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#3110 - POEMA DE JOÃO LUÍS BARRETO GUIMARÃES

por Carlos Pereira \foleirices, em 13.05.20

põe um disco a correr. a chuva não demora

mais do que o esvaziar das nuvens se te

confessasse as coisas que já atirei ao mar

(o revólver do crime palavras numa garrafa)

 

não darei nome ao poema seria como quem

coloca legendas aos dias e eu: sou como

água (tomando a forma dos lugares que molha)

 

vou repetir (para quem só agora ligou

este poema:) no cesto de frutos da mãe

as estações do ano sucedem-se e o disco

 

era um disco tão antigo tão antigo que

a certa alturantigo tão antigo que a 

certa alturantigo tão antigo que a certa

alturantigo tão antigo qu

 

POEMA DE JOÃO LUÍS BARRETO GUIMARÃES DE «ESTE LADO PARA CIMA», DE 1994, RETIRADO DO LIVRO «O TEMPO AVANÇA POR SÍLABAS» - EDIÇÃO QUETZAL, FEVEREIRO DE 2019

 

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publicado às 08:36


#3106 - A MEIAS ||| POEMMA DE JOÃO LUÍS BARRETO GUIMARÃES

por Carlos Pereira \foleirices, em 02.05.20

A MEIAS

 

Bebo o meu café enquanto bebes

do meu café. Intriga-me que faças isso.

Se te posso pedir um

(se podes tomar um igual)

porque hás-de querer do meu?

Que

não. Que não queres. Escuso

de pedir

que não queres. Então

começo um cigarro e tu fumas

do meu cigarro dizes

«tenho quase a certeza de

não acabar um sozinha» por isso

fumas do meu.

Dá-te gozo esse roubar de

leves goles furtivos

dá gozo participar

do prazer que eu possa ter

contigo

(e entre nós)

dá-se agora tudo

a meias.

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publicado às 18:33

 

A HIPÓTESE DO CINZENTO

 

Num país a preto e branco

recomendaram-me o cinzento. Um recurso

extraordinário. Com a hipótese do cinzento poderia

ensaiar

soluções inusitadas -

experimentar o morno (que não é frio nem

quente)

explorar o lusco-fusco (que

não é noite nem dia) praticar a omissão

(que não é mentira

nem verdade). Preto e branco misturados permitiam

finalmente

viver em conformidade

desocupar os extremos (tão alheios à virtude)

liquefazer-me na turba

no centro na

média

dourada. Com a paleta de cinzentos poderia

aprimorara arte da sobrevivência que

(como os mansos bem sabem) é

não estar vivo

nem morto.

 

POEMA DE JOÃO LUÍS BARRETO GUIMARÃES, DO LIVRO "O TEMPO AVANÇA POR SÍLABAS", PÁG.136, EDIÇÃO QUETZAL, 2019

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publicado às 20:44


#3009 - NÓMADAS ||| POEMA DE JOÃO LUÍS BARRETO GUIMARÃES

por Carlos Pereira \foleirices, em 16.06.19

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NÓMADAS

 

Só o amor pára o tempo (só

ele detém a voragem)

rasgámos cidades a meio

(cruzámos rios e lagos)

disponíveis para lugares com nomes

impronunciáveis. É preciso percorrer os mapas

mais ao acaso

(jamais evitar fronteiras

nunca ficar para trás)

tudo nos deve assombrar como

neve

em Abril. Só o amor pára o tempo só

nele perdura o enigma

(lançar pedras sem forma e o lago

devolver círculos).

 

Poema de João Luís Barreto Guimarães, do livro NÓMADA 2018, incluído na antologia O TEMPO AVANÇA POR SÍLABAS - Edição QUETZAL 2019

__________________________________________________________________________________________

João Luís Barreto Guimarães nasceu no Porto, a 3 de junho de 1967. Poeta e tradutor, divide o seu tempo entre Leça da Palmeira e Venade. O Tempo Avança por Sílabas reúne cem poemas selecionados pelo autor, dos dez livros que publicou até ao momento. É o seu quinto livro na Quetzal, após a publicação dos primeiros sete títulos na Poesia Reunida, em 2011, Você está Aqui, em 2013, Mediterrâneo, em 2016, ao qual foi atribuído o Prémio Nacional de Poesia António Ramos Rosa, e Nómada, em 2018. A sua obra está representada em antologias poéticas e revistas literárias de numerosos países, tendo Mediterrâneo sido publicado em espanhol.

 

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publicado às 16:21


#2549 - PRÉMIO DE POESIA ANTÓNIO RAMOS ROSA

por Carlos Pereira \foleirices, em 08.08.17

 ANTÓNIO RAMOS ROSA

 

JOÃO LUÍS BARRETO GUIMARÃES

João Luís Barreto Guimarães, poeta portuense, venceu a 6.ª Edição do Prémio de Poesia António Ramos Rosa com o seu livro "Mediterrâneo" publicado em Março de 2016 pela Editora Quetzal.

Este Prémio foi criado em 1999 pela Câmara Municipal de Faro e a cerimónia de entrega realizar-se-á no dia 9 de Setembro.

 ________________________________________________________

Biografia:

Nasceu no Porto, a 3 de Junho de 1967.

Vive em Leça da Palmeira.

É licenciado em Medicina e Cirurgia pela Universidade do Porto, especialista em Cirurgia Plástica, Reconstrutiva e Estética no Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia.

Divide o seu tempo entre Leça da Palmeira e Venade.

Publicou o primeiro livro de poemas Há Violinos na Tribo, em 1989, a que se seguiram Rua Trinta e Um de Fevereiro(1991), Este Lado para Cima (1994), Lugares Comuns (2000), 3 (poesia 1987-1994), em 2001, Rés-do-Chão (2003), Luz Última (2006), A Parte pelo Todo (2009), Poesia Reunida (2011), Você Está Aqui (2013) e Mediterrâneo (2016).

Organizou a antologia de poesia mundial sobre gatos Assinar a Pele (2000).

A sua obra está editada em antologias e revistas literárias de uma dezena de países.

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publicado às 16:48


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