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#2797 - Prémio Literário Inês de Castro

por Carlos Pereira \foleirices, em 14.03.18

Rosa Oliveira vence Prémio Literário Fundação Inês de Castro 2017      

 

 

Na sua 11.ª edição, o Prémio Literário Fundação Inês de Castro 2017 foi atribuído a Rosa Oliveira pela obra Tardio, editada pela Tinta da China. Sobre a autora, que em 2013 publicou pela mesma editora, Cinza, o seu primeiro livro de poesia, escreveu António Guerreiro no Público, "Nunca a poesia de Rosa Oliveira se desliga da prosa do mundo, por mais que ouse alguns flirts com algo que a supera. Ela pratica, de certo modo, uma arte do recuo, traça com grande racionalidade os seus territórios, acaba por ser uma elegia da própria poesia, quase um túmulo do poeta que se vê obrigado a declinar os seus tempos sombrios como «uma longa marcha para a mediania»."

 

O júri do Prémio Literário Fundação Inês de Castro 2017, composto por José Carlos Seabra Pereira (Presidente), Mário Cláudio, Isabel Pires de Lima, Pedro Mexia e António Carlos Cortez, não foi unânime na escolha da obra premiada, sendo o Prémio atribuído por maioria. Mário Cláudio votou em A queda de um homem, de Luís Osório, e Pedro Mexia em Hoje estarás comigo no Paraíso, de Bruno Vieira Amaral.

 

Nesta edição, o Tributo de Consagração Fundação Inês de Castro 2017, um prémio de carreira, foi atribuído a Eugénio Lisboa.

 

Prémio Literário Fundação Inês de Castro tem distinguido ao longo dos anos autores e obras de reconhecido valor, tais como Pedro Tamen (2007), José Tolentino Mendonça (2009), Gonçalo M. Tavares (2011), Mário de Carvalho (2013) ou Rui Lage (2016), entre muitos outros.

 

A cerimónia de entrega do Prémio Literário Fundação Inês de Castro - um troféu de prata e pedra, da autoria do escultor João Cutileiro, que simboliza todo o drama e mistério que rodeiam o episódio de Pedro e Inês - terá lugar no Hotel Quinta das Lágrimas, em Coimbra, no dia 17 de Março. O livro premiado, Tardio, de Rosa Oliveira, será apresentado por António Carlos Cortez, e Pedro Mexia falará sobre a obra de Eugénio Lisboa.

 

Biografias dos autores

 

Rosa Oliveira (Viseu, 1958) é autora dos ensaios Paris 1937 e Tragédias Sobrepostas: Sobre "O Indesejado" de Jorge de Sena. Foi leitora na Universidade de Barcelona e é professora no Ensino Superior Politécnico. Cinza, o seu primeiro livro de poesia (Tinta da China, 2013), foi galardoado com o Prémio PEN Clube Primeira Obra. Tardio, igualmente publicado pela Tinta da China recebe agora o Prémio Literário Fundação Inês de Castro 2017. Tem poemas editados nas publicações literárias RelâmpagoColóquio-Letras (no prelo), Suroeste (Badajoz, 2016), Cidade Nua e nas antologias Voo Rasante (Mariposa Azual, 2015) e Os cem melhores poemas portugueses dos últimos cem anos(Companhia das Letras, 2017). Publicou na Granta 8 (Tinta-da-China, 2016) o primeiro conto de uma série em que presentemente trabalha.

 

Eugénio Lisboa (Loureço Marques, 1930) é um ensaísta e crítico literário português especialista em José Régio. Licenciado em engenharia electrotécnica pelo I.S.T. (1955), residiu em Moçambique até 1976, trabalhando sobretudo no ramo petrolífero, actividade que acumulou a partir de 1974 com a docência de Literatura Portuguesa nas universidades de Maputo e Estocolmo. Entre 1978 e 1995 foi Conselheiro Cultural na Embaixada de Portugal, em Londres, e entre 1995 e 1998, Presidente da Comissão Nacional da UNESCO. É Doutor Honoris Causa pela Universidade de Nottingham e pela Universidade de Aveiro. Recebeu os seguintes prémios literários: Prémio Cidade de Lisboa, pelo livro A Matéria Intensa; Prémio Jacinto Prado Coelho, pelo livro Portugaliae Monumenta Frivola; Grande Prémio de Literatura Biográfica da APE, por Acta Est Fabula – Memórias I. Consulte aqui (link) as suas principais obras literárias.

 

Informação retirada do site da Fundação Inês de Castro

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publicado às 17:38


#2585 - Poema sobre Lourenço Marques revisitada

por Carlos Pereira \foleirices, em 12.09.17

 Eugénio Lisboa

 

Regresso, mas não regresso

ao paraíso perdido,

ao centro de mim, possesso

de quanto, aqui, retido,

de novo vejo, sem ver,

sendo eu quem já não sou:

mundo outro eu quero haver,

nesta fome em que me dou.

Este mar (a cor, a vida)

durou só o que durou:

a corrida é já perdida

e o barco naufragou.

 

No entanto, a casa é minha,

mesmo podre e desdourada:

o calor é o que antes tinha,

nela está minha morada!

 

(O frio é apenas meu

e não da velha cidade:

só em mim esmoreceu

o calor da mocidade.)

 

30 de Setembro de 1989

 

___________________________________________________________________________________________________________________________

Eugénio Lisboa  
[Lourenço Marques (hoje Maputo)/Moçambique, 1930]  

Eugénio Lisboa
Ensaísta e crítico literário. 

Nascido em Lourenço Marques, onde viveu até 1976, formou-se (1953) em Engenharia Electrotécnica, pelo Instituto Superior Técnico, de Lisboa. É doutor honoris causa em Letras, pelas Universidade de Nottingham, Reino Unido (1988) e Aveiro. 

Já depois da independência de Moçambique, foi colocado em Paris, na Compagnie Française des Pétroles, como adjunto do director mundial de exploração (1976). O ramo petrolífero foi a sua especialidade profissional durante vinte anos (1958-78). Mas, entre 1974-78, acumulou essa actividade com a docência, que exerceu nas Universidades de Lourenço Marques, Pretória (1974-75) e Estocolmo (1977-78), onde regeu cursos de Literatura Portuguesa. Na Suécia foi também o coordenador do ensino da língua portuguesa. Exerceu, durante dezassete anos consecutivos (1978-95), o cargo de conselheiro cultural junto da Embaixada de Portugal em Londres. Durante esse lapso de tempo promoveu a divulgação da cultura portuguesa e a tradução e edição, no Reino Unido, de alguns clássicos da nossa literatura. 

Por força da sua formação académica e das obrigações do serviço militar, viveu em Lisboa entre 1947-55. Data desses anos a sua lendária amizade com José Régio, que o convidou a organizar um volume antológico da sua poesia, José Régio: Antologia, Nota Bibliográfica e Estudo (1957). Esse volume, e em particular o Estudo nele inserido, será o primeiro sinal público de uma exigente e continuada atenção à obra regiana. 

 
 

 

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publicado às 17:46


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