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#2837 - Uma alma amarrotada

por Carlos Pereira \foleirices, em 13.06.18

 

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publicado às 10:30


#2016 - Geografias

por Carlos Pereira \foleirices, em 25.05.16

As viagens inventaram-se para quem está triste. Se não houvesse pessoas tristes, não havia agências de viagens.

Que julgam que o infante D. Henrique fez ao criar a Escola de Sagres? Um ponto de partida para se poupar à melancolia.

 

Agustina Bessa-Luís

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publicado às 20:31


#1955 - Geografias

por Carlos Pereira \foleirices, em 29.02.16

Geografias

Há as ruas e os lugares. E os lugares que esqueceram como eram chamados para serem ruas, avenidas, caminhos, becos, números de polícia e códigos postais. Havia os quintais, as cortinhas e as quintinhas, os quinteiros, os aidos, a eira, o estrume, os currais e as retretes comunitárias e as folhas de jornal; as ramadas suspensas em braços de pedra;  carros de bois, desfolhadas, o milho-rei e o primeiro beijo. Capoeiras comandadas por galos emproados que comandavam galinhas e garnisés. Porcos na engorda à espera do capador, das arrobas certas e dos primeiros farrapos de geada; Os pés descalços que atropelavam "bolas de capa"; a fruta roubada no quintal do vizinho; as mestras que eram o nosso infantário; o suplício da cata de piolhos e lêndeas; a descoberta de livros que tinham cheiro; o Regedor e Salazar; as noites quentes apaziguadas nas soleiras; a cantina e a sopa dos pobres; o sangue que se ia buscar ao matadouro e que era comido depois de cozido;  as madrinhas de guerra; os soldados a desejarem na Emissora Nacional um feliz natal e um ano cheio de "propriedades"; o mata-porco e o arroz de miúdos; o vinho doce; o colo do meu avô e as sopas de cavalo cansado, e o presépio encaixado numa caixa de sapatos alcatifado com musgo verde; o Bonanza na "sede das pombas"; a alegria e a magia do circo "Arraiola Paramés"; o teatro na "Casa do Povo"; a forja do "Ti" Américo; o saco de pano a tiracolo com a lousa e o caderno de linhas. Primavera, Verão, Outono e Inverno; a Páscoa e as amêndoas e o beijar da cruz; Natal, cigarros e macinhos de chocolate embrulhados em papeizinhos brilhantes e coloridos que guardavamos entre as páginas de qualquer coisa que tivesse letras e desenhos; o tojo para a cama do gado; saquetas com cromos comprados na "Isaurinha"que trocavamos os repetidos; as mãos doridas pelas reguadas do professor Pinto, puxões de orelhas, bofetadas; a apanha diária de leitugas e carrijó; pregoeiros, vendedores de quinquilharias, amoladores, canastras de carapaus e sardinhas; as missas de domingo; os caldos de galinha que celebravam o nascimento e suavizavam as maleitas do parto, e só comidos em dias de festa; a "Ti" Margarida que nos libertava para a vida com um golpe de tesoura enferrujada;  Broa e papas de milho; almoço, janta e ceia, com merenda pelo meio; as rabanadas e malgas de vinho em Castelo de Paiva; as Segundas-Feiras de Páscoa com enguias fritas; os pirolitos e as camarinhas na Senhora da Saúde, em Fornos;  óleo-de-fígado-de-bacalhau; salgadeiras e masseiras; lareira e enchidos abençoados pelo fumo. A noite iluminada a candeias de azeite. A caixa da Sagrada Família. Colchões forrados a palha; forquilhas; brincadeiras, trepar às àrvores, brinquedos feitos de lata, uma fisga no bolso, pedrinhas, botões e berlindes, piões e faniqueiras, e várias fanfarronices; jogar à pancada, fazer recados, o acto subversivo de fabricar cigarros com barbas de milho enrolados em tiras de jornal. Risos, muitos risos que troçavam da pobreza, das doenças e da miséria.

- A bênção, meu Pai?!

- Que Deus te abençoe...

- A bênção, minha Mãe?!

- Que Deus te abençoe...

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publicado às 17:29


#1686 - 1.º de Maio, o dia do pingo doce

por Carlos Pereira \foleirices, em 03.05.12

Caminhamos em cima de vários gumes e, ao menor descuido,  ficamos sem a cabeça, decepada por apelos frenéticos embrulhados em slogans que dizem ser, hoje, o dia da redenção das nossas vidas. E corremos... corremos... desesperados, em manada, silenciosos, com os olhos postos no vazio cinzento das nossas almas empunhando profundas tristezas adormecidas pelas cores garridas dos neons, cartazes,  placas, anúncios convidativos, sentidos obrigatórios pintados no chão e nos ares que conduzem os nossos passos. E os braços já cansados empurram o corpo faminto, mas empatorrado de inutilidades, que, ao chegarmos a casa, são arrumados num canto escuro que não lembre a nossa estupidez perante a exploração, por quem muito sabe, dos nossos instintos mais básicos.

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publicado às 22:24


#1501 - Deambulações

por Carlos Pereira \foleirices, em 14.11.11

 

O silêncio é fundamental para ouvir os ruídos do corpo.

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publicado às 17:02


Lugares de afecto

por Carlos Pereira \foleirices, em 16.10.08

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publicado às 19:42


Lugares de afecto

por Carlos Pereira \foleirices, em 13.10.08

 

 

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publicado às 15:05


Lugares de afecto

por Carlos Pereira \foleirices, em 13.10.08

 

"Está deitado, só, de costas para o mar, num canapé instalado na paria. O vento está forte. O céu está claro, nem um vestígio de nuvens, o mar reflecte a luz resplandecente do sol, o rosto suaviza-se."

Do livro "Uma cana de pesca para o meu avô, de Gao Xingjian, publicações D. Quixote, 2001

 

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publicado às 13:23


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