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#1433 - Fernando Pessoa escreveu argumentos para filmes

por Carlos Pereira \foleirices, em 01.07.11

 

Sob o rótulo “Film Arguments”, Fernando Pessoa deixou escritos e datilografados argumentos cinematográficos em três línguas que só agora serão publicados em Portugal, bem como planos para criar uma produtora de cinema, a Ecce Film, e o respetivo logótipo.

 

Com edição, introdução e tradução de Patricio Ferrari e Claudia J. Fischer, todos esses textos de Pessoa diretamente relacionados com cinema, inéditos em Portugal, foram pela primeira vez reunidos num volume intitulado “Argumentos para Filmes”, que chega a 08 de julho às livrarias, no âmbito da coleção “Obras de Fernando Pessoa”, coordenada por Jerónimo Pizarro e publicada pela Ática, chancela da Babel.

 

Aí se podem encontrar seis argumentos cinematográficos incompletos da autoria de Fernando Pessoa, “quase certamente escritos ainda na época do cinema mudo”, indicam os autores da obra no prefácio.

 

Quatro dos argumentos, “todos datáveis da década de 1920”, foram escritos em inglês – um deles com diálogos em português –, com indicações como “Nota para um ‘thriller’ disparatado. Ou para um filme” ou “Meio plano para peça ou filme.”

 

Os outros dois, “de data posterior a 1917” e redigidos em francês, já foram publicados, sim, mas apenas em França, em 2007, num pequeno opúsculo da Pléiade, juntamente com a tradução francesa de dois dos argumentos ingleses, e terão agora a respetiva tradução em português.

 

À Lusa, Claudia J. Fischer, professora e investigadora do Centro de Estudos Comparatistas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, disse que embora tais argumentos cinematográficos não tenham até agora sido transcritos e traduzidos para português, presume que “já houvesse há algum tempo conhecimento da sua existência no espólio” de Fernando Pessoa (1888-1935).

 

“É espantoso” que tais textos não tenham ainda sido divulgados em Portugal, tendo em conta o grande número de estudiosos da obra do poeta que já teve acesso à sua famosa arca de papéis, observou a coautora deste livro, acrescentando que “além destes, há ainda outros textos que nunca foram publicados, contrariamente à ideia que existe de que tudo do Fernando Pessoa já está publicado”.

 

“Provavelmente, nunca foram levados muito a sério, porque são fragmentados, não são muito completos. Nunca chegou, ele próprio, a avançar com uma proposta de publicação, porque não teriam ainda a sua forma definitiva. Penso que será por isso”, sustentou.

 

O que Claudia J. Fischer e Patricio Ferrari acharam “particularmente fascinante” nestes argumentos ou planos para argumentos de filmes foi o facto de eles refutarem a tese de que Fernando Pessoa não se interessava por cinema, uma tese que até agora vigorava e era defendida em várias obras, incluindo o “Dicionário de Fernando Pessoa e do Modernismo Português”, um volume publicado em 2008, com quase 600 artigos da autoria de 90 especialistas portugueses e estrangeiros, centrado na obra do poeta e nos traços culturais do seu tempo.

 

Essa tese tinha como fundamento excertos de alguns poemas de Álvaro de Campos, textos e correspondência de Pessoa em que este expressava uma quase aversão à sétima arte e que estão também incluídos neste livro “Argumentos para Filmes”, para melhor se entender o que afinal pensava o poeta sobre o cinema.

 

Nesses textos, “há várias referências ao cinema, muitas em tom um pouco depreciativo, mas porque está a referir-se ao cinema hollywoodiano, que considerava superficial – ou seja, há realmente um tratamento do tema do cinema, mas de um ponto de vista crítico”, apontou a investigadora.

 

Porém, como Pessoa “tinha a preocupação de ‘Fazer pela Vida’ – para citar o título do livro que Mega Ferreira escreveu sobre ele, em que ele apresenta vários projetos, patentes de máquinas, etc. –, como tinha a preocupação de rentabilizar algum produto seu, nós pensamos que estes argumentos, especialmente os ingleses, provavelmente tinham o intuito de ser comercializados no mercado anglófono – e não no português – e por isso é que estão em inglês”, referiu.

 

“São ‘thrillers’, às vezes lembram um bocadinho comédias de costumes, são sempre brincadeiras em torno de trocas de identidade, o que é muito interessante também para uma poética do Pessoa, toda a questão da identidade está muito iminente. São textos fragmentários, curtinhos, mas podem completar imensamente uma imagem do perfil que tem sido construído de Fernando Pessoa”, defendeu.

 

Outro dos capítulos do livro é dedicado aos projetos do poeta relacionados com o cinema: em 1919/1920, queria criar uma empresa que se chamaria Cosmopolis e, mais tarde, o Grémio de Cultura Portuguesa, “que eram uma espécie de agências de propaganda nacional” – explicou a professora universitária –, cuja ação passaria necessariamente pelo cinema, que Pessoa descreveu, nos seus planos, como “uma das maiores armas de propaganda que se pode imaginar” e que pretendia usar “para divulgar Portugal no mundo”.

 

É no âmbito destes dois projetos que tem a ideia – “que passou muito despercebida” – de criar uma produtora cinematográfica, a Ecce Film, sublinhou.

 

“O logótipo, completamente inédito, que nós reproduzimos no livro é invenção do Fernando Pessoa, incluindo o aspeto gráfico. Ele ensaiou vários logótipos para esta Ecce Film e imaginou já o papel timbrado e os envelopes com uma morada – que nós desconhecíamos se existia e que fomos procurar”, descreveu.

 

A morada era ‘Rua de S. Bento, números 333 e 335’ e os dois investigadores descobriram que aí existira um estúdio de cinema que era utilizado por importantes produtoras de filmes da época.

 

O que se conclui, frisou Claudia J. Fischer, e é essa a grande novidade deste livro, é que “Fernando Pessoa estava a par do que se passava no setor cinematográfico em Lisboa, interessava-se por isso e chegou mesmo a projetar qualquer atividade sua ligada ao cinema, fosse produção ou fosse divulgação”.

 

In "i"

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publicado às 20:45


Movimento na web quer criar o Partido Pirata Português

por Carlos Pereira \foleirices, em 17.06.09


São jovens, estão ligados a todas as redes sociais, reúnem-se, por enquanto, num fórum online e no Messenger. É lá que o i os encontra. "A longo prazo, o nosso objectivo é a criação de uma base sólida para a oficialização do Partido Pirata Português", diz Oleksandr Malichevskyy, 20 anos, estudante de informática.


O movimento em solo nacional tem pouco mais de um mês e foi inspirado pela oficialização do Partido Pirata Espanhol, subsidiário de uma já longa corrente internacional que defende o fim dos direitos de autor e patentes, para uma sociedade em que a conhecimento flua livremente. O sucesso rebentou nas últimas eleições europeias, quando o pai dos partidos piratas, o sueco Piratpartiet, conseguiu eleger um eurodeputado.


"Não queremos a abolição total dos direitos de autor, mas a sua reformulação", atalha Oleksandr na janela aberta no Messenger, onde estão outros cinco mandatários do movimento. "Promove-se um excessivo lucro da entidade promotora da criação, e não do criador em si", resume Miguel Gonçalves, 22 anos, jurista.


Querer alterar a legislação, de forma a anular a noção de pirataria, é o "caminho natural", diz. "A legislação tem de acompanhar o progresso. A pirataria não prejudica a economia. A questão é se devemos oferecer especial protecção a determinadas indústrias", conclui António Aveiro, 31 anos, informático.

Marta F. Reis "I"


 

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publicado às 21:58


Vasco Graça Moura e a política cultural do governo

por Carlos Pereira \foleirices, em 17.06.09

O escritor Vasco Graça Moura defendeu hoje que o primeiro-ministro não faz “a mínima ideia” do que seja política cultural, depois de Sócrates ter apontado como um erro do Governo a ausência de um maior investimento na Cultura.

“Não me parece que ele tenha descoberto a pólvora vindo agora dizer isso: um Governo como o dele, que decapitou o Teatro de São Carlos mandando embora o Pinamonti, o Teatro Nacional D. Maria II mandando embora o António Lagarto e o Museu Nacional de Arte Antiga mandando embora Dalila Rodrigues mostra bem que o primeiro-ministro não só nunca prestou atenção nenhuma à Cultura, como não faz a mínima ideia do que seja política cultural”, disse hoje à Lusa Vasco Graça Moura.

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publicado às 21:47


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