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"O Século dos Prodígios",  ensaio de Onésimo Teotónio Almeida, trata o pioneirismo da ciência portuguesa no período dos Descobrimentos. Com este ensaio, Teotónio Almeida venceu o Prémio Fundação Calouste Gulbenkian, História da presença de Portugal no mundo.

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publicado às 17:06


#2425 - A edição n.º 195 da revista COLÓQUIO | Letras

por Carlos Pereira \foleirices, em 03.06.17

N.º 195, Maio-Ago. 2017 - Carlos de Oliveira

Por Revista Colóquio/Letras, publicado em 5.5.2017 na secção Notícias

 

Capa do número 194 
 
 
 
 
 
 
No ano em que os trabalhos sobre o espólio   de Carlos de Oliveira, depositado no Museu   do Neo-Realismo, em Vila Franca de Xira, se   materializam na exposição “Carlos de      Oliveira: a parte submersa do iceberg”, a    revista Colóquio/Letras dedica, no seu  número 195, um dossiê temático ao autor, composto por cinco ensaios e vários inéditos.

Os ensaios — da autoria de Osvaldo Manuel Silvestre, Rui Mateus, José Geraldo, Ricardo Namora e Clara Rowland —, exploram o espólio, apresentando novas perspetivas de abordagem e novos leitores de Carlos de Oliveira, aspeto fundamental para a duração longa de uma obra.

Quanto aos inéditos, são uma primeira amostra dessa “parte submersa do iceberg” que é o espólio do escritor, e permitem perceber o potencial de releitura crítica aí contido. O dossiê conclui-se com alguns depoimentos de portugueses e estrangeiros, todos eles partes de um diálogo intenso que a própria correspondência do autor regista.

Para além das habituais secções da revista, destacam-se ainda neste número a entrevista ao poeta sírio Adonis, a evocação de João Lobo Antunes e o belíssimo contributo de Ilda David com um conjunto de imagens inéditas.


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publicado às 19:01

 

 

www.hpip.org

 

Imagine-se a dar a volta ao mundo. Uma viagem aos lugares por onde outros portugueses passaram ao longo do tempo e deixaram a sua marca, arquitetónica e urbanística, como resultado do intercâmbio cultural com povos de diversos continentes: América do Sul, Ásia e Oceânia, Norte de África, mas também Mar Vermelho, Golfo Pérsico e África Subsaariana. Agora imagine um dicionário online de matriz geográfica, que reúne toda a informação sobre esses lugares, numa base de dados georreferenciada. Imagine também que quer dar o seu contributo, com textos ou conteúdos gráficos (fotografias, desenhos, iconografia, etc.), acrescentando ou corrigindo a informação já existente.

 

Não precisa de imaginar. Bem-vindo ao sítio do Património de Influência Portuguesa. Junte-se a nós, navegando e colaborando.

 

A partir de 17 de abril, o trabalho de inventariação de todo o património arquitetónico e urbanístico de influência portuguesa, um projeto único no mundo que a Fundação Gulbenkian tem vindo desenvolver desde 2007, sob a direção de José Mattoso, está agora reunido num site interativo, em versão portuguesa e inglesa: www.hpip.org

 

O novo portal HPIP – Heritage of Portuguese Influence / Património de Influência Portuguesa – é uma evolução natural do projeto editorial Património de Origem Portuguesa no Mundo – Arquitetura e Urbanismo, reunindo o conteúdo dos volumes publicados e permitindo que este trabalho de inventariação se mantenha em permanente atualização. Este acervo de características únicas passa a estar acessível a todos, em qualquer parte do mundo.

 

 São 1865 entradas, de obras espalhadas em 565 locais, organizadas numa base de dados georreferenciada, apresentando-se a informação de forma integrada e cruzada.

 

Concebido para ser aberto a contribuições externas, o novo portal convida os internautas a propor novas entradas, acrescentar conteúdos escritos ou gráficos, sugerir alterações ou denunciar erros. As propostas são submetidas online, ao que se segue um circuito interno de verificação e validação da informação. Os novos dados são incorporados no texto original, que assim passará a ter uma autoria partilhada e devidamente identificada.

 

Retirado do site da Fundação Calouste Gulbenkian

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publicado às 18:43


#860 - Máscaras da Utopia

por Carlos Pereira \foleirices, em 09.07.09

Apresentação do livro

Apresentação do livro 'Máscaras da Utopia'

por Luís Miguel Cintra e Jorge Silva Melo

10/07/2009
18h30
Aud. 3 da Fundação Calouste Gulbenkian

 


Uma História do Teatro Universitário em Portugal foi recentemente publicada com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian. De autoria de José Oliveira Barata e com o título Máscaras da Utopia, retrata mais de três décadas de actividade dos grupos de teatro académico, abrangendo o período de 1938 a 1974. Ao aprofundar os percursos de grupos como o TEUC(Teatro dos Estudantes da Universidade de Coimbra), o TUP(Teatro Universitário do Porto), o CITAC (Círculo de Iniciação Teatral da Academia de Coimbra), o Grupo Cénico da Associação de Estudantes da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa ou o Grupo de Teatro da Faculdade de Letras de Lisboa, entre outros, o livro reenvia inevitavelmente para a vida cultural e política da época, em pleno Estado Novo, marcada por fortes restrições à expressão criativa e liberdade associativa. Professor catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, José Oliveira Barata participou no TEUC, enquanto estudante, como actor e membro da direcção. Conciliando um percurso de reflexão teórica com a prática cénica, é autor de uma vasta bibliografia sobre teatro. O livro é o resultado de dois anos de investigação a partir de um amplo acervo pessoal, estendido a muitas outras fontes, testemunhos e documentação. Ao longo de quase 400 páginas, reúne informação relevante sobre a vida destes grupos universitários, historiando o seu percurso e identificando, de um modo muito completo, os principais intervenientes. Ao mesmo tempo, procura responder a várias questões como, por exemplo, quem defendeu ou procurou impedir o projecto do Teatro Universitário, de que modo se articulavam os projectos dos vários grupos de teatro universitário com a oposição política do país ou que importância teve o teatro protagonizado por estudantes universitários no diálogo com o teatro profissional e com o teatro amador.


O apoio da Fundação ao teatro em geral é destacado nesta obra, bem como os subsídios regulares aos grupos de teatro universitário. Este apoio traduziu-se no reforço das estruturas logísticas e técnicas, na atribuição de subsídios à produção de espectáculos, na contratação de encenadores e deslocações a Festivais Internacionais. São também lembrados os esforços de descentralização representados por iniciativas como o Ciclo Gulbenkian de Teatro. Em 1961, António Ferrer Correia, na altura administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, justificava o apoio da Fundação ao primeiro curso de teatro do CITAC afirmando na cerimónia de abertura, o valor da cultura “como essencial pressuposto de liberdade, de tolerância, de fraternidade humana”, e sublinhando a necessidade de acordar e fomentar a consciência destes valores no espírito do jovem universitário.

 

Assumindo a sua paixão pelo teatro, que viveu de um modo intenso como actor, dirigente e ensaísta, José Oliveira Barata reúne nesta obra o que até hoje se encontrava disperso e fragmentado, sistematizando estas décadas de actividade teatral, com o olhar informado e cúmplice de quem “esteve lá”. Recordando esses tempos de entusiasmo juvenil, salientou para a Newsletter o modo como a oposição ao regime fervilhava nos movimentos associativos, realçando também o extraordinário espírito colectivo e de cooperação que existia no seio dos grupos de teatro universitário, que levava os actores a desempenhar outras funções de cena, da iluminação à abertura das cortinas. Para além dos problemas suscitados pela mentalidade da época e que, entre outras coisas, colocava reservas à participação das raparigas do grupo em digressões, havia também a convivência regular com a censura. Lembra, por exemplo, que nos ensaios que realizavam para a censura, ensaiavam-se também estratégias para enganar os censores, ao ponto de os actores retirarem toda a intensidade interpretativa, no palco, esperando que qualquer sentido mais “subversivo” de um texto pudesse escapar, neutralizado pelo tom monocórdico da declamação. Às vezes esta estratégia era suficiente para driblar um censor menos perspicaz (o que nem sempre acontecia), e, para grande satisfação de todos, o projecto ia em frente. Centenas e centenas inscreveram o seu nome nos vários grupos de teatro universitário, alguns dos quais tornando-se figuras fundamentais do teatro nacional, pelo que Oliveira Barata afirma estar confiante de que o livro terá uma grande receptividade a nível nacional. O livro será, aliás, apresentado por duas dessas figuras maiores – Luís Miguel Cintra e Jorge Silva Melo – no dia 10 de Julho, às 18h30, na Fundação Calouste Gulbenkian.

 

Fundação Calouste Gulbenkian

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publicado às 23:51


Cartas

por Carlos Pereira \foleirices, em 17.06.09


 

Correspondência trocada entre Jorge de Sena e José Blanc de Portugal


De José para Jorge


Benf. Maio 942


Caro e bom amigo


Eu é que fiquei feliz pela sua grande carta! Calcule que de há muito é o único contacto social que tenho com o mundo excepto os colegas de trabalho ou a gente das ruas e comboios de todos os dias!


Quanto às minhas coisas eu um dia farei tudo o que aconselha (embora muito sèriamente ache certíssimo o que V. diz "Uma coisa é preocupação pessoal, outra preocupação de lugar". Etc Etc... E quanto ao "escreva sempre" aqui estou de novo.


Não me espanta o que diz do Ruy. Depois da vez que nos viu juntos não o tornei a ver. Revi as provas (de artigos dos outros) da Revista e fui nessa mesma tarde levá-las a casa dele. Até hoje não mais novas nem mandados de qualquer ordem! É uma pessoa que parecendo cheia de delicadeza de sentimentos tem às vezes bem duras atitudes para os outros. Mas tudo se passará em bem...


Eu nada sei de Manuela Porto e do recital. Não tratarei disso é a única coisa que lhe posso dizer, mas também lhe digo que gostava imenso que se realizasse e gostaria imenso de lá ouvir qualquer coisa minha. Já vê que não sou falsamente modesto e que tenho ostensivamente anor-próprio mas não sou eu que tenho a intimidade ou à-vontade do Ruy ou do Kim para tratarem com ela.


Gostei tanto do seu trocadilho acerca do Atlântico e "costas de Portugal" (ou versalhada?!) que pensando em senas e azes do jogo da Vida (claro de V - "V for Victory"!) lhe improviso êste acróstico:

 

                         ACRÓSTICO


J   ogue a glória a quem quiser as sortes

O  limpo Apolo dê aos seus eleitos

R  enasçam fénix de infindas mortes

G  orjeiem cantos os coros celestes:

E  ste esmagará seus pares terrestres!


C  anções, poemas mil às musas dando

A  ele não podeis deusas ensinar!);

N  asce dele a poesia toda inteira

D  esse qual Júpiter nova Ateneia!

I   rrompe em fogos contra a asneira

D  omando-a fero em forte peia,

O  único que falar pode de cadeira!


D  esta terrena e breve vida passageira

E  téreo ele só, não seguindo de ninguém a esteira,


S  e não perde do mundo na voragem

E  neste globo, infrene tavolagem,

N  ativo herói das elíseas pazes

sena bate em cheio os azes!!!


(Do "Novo Parnaso Lusitano-Brasílico Dedicado aos Amadores das Musas dos Dois Países Irmãos por Uma Sociedade de Homens de Letras").


Não é talvez o meu melhor poema mas tenha paciência... Já que não lê o Sempre Fixe...


Lembra-me  o [José] Osório [de Oliveira], o Osório que eu persisto em crer meu amigo.


Com todos os seus defeitos à vista não é perigoso para ninguém e quanto aos "tantos que o detestam" alguns há que se serviram dele para o que ele (lhes) podia servir...


Mas afinal a má língua sou eu e os defeitos pegaram-se-me. Não é isso?


Eu anseio pelos seus trabalhos. Temas que me interessam, pessoa que me interessa, mas para mais elogios vá... ao Acróstico!


Um abraço do afastado amigo que não lhe dá novidades mas as pede


                                                                                                                                    José de Portugal



Última hora

De acordo com a participação recebida agora sei que em 6-4-1942 casaram e me oferecem a Sua Ilustre Casa a Senhora Dona Maria Adelina de Amaral Simões Neves Monteiro Grillo e o Senhor Joaqyuim Fernandes Thomaz Monteiro Grillo [Tomaz Kim].


Felicidades aos noivos! Viva a poesia realizada!


 

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De Jorge para José

 

Porto, 24/10/42

 

Meu caro amigo

 

          A sua carta veio ter comigo ao Porto e eu já sabia (e até contava escrever-lhe),  pelo João António Lamas, que V. tinha qualqer coisa para me dizer, independentemente do muito que temos para dizer e fazer neste momento ridìculamente crítico... - rìdiculamente porque só tem o direito de ser crítico aquilo que o é pela força directa das circunstâncias e não o tem o que é pela força das circunstâncias que as foram tirar dessas outras. Isto tudo é confuso mas, até por issso, digno do momento.

          Ora, primeiro, vamos ao nosso assunto. Vou escrever para a Portugália (não tenho comigo senão exemplares, poucos, já dedicados e não entregues ainda) para que ponham à sua disposição um exemplar. E, por favor, não o compre. Eu quando voltar a Lisboa, quero escrever nele uma dedicatória - sou eu que lho ofereço e com tanto mais alegria quanto V. ofereceo o seu para que alguém o lesse. Quando estiver disposto (eu soube muito tarde do seu desgosto, não falemos nissso como entende e bem) diga-me qualquer coisa acerca do livro ou, se  o preferir, guardemos isso para a minha volta a Lisboa. Até agora, pode dizer-se que ninguém me falou dele, uma vez que só cumpriram a promessa os que se apressaram em não compreender. Claro que não falo das pessoas que, por próximas, tinham a sua opinião já tàcitamente formada; como nem a minha vida nem a sua permitem que V. esteja, para mim, na mesma proximidade, é essa a razão por que lhe peço o que pedi.

          V. já deu ao Cinatti poemas para a Aventura 3? Sabe, por ele, do editorial que eu vou escrever para êsse número? Trata-se de desmascarar as confissões voluntárias em que se debate a nossa pretyensa intelectualidade que, por saber demasiado o que deseja, acaba por não fazer dignamente o trabalho que lhe é imposto pela dignidade que devia ter. Queria que V. visse o editorial. Creio que nós, eu e V., devemos defender a Aventura pelo que ela representa e pelo que, por nós e o Cinatti, pode vir a representar: posição definida contra o que não fôr uno, nítido e futuro.

          É nesse sentido que tenciono orientar a conferência que, de combinação com a Manuela Porto, tenciono fazer, em Dezembro, sobre as "Possibilidades da poesia portuguesa". Evidentemente que a poesia portuguesa pode bem vir a ser exactamente o contrário da pureza e da intensidade abstracta que eu pretendo, mas nem por isso tudo o que se fizer deixará de actuar na composição e decomposição das forças, uma vez que só o inantingìvelmente puro está livre das nossas contingências de acção. Não será isto? E agora voltei ao princípio da carta e fechei o verdadeiro círculo. Poesia científica e poesia social (com base nas revivescências ancestrais) tudo isso é terrível, se não souber onde as coisas principiam e acabam. A poesia é profundamente psicológica e epistemológica (no domínio em que coincidem estes dois aspectos), quer queiram quer não, e por isso humana, nacional e individual. Nem notas psicológicas, nem apetências sociais, nem esforços registados do conhecimento - mas consciencialização do homem total num sentido que não tem sido dado a esta expressão, um sentido mais lato, não só individual, não colectivo no instante: num sentido individual e colectivo aplicado à extensão do tempo, extensão mensurável (como me lembro agora que Proust aponta maravilhosamente para cada criatura) nas variações e na invariância do homem. Creio que um sinal da verdade disto é pensarmos agora (e creio que V. pensa isto pelo pouco que posso recordar e assimilar a isto) alguns o mesmo e inteiro, quando, de tal modo, toda a gente pensa partes. A nossa época é de integração no espaço e no tempo de todos os valores positivos e negativos: trata-se de definir um domínio e não definir nem o homem, nem a terra, nem a humanidade (como várias modas fazem), que são, digamos,  conjuntos falsos feitos à custa de elementos que pertencem ao domínio verdadeiro que às modas não convém ver, porque são modas e passam deixando apenas dedadas, contingências, difíceis de lavar e de cuja responsabilidade lavam as mãos. Terá V. paciência de pensar, por escrito, alguma coisa, numa carta, a este respeito?

          Receba um grande abraço do amigo e camarada

 

 

Jorge de Sena

Rua de Cedofeita, 478

Retirado da Revista Colóquio | Letras n.º 132/133 Abril-Setembro de 1994.

Edição e propriedade da Fundação Calouste Gulbenkian.

Director David Mourão-Ferreira

 

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publicado às 14:48


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