Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Que surpresa nos vai trazer a religião de Khalid Masood? Sem qualquer pista, por enquanto, aguardemos

Na manhã de ontem, a primeira-ministra britânica Theresa May forneceu alguns dados sobre o autor do atentado da véspera, em Westminster, na vizinhança do Parlamento. May disse que ele era "britânico de nascimento" e tinha sido investigado há alguns anos por extremismo violento, pelo MI-5 (as secretas para a segurança interna). E ela acrescentou que o terrorista não estava atualmente sujeito ao radar das polícias. O jornal The Guardian confirmou esta informação: o homem não estava entre os 800 indivíduos do núcleo duro que a polícia seguia, nem tão-pouco do círculo mais largo de três mil suspeitos. Entre todas estas especificações talvez nenhuma fosse mais reveladora do que esse "britânico de nascimento", que a primeira-ministra se achou obrigada a dar.

Horas antes da declaração de May, tinha sido lançada uma campanha de Nigel Farage contra a política laxista nas fronteiras, permitindo que os terroristas as atravessem ao deus-dará - como o atentado, dizia ele, demonstrava. No ano passado, já Farage e o seu partido, o UKIP, levaram o primeiro-ministro David Cameron a convocar o referendo do brexit. Era uma manobra para mostrar que os nacionalistas extremistas, que andavam a mordiscar o eleitorado conservador, não tinham tanta força como se supunha... Mas o brexit venceu, Cameron mordeu o pó e demitiu-se. A sua sucessora, Theresa May, preferiu não menorizar o poder de Farage e apressou-se a combater a ideia que ele fazia passar. O homem do atentado era bem um britânico feito em casa, não um terrorista importado!

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:37


Não resisti... e pronto...

por Carlos Pereira \foleirices, em 09.04.09

Elogio ao grande FC Porto

O FC Porto não é o melhor clube português no futebol internacional. É o único. É o único que, antes de um jogo contra o Manchester United, podemos esperar que jogue entre iguais. Não esperar de esperança beata - porque, essa, qualquer presidente aldrabão no universo crente que é o futebol pode prometer.

Falo de esperança legítima num clube que vai em mais de duas décadas de carreira como o melhor português e, sobretudo, atingindo aquela constância de qualidade que leva o FC Porto a ser tratado entre os maiores como um dos seus. É necessário que isso seja saudado para além do futebol. Porque, em Portugal, no campeonato dos factos contra a retórica, ganha quase sempre a conversa barata. Ontem, um dos nossos raros campeões de factos (e não de lábia) voltou a cumprir. Quem manda no restante futebol nacional que aprenda com quem foi buscar os, então, desconhecidos Hulk, Fernando e Cissokho... E o que há para aprender é isto: há quem saiba fazer e há quem não. Estes últimos deviam dedicar-se ao curling, desiludiriam menos portugueses.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 12:41


Dicionário(Isaltino)Moraes

por Carlos Pereira \foleirices, em 01.04.09

Isaltinar foi um belíssimo achado que Isaltino Morais inventou para uma das suas campanhas eleitorais (slogan em 2005: "Vamos isaltinar!"). Belíssimo, mas que eu não entendia. Até Isaltino Morais, presidente da Câmara de Oeiras, ser agora julgado. No julgamento, ele tem dito: 1) que as suas declarações de rendimentos "não correspondem minimamente ao meu património"; 2) que ele declarava menos do que devia porque "[as declarações de rendimentos] nunca foram levadas a sério" (já agora, então, porque declarou sempre a menos e nunca a mais?!); e 3) que "as sobras das campanhas eleitorais", anteriores a 2005, depositou-as na sua conta bancária da Suíça, não para "fugir ao fisco", mas porque "fiz o que toda a gente fazia." Os pontos 1) e 2) dizem-me que "isaltinar" significa aldrabar o fisco. Não sendo o moralista que aqui vos escreve mas o amante de palavras, estou encantado. Indo mais longe, o ponto 3) diz o que é uma isaltinação pegada. Definição de isaltinação pegada: não chega aldrabar o fisco mas é preciso aldrabar também o próprio partido, ficando-lhe com "as sobras."

 

Artigo de opinião de Ferreira Fernandes no "Diário de Notícias"

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:37


É A POLÍTICA, ESTÚPIDO!

por Carlos Pereira \foleirices, em 27.01.09

Hoje, abre a reunião de Davos sem ilusões sobre a tísica economia. É novidade, aquela montanha suíça sempre foi lugar de esperança, quando não de euforia. Os personagens de Thomas Mann, em A Montanha Mágica, julgavam encontrar em Davos a cura da tuberculose. E muito depois disso, nestes anos recentes, aquele era o lugar dos Senhores do Universo. Querem nomes? John Thain, patrão da Merril Linch, Robert Rubin, do Citigroup, o alemão Adolf Merckle, um dos cem homens mais ricos do mundo, o magnata indiano Ramalinda Raju... Cada um deles era o que já se chamou O Homem de Davos - se o Australopithecusnos pôs de pé, o

Homo de Davos  pôs- -nos a julgar que seríamos ricos. Pois bem, os grupos de Thain e Rubin faliram, o Merckle suicidou-se, o Raju tem o passaporte cassado por trafulhices na sua empresa... E tudo aconteceu entre a reunião de Davos de 2008 e a deste ano, sempre em fins de Janeiro quando àquela montanha lhe dá para a magia. Davos vivia da frase de Clinton: "É a economia, estúpido..." Mas os homens dos números falharam. Este ano, em Davos, vão estar os primeiros-ministros da Rússia, da China, da Grã-Bretanha, da Alemanha...

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:17


O TEMPO É DOS ESPÍRITAS

por Carlos Pereira \foleirices, em 24.11.08

 


Ferreira Fernandes

 
OThe New York Times, ontem, descobriu uma das poucas profissões de vento em popa. Encolhendo a mais material das coisas, o dinheiro, empedernidos materialistas (e até funcionários da Bolsa de Wall Street) recorrem a astrólogos e às cartas do tarot. Desde que se anunciou a crise, triplicaram os clientes do Além. Quando os economistas parecem tão aluados, é normal que as pessoas comuns recorram a quem vê mais longe e sabe ler as cartas astrais. Ao reputado jornal, disse Tori Hartman, psíquico de Los Angeles: "Quando já não se acredita em quem lhe vendeu a casa nem em quem lhe emprestou dinheiro, vai-se a um espírita para ter uma perspectiva diferente..." O que não me parece verdade. Vai-se ao professor Karamba da América não em busca de diferente mas do mesmo, em grau mais colorido, que foi dado pelos governantes: certezas voláteis. Assim como assim, já que deixaram de fazer sentido de um momento para o outro as taxas quantificáveis ao centésimo (exemplo da soberba científica dos economistas), passa-se a ouvir gente tão enganada mas ao menos com turbante. Não é preciso uma bolinha de cristal para adivinhar: o tempo é dos médiuns.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:46


Crónica de Ferreira Fernandes

por Carlos Pereira \foleirices, em 19.11.08

Manuela Ferreira Leite disse: "E até não sei se a certa altura não seria bom haver seis meses sem democracia, mete-se tudo na ordem e depois então venha a democracia." Disse? Disse. É grave? Não me parece. Sabem porquê? Por causa daquele "E" com que começa a frase. É copulativo. Garante que o que vem a seguir une, copula, faz truca-truca, junta com alguma coisa que vem de trás. Houve frase de Manuela Ferreira Leite antes da frase escandalosa. Frase que, certamente, explica a tal frase. Ela, certamente, disse qualquer coisa antes para prosseguir depois: "E até não sei se..." Só pode. Noutras circunstâncias eu teria ido procurar a frase anterior para ver se a ironia era conseguida. Mas irrompeu por aí um tal vendaval de indignações que não fui tirar a coisa a limpo. Tenho horror a manadas, sobretudo quando empurradas. Manuela Ferreira Leite tem todo o direito em achar os portugueses inteligentes para entenderem uma ironia. Pelos vistos, é um risco. Mas eu prefiro frases que parecem ser o que não são a indignações que são exactamente aquilo que parecem. Manuela Ferreira Leite não disse, não quer, não sugeriu suspender a democracia.| 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 12:08


Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

  Pesquisar no Blog




Links

Outras Foleirices

Comunicação Social

Lugares de culto e cultura

Dicionários

Mapas

Editoras

FUNDAÇÕES

Revistas