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#3228 - LIVROS E LEITURAS

por Carlos Pereira \foleirices, em 22.07.22

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publicado às 15:58


#3226 - PRÉMIO BOOKER INTERNACIONAL

por Carlos Pereira \foleirices, em 12.03.22

The 2022 International Booker Prize


Paulo Scott, escritor brasileiro, é um dos 13 nomeados da edição deste ano do Prémio Booker Internacional com o livro "Marrom e Amarelo" com a tradução para a língua inglesa de Daniel Hahn.

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The 13 long listed novels have been announced. They are works of fiction translated into English from 11 languages and originate from 12 countries across four continents – including Hindi for the first time.

This year’s longlist includes previous winners Olga TokarczukJennifer CroftDavid Grossman and Jessica Cohen, alongside authors translated into English for the first time. 

Independent presses with a mission for bringing the world’s fiction to English-speaking readers have dominated, with Tilted Axis - the publisher founded by Man Booker International Prize winner Deborah Smith - appearing on the list for the first time with three titles.

The shortlist of six will be announced on 7 April and the winners of the prize will be named on 26 May 2022. 

The Longlist

Paradais

Paradais

byFernanda Melchor

Translated by Sophie Hughes

Heaven

Heaven

byMieko Kawakami

Translated by Samuel Bett David Boyd

Love In The Big City

Love in the Big City

bySang Young Park

Translated by Anton Hur

Happy Stories Mostly

Happy Stories, Mostly

byNorman Erikson Pasaribu

Translated by Tiffany Tsao

Elena Knows

Elena Knows

byClaudia Piñeiro

Translated by Frances Riddle

The Book of Mother

The Book of Mother

byViolaine Huisman

Translated by Leslie Camhi

More Than I Love My Life

More Than I Love My Life

byDavid Grossman

Translated by Jessica Cohen

Phenotypes

Phenotypes

byPaulo Scott

Translated by Daniel Hahn

A New Name, Septology VI-VII

A New Name: Septology VI-VII

byJon Fosse

Translated by Damion Searls

After The Sun

After the Sun

byJonas Eika

Translated by Sherilyn Hellberg

Tomb of Sand

Tomb of Sand

byGeetanjali Shree

Translated by Daisy Rockwell

The Books of Jacob

The Books of Jacob

byOlga Tokarczuk

Translated by Jennifer Croft

Cursed Bunny

Cursed Bunny

byBora Chung

Translated by Anton Hur

 

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publicado às 09:15


#3225 - GRANDE PRÉMIO DE ENSAIO EDUARDO PRADO COELHO

por Carlos Pereira \foleirices, em 12.03.22

 

Cristina Robalo-Cordeiro, professora catedrática da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, venceu o Grande Prémio de Ensaio Eduardo Prado Coelho, da Associação Portuguesa de Escritores (APE), em conjunto com a Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, com a obra "O Véu de Maia - Relendo Almeida Faria".

Esta obra foi publicada por Edições Minerva em 2020.

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publicado às 08:49


#3223 - O MEU FILHO É INTERROGADO

PROSA DE TIMOTHY HAGELSTEIN

por Carlos Pereira \foleirices, em 01.03.22

Ouço um disco da Dulce Pontes, aqueles fados imortais, Canção do Mar, Povo que lavas no rio, Se voasses para perto de mim... todas canções maravilhosas.

 

Isso ajuda-me a suportar a distância, o tempo faz o sentimento, transforma-o e idealiza-o, imagino o brilho suave nas terras escarlates do Alentejo, naquela estrada que leva ao Sul e atravessa aldeias adormecidas. E hoje dou comigo a pensar no que a actual namorada do meu filho, o seu primeiro amor, lhe perguntará daqui a alguns anos quando se voltarem a encontrar, com uma outra vida desenhada e outras respirações partilhadas, para ambos, imagino as suas questões, se eu ainda estiver vivo, ela poderá perguntar-lhe:

 

E o teu pai? Ainda encerrado na sua gruta, o seu escritório e ateliê de  criação? A  procurar palavras e a juntá-las, transmitindo uma ideia, um momento que conseguiu captar, uma pata com os seus patinhos? uma imagem para desenhar ou colorir? uma música que não lhe sai da cabeça e não o deixa em paz até a ter gravado? Ainda tão solitário e afastado de tudo e de todos, sozinho com as suas memórias indefiníveis excepto através dos seus poemas? Continua um misantropo? revoltado contra a ignomínia dos políticos e apoiantes de movimentos políticos ou sindicais hipócritas? Ainda fala das suas noites bravas e das cores do céu cujos perfumes dizia respirar, quando dizia que alguém era um poema que vivia dentro de si e através do qual chegava ao seu coração e aos seus tormentos? Invejoso, mas com admiração, não cobiça, sentimemnto que diz nunca ter tido e que deixou aos medíocres que desperdiçam a sua energia preocupando-se com os outros.

 

Continua tão solitário, tão afastado de tudo, após ter conhecido certas glórias e certas luzes? Revoltado contra as sentinelas da moralidade nas suas cidadelas, intransigentes, contra aqueles que cultivam com talento a denúncia, ele que se alimenta da imprevisibilidade do som das palavras e que vê em cada velho músico uma beleza digna de uma pintura de Miguel Ângelo. Esses Mick Jaggers, esses Keith Richards, septuagenários enrugados e marcados mas tão belos pelas suas vivências.

 

Ainda tem aqueles ímpetos para misturar violentamente cores numa tela infernal que ninguém entende, mas na qual ele vê o deserto florescer ou um pequeno fosso amargo de riquezas íntimas? Ainda diz que as palavras são sons, a música,  cores, e a çpintura, frases coloridas e que, portanto, as expressões das três artes são idênticas e se fundem?

 

Não sei o que o meu filho poderá responder, sei, pelo menos espero, que ele lhe dirá que passou comigo os melhores anos da sua vida familiar e que o amor que lhe dei foi o principal, a arte é apenas uma mensagem que deixarei àqueles que apreciei e amei na vida e que me terá ajudado a viver, sobreviver e morrer e,  na verdade, isso é o principal.

 

TEXTO DE TIMOTHY HAGELSTEIN, DO LIVRO "APNEIAS EMOCIONAIS - POESIAS, PROSAS E NOTAS BIOGRÁFICAS", EDIÇÃO GUERRA E PAZ, EDITORES, NOVEMBRO DE 2021, TRADUÇÃO DE ANA PAULA FILIPE.

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publicado às 19:59


#3216 - LIVROS E LEITURAS

APNEIAS EMOCIONAIS - TIMOTHY HAGELSTEIN

por Carlos Pereira \foleirices, em 05.02.22

AFAGAR A MEMÓRIA

 

Desenho a tua ausência,

perdoo-te por existires;

alquimia que mistura

a chuva do passageiro.

Gestos de amor esquecidos

e esperanças nocturnas

da minha infância destruída

levaram afinal à minha fortuna.

Podes a minha memória afagar

para eu sempre em ti acreditar?

 

POEMA DE TIMOTHY HAGELSTEIN "in Apneias Emocionais" edição Guerra & Paz, Novembro de 2021, tradução de Ana Paula Filipe

 

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publicado às 20:17


#3213 - A STANISLAW WYSPIANSKY

POEMA DE KATHERINE MANSFIELD [1888-1923]

por Carlos Pereira \foleirices, em 13.01.22

Credit: Getty Images/Keystone

 

A STANISLAW  WYSPIANSKY

 

Do outro lado do mundo,

De uma pequena ilha embalada no grande regaço do mar,

De uma pequena ilha sem história,

(Fazendo a sua própria história, lenta e desajeitadamente,

Juntando isto e aquilo, encontrando o padrão, resolvendo o problema,

Como uma criança com uma caixa de tabuinhas),

Eu, uma mulher, com a marca do pioneiro no meu sangue,

Cheio de uma força juvenil que consigo guerreia e ignora leis,

Canto em teu louvor, guerreiro magnífico; Eu proclamo a tua batalha triunfante.

O meu povo não teve nada contra o que lutar;

Trabalharam à luz clara do dia e manipularam o barro com dedos rudes;

A Vida - uma coisa de sangue e músculo; a Morte - um enterro de desperdícios.

 

Que poderiam saber de fantasmas e presenças invisíveis,

De sombras que obscurecem a realidade, da escuridão que nega a manhã?

Límpida e suave é a água que escorre das suas montanhas;

Como poderiam conhecer ervas venenosas, gavinhas podres que estorvam?

A tapeçaria tecida com os sonhos da tua infância trágica

Eles rasgariam com as suas mãos inábeis,

A luz triste e pálida da tuua alma apagariam com o seu riso infantil.

Mas os mortos - os velhos - Oh Mestre, aí te pertencemos;

Oh Mestre, somos crianças e aterrados pela força de um gigante;

Como saltaste vivo para o túmulo e lutaste com a Morte

E encontrste nas veias da Morte o sangue vermelho florindo

E ergueste a Morte nos teus braços e a mostraste a todo  o povo.

A tua foi uma tarefa mais pessoal que os milagres do Nazareno,

O teu um encontro mais estrénuo que as ordens mais amáveis do Nazareno.

Stanislaw Wyspiansky - oh homem com o nome de um combatente,

Através destes milhares de quilómetros estilhaçados de mar, em alta voz te proclamam;

Dizemos «Ele jaz na Polónia, e a Polónia pensa que ele morreu;

Mas ele disse não à Morte - ele jaz ali, acordado;

O sangue do seu grande coração pulsa vermelho nas suas veias».

 

Poema de Katherine Mansfield, escritora neozelandesa, (1888-1923) traduzido por José Alberto Oliveira

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publicado às 06:46


#3210 - LIVROS E LEITURAS

AS CRÓNICAS - ANTÓNIO LOBO ANTUNES

por Carlos Pereira \foleirices, em 26.12.21

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publicado às 22:58


#3207 - "TOMÁS NEVINSO" - O NOVO LIVRO DE JAVIER MARÍAS

por Carlos Pereira \foleirices, em 21.12.21

SINOPSE

Dois homens - um deles na ficção, o outro na vida real - tiveram oportunidade de assassinar Hitler antes que ele desencadeasse a Segunda Guerra Mundial. Um mal menor teria impedido um mal maior. Se é legítimo pensar que aqueles dois homens deveriam ter disparado sobre o Führer para evitar a morte de milhões, até que ponto podemos decidir quem merece viver ou morrer?

Tomás Nevinson, marido de Berta Isla, cai na tentação de regressar aos Serviços Secretos após uma temporada de ausência. Estamos no ano de 1997. Tomás é incumbido de se deslocar a uma cidade do Noroeste de Espanha para identificar uma pessoa que, dez anos antes, participara em atentados do IRA e da ETA.

A missão é-lhe atribuída pelo seu ex-chefe, Bertram Tupra, figura ambígua que já anteriormente lhe atrapalhara a vida. Ambos são anjos desagradáveis que devem velar pela tranquilidade dos demais. Feito espião que sonda a verdade, Javier Marías constrói uma intriga inquietante, uma reflexão profunda acerca do alcance e das consequências das nossas acções.

Quão longe podemos ir para evitar o triunfo do mal? E, num mundo de claro-escuro, como podemos estar certos do que é o mal?

Tomás Nevinson é o retrato do que acontece a alguém a quem já tudo aconteceu, o retrato de um homem que tenta intervir na História e acaba desterrado do mundo.

 

CRÍTICAS DE IMPRENSA
««Tomás Nevinson será talvez o melhor romance que Javier Marías já publicou.»
José-Carlos Mainer, El País

«Sempre que leio Javier Marías, tenho a impressão de estar a ouvir uma sinfonia.» Julia Navarro, Hoy por Hoy

«Marías escreve como sempre, escreve como ninguém, [...] porque está num outro nível: eleva-nos e está a fazer - porque não dizê-lo? - o que Shakespeare fez com a sua época e com os seres humanos da sua época.»
Alberto Olmos, El Confidencial

«É impossível dizer se este é o melhor romance de Marías. Mas é, sem dúvida, um dos mais empolgantes.»
J. A. Masoliver Ródenas, La Vanguardia

«Uma história poderosa, com uma pulsação fortíssima. [...] Um assombroso retrato da realidade. [...] Um romance impressionante.»
Antonio Lucas, El Mundo
 
 
Tomás Nevinson
ISBN 9789897843518Edição/Reimpressão 12-2021Editor: Alfaguara PortugalIdioma: PortuguêsDimensões: 149 x 233 x 42 mmEncadernação: Capa molePáginas: 656Tipo de Produto: LivroClassificação Temática: Livros em Português Literatura Romance
 
 
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Javier Marías nasceu em Madrid em 1951. É um dos mais destacados autores espanhóis da atualidade. É autor de Los dominios del lobo, Travesía del horizonte, El monarca del tiempo, El siglo, El hombre sentimental (Prémio Ennio Flaiano), Todas las almas (Prémio Ciudad de Barcelona), deste Amanhã na batalha pensa em mim (Prémio Fastenrath, Prémio Rómulo Gallegos, Prix Fémina Étranger), Negra espalda del tiempo, Tu rostro mañana (3 volumes), Os enamoramentos e Coração tão branco (vencedor do Prémio da Crítica em Espanha, do Prix l’Oeil et la Lettre e do IMPAC Dublin Literary Award), estes dois últimos já publicados na Alfaguara).
Tem ainda editados vários livros de contos, antologias e coletâneas de ensaios e crónicas.
Em 1997, recebeu o Prémio Nelly Sachs, em Dortmund; em 1998, o Prémio Comunidad de Madrid; em 2000, os prémios Grinzane Cavour, em Turim, e Alberto Moravia, em Roma; em 2008, os prémios Alessio, em Turim, e José Donoso, no Chile; e, em 2011, o Prémio Nonino, em Udine, e o Prémio Literário Europeu, todos eles pelo conjunto da sua obra. Entre as traduções de sua autoria, destaca-se a de Tristram Shandy.
Foi professor na Universidade de Oxford e na Universidade Complutense de Madrid. A sua obra encontra-se publicada em quarenta e dois idiomas e cinquenta e quatro países, com seis milhões de exemplares vendidos em todo o mundo.
É membro da Real Academia Espanhola.
 
FONTE:WOOK
 

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publicado às 09:00


#3206 - PRÉMIO LITERÁRIO VERGÍLIO FERREIRA

por Carlos Pereira \foleirices, em 21.12.21

HELENA BUESCU, professora universitária da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa onde leciona Literatura Comparada, foi galardoada com o Prémio Literário Vergílio Ferreira atribuído pela Universidade de Évora.

Considerada uma autoridade incontestável dos estudos comparatistas, publicou 12 livros de ensaio, tendo a sua última obra "O Poeta na Cidade: A Literatura Portuguesa na História" vencido o Grande Prémio de Ensaio Eduardo Prado Coelho, da Associação Portuguesa de Escritores.

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Prémio Vergílio Ferreira

A Universidade de Évora atribui desde 1997 o Prémio Vergílio Ferreira ao conjunto da obra literária de um autor de língua portuguesa destacado no âmbito da narrativo e/ou do ensaio. 

Foi em 1959 que Vergílio Ferreira (1916-1996) publicou o livro que lhe rendeu o Prémio Camilo Castelo Branco da Sociedade Portuguesa e também aquele que o ligará para sempre a Évora. A obra “Aparição” retrata a cidade, na qual o autor ainda viveu, durante a época do salazarismo, fazendo referência a algumas marcas ainda presentes nos dias de hoje e levando o leitor a conhecer alguns dos locais mais emblemáticos de Évora, como é o caso do próprio Colégio do Espírito Santo. A cerimónia de entrega do Prémio Vergílio Ferreira realiza-se anualmente a 1 de março, o dia em que se assinala também o aniversário da morte do seu patrono. 

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publicado às 06:35


#3205 - O MAIS FORTE ENTRE OS ESTRANHOS

POEMA DE CHARLES BUKOWSKI

por Carlos Pereira \foleirices, em 10.12.21

não os encontrarás com regularidade

pois não se encontram

onde se encontra 

a multidão

 

estes seres ímpares,

não há muitos

mas deles

vêm

os poucos

bons quadros

as poucas

boas sinfonias

os poucos

bons livros

e outras

obras.

 

e dos

melhores

entre os estranhos

talvez

nada.

 

eles são

os seus próprios

quadros

os seus próprios

livros

as suas próprias

obras.

 

às vezes penso

que

os vejo - por exemplo

um determinado

velho

sentado num

determinado banco de jardim

de uma determinada 

forma

 

ou 

uma cara fugaz

num carro

que passa

em direcção

contrária

 

ou

há um certo

gesto de mãos

do rapaz ou

da rapariga

a embalar compras

em sacos

de supermercado.

 

às vezes

até é alguém

com quem se vive

há algum

tempo -

dás conta de

um fugidio

olhar luminoso

que nunca lhes viras

antes.

 

às vezes

apenas notas

a sua existência

subitamente

e de forma vívida

alguns meses

alguns anos

depois de

partirem.

 

lembro-me

de um caso

assim -

ele tinha

cerca de 20 anos

bêbedo

às 10 da manhã

a fitar

um espelho partido

em Nova Orleães

 

cara sonhadora

contra

as paredes

do mundo

 

para

onde

fui eu?

 

POEMA DE CHARLES BUKOWSKI, DO LIVRO "OS CÃES LADRAM FACAS (ANTOLOGIA POÉTICA", EDIÇÃO ALFAGUARA, NOVEMBRO DE 2018

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publicado às 06:49


#3203 - JOSÉ CARLOS BARROS VENCEU O PRÉMIO LEYA 2021

"As Pessoas Invisíveis"

por Carlos Pereira \foleirices, em 07.12.21

"As Pessoas Invisíveis", romance escrito por José Carlos Barros, foi a escolha, por unanimidade, do Júri do Prémio Leya 2021.

O Prémio Leya foi criado em 2008 com o objectivo de distinguir um romance inédito escrito em português.

 

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José Carlos Barros nasceu em Boticas em 1963. Licenciado em Arquitetura Paisagista pela Universidade de Évora, foi diretor do Parque Natural da Ria Formosa. É autor de dois romances e de nove livros de poesia, tendo sido distinguido com vários prémios literários. Vive no Algarve, em Vila Nova de Cacela, desde finais dos anos oitenta.

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publicado às 17:45


#3202 - OS TAGARELAS

POEMA DE CHARLES BUKOWSKI

por Carlos Pereira \foleirices, em 03.12.21

OS TAGARELAS

o rapaz de pés enlameados atravessa-me a 

alma

a falar de recitais, de virtuosos, de maestros,

dos romances menos conhecidos de Dostoiévski;

a falar de como corrigiu uma empregada de mesa,

uma bimba que desconhecia que o molho francês

era feito disto e daquilo;

tagarela sobre as Artes até

eu odiar as Artes,

e não há nada mais limpo

do que voltar para um bar ou

do que ir para o hipódromo

e vê-los correr

ver coisas a passar sem este

clamor e falatório,

falar, falar, falar,

a boquinha a mexer, os olhos a piscar,

um rapaz, uma criança, doente com as Artes,

a agarrar-se a elas como à saia da mãe,

e pergunto-me quantos dezenas de milhares

existem como ele por esta terra

em noites chuvosas

em manhãs soalheiras

em serões que prometiam paz

em salas de concerto

em cafés

em recitais de poesia

a falar, a sujar, a discutir.

é como o porco

que vai para a cama

com uma mulher linda

e por causa disso

deixas de querer aquela mulher.

 

POEMA DE CHARLES BUKOWSKI in "Os cães ladram facas"[Antologia Poética], edição Alfaguara, Novembro de 2018

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publicado às 06:42

Jeferson Tenório, escritor brasileiro, venceu com o livro "Avesso da Pele" o Prémio Jabuti na categoria de "Romance Literário".

 

Pode ver aqui a lista completa dos vencedores das outras categorias

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Jeferson Tenório nasceu no Rio de Janeiro, em 1977. Radicado em Porto Alegre, é doutorando em Teoria Literária pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Estreou-se na literatura com o romance O beijo na parede (2013), eleito livro do ano pela Associação Gaúcha de Escritores. É autor também de Estela sem Deus (2018). O avesso da pele é o seu terceiro romance e está a ser adaptado ao cinema.

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publicado às 19:07


#3192 - PRÉMIO GONCOURT 2021

por Carlos Pereira \foleirices, em 05.11.21

Mohamed Mbougar Sarr, escritor senegalês, foi o vencedor do Prémio Goncourt de 2021 com o romance "La Plus Secrèt Mémoire des Hommes".

É o primeiro autor da África subsaariana a receber o mais importante galardão literário francês.

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publicado às 06:56


#3191 - DAMON GALGUT VENCE O PRÉMIO BOOKER PRIZE 2021

por Carlos Pereira \foleirices, em 04.11.21

 

Damon Galgut, escritor sul-africano, venceu com o livro "The Promise" o Prémio Booker Prize

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publicado às 23:24


#3190 - PRÉMIO LITERÁRIO FERNANDO NAMORA 2021

por Carlos Pereira \foleirices, em 02.11.21

 

 

João Tordo venceu o Prémio Literário Fernando Namora 2021 com o livro "Felicidade".

Este prémio é atribuído pela Estoril Sol há 24 anos.

 

 

SINOPSE

Lisboa, 1973
Nas vésperas da revolução, um rapaz de dezassete anos, filho de um pai conservador e de uma mãe liberal, cai de amores por Felicidade, colega de escola e uma de três gémeas idênticas.
As irmãs Kopejka são a grande atracção do liceu: bonitas, seguras, determinadas, são fonte de desejos e fantasias inalcançáveis.

Respira-se mudança - a Europa a libertar-se das suas ditaduras e Portugal a despedir-se da velha ordem - e vive-se a promessa da liberdade, com todos os seus riscos e encantos. É neste tempo e neste mundo, indeciso entre tradição e modernidade, que o nosso narrador cai num abismo pessoal.

A primeira noite de amor com Felicidade acaba de forma trágica, e o jovem vê-se enredado na malha inescapável das trigémeas Kopejka, três Fúrias que não tem poderes para controlar. À semelhança de uma tragédia grega, o herói encontra-se subjugado por forças indomáveis, preso entre dois mundos.

Felicidade é uma história de amor e assombração nas décadas que transformaram Portugal. Um romance enfeitiçante, repleto de ironia e humor, de remorso e melancolia, em que João Tordo aborda os temas do amor e da morte, e das pulsões humanas que os unem.

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publicado às 06:57


#3177 - UMA VEZ QUE JÁ TUDO SE PERDEU ||| POEMA DE RUY BELO

por Carlos Pereira \foleirices, em 05.09.21

UMA VEZ QUE JÁ TUDO SE PERDEU

 

Que o medo não te tolha a tua mão

Nenhuma ocasião vale o temor

Ergue a cabeça dignamente irmão

falo-te em nome seja de quem for

 

No princípio de tudo o coração

como o fogo alastrava em redor

Uma nuvem qualquer toldou então

céus de canção promessa e amor

 

Mas tudo é apenas o que é

levanta-te do chão põe-te de pé

lembro-te apenas o que te esqueceu

 

Não temas porque tudo recomeça

Nada se perde por mais que aconteça

uma vez que já tudo se perdeu

 

Poema de Ruy Belo in "Homem de Palavra[s]", pág. 312 da colectânea "Todos os Poemas", edição Assírio & Alvim de Abril de 2014 (4.ª Edição)

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publicado às 10:17


#3174 - LIVROS E LEITURAS

por Carlos Pereira \foleirices, em 17.08.21

SINOPSE

Entrada essencial no vasto universo de Theroux e na sua constante procura pelo autêntico dos lugares, das pessoas e dos livros.
Nesta sequência de grandes lugares, pessoas e prosas, os ensaios de viagem levam-nos ao Equador, ao Zimbabwe, ao Havai e muito além; as pérolas de crítica literária revelam fascinantes profundezas (e facetas pouco conhecidas) nas obras de Henry David Thoreau, Graham Greene, Joseph Conrad e Georges Simenon, entre outros; e a série de impressionantes perfis pessoais levam-nos numa viagem aérea com Elizabeth Taylor, a envolver-nos com a neurologia de rua de Oliver Sacks e a explorar Nova Iorque com Robin Williams.

A este variadíssimo leque de temas, experiências, gostos, encontros, autores, celebridades, artistas e geografias não podiam faltar as reflexões mais íntimas e as histórias e recordações mais pessoais e familiares - em textos como «O verdadeiro eu: uma recordação», «A vida e a revista Life» ou «Paizinho querido: recordações do meu pai».

Figuras numa Paisagem é uma entrada essencial no vasto universo de Theroux, cuja argamassa é uma ampla meditação e a procura constante do autêntico nas pessoas, nos lugares e nos livros.
 
 
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BIOGRAFIA

Paul Theroux nasceu em Medford, no Massachusetts, em 1941. O pai era franco-canadiano e a mãe italiana, e Paul era um dos sete irmãos. Frequentou as Universidades do Maine e, posteriormente, do Massachusetts. O curso de Escrita Criativa que realizou com o poeta Joseph Langland fê-lo descobrir que escrever era o que queria fazer na vida. Viveu em Itália, onde foi leitor; no Malawi, onde também ensinou e esteve envolvido no golpe de Estado que tentou depor o então presidente-ditador; em Singapura e no Uganda, onde deu aulas de Inglês e não só conheceu a sua futura mulher como também encontrou, pela primeira vez, V.S. Naipaul (que viria a ser seu grande amigo e mentor). Paul Theroux vive atualmente entre Cape Cod e o Havai.
A par das colaborações regulares que manteve ao longo dos anos com as revistas PlayboyEsquire e Atlantic Monthly, escreveu dezenas de romances (alguns adaptados ao cinema), ensaios e alguns dos melhores livros de viagens de sempre, como O Velho Expresso da PatagóniaComboio Fantasma para o Oriente e O Grande Bazar Ferroviário, todos publicados pela Quetzal.
 
FONTE: QUETZAL

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publicado às 18:24


#3173 - LIVROS E LEITURAS

por Carlos Pereira \foleirices, em 29.06.21

 

CNC-Irene-Vallejo-_-O-Infinito-num-Junco-.jpg

A Invenção do livro na antiguidade e o nascer da sede dos livros.
Este é um livro sobre a história dos livros. Uma narrativa desse artefacto fascinante que inventámos para que as palavras pudessem viajar no tempo e no espaço. É o relato do seu nascimento, da sua evolução e das suas muitas formas ao longo de mais de 30 séculos: livros de fumo, de pedra, de argila, de papiro, de seda, de pele, de árvore, de plástico e, agora, de plástico e luz.

É também um livro de viagens, com escalas nos campos de batalha de Alexandre, o Grande, na Villa dos Papiros horas antes da erupção do Vesúvio, nos palácios de Cleópatra, na cena do homicídio de Hipátia, nas primeiras livrarias conhecidas, nas celas dos escribas, nas fogueiras onde arderam os livros proibidos, nos gulag, na biblioteca de Sarajevo e num labirinto subterrâneo em Oxford no ano 2000.

Este livro é também uma história íntima entrelaçada com evocações literárias, experiências pessoais e histórias antigas que nunca perdem a relevância: Heródoto e os factos alternativos, Aristófanes e os processos judiciais contra humoristas, Tito Lívio e o fenómeno dos fãs, Sulpícia e a voz literária de mulheres.

Mas acima de tudo, é uma entusiasmante aventura coletiva, protagonizada por milhares de personagens que, ao longo do tempo, tornaram o livro possível e o ajudaram a transformar-se e evoluir - contadores de histórias, escribas, ilustradores e iluminadores, tradutores, alfarrabistas, professores, sábios, espiões, freiras e monjes, rebeldes, escravos e aventureiros.

É com fluência, curiosidade e um permanente sentido de assombro que Irene Vallejo relata as peripécias deste objeto inverosímil que mantém vivas as nossas ideias, descobertas e sonhos. E, ao fazê-lo, conta também a nossa história de leitores ávidos, de todo o mundo, que mantemos o livro vivo.

Um dos melhores livros do ano segundo os jornais El Mundo, La Vanguardia e The New York Times (Espanha).

CRÍTICAS
 
«Uma obra-prima.»
Mario Vargas Llosa

«Uma homenagem ao livro, de uma leitora apaixonada.»
Alberto Manguel

«É uma felicidade ler a prosa de Irene Vallejo, ela é uma criadora brilhante e sensível.»
Luis Landero

«Uma exploração admirável sobre as origens da maior ferramenta da liberdade alguma vez dado ao ser humano: o livro.»
Rafael Argullol

«Um livro muito original: sobre a história dos livros, o alfabeto, as bibliotecas… narrado com erudição e envolvência, sentido de humor e elegância, faz paralelos com o presente.»
Laura Freixas

«Amigos leitores: corram a ler O Infinito num Junco.»
Maruja Torres

 

CRÍTICAS DE IMPRENSA
 
«Os livros que nos desbravam, que nos domesticam, que nos impõem o seu ritmo de leitura, que nos dão cabo dos nervos, não se encontram facilmente entre as novidades nas livrarias e contudo são tão necessários. A mais recente destas descobertas que fiz intitula-se O infinito num Junco e é de Irene Vallejo.»
Juan José Millás, El País

«Vallejo decidiu, sabiamente, libertar-se do estilo académico e optou pela voz do contista, a História entendida não como lista de documentos citados mas como fábula. Para o leitor comum e ávido (de que Virginia Woolf falava) este ensaio encantador torna-se mais comovente e mais cativante por se assumir como uma homenagem ao livro, por parte de uma leitora apaixonada.»
Alberto Manguel, Babelia, El País

«Irene Vallejo criou um livro genial, universal e único.»
Jordi Carrión, The New York Times (ES)

«É possível ser-se um filólogo de exceção e escrever como os anjos. Irene Vallejo enlaça-nos nas suas palavras e transforma o diálogo com o leitor num verdadeiro festival literário.»
Luis Alberto de Cuenca, ABC
 
 

BIOGRAFIA

Irene Vallejo (Saragoça, 1979) é apaixonada pela mitologia Grega e Romana desde tenra idade. Estudou Filologia Clássica, doutorando-se nas universidades de Saragoça e Florença. É escritora, colunista do El País e do Heraldo de Aragón, palestrante e promotora de educação e do conhecimento sobre o mundo clássico. Partilha com os outros, diariamente, a sua paixão pela Antiguidade, pelos livros e pela leitura.

 

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publicado às 18:51

David Diop

David Diop, escritor francês e professor de literatura do século XVIII, vencedor do Prémio Literário «THE INTERNATIONAL BOOKER PRIZE 2021» com o livro "At Night all Blood is Black", vai ter uma edição em português pela editora Relógio D'Água até final deste mês de Junho.

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publicado às 08:56


#3158 - PRÉMIO LITERÁRIO INTERNACIONAL DE DUBLIN

por Carlos Pereira \foleirices, em 05.02.21

ANTÓNIO LOBO ANTUNES

 

António Lobo Antunes, escritor português, é um dos nomeados para o Prémio Literário Internacional de Dublin com o livro «Até que as pedras se tornem mais leves que a água».

Este Prémio Literário é promovido pela autarquia da capital da Irlanda e gerido pelas Bibliotecas Públicas da cidade.

O vencedor será conhecido a 20 de Maio.

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publicado às 07:09


#3154 - ARTURO PÉREZ-REVERTE

por Carlos Pereira \foleirices, em 30.01.21

Arturo Pérez-Reverte

Arturo Pérez-Reverte nasceu em Cartagena, Espanha, em 1951. Foi repórter de guerra durante vinte e um anos. Com mais de vinte milhões de leitores em todo o mundo, muitos dos seus romances têm sido adaptados ao cinema e à televisão. Em 2017, foi premiado com o Prix Littéraire Jacques Audiberti. Atualmente, divide a sua vida entre a literatura, o mar e a navegação. É membro da Real Academia Espanhola.

INFORMAÇÃO RETIRADA DO SITE DA WOOK

 

Frases retiradas de uma entrevista feita ao escritor por Luciana Leiderfare, e publicada na Revista "E" do Jornal Expresso,

edição 2518,  de  29 de Janeiro de 2021.

 

"O ser humano é o único que mata aquele que se rende e, isso vi-o com os meus olhos, ninguém me contou."

" O homem que acredita que o mundo  é um lugar bom e que somos todos irmãos é um imbecil, não é bom, é um idiota, um ingénuo".

"Um homem bom é aquele que, vendo o mundo como um lugar hostil, não perde a lealdade e a compaixão."

"Para mim, o ser humano é a soma daquilo que viveu e do que leu."

 

 

 

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publicado às 19:58


#3152 - POEMA DE JOSÉ LUÍS PEIXOTO

por Carlos Pereira \foleirices, em 21.01.21

 

Olho agora para o livro que me emprestaste

e que nunca devolvi. Também ele olha para mim.

Tem as marcas da tua leitura, certos vincos

no branco das páginas, manchas subtis e difusas

como nuvens, restos das tuas mãosou do teu olhar.

Espero que não penses sobre mim o que penso

sobre as pessoas que nunca me devolveram

os livros que emprestei. O que pensarás tu

sobre mim? Nunca li o livro que me emprestaste,

preferi sempre imaginá-lo. Suponho que ainda

se sinta estrangeiro entre os meus livros,

mas agora é demasiado tarde para devolvê-lo,

há tanto tempo que não falamos, não sei

se ainda guardo o teu número de telefone.

O que pensarias se agora, a despropósito,

te quisesse devolver o livro? Havias de pensar

que queria alguma coisa. Sabes, fico com o teu

livro porque não quero nada. Provavelmente,

nunca te devolverei este livro, fará parte do

meu espólio, é a última ligação que temos.

 

POEMA DE JOSÉ LUÍS PEIXOTO RETIRADO DO LIVRO "REGRESSO A CASA", EDIÇÃO QUETZAL, AGOSTO DE 2020

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publicado às 16:34


#3147 - PRÉMIO LITERÁRIO OCEANOS - LISTA DOS DEZ FINALISTAS

por Carlos Pereira \foleirices, em 25.11.20

Três Escritores portugueses fazem parte da lista dos dez finalistas do Prémio Oceanos que, todos os anos, distingue os melhores livros publicados em língua portuguesa.

 

Eis os nomes dos livros finalistas e respectivos autores:

A cidade inexistente, de José Rezende Jr. (7Letras) ~ romance brasileiro
A ocupação, de Julián Fuks (Companhia das Letras Brasil e Portugal) ~ romance brasileiro
A visão das plantas, de Djaimilia Pereira de Almeida (Relógio D’Água) ~ romance português
As durações da casa, de Julia de Souza (7Letras) ~ poesia brasileira
As solas dos pés de meu avô, de Tiago D. Oliveira (Patuá) ~ poesia brasileira
Autobiografia, de José Luís Peixoto (Quetzal, em Portugal, e TAG Livros, no Brasil) ~ romance português
Carta à rainha louca, de Maria Valéria Rezende (Alfaguara) ~ romance brasileiro
Obnóxio, de Abel Barros Baptista (Tinta-da-China) ~ crônicas portuguesas
Sombrio ermo turvo, de Veronica Stigger (Todavia) ~ contos brasileiros
Torto arado, de Itamar Vieira Junior (Todavia, no Brasil, e LeYa, em Portugal) ~ romance brasileiro

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publicado às 10:37


#3146 - LIVROS ("TROPEL" - O NOVO ROMANCE DE MANUEL JORGE MARMELO)

por Carlos Pereira \foleirices, em 24.11.20

TROPEL
ISBN: 978-972-0-03181-5
Edição/reimpressão: 09-2020
Editor: Porto Editora
Código: 03181
 
Idioma: Português
Dimensões: 152 x 235 x 15 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 152
Tipo de Produto: Livro
Classificação Temática: Livros > Livros em Português > Literatura > Romance
 

SINOPSE

Fica o leitor advertido de que esta ficção é completamente alheia à realidade. Tudo nela é falso, desconcertante, fictício e quase nada verídico. A viagem que aqui se empreende ao âmago da pungente metáfora que anima o Clube dos Caçadores de Székely é, todavia, inspirada em factos absolutamente reais.
Atanas Viktor, o desamparado adolescente herdeiro de uma longa linhagem de caçadores impiedosos, é a personagem central desta incursão a um tempo de ódio e de uma história apartada do mundo, marginal e contada a partir de um lugar ermo, espantoso e medonho que só existe na literatura — mas cada vez mais próximo da soleira da nossa porta.
 

PORTO EDITORA

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publicado às 09:22

 

The Winner

Shuggie Bain

1981. Glasgow. The city is dying. Poverty is on the rise. People watch the lives they had hoped for disappear from view. Agnes Bain had always expected more. She dreamed of greater things: a house with its own front door, a life bought and paid for outright (like her perfect – but false – teeth). When her philandering husband leaves, she and her three children find themselves trapped in a mining town decimated by Thatcherism. As Agnes increasingly turns to alcohol for comfort, her children try their best to save her. Yet one by one they have to abandon her in order to save themselves.

It is her son Shuggie who holds out hope the longest. But Shuggie has problems of his own: despite all his efforts to pass as a ‘normal boy’, everyone has decided that Shuggie is ‘no right’. Agnes wants to support and protect her son, but her addiction has the power to eclipse everyone close to her, including her beloved Shuggie.

Laying bare the ruthlessness of poverty, the limits of love, and the hollowness of pride, Shuggie Bain is a blistering and heartbreaking debut, and an exploration of the unsinkable love that only children can have for their damaged parents.

Winning Author

Douglas Stuart

Douglas Stuart was born and raised in Glasgow. After graduating from the Royal College of Art in London, he moved to New York City, where he began a career in fashion design. His work has appeared in the New Yorker and on LitHub. Shuggie Bain is his first novel.

Read our interview with shortlisted author Douglas Stuart here.

The List of Finalists

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publicado às 21:00

A editora Planeta lançou esta semana  "Cidade de Vapor - Todos os Contos", um livro que reúne os contos do escritor espanhol Carlos Ruiz Zafón falecido em Junho passado.

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Carlos Ruiz Zafón (1964-2020) nasceu em Barcelona. Iniciou a sua carreira literária em 1993 com El Príncipe de la Niebla (Prémio Edebé), a que se seguiram El Palacio de la MedianocheLas Luces de Septiembre (reunidos no volume La Trilogía de la Niebla) e Marina. Em 2001 publicou A Sombra do Vento, que rapidamente se transformou num fenómeno literário internacional. Com O Jogo de Anjo (2008) regressa ao Cemitério dos Livros Esquecidos. As suas obras foram traduzidas em mais de quarenta línguas e conquistaram numerosos prémios e milhões de leitores nos cinco continentes. Carlos Ruiz Zafón viveu em Los Angeles e, além dos seus romances, colaborou em jornais como La Vanguardia ou o El País.

FONTE:  WOOK

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publicado às 20:05


#3140 - REQUIEM PARA UM DEFUNTO VULGAR ||| Poema de Daniel Filipe

por Carlos Pereira \foleirices, em 13.11.20

REQUIEM PARA UM DEFUNTO VULGAR

 

Antoninho morreu. Seu corpo resignado

é como um rio incolor, regressando à nascente

num silêncio de espanto e mistério revelado.

Está ali - estando ausente.

 

Jaz de corpo inteiro e fato preto,

Ele, da cabeça aos pés,

trivial e completo,

estátua de proa e moço de convés.

 

Jaz como se dormisse (pelo menos

é o que dizem as velhas carpideiras).

Jaz imóvel, sem gestos, sem acenos.

Jaz morto de todas as maneiras.

 

Jaz morto de cansaço,  de pobreza,  de fome

(sobretudo, de fome). Jaz morto sem remédio.

É apenas, sobre um papel azul, um nome.

De ser mais qualquer coisa, a morte impede-o.

 

Jaz alheio a tudo à sua volta,

à grita dos parentes, companheiros,

como um cavalo à rédea solta

ou no mar largo, os rápidos veleiros.

 

Jaz inútil, feio, pesado,

a colcha de crochet aconchega-o na cama.

Nunca esteve tão quente e animado.

Nunca foi tão menino de mama.

 

Os filhos olham-no e fazem contas cuidadosas:

padre, enterro, velório, certidão

de óbito... E discutem, com manhas de raposas,

os parcos bens e a possível divisão.

 

Entanto, sobre o leito que foi da vida de casado,

Antoninho jaz morto. Definitivamente.

Os parentes e amigos falam dele no passado.

A viúva serve copos de aguardente.

 

Poema de Daniel Filipe, in "Pátria, Lugar de Exílio, 1963"

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publicado às 18:51

Em 114 edições do Nobel da Literatura, apenas 15 mulheres foram premiadas.

 

O Prémio Nobel da Literatura é atribuído, desde 1901, pela Acadenia Sueca, a escritores que deram contribuições relevantes à literatura. A lista de premiados evidencia uma enorme desigualdade entre escritores homens e mulheres.

 

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publicado às 19:20

Em 114 edições do Nobel da Literatura, apenas 15 mulheres foram premiadas.

 

O Prémio Nobel da Literatura é atribuído, desde 1901, pela Acadenia Sueca, a escritores que deram contribuições relevantes à literatura. A lista de premiados evidencia uma enorme desigualdade entre escritores homens e mulheres.

 

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publicado às 18:46


#3136 - GRANDE PRÉMIO DE CONTO CAMILO CASTELO BRANCO

por Carlos Pereira \foleirices, em 25.09.20

Francisco Duarte Mangas venceu o Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco, com o livro "Pavese no Café Ceuta", editado pela Teodolito.

O Prémio instituído em 1991 é atribuído em conjunto pela Associação Portuguesa de Escritores e pela Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão e tem o valor de 7500 euros.

 

Francisco Duarte Mangas nasceu em Vieira do Minho, em 1960. É jornalista, poeta, ficcionista, com uma extensa e premiada bibliografia - Prémio Carlos de Oliveira, Prémio Eixo Atlântico de Narrativa Galega e Portuguesa e Grande Prémio de Literatura ITF. A Rapariga dos Lábios Azuis foi o seu primeiro romance publicado na Quetzal.

 

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publicado às 18:08


#3134 - POEMA DE ANA LUÍSA AMARAL

por Carlos Pereira \foleirices, em 24.09.20

Quando a cegueira

relâmpago de fogo que me incendiou,

me fez olhar a luz

 

não vi sequer as patas do cavalo,

nem o seu dorso inverso e ameaçante

que eu nunca pressentira,

eu à sua mercê

- e à mercê d'Ele

 

Abri os braços em fervor recente

de crente convertido

e nada disse

agi

 

Só mais tarde falei

 

Não sei se pressenti

dos gestos das palavras que no futuro

disse

 

e como o seu futuro

incendiou cidades e poluiu nascentes,

pisou até à morte

gente que não a minhha

 

Ainda que, por dentro,

naquele breve instante da cegueira,

eu sentisse

reconvertida e breve: a confusão

do amor -

 

DE ÁGORA, EDIÇÃO ASSÍRIO & ALVIM, 2019

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publicado às 07:04


#3131 - GRANDE PRÉMIO DA NOVELA E DO ROMANCE DA APE

por Carlos Pereira \foleirices, em 15.09.20

Mário Claúdio foi distinguido pela Associação Portuguesa de Escritores com o Grande Prémio da Novela e do Romance pela obra "Tríptico da Salvação"

É a terceira vez que Mário Claúdio é distinguido com este Prémio:

- 1984, com "Amadeo";

-2014, com "Retrato de Rapaz";

-2020, com "Tríptico da Salvação".

 

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publicado às 08:21


#3130 - ALBERTO MANGUEL "O DON JUAN DAS BIBLIOTECAS"

por Carlos Pereira \foleirices, em 14.09.20

Alberto Manguel nasceu em 1948, em Buenos Aires, e cresceu em Telavive e na Argentina. Tem como línguas maternas o inglês, o espanhol e o alemão (que aprendeu com a ama).
Aos 16 anos, trabalhava na livraria Pygmalion, em Buenos Aires, quando Jorge Luis Borges lhe pediu que lesse para ele em sua casa. Foi leitor de Borges entre 1964 e 1968. Frequentou o Colegio Nacional de Buenos Aires e, em 1968, mudou-se para a Europa. Viveu em Espanha, França, Itália e Inglaterra, ganhando a vida como leitor e tradutor para várias editoras.
Editou cerca de uma dezena de antologias de contos sobre temas tão díspares como o fantástico ou a literatura erótica. É ensaísta, romancista premiado e autor de vários best‑sellers internacionais, como Dicionário de Lugares Imaginários (2013) ou Uma História da Curiosidade (2015), ambos publicados pela Tinta-da-china. É actualmente cidadão canadiano e foi director da Biblioteca Nacional da Argentina entre 2016 e 2018. Foi galardoado com o Prémio Formentor das Letras em 2017.

 

George Steiner chamou-lhe "O Don Juan das Bibliotecas". Bibliófilo, Alberto Manguel decidiu doar a sua fabulosa colecção de 40 000 volumes à cidade de Lisboa e cuja biblioteca irá funcionar no palacete dos Marqueses de Pombal, na Rua das Janelas Verdes. Neste espaço funcionará, além da biblioteca, um Centro de Estudos sobre História da Leitura.

 

 

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publicado às 20:29


#3127 - FEIRA INTERNACIONAL DO LIVRO DE GUADALAJARA

por Carlos Pereira \foleirices, em 29.08.20

LÍDIA JORGE

 

A escritora portuguesa Lídia Jorge vence o Prémio da Feira Internacional do Livro de Guadalajara. É o segundo autor português a ser distinguido com este prémio. O primeiro foi António Lobo Antunes.

 

Lídia Jorge, 74 anos de idade, foi já distinguida com os seguintes prémios:

- Grande Prémio de Literatura dst (2019);

- Prémio Vergílio Ferreira (2015);

- Prémio Luso-Espanhol de Cultura (2014);

- Prémio Internacional de Literatura da Fundação Günter Grass (2006);

- Grande Prémio de Romande da Associação Portuguesa de Escritores (2002);

- Prémio Corrente d'Escritas (2002)

- Prémio Jean Monet de Literatura Europeia (2000);

- Prémio D. Diniz da Casa de Mateus (1998).

 

«O Dia dos Prodígios», de 1989, foi o primeiro livro de Lídia Jorge.

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publicado às 09:22


3126 - BODE INSPIRATÓRIO

por Carlos Pereira \foleirices, em 22.08.20

Por acordo entre os autores, os tradutores e a editora, uma parte das receitas líquidas da venda desta obra será entregue ao Serviço Nacional de Saúde.

«Mais de quarenta escritores voluntariaram-se para criar este projecto, trabalhando à vez e criando um capítulo por dia (…)
O projecto já se disseminou internacionalmente, com traduções para italiano, francês, holandês, e agora, inglês.»
[The Guardian]

«Grupo de 40 escritores vai publicar diariamente um novo capítulo de uma história que começa com Mário de Carvalho e termina, no final de abril, com Luísa Costa Gomes (…)
Segundo Ana Margarida de Carvalho, o projeto vai funcionar “como um folhetim à antiga. Um começa e o outro tem que continuar, lendo os anteriores, mas mais apegado ao que o precede. A ideia é cada um ter 24 horas para escrever o capítulo e sair um por dia”.»
[Expresso]

Mário de Carvalho
Inês Pedrosa
Ana Cristina Silva
Ana Luísa Amaral
Patrícia Reis
Ana Bárbara Pedrosa
Cláudia Lucas Chéu
Gabriela Ruivo Trindade
Carlos Campaniço
Afonso Cruz
Jaime Rocha
Hugo Gonçalves
António Ladeira
José Mário Silva
António Jorge Teixeira Serafim
Ana Saragoça
Luís Miguel Rainha
Adélia Carvalho
Cristina Carvalho
Rui Zink
José Fanha
Hugo Mezena
Domingos Lobo
Raquel Ribeiro
Licínia Quitério
Afonso Reis Cabral
Joel Neto
Maria Manuel Viana
Raquel Patriarca
Julieta Monginho
Tiago Salazar
Isabel Rio Novo
Helena Vasconcelos
Tiago Patrício
Ricardo Fonseca Mota
Paulo M Morais
Gonçalo M Tavares
Álvaro Laborinho Lúcio
Rita Ferro
Luís Castro Mendes
Dulce Garcia
Nara Vidal
Valério Romão
Filipa Leal
Norberto Morais
Luísa Costa Gomes

 

FONTE: RELÓGIO D'ÁGUA

 

 

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publicado às 07:23


#3125 - CIDADE INFECTA, O NOVO LIVRO DE TERESA VEIGA

por Carlos Pereira \foleirices, em 22.08.20

NOVO ROMANCE DE TERESA VEIGA

Autora três vezes vencedora do Grande Prémio do Conto Camilo Castelo Branco/APE.

Numa pequena cidade do interior, onde a vida segue os trilhos da tradição, a tranquilidade dos moradores é violentamente interrompida pelo assassínio de uma mulher, e as ruas pacatas ganham sombras suspeitas sempre que cai o entardecer. Raquel e Anabela nada teriam em comum, não fossem uma determinação férrea em conduzir a vida familiar e a frequência de um curso de infor­mática. Mas apesar de diametralmente opostos, ou precisamente por isso, os seus traços de carác­ter acendem de imediato a chama da amizade.

Quanto estão prestes a desvendar uma à outra os seus mais inconfessáveis segredos, eis que se abate sobre Oliveira uma nova e devastadora tragédia.

FONTE: EDITORA TINTA-DA-CHINA

 

 

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publicado às 07:08


#3123 - O QUE É AMAR UM PAÍS

por Carlos Pereira \foleirices, em 14.08.20

José Tolentino Mendonça, poeta e sacerdote, explica que o tempo atual representa também uma oportunidade para nos reencontrarmos. Confinados a um isolamento, compreendemos talvez melhor o que significa ser - e ser de forma radical - uma comunidade.

Neste pequeno volume reúnem-se três temas essenciais para a atualidade portuguesa: 1) o que é amar um país; 2) qual o sentido da palavra «esperança» em tempos de pandemia; e 3) de que forma a beleza, a graça e a fé podem combater a solidão e a calamidade do nosso tempo. O primeiro tema é abordado no discurso de José Tolentino Mendonça (que mereceu vários elogios públicos) nas cerimónias do Dia de Portugal a 10 de junho de 2020, aqui publicado na íntegra.

O segundo tema está na origem de um texto intitulado «O Poder da Esperança», publicado originalmente no início da pandemia, e onde se viaja pelo meio dos clássicos, da filosofia, da teologia e da poesia - como experiências da catástrofe e da terapia de resposta.

Finalmente, o livro encerra com onze textos dispersos que prolongam a leitura dos livros anteriores de José Tolentino Mendonça em torno da necessidade da beleza e contemplação em tempos de solidão, imprevisibilidade e dor extrema. Trata-se de um livro de grande urgência - que diz respeito a todos, crentes e não crentes. Sobretudo, a todos os portugueses.

«E bem precisávamos de um homem do humanismo e, portanto, da cultura, de um pensador, de um escritor, de um poeta para nos falar da importância dos outros e da sua redescoberta, a começar nas famílias, nas vizinhanças, nas amizades, da atenção aos mais pobres, vulneráveis e dependentes, do pacto entre gerações, tentando ultrapassar o abismo já cavado entre os mais e os menos jovens.»
Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República, sobre o discurso do Cardeal Tolentino Mendonça.

O que É Amar um País. O Poder da Esperança.
ISBN: 9789897227097Ano de edição ou reimpressão: 08-2020Editor: Quetzal EditoresIdioma: PortuguêsDimensões: 126 x 196 x 11 mmEncadernação: Capa molePáginas: 136Tipo de Produto: LivroClassificação Temática: Livros  >  Livros em Português  >  Literatura  >  Outras Formas Literárias
 
FONTE: 

 

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publicado às 17:59


#3121 - O NOVO LIVRO DE MÁRIO DE CARVALHO

por Carlos Pereira \foleirices, em 14.08.20

Porto Editora lança Epítome de pecados e tentações, o novo livro de Mário de Carvalho. Numa prosa depurada, aquela que é uma das vozes mais importantes da nossa literatura contemporânea regressa à novela e ao conto, assinando um livro de pecados que pedem total absolvição.


Fascínios, inquietações e sobressaltos nas relações entre homens e mulheres. Como elas veem os homens. Como eles tantas vezes, as mais das vezes, se enganam. Os amores juvenis e os amores tardios. As tentações a pedirem transgressão e os pecados, veniais, sempre à espreita por entre olhares que se adivinham e jogos que se desvendam. Tudo isto e muito mais pode ser encontrado ao longo destas páginas.

«Passada a festa, esquece-se o santo!»
Mário de Carvalho

SOBRE O AUTOR

Nasceu em Lisboa em 1944. Licenciou-se em Direito e viu o serviço militar interrompido pela prisão. Desde muito cedo ligado aos meios da resistência contra o salazarismo, foi condenado a dois anos de cadeia, tendo de se exilar após cumprir a maior parte da pena. Depois da Revolução dos Cravos, em que se envolveu intensamente, exerceu advocacia em Lisboa. O seu primeiro livro, Contos da Sétima Esfera, causou surpresa pelo inesperado da abordagem ficcional e pela peculiar atmosfera, entre o maravilhoso e o fantástico.
Desde então, tem praticado diversos géneros literários – Romance, Novela, Conto, Ensaio e Teatro –, percorrendo várias épocas e ambientes, sempre em edições sucessivas. Utiliza uma multiforme mudança de registos, que tanto pode moldar uma narrativa histórica como um romance de atualidade; um tema dolente e sombrio como uma sátira viva e certeira; uma escrita cadenciada e medida como a pulsão de uma prosa endiabrada e surpreendente.
Nas diversas modalidades de Romance, Conto e Teatro, foram-lhe atribuídos os prémios literários mais prestigiados (designadamente os Grandes Prémios de Romance e Novela, Conto e Teatro da APE, prémios do Pen Clube Português e o prémio internacional Pégaso de Literatura). Em junho deste ano foi distinguido com o Grande Prémio de Crónica e Dispersos Literários, da Associação Portuguesa de Escritores, pela obra O que ouvi na barrica das maçãs.
Os seus livros encontram-se traduzidos em várias línguas. Obras como Os Alferes, A Inaudita Guerra da Avenida Gago Coutinho, Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde, O Varandim seguido de Ocaso em Carvangel, A Liberdade de Pátio ou Ronda das Mil Belas em Frol são a comprovação dessa extrema versatilidade.

NOTÍCIA RETIRADA DO SITE DA PORTO EDITORA

 

 

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publicado às 09:24


#3120 - Relógio D'Àgua, Editores - Novos Livros

por Carlos Pereira \foleirices, em 14.08.20

 

Planeamento Editorial

Programação Editorial de Agosto a Dezembro (não exaustiva)

Agosto
1 — Os Teus Passos nas Escadas, de Antonio Muñoz Molina
2 — Primeiros Contos e Outros Contos, de Agustina Bessa-Luís (Prefácio de Mónica Baldaque)
3 — Do Desaparecimento dos Rituais, de Byung-Chul Han
4 — A Ladra de Fruta, de Peter Handke (Prémio Nobel da Literatura 2019)
5 — Notre-Dame de Paris, de Victor Hugo
6 — Mulheres Invisíveis, de Caroline Criado-Perez (Vencedor do Royal Society Science Book Prize 2019 e do Financial Times and McKinsey Business Book of the Year Award 2019)
7 — O Que Move o Silêncio do Cavalo, de Maria Andresen
8 — Como a Água Que Corre, de Marguerite Yourcenar
9 — A Sociedade Paliativa, de Byung-Chul Han

Setembro
1 — A Vida Mentirosa dos Adultos, de Elena Ferrante
2 — A Era do Capitalismo da Vigilância, de Shoshana Zuboff
3 — O Mundo de Ortov, de Jaime Rocha
4 — O Tempo Indomado, de José Gil
5 — Uma Viagem à Índia, de Gonçalo M. Tavares
6 — A Prima do Campo e a Coisa Pública, de Alexandre Andrade
7 — A Escola de Topeka, de Ben Lerner
8 — Esse Cabelo, de Djaimilia Pereira de Almeida (Reedição)
9 — O Osso do Meio, de Gonçalo M. Tavares
10 — Duna, de Frank Herbert

Outubro
1 — A Minha Luta: O Fim, de Karl Ove Knausgård
2 — A Quinta dos Animais: O Romance Gráfico, de George Orwell (Adaptado e Ilustrado por Odyr)
3 — Fogos, de Marguerite Yourcenar
4 — A Ciência de Interstellar, de Kip Thorne
5 — A Noite das Barricadas, de H. G. Cancela
6 — Sapatos de Corda, de Mónica Baldaque
7 — Peregrino e Estrangeiro: Ensaios, de Marguerite Yourcenar
8 — EstojoPoesia Édita e Inédita, de Miguel-Manso
9 — Mary Ventura e o Nono Reino, de Sylvia Plath
10 — O Sítio do Lugar Nenhum, de Norberto Morais
11 — Reino Transcendente, de Yaa Gyasi
12 — A Muralha, de Agustina Bessa-Luís
13 — O Almanaque do Céu e da Terra, de Cristina Carvalho

Novembro
1 — The Memory Police, de Yoko Ogawa (finalista Man Booker International Prize 2020)
2 — Canoagem, de Joaquim Manuel Magalhães
3 — A Noite do Morava, de Peter Handke (Premio Nobel da Literatura 2019)
4 — Alexis ou Tratado do Vão Combate, de Marguerite Yourcenar
5 — A Ascensão do Dinheiro, de Niall Ferguson
6 — O Príncipe, de Nicolau Maquiavel (Prefácio de Isaiah Berlin)
7 — Correspondência entre Agustina Bessa-Luís e Juan Rodolfo Wilcock (Prefácio de Ernesto Montequin)
8 — Mr Salary, de Sally Rooney
9 — O Problema dos Três Corpos, de Liu Cixin
10 — Livro de Gonçalo M. Tavares, com desenhos de Julião Sarmento

Dezembro
1 — Trilogia da Cidade de K., de Agota Kristof
2 — A Guerra do Mundo, de Niall Ferguson
3 — Rodeado de Ilha, de João Miguel Fernandes Jorge
4 — Os Invisíveis, de Roy Jacobsen (finalista Man Booker International Prize 2017)

 

Informação retirada do site RELÓGIO D'ÁGUA,  EDITORES

 

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publicado às 06:55


#3116 - QUANDO EU PARTIR ||| POEMA DE RUY CINATTI

por Carlos Pereira \foleirices, em 27.05.20

QUANDO EU PARTIR


Quando eu partir, quando eu partir de novo
A alma e o corpo unidos,
Num último e derradeiro esforço de criação;
Quando eu partir...
Como se um outro ser nascesse
De uma crisália prestes a morrer sobre um muro estéril,
E sem que o milagre se abrisse
As janelas da vida. . .
Então pertencer-me-ei.
Na minha solidão, as minhas lágrimas
Hão de ter o gosto dos horizontes sonhados na adolescência,
E eu serei o senhor da minha própria liberdade.
Nada ficará no lugar que eu ocupei.
O último adeus virá daquelas mãos abertas
Que hão de abençoar um mundo renegado
No silêncio de uma noite em que um navio
Me levará para sempre.
Mas ali
Hei de habitar no coração de certos que me amaram;
Ali hei de ser eu como eles próprios me sonharam;
Irremediavelmente...
Para sempre.
 
POEMA DE RUY CINATTI

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publicado às 19:36


#3115 -POEMA DE AMOR ||| POEMA DE RUY CINATTI

por Carlos Pereira \foleirices, em 26.05.20

Ruy Cinatti 

Nascimento8 de março de 1915, Londres, Reino Unido
Falecimento12 de outubro de 1986, Lisboa

 

 

POEMA DE AMOR

 

Os segredos de amor têm profundezas difíceis de alcançar,

tal como a chuva que hoje cai e nos molha na calçada a face,

nós olhando triste uma saudade imensa

num corpo de mulher metamorfoseada.

 

Sou demasiado são para me esquecer

do tempo apaixonado que vivi nos teus braços

e bebo no teu um coração meu

adormecido no mar do meu cansaço

ou no rio das minhas secas lágrimas.

 

Tardará muito, se é que as horas contam,

ver-te, de novo, perto de mim, longe,

mas eu espero, sou paciente e, no meu canhenho, aponto,

um dia a menos, o da tua chegada.

E assim me fico, rente ao horizonte,

abrigado da chuva numa cabine telefónica,

e ligo para ti - que número? - ninguém responde

do oceano que avança e retrai colinas,

o vulto de um navio, tu na amurada

acenando um lenço, ó minha pomba branca!...

 

Como se tempestade hovesse e um naufrágio de chuva

- as vidraças escorrem, as árvores liquefazem-se... -

escurecendo os teus cabelos,

ou, se preferes, a minha boca neles

carregada de ilhas, de nocturnos perfumes

que ateiam lumes, ó minha idolatrada,

na minh'alma inquieta um outro bater d'asas

ou num jarrdim um leito de flores!...

 

Poema de Ruy Cinatti escrito em Junho de 1977 in "Obra Poética - Volume I" , edição Assírio & Alvim, Outubro de 2016

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publicado às 16:59


#3114 - MORREU A ESCRITORA MARIA VELHO DA COSTA

por Carlos Pereira \foleirices, em 24.05.20

A escritora portuguesa Maria Velho da Costa, Prémio Camões em 2002, morreu hoje, aos 81 anos.

 

Revolução e Mulheres

Elas fizeram greves de braços caídos.
Elas brigaram em casa para ir ao sindicato e à junta.
Elas gritaram à vizinha que era fascista.
Elas souberam dizer salário igual e creches e cantinas.
Elas vieram para a rua de encarnado.
Elas foram pedir para ali uma estrada de alcatrão e canos de água.
Elas gritaram muito.
Elas encheram as ruas de cravos.
Elas disseram à mãe e à sogra que isso era dantes.
Elas trouxeram alento e sopa aos quartéis e à rua.
Elas foram para as portas de armas com os filhos ao colo.
Elas ouviram falar de uma grande mudança que ia entrar pelas casas.
Elas choraram no cais agarradas aos filhos que vinham da guerra.
Elas choraram de verem o pai a guerrear com o filho.
Elas tiveram medo e foram e não foram.
Elas aprenderam a mexer nos livros de contas e nas alfaias das herdades abandonadas.
Elas dobraram em quatro um papel que levava dentro uma cruzinha laboriosa.
Elas sentaram-se a falar à roda de uma mesa a ver como podia ser sem os patrões.
Elas levantaram o braço nas grandes assembleias.
Elas costuraram bandeiras e bordaram a fio amarelo pequenas foices e martelos.
Elas disseram à mãe, segure-me aí os cachopos, senhora, que a gente vai de camioneta a Lisboa dizer-lhes como é.
Elas vieram dos arrebaldes com o fogão à cabeça ocupar uma parte de casa fechada.
Elas estenderam roupa a cantar, com as armas que temos na mão.
Elas diziam tu às pessoas com estudos e aos outros homens.
Elas iam e não sabiam para onde, mas que iam.
Elas acendem o lume.
Elas cortam o pão e aquecem o café esfriado.
São elas que acordam pela manhã as bestas, os homens e as crianças adormecidas.

Maria Velho da Costa

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publicado às 18:01


#3112 - TREINAR

por Carlos Pereira \foleirices, em 13.05.20

TREINAR

 

Treinar a nudez.

Pintar de céu a nudez.

Pintar de sexo a nudez.

Desenhar na nudez a inocência.

Desenhar a Fornicação na nudez.

a nudez clássica igual à nudez actual.

experimentar roupas nuas.

confirmar que a nudez é mais nua que a roupa nua.

Treinar a nudez.

 

TEXTO DE GONÇALO M. TAVARES, DO LIVRO «LIVRO DA DANÇA», EDIÇÃO RELÓGIO D'ÁGUA, OUTUBRO DE 2018

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publicado às 10:48


#3110 - POEMA DE JOÃO LUÍS BARRETO GUIMARÃES

por Carlos Pereira \foleirices, em 13.05.20

põe um disco a correr. a chuva não demora

mais do que o esvaziar das nuvens se te

confessasse as coisas que já atirei ao mar

(o revólver do crime palavras numa garrafa)

 

não darei nome ao poema seria como quem

coloca legendas aos dias e eu: sou como

água (tomando a forma dos lugares que molha)

 

vou repetir (para quem só agora ligou

este poema:) no cesto de frutos da mãe

as estações do ano sucedem-se e o disco

 

era um disco tão antigo tão antigo que

a certa alturantigo tão antigo que a 

certa alturantigo tão antigo que a certa

alturantigo tão antigo qu

 

POEMA DE JOÃO LUÍS BARRETO GUIMARÃES DE «ESTE LADO PARA CIMA», DE 1994, RETIRADO DO LIVRO «O TEMPO AVANÇA POR SÍLABAS» - EDIÇÃO QUETZAL, FEVEREIRO DE 2019

 

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publicado às 08:36


#3108 - LIVROS E LEITURAS

por Carlos Pereira \foleirices, em 09.05.20

O que procuramos quando embarcamos numa viagem?
Talvez exista um destino ou um cume que ninguém tenha alcançado, ou talvez a razão de viajarmos seja a própria viagem.

Na tradição da melhor literatura de viagem, Sem Nunca Chegar ao Cimo é muito mais do que um diário de viagem. É a história profunda, terna e estimulante do confronto com os nossos limites físicos, da erosão de muitas certezas antigas, da beleza das pequenas coisas e de como podemos encontrar o equilíbrio interior.

No seu estilo único, poético e elegante, Paolo Cognetti conta-nos esta experiência inesquecível, em que o poder da amizade, a magnificência da natureza, a diversidade dos lugares que descobriu e das pessoas que conheceu, os altos e baixos dos trilhos percorridos e as diferenças de altitude são como uma viagem da mente, do corpo e do espírito.

 

BIOGRAFIA

Paolo Cognetti (Milão, 1978) é um dos escritores italianos mais apreciados pela crítica e amado pelos leitores. Há anos que se divide entre a cidade e uma casa a dois mil metros de altitude. Estreou-se com o volume de contos Manuale per ragazze di successo (2004), a que se seguiu Una cosa piccola che sta per esplodere (2007) e o livro de viagem New York è una finestra senza tende (2010). Em 2012, publicou o seu primeiro romance Sofia si veste sempre di nero, finalista do Prémio Strega, e, no ano seguinte, O Rapaz Selvagem, o relato romanceado da sua vida na montanha. É ainda autor do livro ilustrado Tutte le mie preghiere guardano verso ovest (2014) e de A pesca nelle pozze più profonde. Meditazioni sull'arte di scrivere racconti (2014), e responsável pela antologia de contos New York Stories (2015).
As Oito Montanhas (2016), a sua obra de estreia em Portugal, fascinou editores por todo o mundo, e recebeu o Premio Strega, Premio Strega Giovani, o Prix Médicis Étranger, o Premio Leggimontagna, o Premio ITAS Libro di Montagna, o Premio Viadana e o English Pen Translates Award.
 
fonte: BERTRAND LIVREIROS

 

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publicado às 16:28


#3106 - A MEIAS ||| POEMMA DE JOÃO LUÍS BARRETO GUIMARÃES

por Carlos Pereira \foleirices, em 02.05.20

A MEIAS

 

Bebo o meu café enquanto bebes

do meu café. Intriga-me que faças isso.

Se te posso pedir um

(se podes tomar um igual)

porque hás-de querer do meu?

Que

não. Que não queres. Escuso

de pedir

que não queres. Então

começo um cigarro e tu fumas

do meu cigarro dizes

«tenho quase a certeza de

não acabar um sozinha» por isso

fumas do meu.

Dá-te gozo esse roubar de

leves goles furtivos

dá gozo participar

do prazer que eu possa ter

contigo

(e entre nós)

dá-se agora tudo

a meias.

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publicado às 18:33


#3104 - Os 15 livros mais vendidos de todos os tempos

por Carlos Pereira \foleirices, em 12.04.20
Os 15 livros mais vendidos de todos os tempos

Os 15 livros mais vendidos de todos os tempos - Artigo de Carlos Willian Leite publicado na REVISTA BULA

Para se chegar ao resultado, foram consultadas reportagens, entidades editoriais, empresas de pesquisas de mercado e publicações especializadas. Livros religiosos, políticos, educacionais e de curiosidades como: “Bíblia Sagrada”, “Iluminatti: Sociedade Secreta”, “Corão”, “Dicionário Xinhua Zidian”, “A Arte da Guerra” e “Livro Guiness dos Recordes” não foram contabilizados, apenas livros literários.

Participaram do levantamento as publicações: “The Paris Review”, “Business Insider”, “Washington Post”, “The Guardian”, “Telegraph”, “Toronto Star”, “New York Times”, “New Yorker” “Reader’s Digest”, “Global Times”, “Financial Times”; as entidades editoriais International Publishers Association (IPA), European and International Booksellers Federation (EIBF) e International Federation of Library Associations and Institutions (IFLA); e as empresas de auditagem e pesquisas de mercado Nielsen e a GfK.

Os livros, “Cinquenta Tons de Cinza” e “O Senhor dos Anéis”, apesar de terem sido publicados em mais de um volume — foram considerados como um livro único — porque, originalmente, seus autores os conceberam como obra única, diferentemente da série Harry Potter.

Embora não exista concordância sobre os números exatos do mercado de livros ao longo dos séculos, os levantamentos das publicações, instituições e empresas mencionadas, parecem ser o que mais se aproximam do consenso editorial.

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publicado às 12:33


#3101 - FOLHAS TRAÍDAS [1] ||| POEMA DE ARMANDO SILVA CARVALHO

por Carlos Pereira \foleirices, em 09.04.20

 

FOLHAS TRAÍDAS [1]

 

Eis o Teatro da Casa.

Choro diante da topografia dos sentidos,

o coração da Mãe cresce na cabeça.

As cenas mais cruéis quase flutuam,

não tenho posição,

não posso preservar mais tempo

as águas do instinto.

Destroem-me o umbigo as vozes invocadas

em torno da rosácea, matriz,

metamorfose.

Este palco, este corpo.

Se corro para o mundo afogam-me as palavras.

Ajoelho a alma até sentir na boca

os teus lábios em sangue,

esse surdo rumor cuja fome

não cabe nos recitativos.

Ó tu, mãe teatral, simulacro do berço

em que pariste este inferno de folhas já traídas,

minha coroa de glória, mãos que mexem no sexo,

em que parte da casa  habitas estas noites?

Cada sentido meu - disseste - será

um dos teus filhos.

Choram na minha boca as mínimas crianças

que  puseste no mundo..

Mãe infeliz que caminhas nas lágrimas

e vestes devagar o medo e o sepulcro.

Ao olhar o meu corpo crescem-me os teus seios,

os meus ouvidos são o som da tua voz

e a minha língua treme nos teus dentes cerrados.

Posso mudar de sexo em cada instante

porque gritas sem dó e sem idade

dentro dos meus sonhos.

Hoje posso louvar-te, amar-te

ou devorar-te:

a memória é um espelho

que a morte arrastta atrás de si

pela garganta.

 

POEMA DE ARMANDO SILVA CARVALHO RETIRADO DO LIVRO "OBRA POÉTICA (1965 - 1995) - EDIÇÕES AFRONTAMENTO - JULHO DE 1998. PREFÁCIO DE JOSÉ MANUEL DE VASCONCELOS

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Armando Silva Carvalho [1938-2017]

2017-06-02 / Um poeta ácido, lúcido, erótico, político [Público]

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publicado às 19:01

CHARLES BUKOWSKI |||  1920-1994

 

OS DIAS CORREM COMO CAVALOS SELVAGENS NAS COLINA

 

o telefone toca e normalmente é a mulher com

voz sexy da companhia dos telefones a pedir-me

que por favor pague a conta,

mas desta vez é uma voz, baixinho,

«meu filho da puta»,

e é o editor de uma dúzia de revistas

acerca de tudo, desde panfletos religiosos

a abortos faça-você-mesmo,

e pergunta:

«porque é que não ligaste?»

ao que respondo: «nós não nos damos bem.»

«catálise», diz ele,

«topas?»

«topo», digo eu,

e então conta que me viu

no n.º 5 da revista Crablegs and Muletears

e que estou a escrever melhor,

e eu digo-lhe que sou um principiante lento

e tendo apenas 42 anos

ainda tenho hipótese de espalhar areia

no jardim de Abdulah,

e ele diz vem até cá

quero que conheças um amigo meu

e eu digo-lhe que depois da corrida 

lhe ligo...

 

é sábado está calor

e as caras gananciosas que passam apressadas

chupadas e secas e impossíveis

querem que me ajoelhe entre os lírios e reze

mas em vez disso vou a um bar

onde posso beber vodca com laranja do bom a 70 cêntimos

e as pessoas não param de falar comigo,

é um grande clube de corações solitários,

pessoas desertas por uma voz e por um milhão de dólares

e sem receber uma coisa nem outra,

e à nona corrida já estou a perder cem dólares

e um negro grandalhão vem ter comigo

e espalha sobre a mão os recibos de apostas do último vencedor

como música de violinos,

e eu digo

«está bem, está bem»,

e ele respondeu «estou com um par de canastronas

e agora elas andam à minha procura,

mas eu vou dar de frosques, vou trancar as portas

e embebedar-me.»

«está bem», digo-lhe, e ele vai-se embora

e eu pergunto-me porque é que tantos negros

falam comigo, e lembro-me de que

uma vez num bar um negro enorme me iniciou

numa coisa qualquer chamada Muçulmanos;

tive de repetir uma série de palavras complicadas e

bebemos toda a noite,

mas achei que ele estava a gozar:

não estou numa de destruir a totalidade da raça branca -

apenas uma pequena parte:

eu.

«de qual gostas?» pergunta-me um tipo

e eu digo «do 3.º cavalo», e ele diz

«o 3 está fora» e vai-se embora

e isso era tudo o que queria ouvir

e aposto 20 no 3,

peço um vodca-laranja

e vou até à última curva

onde, caso andes aqui há tempo suficiente,

consegues perceber qual será o vencedor

antes da recta final.

e eu estou ali quando o 3 passa por mim

distância e meia atrás do 6,

os outros estão fora, 

e está renhido, os dois dão tudo por tudo

sem sinais de cansaço

mas eu tenho de reduzir a distância

e olho para o quadro e vejo que

o 6 está a 25 para 1 e eu estou só a 7 para 1

e com um bocadinho de sorte talvez consiga,

e consegui por três quartos de distância

e os sapos da minha cabeça alinharam-se

e saltaram por cima da morte (por pouco tempo)

e fui até lá buscar os meus 166 dólares.

 

estava na banheira com uma cerveja quando tocou o telefone,

«cabrão, onde é que estás?»

era o editor.

«apareço daqui a meia hora», disse-lhe.

«se quisesse alguma coisa de ti arrancava-to

à porrada», diz ele.

«está bem», digo eu «meia hora, então.»

dá para beber mais um par de cervejas.

é um sítio nas traseiras de South Hollywood,

uma pequena divisão com um esquentador 

na casa de banho e metade do quarto ocupado

por uma estante de livros: bastante Huxley (Aldous), Lawrence

(não o da Arábia), e montes de tomos e volumes

de pessoas a meio do recreio

entre a poesia e o romance

sem a motivação ou disciplina

para escrever filosofia escorreita,

e ele tinha lá uma mulher

no último fio da juventude,

laranja-pálida, um bocadinho sem ânimo,

mas calada, o que era bomm,

e ele disse: «querida, dá uma cerveja ao homem»,

e eu atirei-lhe o meu último livro

onde inscrevi «para um connoisseur

de vagina e verso...»

e ele disse: «estás a ficar gordo, cabrão,

mas ainda ssim estás com melhor ar

do que da última vez

que te vi.»

«foi em Paris?», perguntei.

«Passadena, Calif.», respondeu.

«o Faulkner também morreu», disse eu.

«gostas da gaja?», perguntou,

«olha para ela.»

olhei para ela e agradeci-lhe a cerveja.

«formosos são os campos de França»,

disse eu.

«preciso de cento e cinquenta», disse-me.

«Jesus», respondi,

«ia pedir-te exactamente o mesmo.»

«ouvi dizer que o Harry voltou para a patroa.»

«sim. à procura de emprego. a pintar mobília. a fazer baby-sitting.

ele até foi bartender uma noite.»

«o Harry? bartender?»

«só por 3 horas. depois disse que ficou farto.»

«farto?»

«"farto" foi a palavra que ele usou.»

«preciso de cento e cinquenta.»

«quem não precisa?»

«o Faulkner não precisa», disse ele.

«o que é que será que ele mistura nas bebidas? tenho de desacelerar...»

 

a gaja mostrou-me uns poemas que tinha escrito e eu li-os

e não eram nada maus tendo em conta

que ela tinha sido concebida para

outras coisas e o resto da noite foi bastante chata,

sem porrada, too old to tango, tigre a dormir à sombra,

e prometi escrever um ensaio acerca do SIGNIFICADO DA

POESIA MODERNA que ele prometeu publicar sem ler

sabendo eu à partida que jamais o escreveria.

foi uma noite cheia de promessas, um tigre velho

e uma miúda. fui de carro para casa por ruas secundárias,

evitando a esquadra da polícia,

a fumar king-size e a entoar partes da Carmen

porque estava muito escuro e o Bizet guiava melhor do que

o Ludwig que estava preocupado com coisas mais importantes

 

estacionei e assim que abri a porta

o bebedolas do andar de baixo disse:

«ei, chefe, que tal uma fresquinha?»

tirei uma cerveja do saco e passei-a pela janela.

«preciso de um dólar», disse ele.

«isso é uma merda, não é? eu ia pedir-te exactamente a mesma coisa.»

«estás de mau humor», disse ele.

«claro», disse eu, «ouviste a última? o Faulkner morreu.»

«Faulkner? não era aquele jóquei daquela pista de corridas? Pomona Fairgrounds?

Rudioso? Caliente? conhecias o puto?»

«conhecia o puto», respondi

e subi as escadas.

 

não se passou nada o resto da noite, como dizem os Arkies(1),

e tinha alguns contactos a quem podia ligar,

4 ou 5 números, uns negros, outros brancos,

ums velhos, outros novos,

mas não parava de pensar em hospitais brancos

e em palmeiras à sombra,

e estava tudo sossegado, por fim havia sossego

e há momentos em que tens de voltar atrás

e olhar à volta, há um tempo para o Ludwig,

um tempo para as paredes,

um tempo para pensar no Ernest

e naquela caçadeira apontada à cabeça dele;

um tempo para pensar

sobre amores mortos, flores mortas,

todos os mortos, pessoas mortas que te dão um nome,

de Florida a Del Mar, Calif.,

toda a tristeza como um desfile

de doces imbecis desaparecidos,

água a correr em lavatórios,

meias lavadas,

roupões usados, deitados fora,

o mundo patinho feio

discretamente a escorregar para longe de mim

e eu próprio a escorregar,

um tigre velho,

cansado da batalha.

 

na manhã seguinte acordei com alguém a bater-me àporta,

ignorei, nunca vou à porta,

não quero ver ninguém,

mas continuaram com uma persistência delicada

então levantei-me e vesti o meu velho roupão amarelo

vozes abafadas vindas dos quartos

e abri a porta.

«estou aqui para ajudar as pessoas deficientes», disse ela.

«entre, entre», disse eu.

era uma rapariga nova 19, 20, 21,

olhos inocentes como o mapa do Texas

aberto de par em par sobre nuvens,

atravessou a sala e sentou-se

e eu fui à cozinha e tirei a carica

a 2 cervejas. os meus peixes-dourados nadavam como loucos.

entrei com as cervejas e disse

«o amor existirá sempre

porque as pedras alisadas pela inclinação

arrastam navios para o mar

arrastam gatos e cães e

tudo.»

 

ela riu-se e o dia começou sem

engano.

 

(1) Trabalhadores originários da Arcansas. (N. da T.)

 

POEMA DE CHARLES BUKOWSKI IN «OS CÃES LADRAM FACAS», COM SELECÇÃO E PREFÁCIO DE VALÉRIO ROMÃO, EDIÇÃO ALFAGUARA DE NOVEMBRO 2018

 

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publicado às 19:05


#3089 - O TEMPO CONCRETO ||| POEMA DE ANTÓNIO RAMOS ROSA

por Carlos Pereira \foleirices, em 24.03.20

O TEMPO CONCRETO

 

O tempo duro

com estas unhas de pedra

este hálito pobre

de órgãos esfomeados

estas quatro paredes de cinza e álcool

este rio negro correndo nas noites como um esgoto

 

O tempo magro

em que minhas mãos divididas

nitidamente separadas e caídas

ao longo dum corpo de cansaço

pedem o precipício a hecatombe clara

o acontecimento decisivo

 

O tempo fecundo

dos sonhos embrulhados repetidos como um hálito de febres

repassadas no travesseiro igual das noites e dos dias

das ruas agrestes e pequenas da mágoa

familiar e precisa como uma esmola certa

 

O tempo escuro

da peste consentida do vício proclamado

da sede amarfanhada pelas mãos dos amigos

da fome concreta dum sonho proibido

e do sabor amargo dum remorso invisível

 

O tempo ausente

dos olhos dum desejo de claras cidades

em que acenamos perdidos às soluções erguidas

com vozes bem distintas de cadáveres opressores

com gritos sufocados de problemas supostos

 

O tempo presente

das circunstâncias ferozes que erguem muros reais

dos fantasmas de carne que nos apertam as mãos

das anedotas contadas num outro mundo de cafés

e das vidas dos outros sempre fracassadas

 

O tempo dos sonhos

sem coragem para poder vivê-los

com muralhas de mortos que não querem morrer

com razões de mais para poder viver

com uma força tão grande que temos de abafar

no fragor dos versos disfarçados

 

O tempo implacável

em que juramos de pé viver até ao fim

maiores dos que nós ser todo o grito nu

pureza conquistada no seio da vida impura

um raio de sol de sangue na face devastada

 

O tempo das palavras

numa circulação sombria como um poço

de ecos incontrolados

de timbres inesperados

como moedas de sangue cunhadas numa noite

demasiado curta e com luar de mais

 

O tempo impessoal

em que fingimos ter um destino qualquer

para que nos conheçam os amigos forçados

para que nós próprios nos sintamos humanos

e este fardo de trevas esta dor sem limites

a possamos levar numa mala portátil

 

O tempo do silêncio

em que o riso postiço dos fregueses da vida

finge ignorá-lo enquanto soluçamos

de raiva de razão reprimida revolta

e os senhores de bom senso passeiam divertidos

 

O tempo da razão

(e não da fantasia)

em que os versos são soldados comprimidos

que guardam as armas dentro do coração

que rasgam os seus pulsos para fazer do sangue

a tinta de escrever duma nova canção

 

poema de antónio ramos rosa

 

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publicado às 12:40


#3085 - UM PONTO ||| POEMA DE ANTÓNIO RAMOS ROSA

por Carlos Pereira \foleirices, em 16.03.20

 

UM PONTO

 

Um ponto - talvez um centro

em permanência de tranquilidade

para a noite inteira. Um ponto

extremo, interno. Um pequeníssimo ponto

invulnerável

de estabilidade total

- nascido como? - fruto do espaço limpo,

de aberta aderência nua ao ar,

de contância livre, desocupada,

do descanso de ser até ao fundo simples,

de completa entrega?

 

Um ponto nu inabitado branco

de intocável serenidade,

fixo como um nervo e imponderável,

de fim inicial,

ponto de respiração,

clareira de estar,

abertura central viva

praia de ser e nada

- mas apenas um ponto, um puro ponto

contra a noite inteira,

contra o frio,

contra a destruição.

 

Ponto de união

de paz coextensa à noite,

opaco e diáfono nó

do desenlace perfeito.

Nó de água

da água mais nua.

Ninho interno do espaço.

Pequena lua essencial

num horizonte de segua paz.

 

Ponto, em ti descanso,

certeza do mundo e de mim

em ti, dentro da noite,

atinjo o equilíbrio actual e puro.

Ponto, antes do início,

de ti a ti, em mim,

pulsação lisa e leve,

suave motor da terra,

a pacífica respiração do oásis.

 

Ponto

de universo fixado

onde atingi a consistência dócil

de permanecer entrgue,

plenitude abrigada

na navegação nocturna.

 

Um ponto vazio,

plenamente vazio.

 

POEMA DE ANTÓNIO RAMOS ROSA IN "ANTOLOGIA POÉTICA", EDIÇÃO PUBLICAÇÕES D. QUIXOTE, 2001, COM PREFÁCIO, BIBLIOGRAFIA E SELECÇÃO DE ANA PAULA COUTINHO MENDES

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Biografia

António Ramos Rosa (1924-2013)
 
António Victor Ramos Rosa nasceu em Faro a 17 de Outubro de 1924. Frequentou em Faro os estudos secundários, que não concluiu por motivos de saúde. Trabalhou como empregado de escritório, desenvolvendo simultaneamente o gosto pela leitura dos principais escritores portugueses e estrangeiros, com especial preferência pelos poetas. Em 1945 vai para Lisboa e dois anos depois volta a Faro, tendo integrado as fileiras do M.U.D. Juvenil, onde militou activamente. Regressado a Lisboa, foi professor de Português, Francês e Inglês, ao mesmo tempo que estava empregado numa firma comercial, e começou a fazer traduções para a Europa-América, trabalho que nunca mais abandonaria e no qual veio a atingir notável qualidade.
 
O continuado interesse pela actividade literária levou-o a relacionar-se com um grupo de escritores que o incentivaram na publicação dos seus poemas e artigos de crítica, tendo colaborado em numerosos jornais e revistas. Com alguns desses escritores, fundou em 1951 a revista Árvore, que veio a ser uma das mais marcantes da década, procurando divulgar os textos dos poetas e prosadores portugueses mais significativos no tempo, bem como os grandes nomes da literatura estrangeira. Co-dirigiu também as revistas Cassiopeia e Cadernos do Meio-Dia.
 
A crescente importância que a actividade literária foi tomando na sua vida levou-o a certa altura a abandonar o emprego no escritório em que trabalhava, para a ela se dedicar exclusivamente, com todas as consequências que tal decisão acarretava.
 
 

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publicado às 16:42


#3081 - FRANZ KAFKA ||| POEMA DE WILLIAM OSPINA

por Carlos Pereira \foleirices, em 10.03.20

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FRANZ KAFKA

 

Pai, digo-lhe, dá-me três grãos de cevada para despertar o adormecido.

Mas meu pai não responde:

é um enorme cavalo de bronze, alto sobre colinas e sinagogas.

Mãe, digo-lhe, afasta tanta névoa,

mostra-me um rosto doce, de onde brotem palavras ingénuas.

Mas ela perdeu-se pelos becos de pedra

e só encontro no espelho os seus olhos imensos.

Avô, digo então, já não lutes mais com o anjo,

vem contar-me histórias, junto ao ninho, enquanto gela o Elba.

Mas o velho olha-me com olhos ausentes, e  compreendo

que não é este o meu avô mas um velho cigano que me quer vender uma recordação.

Irmã, bela irmã, digo-lhe,

toma a minha mão pois faz escuro nesta casa imensa.

Mas ao meu lado passa uma condessa polaca monumental e arrogante

e ouve-se um violino, e fecha-se uma porta.

Irmão, digo, que belo cavalgar sobre o cavalinho de pau e de laca,

para onde nos levam estas tardes incertas?

Mas ele é só uma imagem, uma fotografia cinzenta nas minhas mãos,

e ao longe, atrozes, os canhões ressoam.

Goethe, digo-lhe, canta-me uma canção romana,

faz com que eu sinta no meu coração esta antiga tristeza.

Mas a lousa cala-se e sobre ela voam pombas cinzentas

e não posso abrir este livro porque as páginas são de cinza.

Milena, digo logo, talvez possas tu finalmente salvar-me,

diz-me que sou de carne e de sangue, que isto que me aflige é um desejo.

Mas ela faz-se fantasma entre milhares de seres esquálidos

e apenas apercebo duas chamas que se apagam muito longe.

 

Então é delírio tudo isto? A quem posso chamar que me salve?

O seu reino é deste mundo. Todos estão aceites e absolvidos.

São demasiado humanos, são demasiado justos,

e não consigo falar-lhes com o meu estrondo de élitros..

E não aprendi a atravessar as portas,

e não sei defender-me.

Se vires dois olhos cinzentos de gato na gótica noite de Praga

compreenderás que tento saber onde me encontro.

Se ouvires um coração na gótica noite de Praga

compreenderás quem sustenta todo este sonho.

 

Poema de William Ospina, do livro "Um país que sonha - cem anos de poesia colombiana", edição 1512, Março de 2012

 

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publicado às 18:00

NATÉRCIA FREIRE   |||   1919-2004

PARA O INSTANTE DE NOS PERDERMOS

 

Para o instante de nos perdermos,

estão soando já todos os sinos do Mundo!

E as sereias, no mar, se impacientamm

de nevoeiros sem fim.

Como será?...

Morrerei longe de ti?

Dir-me-ás adeus numa gare escura e fria 

ou partirás, de neve, entre a luz da manhã,

enlutada e viúva do clarão dos teus olhos?

 

Como será...?

Todas as aves que soltamos no sonho

estão suspensas no bronze, dessa música triste.

Todas as veredas que sulcamos, sem corpo,

vestem cinza e poeira de incêndios e de sóis...

Como será?

Pergunto aos ventos todos,

às aves e às alturas

e nada me responde!

 

Porque o instante de nos perdermos

será mais negro que o apagar do sol;

mais triste que o desabar dos mundos;

mais dorido e desolado

que a morte de todas as crianças

nos berços feitos de astros;

mais dorido e desolado

que a morte de todas as flores

em todos os jardins e campos da Terra.

 

Todos os amorosos mortos

estão chorando nos túmulos o instante de nos perdermos

e tecem, à nossa volta,

esta sede, esta dor, esta infinita procura

de todas as vidas que em nós brotam e se ocultam

em cada minuto de paixão.

 

São as suas vozes que vibram nos nossos ouvidos

e nos roçam, na pele, um vento de perdição.

É a recordação das suas  penas

que nos ensina a fundir melhor

as nossas almas de Deus.

É o tormento dos seus amores sem braços

que alucina o instante de todas as ausências.

É a dor, é a dor de saber que somos mortais,

com o infinito no peito

e séculos de pedra sobre a poeira que somos!

 

São as suas vozes de séculos que nos ensinam a luz.

São as suas lágrimas de séculos que nos humedecem os olhos  enternecidos.

 

São as  suas bocas desenhadas no espaço,

inatigíveis, fugazes, que nos sugerem o desejo

do beijo mais profundo, mais profundo.

São as suas mãos desfeitas e voláteis

que estão fazendo soar já, na tarde silenciosa,

para o instante de nos perdermos,

todos, todos os sinos do Mundo!

 

_______________________________________________________________________________________

_______________________________________________________________________________________

Natércia Freire

Escritora portuguesa nascida em 1920, em Benavente, e falecida a 19 de dezembro de 2004. Estudou música e tirou o curso do Magistério Primário. Dirigiu o suplemento literário "Artes e Letras" do Diário de Notícias e colaborou em publicações diversas e na Emissora Nacional, fazendo palestras mensais. Iniciou-se como decente na escola primária em 1944. Foi convidada para a Comissão de Leitura da Fundação Calouste Gulbenkian, de que se tornou membro, de 1971 a 1974.
Revelou-se na poesia em 1939 com a coletânea Meu Caminho de Luz. Foram-lhe atribuídos os prémios literários Antero de Quental (por Rio Infindável em 1947 e Anel de Sete Pedras em 1952), Ricardo Malheiros (1955) e Nacional de Poesia (1972), este último pela obra Os Intrusos. Da sua vasta obra destacam-se ainda Horizonte Fechado (1942) e os contos de A Alma da Velha Casa (1945).
 
FONTE INFOPÉDIA

 

POEMA DE NATÉRCIA FREIRE IN "POESIA COMPLETA", EDIÇÃO QUASI EDIÇOES, JUNHO DE 2006, COM EDIÇÃO E NOTAS DE PEDRO SENA-LINO E PREFÁCIO DE MARIA GABRIELA LLANSOL                                                

 

 

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publicado às 18:24


#3071 - POEMA DE MANUEL AFONSO COSTA

por Carlos Pereira \foleirices, em 01.12.19

 

as merendas do espírito,

as mãos, eram labor artificial,

separadas pelos sítios de culto,

pelo silêncio dos pastos;

até a luz acampando

na lâmina dos utensílios

ou sobre os ombros

era coisa do acaso;

havendo uma ordem

e havia

nada tinha a ver com as regras

de oficiantes programados,

era um mistério

a sabedoria litúrgica da ignorância;

se era douta ou divina,

é assunto que me ultrapassa

 

POEMA DE MANUEL AFONSO COSTA, «SERIA SEMPRE TARDE», ASSÍRIO & ALVIM, 2019

 

BIOGRAFIA

Fez o doutoramento no Departamento de Filosofia da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e o Mestrado em História Cultural e Política na mesma Universidade. Licenciado em História pela Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa e em Engenharia Mecânica pelo Instituto Superior Técnico da Universidade Técnica de Lisboa. Professor Associado, desde 2012, na Faculdade de Direito da Universidade de Macau. Desde 2003, Professor Assistente na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. Professor também na Universidade de Aix-Marseille. Escreveu diversos artigos sobre História, História das Ideias, Filosofia e Literatura em jornais e revistas de especialidade e é autor dos livros Introdução ao pensamento social francês do século XVIII, U.T.A.D, Vila Real (1987), A ideia de felicidade em Portugal no século XVIII, entre as luzes e o romantismo. Eticidade, moralidade e transcendência (2008). Tradutor de poesia e poeta, publicou Caligrafia imperial e dias duvidosos, Assírio & Alvim, Lisboa (2007); Os últimos lugares, Assírio & Alvim (2004), Os limites da obscuridade, Caminho (1990), O roubo da fala, Ágora (1981). Colabora com a Biblioteca Pública de Macau desde 2014.

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publicado às 17:40


#3069 - TAO YUANMING

por Carlos Pereira \foleirices, em 29.11.19

 

O céu e a terra jamais irão desaparecer

as montanhas e os rios esses não mudarão nunca

ervas e árvores seguem regras imutáveis,

se a geada as engelha,

logo o orvalho as tornará viçosas de novo

o homem gaba-se de ser dotado de razão,

quase divino

porém ele é o único a quem as coisas

não acontecem assim

mal começa a sua viagem neste mundo,

logo parte sem data de regresso

 

alguém se apercebeu de que falta alguém?

pais e conhecidos pensarão nele ainda?

subsistem só os objectos que lhe pertenceram,

quando o olhar os cruza, aflito,

derrama-se em lágrimas

 

eu por mim não tenho o dom da imortalidade,

à mudança estou sujeito

irei morrer, sobre isso não há a mínima dúvida

segue portanto o meu conselho,

se tens por aí um bom vinho,

não o recuses assim sem mais nem menos.

 

POEMA DE TAO YUANMING (365-427), POETA DAS DINASTIAS DE JING E LIU SONG, INCLUÍDO NO LIVRO «POESIA E PROSA», EDIÇÃO ASSÍRIO &  ALVIM, 2019. A VERSÃO PORTUGUESA É DE MANUEL AFONSO E COSTA

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publicado às 22:38


#3065 - PRÉMIO FERNANDO NAMORA

por Carlos Pereira \foleirices, em 19.11.19

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Julieta Monginho com o livro "Um Muro no Meio do Caminho" venceu o Prémio Fernando Namora atribuído pela Estoril Sol. O livro narra as tragédias contemporâneas, principalmente a dos refugiados sírios que fogem de homens cada vez mais loucos e selváticos.

 

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publicado às 19:16


#3064 - PRÉMIO NACINAL DE CULTURA E ARTES DE ANGOLA

por Carlos Pereira \foleirices, em 19.11.19

José Eduardo Agualusa foi distinguido com o Prénio Nacional de Cultura e Artes de Angola pelo conjunto da sua obra. Nascido no ano de 1960, é autor de vasta obra reflectida em diversos géneros, desde o romance â literatura infantil

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publicado às 17:38


#3063 - O NOVO LIVRO DE FRANCISCO JOSÉ VIEGAS (A LUZ DE PEQUIM)

por Carlos Pereira \foleirices, em 15.11.19

A LUZ DE PEQUIM

 

BIOGRAFIA

Francisco José Viegas nasceu em 1962. Professor, jornalista e editor, é responsável pela revista Ler e foi também diretor da revista Grande Reportagem e da Casa Fernando Pessoa. De junho de 2011 a outubro de 2012 exerceu o cargo de Secretário de Estado da Cultura. Colaborou em vários jornais e revistas, e foi autor de vários programas na rádio (TSF e Antena Um) e televisão (Livro AbertoEscrita em DiaLer para CrerPrimeira PáginaAvenida BrasilPrazeresUm Café no MajesticA Torto e a DireitoNada de Cultura). Da sua obra destacam-se livros de poesia (Metade da VidaO Puro e o ImpuroSe Me Comovesse o Amor) e os romances Regresso por um RioCrime em Ponta DelgadaMorte no EstádioAs Duas Águas do MarUm Céu Demasiado AzulUm Crime na ExposiçãoUm Crime CapitalLourenço MarquesLonge de Manaus (Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores 2005), O Mar em CasablancaO Colecionador de Erva e A Poeira que Cai sobre a Terra e Outras Histórias de Jaime Ramos.
 
FONTE: PORTO EDITORA

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publicado às 22:33


#3062 - PRÉMIO MIGUEL DE CERVANTES 2019

por Carlos Pereira \foleirices, em 15.11.19

JOAN MARGARIT, 81 anos de idade, poeta catalão e arquitecto, foi galardoado com o Prémio Miguel de Cervantes, o mais importante prémio espanhol para as letras. Os candidatos são propostos pela Academia Real da Língua Espanhola.

Na qualidade de arquitecto, foi o autor dos cálculos de estrutura da catedral Sagrada Família e foi professor catedrático da Escola Técnica Superior de Arquitectura de Barcelona.

No mês de Maio passado, recebeu o  Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-Americana.

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publicado às 19:43


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