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#1220 - Um poema de Fernando Vieira (1923-1994)

por Carlos Pereira \foleirices, em 21.02.10

             AS ESTÁTUAS


Não gosto de estátuas jacentes.

Os olhos convexos preenchendo as órbitas

Reflectem no corpo horizontal

A quietude da morte irremediável.


Gosto mais das estátuas erectas.

Os olhos convexos preenchendo as órbitas

Transmitem ao corpo vertical

A impressão de gesto suspenso,

De curta paragem, de instante contido

Que vai libertar-se no segundo mais próximo.

De gesto suspenso a movimentar-se

Num sopro de vida despertando a pedra,

Quem sabe se um grito que súbito aqueça

O gelo da pedra, a carne da pedra.


22 de Maio de 1994

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publicado às 23:10


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