coletâneas de ensaios e crónicas.
Em 1997, recebeu o Prémio Nelly Sachs, em Dortmund; em 1998, o Prémio Comunidad de Madrid; em 2000, os prémios Grinzane Cavour, em Turim, e Alberto Moravia, em Roma; em 2008, os prémios Alessio, em Turim, e José Donoso, no Chile; e, em 2011, o Prémio Nonino, em Udine, e o Prémio Literário Europeu, todos eles pelo conjunto da sua obra. Entre as traduções de sua autoria, destaca-se a de Tristram Shandy.
Foi professor na Universidade de Oxford e na Universidade Complutense de Madrid. A sua obra encontra-se publicada em quarenta e dois idiomas e cinquenta e quatro países, com seis milhões de exemplares vendidos em todo o mundo.
É membro da Real Academia Espanhola.
 
FONTE:WOOK
 

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publicado às 09:00


#3206 - PRÉMIO LITERÁRIO VERGÍLIO FERREIRA

por Carlos Pereira \foleirices, em 21.12.21

HELENA BUESCU, professora universitária da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa onde leciona Literatura Comparada, foi galardoada com o Prémio Literário Vergílio Ferreira atribuído pela Universidade de Évora.

Considerada uma autoridade incontestável dos estudos comparatistas, publicou 12 livros de ensaio, tendo a sua última obra "O Poeta na Cidade: A Literatura Portuguesa na História" vencido o Grande Prémio de Ensaio Eduardo Prado Coelho, da Associação Portuguesa de Escritores.

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Prémio Vergílio Ferreira

A Universidade de Évora atribui desde 1997 o Prémio Vergílio Ferreira ao conjunto da obra literária de um autor de língua portuguesa destacado no âmbito da narrativo e/ou do ensaio. 

Foi em 1959 que Vergílio Ferreira (1916-1996) publicou o livro que lhe rendeu o Prémio Camilo Castelo Branco da Sociedade Portuguesa e também aquele que o ligará para sempre a Évora. A obra “Aparição” retrata a cidade, na qual o autor ainda viveu, durante a época do salazarismo, fazendo referência a algumas marcas ainda presentes nos dias de hoje e levando o leitor a conhecer alguns dos locais mais emblemáticos de Évora, como é o caso do próprio Colégio do Espírito Santo. A cerimónia de entrega do Prémio Vergílio Ferreira realiza-se anualmente a 1 de março, o dia em que se assinala também o aniversário da morte do seu patrono. 

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publicado às 06:35


#3205 - O MAIS FORTE ENTRE OS ESTRANHOS

POEMA DE CHARLES BUKOWSKI

por Carlos Pereira \foleirices, em 10.12.21

não os encontrarás com regularidade

pois não se encontram

onde se encontra 

a multidão

 

estes seres ímpares,

não há muitos

mas deles

vêm

os poucos

bons quadros

as poucas

boas sinfonias

os poucos

bons livros

e outras

obras.

 

e dos

melhores

entre os estranhos

talvez

nada.

 

eles são

os seus próprios

quadros

os seus próprios

livros

as suas próprias

obras.

 

às vezes penso

que

os vejo - por exemplo

um determinado

velho

sentado num

determinado banco de jardim

de uma determinada 

forma

 

ou 

uma cara fugaz

num carro

que passa

em direcção

contrária

 

ou

há um certo

gesto de mãos

do rapaz ou

da rapariga

a embalar compras

em sacos

de supermercado.

 

às vezes

até é alguém

com quem se vive

há algum

tempo -

dás conta de

um fugidio

olhar luminoso

que nunca lhes viras

antes.

 

às vezes

apenas notas

a sua existência

subitamente

e de forma vívida

alguns meses

alguns anos

depois de

partirem.

 

lembro-me

de um caso

assim -

ele tinha

cerca de 20 anos

bêbedo

às 10 da manhã

a fitar

um espelho partido

em Nova Orleães

 

cara sonhadora

contra

as paredes

do mundo

 

para

onde

fui eu?

 

POEMA DE CHARLES BUKOWSKI, DO LIVRO "OS CÃES LADRAM FACAS (ANTOLOGIA POÉTICA", EDIÇÃO ALFAGUARA, NOVEMBRO DE 2018

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publicado às 06:49


#3203 - JOSÉ CARLOS BARROS VENCEU O PRÉMIO LEYA 2021

"As Pessoas Invisíveis"

por Carlos Pereira \foleirices, em 07.12.21

"As Pessoas Invisíveis", romance escrito por José Carlos Barros, foi a escolha, por unanimidade, do Júri do Prémio Leya 2021.

O Prémio Leya foi criado em 2008 com o objectivo de distinguir um romance inédito escrito em português.

 

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José Carlos Barros nasceu em Boticas em 1963. Licenciado em Arquitetura Paisagista pela Universidade de Évora, foi diretor do Parque Natural da Ria Formosa. É autor de dois romances e de nove livros de poesia, tendo sido distinguido com vários prémios literários. Vive no Algarve, em Vila Nova de Cacela, desde finais dos anos oitenta.

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publicado às 17:45


#3202 - OS TAGARELAS

POEMA DE CHARLES BUKOWSKI

por Carlos Pereira \foleirices, em 03.12.21

OS TAGARELAS

o rapaz de pés enlameados atravessa-me a 

alma

a falar de recitais, de virtuosos, de maestros,

dos romances menos conhecidos de Dostoiévski;

a falar de como corrigiu uma empregada de mesa,

uma bimba que desconhecia que o molho francês

era feito disto e daquilo;

tagarela sobre as Artes até

eu odiar as Artes,

e não há nada mais limpo

do que voltar para um bar ou

do que ir para o hipódromo

e vê-los correr

ver coisas a passar sem este

clamor e falatório,

falar, falar, falar,

a boquinha a mexer, os olhos a piscar,

um rapaz, uma criança, doente com as Artes,

a agarrar-se a elas como à saia da mãe,

e pergunto-me quantos dezenas de milhares

existem como ele por esta terra

em noites chuvosas

em manhãs soalheiras

em serões que prometiam paz

em salas de concerto

em cafés

em recitais de poesia

a falar, a sujar, a discutir.

é como o porco

que vai para a cama

com uma mulher linda

e por causa disso

deixas de querer aquela mulher.

 

POEMA DE CHARLES BUKOWSKI in "Os cães ladram facas"[Antologia Poética], edição Alfaguara, Novembro de 2018

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publicado às 06:42

Jeferson Tenório, escritor brasileiro, venceu com o livro "Avesso da Pele" o Prémio Jabuti na categoria de "Romance Literário".

 

Pode ver aqui a lista completa dos vencedores das outras categorias

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Jeferson Tenório nasceu no Rio de Janeiro, em 1977. Radicado em Porto Alegre, é doutorando em Teoria Literária pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Estreou-se na literatura com o romance O beijo na parede (2013), eleito livro do ano pela Associação Gaúcha de Escritores. É autor também de Estela sem Deus (2018). O avesso da pele é o seu terceiro romance e está a ser adaptado ao cinema.

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publicado às 19:07


#3192 - PRÉMIO GONCOURT 2021

por Carlos Pereira \foleirices, em 05.11.21

Mohamed Mbougar Sarr, escritor senegalês, foi o vencedor do Prémio Goncourt de 2021 com o romance "La Plus Secrèt Mémoire des Hommes".

É o primeiro autor da África subsaariana a receber o mais importante galardão literário francês.

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publicado às 06:56


#3191 - DAMON GALGUT VENCE O PRÉMIO BOOKER PRIZE 2021

por Carlos Pereira \foleirices, em 04.11.21

 

Damon Galgut, escritor sul-africano, venceu com o livro "The Promise" o Prémio Booker Prize

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publicado às 23:24


#3190 - PRÉMIO LITERÁRIO FERNANDO NAMORA 2021

por Carlos Pereira \foleirices, em 02.11.21

 

 

João Tordo venceu o Prémio Literário Fernando Namora 2021 com o livro "Felicidade".

Este prémio é atribuído pela Estoril Sol há 24 anos.

 

 

SINOPSE

Lisboa, 1973
Nas vésperas da revolução, um rapaz de dezassete anos, filho de um pai conservador e de uma mãe liberal, cai de amores por Felicidade, colega de escola e uma de três gémeas idênticas.
As irmãs Kopejka são a grande atracção do liceu: bonitas, seguras, determinadas, são fonte de desejos e fantasias inalcançáveis.

Respira-se mudança - a Europa a libertar-se das suas ditaduras e Portugal a despedir-se da velha ordem - e vive-se a promessa da liberdade, com todos os seus riscos e encantos. É neste tempo e neste mundo, indeciso entre tradição e modernidade, que o nosso narrador cai num abismo pessoal.

A primeira noite de amor com Felicidade acaba de forma trágica, e o jovem vê-se enredado na malha inescapável das trigémeas Kopejka, três Fúrias que não tem poderes para controlar. À semelhança de uma tragédia grega, o herói encontra-se subjugado por forças indomáveis, preso entre dois mundos.

Felicidade é uma história de amor e assombração nas décadas que transformaram Portugal. Um romance enfeitiçante, repleto de ironia e humor, de remorso e melancolia, em que João Tordo aborda os temas do amor e da morte, e das pulsões humanas que os unem.

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publicado às 06:57


#3177 - UMA VEZ QUE JÁ TUDO SE PERDEU ||| POEMA DE RUY BELO

por Carlos Pereira \foleirices, em 05.09.21

UMA VEZ QUE JÁ TUDO SE PERDEU

 

Que o medo não te tolha a tua mão

Nenhuma ocasião vale o temor

Ergue a cabeça dignamente irmão

falo-te em nome seja de quem for

 

No princípio de tudo o coração

como o fogo alastrava em redor

Uma nuvem qualquer toldou então

céus de canção promessa e amor

 

Mas tudo é apenas o que é

levanta-te do chão põe-te de pé

lembro-te apenas o que te esqueceu

 

Não temas porque tudo recomeça

Nada se perde por mais que aconteça

uma vez que já tudo se perdeu

 

Poema de Ruy Belo in "Homem de Palavra[s]", pág. 312 da colectânea "Todos os Poemas", edição Assírio & Alvim de Abril de 2014 (4.ª Edição)

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publicado às 10:17


#3174 - LIVROS E LEITURAS

por Carlos Pereira \foleirices, em 17.08.21

SINOPSE

Entrada essencial no vasto universo de Theroux e na sua constante procura pelo autêntico dos lugares, das pessoas e dos livros.
Nesta sequência de grandes lugares, pessoas e prosas, os ensaios de viagem levam-nos ao Equador, ao Zimbabwe, ao Havai e muito além; as pérolas de crítica literária revelam fascinantes profundezas (e facetas pouco conhecidas) nas obras de Henry David Thoreau, Graham Greene, Joseph Conrad e Georges Simenon, entre outros; e a série de impressionantes perfis pessoais levam-nos numa viagem aérea com Elizabeth Taylor, a envolver-nos com a neurologia de rua de Oliver Sacks e a explorar Nova Iorque com Robin Williams.

A este variadíssimo leque de temas, experiências, gostos, encontros, autores, celebridades, artistas e geografias não podiam faltar as reflexões mais íntimas e as histórias e recordações mais pessoais e familiares - em textos como «O verdadeiro eu: uma recordação», «A vida e a revista Life» ou «Paizinho querido: recordações do meu pai».

Figuras numa Paisagem é uma entrada essencial no vasto universo de Theroux, cuja argamassa é uma ampla meditação e a procura constante do autêntico nas pessoas, nos lugares e nos livros.
 
 
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BIOGRAFIA

Paul Theroux nasceu em Medford, no Massachusetts, em 1941. O pai era franco-canadiano e a mãe italiana, e Paul era um dos sete irmãos. Frequentou as Universidades do Maine e, posteriormente, do Massachusetts. O curso de Escrita Criativa que realizou com o poeta Joseph Langland fê-lo descobrir que escrever era o que queria fazer na vida. Viveu em Itália, onde foi leitor; no Malawi, onde também ensinou e esteve envolvido no golpe de Estado que tentou depor o então presidente-ditador; em Singapura e no Uganda, onde deu aulas de Inglês e não só conheceu a sua futura mulher como também encontrou, pela primeira vez, V.S. Naipaul (que viria a ser seu grande amigo e mentor). Paul Theroux vive atualmente entre Cape Cod e o Havai.
A par das colaborações regulares que manteve ao longo dos anos com as revistas PlayboyEsquire e Atlantic Monthly, escreveu dezenas de romances (alguns adaptados ao cinema), ensaios e alguns dos melhores livros de viagens de sempre, como O Velho Expresso da PatagóniaComboio Fantasma para o Oriente e O Grande Bazar Ferroviário, todos publicados pela Quetzal.
 
FONTE: QUETZAL

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publicado às 18:24


#3173 - LIVROS E LEITURAS

por Carlos Pereira \foleirices, em 29.06.21

 

CNC-Irene-Vallejo-_-O-Infinito-num-Junco-.jpg

A Invenção do livro na antiguidade e o nascer da sede dos livros.
Este é um livro sobre a história dos livros. Uma narrativa desse artefacto fascinante que inventámos para que as palavras pudessem viajar no tempo e no espaço. É o relato do seu nascimento, da sua evolução e das suas muitas formas ao longo de mais de 30 séculos: livros de fumo, de pedra, de argila, de papiro, de seda, de pele, de árvore, de plástico e, agora, de plástico e luz.

É também um livro de viagens, com escalas nos campos de batalha de Alexandre, o Grande, na Villa dos Papiros horas antes da erupção do Vesúvio, nos palácios de Cleópatra, na cena do homicídio de Hipátia, nas primeiras livrarias conhecidas, nas celas dos escribas, nas fogueiras onde arderam os livros proibidos, nos gulag, na biblioteca de Sarajevo e num labirinto subterrâneo em Oxford no ano 2000.

Este livro é também uma história íntima entrelaçada com evocações literárias, experiências pessoais e histórias antigas que nunca perdem a relevância: Heródoto e os factos alternativos, Aristófanes e os processos judiciais contra humoristas, Tito Lívio e o fenómeno dos fãs, Sulpícia e a voz literária de mulheres.

Mas acima de tudo, é uma entusiasmante aventura coletiva, protagonizada por milhares de personagens que, ao longo do tempo, tornaram o livro possível e o ajudaram a transformar-se e evoluir - contadores de histórias, escribas, ilustradores e iluminadores, tradutores, alfarrabistas, professores, sábios, espiões, freiras e monjes, rebeldes, escravos e aventureiros.

É com fluência, curiosidade e um permanente sentido de assombro que Irene Vallejo relata as peripécias deste objeto inverosímil que mantém vivas as nossas ideias, descobertas e sonhos. E, ao fazê-lo, conta também a nossa história de leitores ávidos, de todo o mundo, que mantemos o livro vivo.

Um dos melhores livros do ano segundo os jornais El Mundo, La Vanguardia e The New York Times (Espanha).

CRÍTICAS
 
«Uma obra-prima.»
Mario Vargas Llosa

«Uma homenagem ao livro, de uma leitora apaixonada.»
Alberto Manguel

«É uma felicidade ler a prosa de Irene Vallejo, ela é uma criadora brilhante e sensível.»
Luis Landero

«Uma exploração admirável sobre as origens da maior ferramenta da liberdade alguma vez dado ao ser humano: o livro.»
Rafael Argullol

«Um livro muito original: sobre a história dos livros, o alfabeto, as bibliotecas… narrado com erudição e envolvência, sentido de humor e elegância, faz paralelos com o presente.»
Laura Freixas

«Amigos leitores: corram a ler O Infinito num Junco.»
Maruja Torres

 

CRÍTICAS DE IMPRENSA
 
«Os livros que nos desbravam, que nos domesticam, que nos impõem o seu ritmo de leitura, que nos dão cabo dos nervos, não se encontram facilmente entre as novidades nas livrarias e contudo são tão necessários. A mais recente destas descobertas que fiz intitula-se O infinito num Junco e é de Irene Vallejo.»
Juan José Millás, El País

«Vallejo decidiu, sabiamente, libertar-se do estilo académico e optou pela voz do contista, a História entendida não como lista de documentos citados mas como fábula. Para o leitor comum e ávido (de que Virginia Woolf falava) este ensaio encantador torna-se mais comovente e mais cativante por se assumir como uma homenagem ao livro, por parte de uma leitora apaixonada.»
Alberto Manguel, Babelia, El País

«Irene Vallejo criou um livro genial, universal e único.»
Jordi Carrión, The New York Times (ES)

«É possível ser-se um filólogo de exceção e escrever como os anjos. Irene Vallejo enlaça-nos nas suas palavras e transforma o diálogo com o leitor num verdadeiro festival literário.»
Luis Alberto de Cuenca, ABC
 
 

BIOGRAFIA

Irene Vallejo (Saragoça, 1979) é apaixonada pela mitologia Grega e Romana desde tenra idade. Estudou Filologia Clássica, doutorando-se nas universidades de Saragoça e Florença. É escritora, colunista do El País e do Heraldo de Aragón, palestrante e promotora de educação e do conhecimento sobre o mundo clássico. Partilha com os outros, diariamente, a sua paixão pela Antiguidade, pelos livros e pela leitura.

 

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publicado às 18:51

David Diop

David Diop, escritor francês e professor de literatura do século XVIII, vencedor do Prémio Literário «THE INTERNATIONAL BOOKER PRIZE 2021» com o livro "At Night all Blood is Black", vai ter uma edição em português pela editora Relógio D'Água até final deste mês de Junho.

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publicado às 08:56


#3158 - PRÉMIO LITERÁRIO INTERNACIONAL DE DUBLIN

por Carlos Pereira \foleirices, em 05.02.21

ANTÓNIO LOBO ANTUNES

 

António Lobo Antunes, escritor português, é um dos nomeados para o Prémio Literário Internacional de Dublin com o livro «Até que as pedras se tornem mais leves que a água».

Este Prémio Literário é promovido pela autarquia da capital da Irlanda e gerido pelas Bibliotecas Públicas da cidade.

O vencedor será conhecido a 20 de Maio.

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publicado às 07:09


#3154 - ARTURO PÉREZ-REVERTE

por Carlos Pereira \foleirices, em 30.01.21

Arturo Pérez-Reverte

Arturo Pérez-Reverte nasceu em Cartagena, Espanha, em 1951. Foi repórter de guerra durante vinte e um anos. Com mais de vinte milhões de leitores em todo o mundo, muitos dos seus romances têm sido adaptados ao cinema e à televisão. Em 2017, foi premiado com o Prix Littéraire Jacques Audiberti. Atualmente, divide a sua vida entre a literatura, o mar e a navegação. É membro da Real Academia Espanhola.

INFORMAÇÃO RETIRADA DO SITE DA WOOK

 

Frases retiradas de uma entrevista feita ao escritor por Luciana Leiderfare, e publicada na Revista "E" do Jornal Expresso,

edição 2518,  de  29 de Janeiro de 2021.

 

"O ser humano é o único que mata aquele que se rende e, isso vi-o com os meus olhos, ninguém me contou."

" O homem que acredita que o mundo  é um lugar bom e que somos todos irmãos é um imbecil, não é bom, é um idiota, um ingénuo".

"Um homem bom é aquele que, vendo o mundo como um lugar hostil, não perde a lealdade e a compaixão."

"Para mim, o ser humano é a soma daquilo que viveu e do que leu."

 

 

 

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publicado às 19:58


#3152 - POEMA DE JOSÉ LUÍS PEIXOTO

por Carlos Pereira \foleirices, em 21.01.21

 

Olho agora para o livro que me emprestaste

e que nunca devolvi. Também ele olha para mim.

Tem as marcas da tua leitura, certos vincos

no branco das páginas, manchas subtis e difusas

como nuvens, restos das tuas mãosou do teu olhar.

Espero que não penses sobre mim o que penso

sobre as pessoas que nunca me devolveram

os livros que emprestei. O que pensarás tu

sobre mim? Nunca li o livro que me emprestaste,

preferi sempre imaginá-lo. Suponho que ainda

se sinta estrangeiro entre os meus livros,

mas agora é demasiado tarde para devolvê-lo,

há tanto tempo que não falamos, não sei

se ainda guardo o teu número de telefone.

O que pensarias se agora, a despropósito,

te quisesse devolver o livro? Havias de pensar

que queria alguma coisa. Sabes, fico com o teu

livro porque não quero nada. Provavelmente,

nunca te devolverei este livro, fará parte do

meu espólio, é a última ligação que temos.

 

POEMA DE JOSÉ LUÍS PEIXOTO RETIRADO DO LIVRO "REGRESSO A CASA", EDIÇÃO QUETZAL, AGOSTO DE 2020

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publicado às 16:34


#3147 - PRÉMIO LITERÁRIO OCEANOS - LISTA DOS DEZ FINALISTAS

por Carlos Pereira \foleirices, em 25.11.20

Três Escritores portugueses fazem parte da lista dos dez finalistas do Prémio Oceanos que, todos os anos, distingue os melhores livros publicados em língua portuguesa.

 

Eis os nomes dos livros finalistas e respectivos autores:

A cidade inexistente, de José Rezende Jr. (7Letras) ~ romance brasileiro
A ocupação, de Julián Fuks (Companhia das Letras Brasil e Portugal) ~ romance brasileiro
A visão das plantas, de Djaimilia Pereira de Almeida (Relógio D’Água) ~ romance português
As durações da casa, de Julia de Souza (7Letras) ~ poesia brasileira
As solas dos pés de meu avô, de Tiago D. Oliveira (Patuá) ~ poesia brasileira
Autobiografia, de José Luís Peixoto (Quetzal, em Portugal, e TAG Livros, no Brasil) ~ romance português
Carta à rainha louca, de Maria Valéria Rezende (Alfaguara) ~ romance brasileiro
Obnóxio, de Abel Barros Baptista (Tinta-da-China) ~ crônicas portuguesas
Sombrio ermo turvo, de Veronica Stigger (Todavia) ~ contos brasileiros
Torto arado, de Itamar Vieira Junior (Todavia, no Brasil, e LeYa, em Portugal) ~ romance brasileiro

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publicado às 10:37


#3146 - LIVROS ("TROPEL" - O NOVO ROMANCE DE MANUEL JORGE MARMELO)

por Carlos Pereira \foleirices, em 24.11.20

TROPEL
ISBN: 978-972-0-03181-5
Edição/reimpressão: 09-2020
Editor: Porto Editora
Código: 03181
 
Idioma: Português
Dimensões: 152 x 235 x 15 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 152
Tipo de Produto: Livro
Classificação Temática: Livros > Livros em Português > Literatura > Romance
 

SINOPSE

Fica o leitor advertido de que esta ficção é completamente alheia à realidade. Tudo nela é falso, desconcertante, fictício e quase nada verídico. A viagem que aqui se empreende ao âmago da pungente metáfora que anima o Clube dos Caçadores de Székely é, todavia, inspirada em factos absolutamente reais.
Atanas Viktor, o desamparado adolescente herdeiro de uma longa linhagem de caçadores impiedosos, é a personagem central desta incursão a um tempo de ódio e de uma história apartada do mundo, marginal e contada a partir de um lugar ermo, espantoso e medonho que só existe na literatura — mas cada vez mais próximo da soleira da nossa porta.
 

PORTO EDITORA

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publicado às 09:22

 

The Winner

Shuggie Bain

1981. Glasgow. The city is dying. Poverty is on the rise. People watch the lives they had hoped for disappear from view. Agnes Bain had always expected more. She dreamed of greater things: a house with its own front door, a life bought and paid for outright (like her perfect – but false – teeth). When her philandering husband leaves, she and her three children find themselves trapped in a mining town decimated by Thatcherism. As Agnes increasingly turns to alcohol for comfort, her children try their best to save her. Yet one by one they have to abandon her in order to save themselves.

It is her son Shuggie who holds out hope the longest. But Shuggie has problems of his own: despite all his efforts to pass as a ‘normal boy’, everyone has decided that Shuggie is ‘no right’. Agnes wants to support and protect her son, but her addiction has the power to eclipse everyone close to her, including her beloved Shuggie.

Laying bare the ruthlessness of poverty, the limits of love, and the hollowness of pride, Shuggie Bain is a blistering and heartbreaking debut, and an exploration of the unsinkable love that only children can have for their damaged parents.

Winning Author

Douglas Stuart

Douglas Stuart was born and raised in Glasgow. After graduating from the Royal College of Art in London, he moved to New York City, where he began a career in fashion design. His work has appeared in the New Yorker and on LitHub. Shuggie Bain is his first novel.

Read our interview with shortlisted author Douglas Stuart here.

The List of Finalists

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publicado às 21:00

A editora Planeta lançou esta semana  "Cidade de Vapor - Todos os Contos", um livro que reúne os contos do escritor espanhol Carlos Ruiz Zafón falecido em Junho passado.

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Carlos Ruiz Zafón (1964-2020) nasceu em Barcelona. Iniciou a sua carreira literária em 1993 com El Príncipe de la Niebla (Prémio Edebé), a que se seguiram El Palacio de la MedianocheLas Luces de Septiembre (reunidos no volume La Trilogía de la Niebla) e Marina. Em 2001 publicou A Sombra do Vento, que rapidamente se transformou num fenómeno literário internacional. Com O Jogo de Anjo (2008) regressa ao Cemitério dos Livros Esquecidos. As suas obras foram traduzidas em mais de quarenta línguas e conquistaram numerosos prémios e milhões de leitores nos cinco continentes. Carlos Ruiz Zafón viveu em Los Angeles e, além dos seus romances, colaborou em jornais como La Vanguardia ou o El País.

FONTE:  WOOK

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publicado às 20:05


#3140 - REQUIEM PARA UM DEFUNTO VULGAR ||| Poema de Daniel Filipe

por Carlos Pereira \foleirices, em 13.11.20

REQUIEM PARA UM DEFUNTO VULGAR

 

Antoninho morreu. Seu corpo resignado

é como um rio incolor, regressando à nascente

num silêncio de espanto e mistério revelado.

Está ali - estando ausente.

 

Jaz de corpo inteiro e fato preto,

Ele, da cabeça aos pés,

trivial e completo,

estátua de proa e moço de convés.

 

Jaz como se dormisse (pelo menos

é o que dizem as velhas carpideiras).

Jaz imóvel, sem gestos, sem acenos.

Jaz morto de todas as maneiras.

 

Jaz morto de cansaço,  de pobreza,  de fome

(sobretudo, de fome). Jaz morto sem remédio.

É apenas, sobre um papel azul, um nome.

De ser mais qualquer coisa, a morte impede-o.

 

Jaz alheio a tudo à sua volta,

à grita dos parentes, companheiros,

como um cavalo à rédea solta

ou no mar largo, os rápidos veleiros.

 

Jaz inútil, feio, pesado,

a colcha de crochet aconchega-o na cama.

Nunca esteve tão quente e animado.

Nunca foi tão menino de mama.

 

Os filhos olham-no e fazem contas cuidadosas:

padre, enterro, velório, certidão

de óbito... E discutem, com manhas de raposas,

os parcos bens e a possível divisão.

 

Entanto, sobre o leito que foi da vida de casado,

Antoninho jaz morto. Definitivamente.

Os parentes e amigos falam dele no passado.

A viúva serve copos de aguardente.

 

Poema de Daniel Filipe, in "Pátria, Lugar de Exílio, 1963"

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publicado às 18:51

Em 114 edições do Nobel da Literatura, apenas 15 mulheres foram premiadas.

 

O Prémio Nobel da Literatura é atribuído, desde 1901, pela Acadenia Sueca, a escritores que deram contribuições relevantes à literatura. A lista de premiados evidencia uma enorme desigualdade entre escritores homens e mulheres.

 

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publicado às 19:20

Em 114 edições do Nobel da Literatura, apenas 15 mulheres foram premiadas.

 

O Prémio Nobel da Literatura é atribuído, desde 1901, pela Acadenia Sueca, a escritores que deram contribuições relevantes à literatura. A lista de premiados evidencia uma enorme desigualdade entre escritores homens e mulheres.

 

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publicado às 18:46


#3136 - GRANDE PRÉMIO DE CONTO CAMILO CASTELO BRANCO

por Carlos Pereira \foleirices, em 25.09.20

Francisco Duarte Mangas venceu o Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco, com o livro "Pavese no Café Ceuta", editado pela Teodolito.

O Prémio instituído em 1991 é atribuído em conjunto pela Associação Portuguesa de Escritores e pela Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão e tem o valor de 7500 euros.

 

Francisco Duarte Mangas nasceu em Vieira do Minho, em 1960. É jornalista, poeta, ficcionista, com uma extensa e premiada bibliografia - Prémio Carlos de Oliveira, Prémio Eixo Atlântico de Narrativa Galega e Portuguesa e Grande Prémio de Literatura ITF. A Rapariga dos Lábios Azuis foi o seu primeiro romance publicado na Quetzal.

 

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publicado às 18:08


#3134 - POEMA DE ANA LUÍSA AMARAL

por Carlos Pereira \foleirices, em 24.09.20

Quando a cegueira

relâmpago de fogo que me incendiou,

me fez olhar a luz

 

não vi sequer as patas do cavalo,

nem o seu dorso inverso e ameaçante

que eu nunca pressentira,

eu à sua mercê

- e à mercê d'Ele

 

Abri os braços em fervor recente

de crente convertido

e nada disse

agi

 

Só mais tarde falei

 

Não sei se pressenti

dos gestos das palavras que no futuro

disse

 

e como o seu futuro

incendiou cidades e poluiu nascentes,

pisou até à morte

gente que não a minhha

 

Ainda que, por dentro,

naquele breve instante da cegueira,

eu sentisse

reconvertida e breve: a confusão

do amor -

 

DE ÁGORA, EDIÇÃO ASSÍRIO & ALVIM, 2019

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publicado às 07:04


#3131 - GRANDE PRÉMIO DA NOVELA E DO ROMANCE DA APE

por Carlos Pereira \foleirices, em 15.09.20

Mário Claúdio foi distinguido pela Associação Portuguesa de Escritores com o Grande Prémio da Novela e do Romance pela obra "Tríptico da Salvação"

É a terceira vez que Mário Claúdio é distinguido com este Prémio:

- 1984, com "Amadeo";

-2014, com "Retrato de Rapaz";

-2020, com "Tríptico da Salvação".

 

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publicado às 08:21


#3130 - ALBERTO MANGUEL "O DON JUAN DAS BIBLIOTECAS"

por Carlos Pereira \foleirices, em 14.09.20

Alberto Manguel nasceu em 1948, em Buenos Aires, e cresceu em Telavive e na Argentina. Tem como línguas maternas o inglês, o espanhol e o alemão (que aprendeu com a ama).
Aos 16 anos, trabalhava na livraria Pygmalion, em Buenos Aires, quando Jorge Luis Borges lhe pediu que lesse para ele em sua casa. Foi leitor de Borges entre 1964 e 1968. Frequentou o Colegio Nacional de Buenos Aires e, em 1968, mudou-se para a Europa. Viveu em Espanha, França, Itália e Inglaterra, ganhando a vida como leitor e tradutor para várias editoras.
Editou cerca de uma dezena de antologias de contos sobre temas tão díspares como o fantástico ou a literatura erótica. É ensaísta, romancista premiado e autor de vários best‑sellers internacionais, como Dicionário de Lugares Imaginários (2013) ou Uma História da Curiosidade (2015), ambos publicados pela Tinta-da-china. É actualmente cidadão canadiano e foi director da Biblioteca Nacional da Argentina entre 2016 e 2018. Foi galardoado com o Prémio Formentor das Letras em 2017.

 

George Steiner chamou-lhe "O Don Juan das Bibliotecas". Bibliófilo, Alberto Manguel decidiu doar a sua fabulosa colecção de 40 000 volumes à cidade de Lisboa e cuja biblioteca irá funcionar no palacete dos Marqueses de Pombal, na Rua das Janelas Verdes. Neste espaço funcionará, além da biblioteca, um Centro de Estudos sobre História da Leitura.

 

 

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publicado às 20:29


#3127 - FEIRA INTERNACIONAL DO LIVRO DE GUADALAJARA

por Carlos Pereira \foleirices, em 29.08.20

LÍDIA JORGE

 

A escritora portuguesa Lídia Jorge vence o Prémio da Feira Internacional do Livro de Guadalajara. É o segundo autor português a ser distinguido com este prémio. O primeiro foi António Lobo Antunes.

 

Lídia Jorge, 74 anos de idade, foi já distinguida com os seguintes prémios:

- Grande Prémio de Literatura dst (2019);

- Prémio Vergílio Ferreira (2015);

- Prémio Luso-Espanhol de Cultura (2014);

- Prémio Internacional de Literatura da Fundação Günter Grass (2006);

- Grande Prémio de Romande da Associação Portuguesa de Escritores (2002);

- Prémio Corrente d'Escritas (2002)

- Prémio Jean Monet de Literatura Europeia (2000);

- Prémio D. Diniz da Casa de Mateus (1998).

 

«O Dia dos Prodígios», de 1989, foi o primeiro livro de Lídia Jorge.

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publicado às 09:22


3126 - BODE INSPIRATÓRIO

por Carlos Pereira \foleirices, em 22.08.20

Por acordo entre os autores, os tradutores e a editora, uma parte das receitas líquidas da venda desta obra será entregue ao Serviço Nacional de Saúde.

«Mais de quarenta escritores voluntariaram-se para criar este projecto, trabalhando à vez e criando um capítulo por dia (…)
O projecto já se disseminou internacionalmente, com traduções para italiano, francês, holandês, e agora, inglês.»
[The Guardian]

«Grupo de 40 escritores vai publicar diariamente um novo capítulo de uma história que começa com Mário de Carvalho e termina, no final de abril, com Luísa Costa Gomes (…)
Segundo Ana Margarida de Carvalho, o projeto vai funcionar “como um folhetim à antiga. Um começa e o outro tem que continuar, lendo os anteriores, mas mais apegado ao que o precede. A ideia é cada um ter 24 horas para escrever o capítulo e sair um por dia”.»
[Expresso]

Mário de Carvalho
Inês Pedrosa
Ana Cristina Silva
Ana Luísa Amaral
Patrícia Reis
Ana Bárbara Pedrosa
Cláudia Lucas Chéu
Gabriela Ruivo Trindade
Carlos Campaniço
Afonso Cruz
Jaime Rocha
Hugo Gonçalves
António Ladeira
José Mário Silva
António Jorge Teixeira Serafim
Ana Saragoça
Luís Miguel Rainha
Adélia Carvalho
Cristina Carvalho
Rui Zink
José Fanha
Hugo Mezena
Domingos Lobo
Raquel Ribeiro
Licínia Quitério
Afonso Reis Cabral
Joel Neto
Maria Manuel Viana
Raquel Patriarca
Julieta Monginho
Tiago Salazar
Isabel Rio Novo
Helena Vasconcelos
Tiago Patrício
Ricardo Fonseca Mota
Paulo M Morais
Gonçalo M Tavares
Álvaro Laborinho Lúcio
Rita Ferro
Luís Castro Mendes
Dulce Garcia
Nara Vidal
Valério Romão
Filipa Leal
Norberto Morais
Luísa Costa Gomes

 

FONTE: RELÓGIO D'ÁGUA

 

 

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publicado às 07:23


#3125 - CIDADE INFECTA, O NOVO LIVRO DE TERESA VEIGA

por Carlos Pereira \foleirices, em 22.08.20

NOVO ROMANCE DE TERESA VEIGA

Autora três vezes vencedora do Grande Prémio do Conto Camilo Castelo Branco/APE.

Numa pequena cidade do interior, onde a vida segue os trilhos da tradição, a tranquilidade dos moradores é violentamente interrompida pelo assassínio de uma mulher, e as ruas pacatas ganham sombras suspeitas sempre que cai o entardecer. Raquel e Anabela nada teriam em comum, não fossem uma determinação férrea em conduzir a vida familiar e a frequência de um curso de infor­mática. Mas apesar de diametralmente opostos, ou precisamente por isso, os seus traços de carác­ter acendem de imediato a chama da amizade.

Quanto estão prestes a desvendar uma à outra os seus mais inconfessáveis segredos, eis que se abate sobre Oliveira uma nova e devastadora tragédia.

FONTE: EDITORA TINTA-DA-CHINA

 

 

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publicado às 07:08


#3123 - O QUE É AMAR UM PAÍS

por Carlos Pereira \foleirices, em 14.08.20

José Tolentino Mendonça, poeta e sacerdote, explica que o tempo atual representa também uma oportunidade para nos reencontrarmos. Confinados a um isolamento, compreendemos talvez melhor o que significa ser - e ser de forma radical - uma comunidade.

Neste pequeno volume reúnem-se três temas essenciais para a atualidade portuguesa: 1) o que é amar um país; 2) qual o sentido da palavra «esperança» em tempos de pandemia; e 3) de que forma a beleza, a graça e a fé podem combater a solidão e a calamidade do nosso tempo. O primeiro tema é abordado no discurso de José Tolentino Mendonça (que mereceu vários elogios públicos) nas cerimónias do Dia de Portugal a 10 de junho de 2020, aqui publicado na íntegra.

O segundo tema está na origem de um texto intitulado «O Poder da Esperança», publicado originalmente no início da pandemia, e onde se viaja pelo meio dos clássicos, da filosofia, da teologia e da poesia - como experiências da catástrofe e da terapia de resposta.

Finalmente, o livro encerra com onze textos dispersos que prolongam a leitura dos livros anteriores de José Tolentino Mendonça em torno da necessidade da beleza e contemplação em tempos de solidão, imprevisibilidade e dor extrema. Trata-se de um livro de grande urgência - que diz respeito a todos, crentes e não crentes. Sobretudo, a todos os portugueses.

«E bem precisávamos de um homem do humanismo e, portanto, da cultura, de um pensador, de um escritor, de um poeta para nos falar da importância dos outros e da sua redescoberta, a começar nas famílias, nas vizinhanças, nas amizades, da atenção aos mais pobres, vulneráveis e dependentes, do pacto entre gerações, tentando ultrapassar o abismo já cavado entre os mais e os menos jovens.»
Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República, sobre o discurso do Cardeal Tolentino Mendonça.

O que É Amar um País. O Poder da Esperança.
ISBN: 9789897227097Ano de edição ou reimpressão: 08-2020Editor: Quetzal EditoresIdioma: PortuguêsDimensões: 126 x 196 x 11 mmEncadernação: Capa molePáginas: 136Tipo de Produto: LivroClassificação Temática: Livros  >  Livros em Português  >  Literatura  >  Outras Formas Literárias
 
FONTE: 

 

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publicado às 17:59


#3121 - O NOVO LIVRO DE MÁRIO DE CARVALHO

por Carlos Pereira \foleirices, em 14.08.20

Porto Editora lança Epítome de pecados e tentações, o novo livro de Mário de Carvalho. Numa prosa depurada, aquela que é uma das vozes mais importantes da nossa literatura contemporânea regressa à novela e ao conto, assinando um livro de pecados que pedem total absolvição.


Fascínios, inquietações e sobressaltos nas relações entre homens e mulheres. Como elas veem os homens. Como eles tantas vezes, as mais das vezes, se enganam. Os amores juvenis e os amores tardios. As tentações a pedirem transgressão e os pecados, veniais, sempre à espreita por entre olhares que se adivinham e jogos que se desvendam. Tudo isto e muito mais pode ser encontrado ao longo destas páginas.

«Passada a festa, esquece-se o santo!»
Mário de Carvalho

SOBRE O AUTOR

Nasceu em Lisboa em 1944. Licenciou-se em Direito e viu o serviço militar interrompido pela prisão. Desde muito cedo ligado aos meios da resistência contra o salazarismo, foi condenado a dois anos de cadeia, tendo de se exilar após cumprir a maior parte da pena. Depois da Revolução dos Cravos, em que se envolveu intensamente, exerceu advocacia em Lisboa. O seu primeiro livro, Contos da Sétima Esfera, causou surpresa pelo inesperado da abordagem ficcional e pela peculiar atmosfera, entre o maravilhoso e o fantástico.
Desde então, tem praticado diversos géneros literários – Romance, Novela, Conto, Ensaio e Teatro –, percorrendo várias épocas e ambientes, sempre em edições sucessivas. Utiliza uma multiforme mudança de registos, que tanto pode moldar uma narrativa histórica como um romance de atualidade; um tema dolente e sombrio como uma sátira viva e certeira; uma escrita cadenciada e medida como a pulsão de uma prosa endiabrada e surpreendente.
Nas diversas modalidades de Romance, Conto e Teatro, foram-lhe atribuídos os prémios literários mais prestigiados (designadamente os Grandes Prémios de Romance e Novela, Conto e Teatro da APE, prémios do Pen Clube Português e o prémio internacional Pégaso de Literatura). Em junho deste ano foi distinguido com o Grande Prémio de Crónica e Dispersos Literários, da Associação Portuguesa de Escritores, pela obra O que ouvi na barrica das maçãs.
Os seus livros encontram-se traduzidos em várias línguas. Obras como Os Alferes, A Inaudita Guerra da Avenida Gago Coutinho, Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde, O Varandim seguido de Ocaso em Carvangel, A Liberdade de Pátio ou Ronda das Mil Belas em Frol são a comprovação dessa extrema versatilidade.

NOTÍCIA RETIRADA DO SITE DA PORTO EDITORA

 

 

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publicado às 09:24


#3120 - Relógio D'Àgua, Editores - Novos Livros

por Carlos Pereira \foleirices, em 14.08.20

 

Planeamento Editorial

Programação Editorial de Agosto a Dezembro (não exaustiva)

Agosto
1 — Os Teus Passos nas Escadas, de Antonio Muñoz Molina
2 — Primeiros Contos e Outros Contos, de Agustina Bessa-Luís (Prefácio de Mónica Baldaque)
3 — Do Desaparecimento dos Rituais, de Byung-Chul Han
4 — A Ladra de Fruta, de Peter Handke (Prémio Nobel da Literatura 2019)
5 — Notre-Dame de Paris, de Victor Hugo
6 — Mulheres Invisíveis, de Caroline Criado-Perez (Vencedor do Royal Society Science Book Prize 2019 e do Financial Times and McKinsey Business Book of the Year Award 2019)
7 — O Que Move o Silêncio do Cavalo, de Maria Andresen
8 — Como a Água Que Corre, de Marguerite Yourcenar
9 — A Sociedade Paliativa, de Byung-Chul Han

Setembro
1 — A Vida Mentirosa dos Adultos, de Elena Ferrante
2 — A Era do Capitalismo da Vigilância, de Shoshana Zuboff
3 — O Mundo de Ortov, de Jaime Rocha
4 — O Tempo Indomado, de José Gil
5 — Uma Viagem à Índia, de Gonçalo M. Tavares
6 — A Prima do Campo e a Coisa Pública, de Alexandre Andrade
7 — A Escola de Topeka, de Ben Lerner
8 — Esse Cabelo, de Djaimilia Pereira de Almeida (Reedição)
9 — O Osso do Meio, de Gonçalo M. Tavares
10 — Duna, de Frank Herbert

Outubro
1 — A Minha Luta: O Fim, de Karl Ove Knausgård
2 — A Quinta dos Animais: O Romance Gráfico, de George Orwell (Adaptado e Ilustrado por Odyr)
3 — Fogos, de Marguerite Yourcenar
4 — A Ciência de Interstellar, de Kip Thorne
5 — A Noite das Barricadas, de H. G. Cancela
6 — Sapatos de Corda, de Mónica Baldaque
7 — Peregrino e Estrangeiro: Ensaios, de Marguerite Yourcenar
8 — EstojoPoesia Édita e Inédita, de Miguel-Manso
9 — Mary Ventura e o Nono Reino, de Sylvia Plath
10 — O Sítio do Lugar Nenhum, de Norberto Morais
11 — Reino Transcendente, de Yaa Gyasi
12 — A Muralha, de Agustina Bessa-Luís
13 — O Almanaque do Céu e da Terra, de Cristina Carvalho

Novembro
1 — The Memory Police, de Yoko Ogawa (finalista Man Booker International Prize 2020)
2 — Canoagem, de Joaquim Manuel Magalhães
3 — A Noite do Morava, de Peter Handke (Premio Nobel da Literatura 2019)
4 — Alexis ou Tratado do Vão Combate, de Marguerite Yourcenar
5 — A Ascensão do Dinheiro, de Niall Ferguson
6 — O Príncipe, de Nicolau Maquiavel (Prefácio de Isaiah Berlin)
7 — Correspondência entre Agustina Bessa-Luís e Juan Rodolfo Wilcock (Prefácio de Ernesto Montequin)
8 — Mr Salary, de Sally Rooney
9 — O Problema dos Três Corpos, de Liu Cixin
10 — Livro de Gonçalo M. Tavares, com desenhos de Julião Sarmento

Dezembro
1 — Trilogia da Cidade de K., de Agota Kristof
2 — A Guerra do Mundo, de Niall Ferguson
3 — Rodeado de Ilha, de João Miguel Fernandes Jorge
4 — Os Invisíveis, de Roy Jacobsen (finalista Man Booker International Prize 2017)

 

Informação retirada do site RELÓGIO D'ÁGUA,  EDITORES

 

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publicado às 06:55


#3116 - QUANDO EU PARTIR ||| POEMA DE RUY CINATTI

por Carlos Pereira \foleirices, em 27.05.20

QUANDO EU PARTIR


Quando eu partir, quando eu partir de novo
A alma e o corpo unidos,
Num último e derradeiro esforço de criação;
Quando eu partir...
Como se um outro ser nascesse
De uma crisália prestes a morrer sobre um muro estéril,
E sem que o milagre se abrisse
As janelas da vida. . .
Então pertencer-me-ei.
Na minha solidão, as minhas lágrimas
Hão de ter o gosto dos horizontes sonhados na adolescência,
E eu serei o senhor da minha própria liberdade.
Nada ficará no lugar que eu ocupei.
O último adeus virá daquelas mãos abertas
Que hão de abençoar um mundo renegado
No silêncio de uma noite em que um navio
Me levará para sempre.
Mas ali
Hei de habitar no coração de certos que me amaram;
Ali hei de ser eu como eles próprios me sonharam;
Irremediavelmente...
Para sempre.
 
POEMA DE RUY CINATTI

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publicado às 19:36


#3115 -POEMA DE AMOR ||| POEMA DE RUY CINATTI

por Carlos Pereira \foleirices, em 26.05.20

Ruy Cinatti 

Nascimento8 de março de 1915, Londres, Reino Unido
Falecimento12 de outubro de 1986, Lisboa

 

 

POEMA DE AMOR

 

Os segredos de amor têm profundezas difíceis de alcançar,

tal como a chuva que hoje cai e nos molha na calçada a face,

nós olhando triste uma saudade imensa

num corpo de mulher metamorfoseada.

 

Sou demasiado são para me esquecer

do tempo apaixonado que vivi nos teus braços

e bebo no teu um coração meu

adormecido no mar do meu cansaço

ou no rio das minhas secas lágrimas.

 

Tardará muito, se é que as horas contam,

ver-te, de novo, perto de mim, longe,

mas eu espero, sou paciente e, no meu canhenho, aponto,

um dia a menos, o da tua chegada.

E assim me fico, rente ao horizonte,

abrigado da chuva numa cabine telefónica,

e ligo para ti - que número? - ninguém responde

do oceano que avança e retrai colinas,

o vulto de um navio, tu na amurada

acenando um lenço, ó minha pomba branca!...

 

Como se tempestade hovesse e um naufrágio de chuva

- as vidraças escorrem, as árvores liquefazem-se... -

escurecendo os teus cabelos,

ou, se preferes, a minha boca neles

carregada de ilhas, de nocturnos perfumes

que ateiam lumes, ó minha idolatrada,

na minh'alma inquieta um outro bater d'asas

ou num jarrdim um leito de flores!...

 

Poema de Ruy Cinatti escrito em Junho de 1977 in "Obra Poética - Volume I" , edição Assírio & Alvim, Outubro de 2016

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publicado às 16:59


#3114 - MORREU A ESCRITORA MARIA VELHO DA COSTA

por Carlos Pereira \foleirices, em 24.05.20

A escritora portuguesa Maria Velho da Costa, Prémio Camões em 2002, morreu hoje, aos 81 anos.

 

Revolução e Mulheres

Elas fizeram greves de braços caídos.
Elas brigaram em casa para ir ao sindicato e à junta.
Elas gritaram à vizinha que era fascista.
Elas souberam dizer salário igual e creches e cantinas.
Elas vieram para a rua de encarnado.
Elas foram pedir para ali uma estrada de alcatrão e canos de água.
Elas gritaram muito.
Elas encheram as ruas de cravos.
Elas disseram à mãe e à sogra que isso era dantes.
Elas trouxeram alento e sopa aos quartéis e à rua.
Elas foram para as portas de armas com os filhos ao colo.
Elas ouviram falar de uma grande mudança que ia entrar pelas casas.
Elas choraram no cais agarradas aos filhos que vinham da guerra.
Elas choraram de verem o pai a guerrear com o filho.
Elas tiveram medo e foram e não foram.
Elas aprenderam a mexer nos livros de contas e nas alfaias das herdades abandonadas.
Elas dobraram em quatro um papel que levava dentro uma cruzinha laboriosa.
Elas sentaram-se a falar à roda de uma mesa a ver como podia ser sem os patrões.
Elas levantaram o braço nas grandes assembleias.
Elas costuraram bandeiras e bordaram a fio amarelo pequenas foices e martelos.
Elas disseram à mãe, segure-me aí os cachopos, senhora, que a gente vai de camioneta a Lisboa dizer-lhes como é.
Elas vieram dos arrebaldes com o fogão à cabeça ocupar uma parte de casa fechada.
Elas estenderam roupa a cantar, com as armas que temos na mão.
Elas diziam tu às pessoas com estudos e aos outros homens.
Elas iam e não sabiam para onde, mas que iam.
Elas acendem o lume.
Elas cortam o pão e aquecem o café esfriado.
São elas que acordam pela manhã as bestas, os homens e as crianças adormecidas.

Maria Velho da Costa

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publicado às 18:01


#3112 - TREINAR

por Carlos Pereira \foleirices, em 13.05.20

TREINAR

 

Treinar a nudez.

Pintar de céu a nudez.

Pintar de sexo a nudez.

Desenhar na nudez a inocência.

Desenhar a Fornicação na nudez.

a nudez clássica igual à nudez actual.

experimentar roupas nuas.

confirmar que a nudez é mais nua que a roupa nua.

Treinar a nudez.

 

TEXTO DE GONÇALO M. TAVARES, DO LIVRO «LIVRO DA DANÇA», EDIÇÃO RELÓGIO D'ÁGUA, OUTUBRO DE 2018

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publicado às 10:48


#3110 - POEMA DE JOÃO LUÍS BARRETO GUIMARÃES

por Carlos Pereira \foleirices, em 13.05.20

põe um disco a correr. a chuva não demora

mais do que o esvaziar das nuvens se te

confessasse as coisas que já atirei ao mar

(o revólver do crime palavras numa garrafa)

 

não darei nome ao poema seria como quem

coloca legendas aos dias e eu: sou como

água (tomando a forma dos lugares que molha)

 

vou repetir (para quem só agora ligou

este poema:) no cesto de frutos da mãe

as estações do ano sucedem-se e o disco

 

era um disco tão antigo tão antigo que

a certa alturantigo tão antigo que a 

certa alturantigo tão antigo que a certa

alturantigo tão antigo qu

 

POEMA DE JOÃO LUÍS BARRETO GUIMARÃES DE «ESTE LADO PARA CIMA», DE 1994, RETIRADO DO LIVRO «O TEMPO AVANÇA POR SÍLABAS» - EDIÇÃO QUETZAL, FEVEREIRO DE 2019

 

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publicado às 08:36


#3108 - LIVROS E LEITURAS

por Carlos Pereira \foleirices, em 09.05.20

O que procuramos quando embarcamos numa viagem?
Talvez exista um destino ou um cume que ninguém tenha alcançado, ou talvez a razão de viajarmos seja a própria viagem.

Na tradição da melhor literatura de viagem, Sem Nunca Chegar ao Cimo é muito mais do que um diário de viagem. É a história profunda, terna e estimulante do confronto com os nossos limites físicos, da erosão de muitas certezas antigas, da beleza das pequenas coisas e de como podemos encontrar o equilíbrio interior.

No seu estilo único, poético e elegante, Paolo Cognetti conta-nos esta experiência inesquecível, em que o poder da amizade, a magnificência da natureza, a diversidade dos lugares que descobriu e das pessoas que conheceu, os altos e baixos dos trilhos percorridos e as diferenças de altitude são como uma viagem da mente, do corpo e do espírito.

 

BIOGRAFIA

Paolo Cognetti (Milão, 1978) é um dos escritores italianos mais apreciados pela crítica e amado pelos leitores. Há anos que se divide entre a cidade e uma casa a dois mil metros de altitude. Estreou-se com o volume de contos Manuale per ragazze di successo (2004), a que se seguiu Una cosa piccola che sta per esplodere (2007) e o livro de viagem New York è una finestra senza tende (2010). Em 2012, publicou o seu primeiro romance Sofia si veste sempre di nero, finalista do Prémio Strega, e, no ano seguinte, O Rapaz Selvagem, o relato romanceado da sua vida na montanha. É ainda autor do livro ilustrado Tutte le mie preghiere guardano verso ovest (2014) e de A pesca nelle pozze più profonde. Meditazioni sull'arte di scrivere racconti (2014), e responsável pela antologia de contos New York Stories (2015).
As Oito Montanhas (2016), a sua obra de estreia em Portugal, fascinou editores por todo o mundo, e recebeu o Premio Strega, Premio Strega Giovani, o Prix Médicis Étranger, o Premio Leggimontagna, o Premio ITAS Libro di Montagna, o Premio Viadana e o English Pen Translates Award.
 
fonte: BERTRAND LIVREIROS

 

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publicado às 16:28


#3106 - A MEIAS ||| POEMMA DE JOÃO LUÍS BARRETO GUIMARÃES

por Carlos Pereira \foleirices, em 02.05.20

A MEIAS

 

Bebo o meu café enquanto bebes

do meu café. Intriga-me que faças isso.

Se te posso pedir um

(se podes tomar um igual)

porque hás-de querer do meu?

Que

não. Que não queres. Escuso

de pedir

que não queres. Então

começo um cigarro e tu fumas

do meu cigarro dizes

«tenho quase a certeza de

não acabar um sozinha» por isso

fumas do meu.

Dá-te gozo esse roubar de

leves goles furtivos

dá gozo participar

do prazer que eu possa ter

contigo

(e entre nós)

dá-se agora tudo

a meias.

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publicado às 18:33


#3104 - Os 15 livros mais vendidos de todos os tempos

por Carlos Pereira \foleirices, em 12.04.20
Os 15 livros mais vendidos de todos os tempos

Os 15 livros mais vendidos de todos os tempos - Artigo de Carlos Willian Leite publicado na REVISTA BULA

Para se chegar ao resultado, foram consultadas reportagens, entidades editoriais, empresas de pesquisas de mercado e publicações especializadas. Livros religiosos, políticos, educacionais e de curiosidades como: “Bíblia Sagrada”, “Iluminatti: Sociedade Secreta”, “Corão”, “Dicionário Xinhua Zidian”, “A Arte da Guerra” e “Livro Guiness dos Recordes” não foram contabilizados, apenas livros literários.

Participaram do levantamento as publicações: “The Paris Review”, “Business Insider”, “Washington Post”, “The Guardian”, “Telegraph”, “Toronto Star”, “New York Times”, “New Yorker” “Reader’s Digest”, “Global Times”, “Financial Times”; as entidades editoriais International Publishers Association (IPA), European and International Booksellers Federation (EIBF) e International Federation of Library Associations and Institutions (IFLA); e as empresas de auditagem e pesquisas de mercado Nielsen e a GfK.

Os livros, “Cinquenta Tons de Cinza” e “O Senhor dos Anéis”, apesar de terem sido publicados em mais de um volume — foram considerados como um livro único — porque, originalmente, seus autores os conceberam como obra única, diferentemente da série Harry Potter.

Embora não exista concordância sobre os números exatos do mercado de livros ao longo dos séculos, os levantamentos das publicações, instituições e empresas mencionadas, parecem ser o que mais se aproximam do consenso editorial.

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publicado às 12:33


#3101 - FOLHAS TRAÍDAS [1] ||| POEMA DE ARMANDO SILVA CARVALHO

por Carlos Pereira \foleirices, em 09.04.20

 

FOLHAS TRAÍDAS [1]

 

Eis o Teatro da Casa.

Choro diante da topografia dos sentidos,

o coração da Mãe cresce na cabeça.

As cenas mais cruéis quase flutuam,

não tenho posição,

não posso preservar mais tempo

as águas do instinto.

Destroem-me o umbigo as vozes invocadas

em torno da rosácea, matriz,

metamorfose.

Este palco, este corpo.

Se corro para o mundo afogam-me as palavras.

Ajoelho a alma até sentir na boca

os teus lábios em sangue,

esse surdo rumor cuja fome

não cabe nos recitativos.

Ó tu, mãe teatral, simulacro do berço

em que pariste este inferno de folhas já traídas,

minha coroa de glória, mãos que mexem no sexo,

em que parte da casa  habitas estas noites?

Cada sentido meu - disseste - será

um dos teus filhos.

Choram na minha boca as mínimas crianças

que  puseste no mundo..

Mãe infeliz que caminhas nas lágrimas

e vestes devagar o medo e o sepulcro.

Ao olhar o meu corpo crescem-me os teus seios,

os meus ouvidos são o som da tua voz

e a minha língua treme nos teus dentes cerrados.

Posso mudar de sexo em cada instante

porque gritas sem dó e sem idade

dentro dos meus sonhos.

Hoje posso louvar-te, amar-te

ou devorar-te:

a memória é um espelho

que a morte arrastta atrás de si

pela garganta.

 

POEMA DE ARMANDO SILVA CARVALHO RETIRADO DO LIVRO "OBRA POÉTICA (1965 - 1995) - EDIÇÕES AFRONTAMENTO - JULHO DE 1998. PREFÁCIO DE JOSÉ MANUEL DE VASCONCELOS

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Armando Silva Carvalho [1938-2017]

2017-06-02 / Um poeta ácido, lúcido, erótico, político [Público]

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publicado às 19:01


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