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#2372 - ALEGRIA, IMENSA ALEGRIA [SUKOT]

por Carlos Pereira \foleirices, em 15.05.17

ALEGRIA, IMENSA ALEGRIA [SUKOT]

 

Povoa-nos, alegria. Habita em nós como um barco ilumina o oceano,

como um cavalo na intensidade da planície deserta

levanta os seus olhos até às hastes do plátano mais incandescente.

Constrói em nós a arquitectura das cidades do sul, o labirinto,

 

o oculto, a fome, a sede, a rapidez do nome, o seu despojamento

eterno, a água dos litorais, o Outono, a passagem das aves.

Povoa-nos, alegria imensa da alegria sem adorno, apenas

alegria sem deuses, nem a passagem, o sacrifício, as leis, os rios

 

do exílio, o êxodo, a sombra das cabanas, o sangue, a terra, o rosto

frio, os astros  perdidos, os lábios secos, o coração do deserto.

Povoa-nos como a uma pátria de exilados, como a um corpo sem vestes

 

nem fragmentos, colheitas, transpiração, ardor, uníssono.

Habita em nós, alegria da vastidão, começa em nós onde o tempo

sobrevive. Povoa-nos, alegria, envolve-nos sofregamente, veloz.

 

POEMA DE FRANCISCO JOSÉ VIEGAS - (AS IMAGENS, 1987)

 

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publicado às 20:14


#1444 - Livros para ler nas férias

por Carlos Pereira \foleirices, em 21.07.11

As sugestões de leitura  para as férias,  de acordo com o Jornal Sol.

 

Uma Viagem à Índia, Gonçalo M.Tavares. Romance vencedor do Prémio APE , de um dos mais aclamados escritores portugueses.

 

O Grande Bazar Ferroviário, Paul Theroux. Escrita por um dos mais famosos autores de literatura de viagens mundiais, esta é a narrativa do seu périplo pelos caminhos-de- ferro asiáticos, desde o Expresso do Oriente ao Transiberiano.

 

Quarto Livro de Crónicas, António Lobo Antunes. Só lhe falta o Nobel. Até à publicação do próximo romance (depois do Verão) o melhor é ir lendo as crónicas. Aqui se reúnem 79 dos textos publicados na revista Visão.

 

Destinos Entrelaçados, Abraham Verghese. Desde os anos 40 até aos dias de hoje, esta saga familiar passa por um convento na Índia, uma sala de operações na Etiópia e um hospital no Bronx, numa narrativa em que cirurgia e história – tal como os destinos – se entrelaçam.

 

Dicionário de Coisas Práticas, . Para conhecer melhor as opiniões do novo secretário de Estado da Cultura, que aqui se debruça sobre variados temas.

 

A Viagem, Virginia Woolf. Primeiro romance da autora, publicado em 1915, um rito de passagem para a maioridade. A protagonista parte para a América do Sul numa viagem de autodescoberta.

 

A Toupeira,. Primeiro livro da trilogia de Smiley, a série que deu ao autor o título de mestre da literatura de espionagem. Um agente a trabalhar para os soviéticos infiltrou-se nos Serviços Secretos Britânicos, pondo em causa algumas missões. Quem será?

 

Ilha Teresa, Richard Zimler. Se o escritor se mudou há duas décadas dos EUA para Portugal, neste romance faz o caminho contrário, colocando-se na pele de uma adolescente portuguesa emigrada nos EUA

.

A Verdadeira História do Bandido Maximiliano, Jacinto Rego de Almeida. Um divertido thriller composto por um manuscrito perigoso, uma família de bandidos e pelo clima tropical brasileiro. Perfeito para ler ao sol.

 

La Coca, J.Rentes de Carvalho. O escritor português é uma verdadeira pop-star literária na Holanda, mas só agora foi descoberto em Portugal. Muito humor numa narrativa que versa sobre o contrabando e o tráfico de droga no Norte do país.

 

Pornopopeia, Reinaldo Moraes. Um livro brasileiro de excesso para uma época de excessos. Sob a pressão de ter que fazer um filme publicitário sobre enchidos de frango, o protagonista entra numa espiral de sexo, álcool e drogas. Para rir e conhecer o que de melhor se está a fazer na literatura em língua portuguesa do lado de lá do Atlântico.

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publicado às 23:26


#1025 - A Europa de Hungria e Portugal

por Carlos Pereira \foleirices, em 10.11.09
A Europa de Hungria e Portugal

'Territórios de Caça', do jornalista Luís Naves, foi lançado ontem na Livraria Bertrand do Chiado, em Lisboa.

No início, era um blogue (Prazeres Minúsculos), depois foi trabalhado uma e outra vez até à versão quase final. Territórios de Caça (Quetzal, 175 páginas), novo romance de Luís Naves, foi lançado ontem em Lisboa, na Bertrand do Chiado.

Jornalista do DN, Luís Naves é um dos autores deste livro; o outro é Lajos Kormányos (tradução livre para magiar de Luís Naves). Uma intersecção pessoal, ou uma duplicação do autor, que se divide por dois territórios que lhe são próximos: a Hungria (é casado com uma húngara) e Portugal. Ou, simplificando, a Europa, sobretudo a que fica para Leste.

João Villalobos, que se gaba de ser "a única pessoa que já leu todos os livros" do autor, "mesmo os que não foram ainda publicados", diz que a obra trata de uma intersecção entre a Hungria e Portugal. Da forma como quem quer controlar, diz aquele que foi escolhido pelo escritor para apresentar a obra, se apropria dos que quer controlar através do somatório das pequenas fraquezas humanas. Villalobos falou, por exemplo, da polícia política comunista da Hungria e da República Democrática da Alemanha (fez ontem 20 anos que o muro tombou) e da PIDE.

Com a propriedade do privilégio de conhecer a obra de Luís Naves (que é jornalista no Diário de Notícias), Villalobos fez uma pequena leitura da duplicidade Lajos Kormányos/Luís Naves. "Lajos é um vencido pela vida, que não tem controlo sobre as suas personagens; o Luís tem total controlo sobre os seus personagens; Lajos vai-se apagando com a vida, o Luís vai-se iluminando", descobriu.

O editor da Quetzal, Francisco José Viegas, tocou nos "vários motivos" com que a obra se vai justificando durante a leitura e aludiu ao pouco que se sabe sobre a Europa de Leste para convidar os leitores a mergulharem no livro.

 

Antes, o Quarteto de Câmara de Vasco Barbosa interpretou uma peça de Alexander Borodin.

 


A seguir, retirado do blog de Francisco José Viegas, A Origem das Espécies:

 

Momento único e belíssimo: a actuação do Quarteto de Vasco Barbosa (um cavalheiro de 79 anos, vivísssimo, um violino melancólico e profundo, de acorde eslavo), que interpretou o Nocturno de Borodin antes da apresentação do livro, propriamente dito, por um João Villalobos inspirado — entre livros e música, portanto, foi assim o final de tarde de hoje na Bertrand do Chiado. Muitos amigos de Luís Naves e muitos bloggers (Tomás Vasques, João Gonçalves, Tiago Moreira Ramalho, José Mário Silva, Inês Almeida, Cristina Ferreira de Almeida, Pedro Correia, Francisco A. Leite, João Távora, Fernando Madaíl, António Manuel Venda, Fernando Sobral, muitos mais).
O livro vem a propósito — não só pelo seu cenário, a Hungria, mas pelos seus temas e pela sua melancolia. Não percebemos nada dessa Europa, da velha, civilizada e culta Mittleuropa —
o livro de Luís Naves pode ajudar, como uma introdução ao estudo da relação entre diferentes que nunca se encontram verdadeiramente.

«A rua Gogol deve ser das mais agradáveis da nossa cidade: tem fileiras de faias pujantes, muitas delas plantadas no início do século. O bairro, fisicamente, não sofreu durante a guerra. Durante o regime comunista, as melhores casas foram nacionalizadas, para alojar trabalhadores. No fim do regime, foram vendidas, a bons preços. Os prédios estão preservados e só alguns se encontram em mau estado sem obras há décadas.

Enfim, nesta parte da cidade não houve bombardeamentos de guerra, mas aidna se podem ver as cicatrizes do século. Aqui fica o gueto judeu, com a sinagoga e ruas elegantes, com jardins tranquilos. E o que ainda hoje se observa é ausência de antigos habitantes.

 

Jamais pensamos nas pessoas que faltam, mas para se compreender a nossa cidade, é preciso pensar nas ausências, nos hiatos, no que devia estar ali, mas não está. Famílias inteiras, gente que vibrava e pensava, cheia de vida e de paixão, de sonhos como os nossos... »



FJV

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publicado às 13:02


Francisco José Viegas finalista do Prémio Roma

por Carlos Pereira \foleirices, em 19.06.09

A  edição italiana de Um Céu demasiado Azul, de Francisco José Viegas, está nomeada para o Prémio Roma de Literatura, na categoria de Narrativa Estrangeira.

 

O autor português concorre com o chileno Luís Sepúlveda (A Lâmpada de Aladino), a indiana Anne Cherian (A Good Indian Wife), o israelita Amir Eli (Jasmine) e do libanês Rabih Alameddine (Hakawati). Publicado originalmente em 1995, o livro Um Céu demasiado Azul foi editado em Itália pela editora La Nuova Frontiera, que também já editou Longe de Manaus, dois dos romances protagonizados pelo detective Jaime Ramos. O escritor e jornalista, que já dirigiu a Casa Fernando Pessoa, é actualmente director da revista Ler e está à frente da Quetzal. Os vencedores são conhecidos a 16 de Julho.

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publicado às 11:20


A dúvida do Francisco José Viegas

por Carlos Pereira \foleirices, em 22.10.08

Há cerca de vinte anos eu dava aulas numa universidade. Um dia lembrei-me de falar de ‘A Cidade e as Serras’ – em trinta alunos, só dois tinham lido. Como era uma turma de 4º ano e de formação de professores, achei que deviam ler o livro.

 

Choque e pavor. Percebi depois quando uma aluna me explicou que tinha aulas de Psicopedagogia, Pedagogia, Didáctica, História da Educação, Administração Escolar, Legislação Escolar – e até uma para lhes ensinar a usar projector de slides ou retroprojector. Não tinham tempo para ler. Ou seja: sabiam como ensinar e manusear toda aquela geringonça, mas não tinham nada para ensinar. Para pôr lá dentro. Vinte anos depois, vai por aí uma grande festança com o ‘Magalhães’. Números de circo e tal. Mas duvido que saibam o que pôr lá dentro. Pobres professores.


Artigo de opinião de FJV no Correio da Manhã

 

 

 

 

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publicado às 22:59


Crianças no meio do Verão (Francisco José Viegas)

por Carlos Pereira \foleirices, em 07.08.08
 
O país anda metido com o Verão à beira dos Jogos Olímpicos e entrou em Agosto com uma comunicação que lhe fez o Presidente da República – mas, algures numa estrada algarvia (a notícia vinha no Correio da Manhã), longe das primeiras páginas, que também mencionam o ataque que o fisco vai lançar por toda a Pátria, um pai abandona os seus dois filhos gémeos de 11 anos. Repare-se: não os entrega a alguém. Não. Deixa-os numa estrada do Algarve, de noite, entregues a si mesmos e à mais severa das solidões. Casos assim multiplicam-se, parece. O gérmen da maldade manifesta-se de muitas formas, mas imagino a solidão e a dor dos dois miúdos de onze anos que o pai acaba de expulsar do carro, a meio da noite – e acho que uma onda de pânico devia tomar conta de nós e mostrar-nos como perdemos a vergonha. Morremos aos poucos.

 

Post retirado do blog "A Origem das Espécies" de Francisco José Viegas

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publicado às 16:17


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