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#1640 - O vazio das não-notícias

por Carlos Pereira \foleirices, em 05.03.12

 

Vivemos mum país desconhecido. Por baixo da informação tangível, dos números e das estatísticas, correm fluxos de acontecimentos inquantificáveis e que, no entanto, condicionam decisivamente a nossa vida. Quantas doenças psíquicas foram desencadeadas pela crise? Quanta energia vital se desperdiça na fabricação da imagem de um rosto jovem  necessário exigido por tal profissão? São "dados" incognoscíveis ou imateriais, não susceptíveis de se tornarem informação. São não-notícias.

 

O Público deu-nos a possibilidade, neste número, (Jornal Público, edição de 5 de Março de 2012), de fazer aparecer esse avesso do estado da nação, levantando uma ponta do véu que o recobre e o esconde. Não se tratou, pois, de informar ou de desinformar, mas de fazer pensar diferentemente no país que temos e na informação que dele dispomos.

 

Ordenámos a não-informação em três categorias: o que é impossível conhecer (por exemplo, aquele factor decisivo, singular, único do "talento", que não entra numa grelha de avaliação de competências de um aluno), mas é condição essencial para que se ordene de modo inteligente, ético e eficaz a infoemação que se conhece; o que não se conhece mas que se poderia e deveria conhecer (o número de mortes estimado por atraso na lista de espera de uma operação) para o fazer entrar numa decisão política ou outra; o que seria possível conhecer mas que se torna impossível saber porque o seu conhecimento poria radicalmente em questão o regime das nossas sociedades pós-democráticas (por exemplo, o número de políticos corruptos). As inúmeras perguntas que fizemos aos organismos competentes receberam não-respostas, confirmando a ideia de um vazio obrigatório de informação: na secção "Pobreza" os dados recolhidos não permitem um plano de combate exaustivo e eficaz à pobreza; na secção "Política" a ausência de números oficiais sobre os políticos que detêm depósitos em offshores indica que a transparência nesse domínio subverteria o nosso regime político; e assim por diante.

 

O nosso país está demasiado "cheio" (de informações, imagens, bugigangas de toda a espécie) e quanto mais se enche mais se enterra o vazio essencial a que não se dá a importância que tem. Acreditamos que a informação que, por definição, vive da positividade do dado, do pleno, que nos enche os olhos e o cérebro criando a ilusão de pensamento, pode ser tratada de outra forma. A massa de informação a que hoje temos acesso contribui para uma espécie de visão global que faz da realidade um conjunto de coisas e factos objectivos - de que decorre ao mesmo tempo a despoetização do mundo e um crescente caos afectivo. Contra isso, acreditemos nas virtudes do vazio.

 

O que fizemos - em trabalho extraordinário de equipa -  sugere a possibilidade de traçar um mapa de Portugal que mostre os trajectos duplos, de um pleno que constantemente atropela e exclui o vazio; e dos movimentos do vazio que abrem linhas de fuga, incita a pensar diferentemente, desencadeia poderosas forças de criação. Não estamos condenados ao que julgamos que nos condenaram. Só assim poderemos conceber reformas radicais que libertem as energias e mudem o país.

 

Editorial de José Gil no Jornal Público de 5 de Março de 2012

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publicado às 17:47

 

 O filósofo, ensaísta e professor universitário José Gil foi galardoado com o Prémio Vergílio Ferreira 2012, instituído pela Universidade de Évora, revelou a academia alentejana.

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publicado às 22:04


#1402 - José Gil no "EL PAÍS"

por Carlos Pereira \foleirices, em 12.06.11

"Lo que dice la economía no es lo único posible"

El filósofo José Gil defiende un nuevo modelo basado en las utopías del XIX

 

El filósofo portugués Jose Gil (1939) nació en Mozambique cuando este territorio era colonia portuguesa, pero ha vivido más de 30 años en Francia donde se formó en, dice, "el gran tumulto que fue aquel país en los años sesenta y setenta". Se fue impregnando del pensamiento que emanaba de Lévi-Strauss, Sartre, Derrida y Foucault. "Fue una experiencia única para millares de estudiantes". Le ha quedado el espíritu crítico, que evidenció en Barcelona en unas jornadas sobre Portugal. Una de las cosas que tiene clara es que "el descrédito de los políticos se debe a la promiscuidad entre la política y los negocios".

 

Llegó a la filosofía a través de la oposición a la dictadura portuguesa. El marxismo, explica, "era la única doctrina que aglutinaba a los opositores al régimen". Pese a ello, no se considera marxista, aunque admire a Marx. Tampoco se ha adscrito a ningún movimiento político. "Nunca podría militar en un partido. En absoluto", sostiene con rotundidad.

Cuando mira hacia el presente de su país no tiene reparos en decir que vive una situación "terrible", en la que los recientes resultados electorales no son ni un empeoramiento ni una mejora. "Portugal tiene dos posibilidades. Una, a largo plazo, es entrar en bancarrota, porque no será posible pagar las deudas que acumulamos. Y será muy difícil elegir el camino que nos lleve a poder pagar: la transformación económica del país. Hay que cambiar nuestra posición respecto a Europa".

Su segunda receta: "Un cambio radical en el modo de gobernar respondiendo a dos principios, transparencia y vinculación directa con la población". Explica que la acción del Gobierno tiene que ser transparente y contar con el apoyo de la gente. "Los políticos están hoy desacreditados hasta unos niveles nunca vistos", reflexiona.

¿Solo en Portugal? "No. En Francia pasan cosas impensables desde hace unos años". Y esto convive con una "gran desorientación por parte de la mayoría de la población, más cierta desconfianza respecto al Estado-providencia que fue la conquista de más de un siglo de luchas". En la base de las propuestas de izquierdas estaban más igualdad, más justicia y más libertad. Pero el presente no es eso: "Lo que impera es el capitalismo global muy poco igualitario".

El futuro, opina, pasa por reelaborar un proyecto colectivo inspirado en las utopías del siglo XIX, Fourier y también Marx. "Lo que no podemos es quedarnos en las nuevas formas del capitalismo. Lo que dice la economía no es lo único posible. Hay que pensar en nuevas formas de trabajar, vincular el trabajo al individuo, no solo a las plusvalías". Aunque desprende optimismo a largo plazo, este no se reproduce al mirar hacia la actual Europa: "Se está deshaciendo. Yo no creo en ella. La Europa de los políticos no es posible. Ya somos europeos, no necesitamos ser una superpotencia. Europa es la mezcla cultural que somos los europeos".

 

 

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publicado às 19:53


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