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#2351 - FUNCHAL

por Carlos Pereira \foleirices, em 09.05.17

TOMAS TRANSTRÖMER

FUNCHAL

 

Na praia, o restaurante, qual simples cabana levantada por náufragos. Muitos dão meia-volta ao chegar à porta, mas não os pés de vento vindos do mar. Num compartimento fumegante, um vulto, de pé, frita dois peixes segundo uma antiga receita do Atlântico: prquenas explosões de alho, azeite que ensopa rodelas de tomate. Cada garfada diz-nos que o oceano nos quer bem, é um canto a meia-voz vindo do profundo.

 

Olhamos um para o outro, ela e eu. É como subir por aquelas encostas acima, cobertas de flores silvestres, sem acusar o menor sinal de fadiga. Já tivemos tantas experiências juntos, recordamos nós, até momentos de que não éramos especialmente merecedores (como quando nos pusemos na bicha para dar sangue ao gigante do bem-estar - ele tinha ordenado transfusões (1)), acontecimentos que nos teriam separado se não nos tivessem unido, e recordámos casos que esquecemos juntos - mas que não se esqueceram de nós! Foram pedras, umas escuras, outras claras, pedras de um mosaico delapidado. E agora sucede isto: os cacos que esvoaçaram reúnem-se, o mosaico fica restaurado. Fica à nossa espera. Da parede do hotel refulge um design violento e terno, talvez seja até um rosto, não conseguimos apercerber-nos tal a pressa com que nos livrámos das roupas.

 

À tardinha, saímos. A pata enorme, de um azul-escuro, que é o cabo, parece ter sido atirada assim para o mar. Entramos no remoinho de gente: encontrões amistosos, suaves controlos, toda a gente a falar com vivacidade o idioma estrangeiro. "Ninguém é uma ilha." Fortalecemo-nos com os outros, mas também com nós próprios. Com aquilo que, dentro de nós, o outro não vê. Aquilo que tem o seu igual só em si mesmo. O paradoxo mais profundo, a flor que brota do chão da garagem, o ventilador voltado para o negrume benéfico. Uma bebida efervescente num copo vazio. Um altifalante que emite silêncio. Um atalho que fica intransitável à medida que por ele avançamos. Um livro que só pode ser lido nas trevas.

 

(1) Alusão às exortações à população sueca, por parte dos serviços do Estado.

 

Texto retirado do livro "50 Poemas" do poeta sueco Tomas Tranströmer nascido na cidade de Estocolmo a 15 de Abril de 1931. Com formação em Psicologia, História das Literatura e História das Religiões, publicou o seu primeiro livro «17 Poemas» em 1954. Ao longo da sua vida recebeu vários prémios de poesia e literatura (como o Prémio Internacional Neustadt e o do Forum de Poesia Internacional.

 

Em 2011 foi-lhe atribuído o Prémio Nobel da Literatura.

 

"50 Poemas" foi editado por Relógio D' Água Editores, em Julho de 2012, e a tradução do sueco foi feita por Alexandre Pastor

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publicado às 19:47


#1736 - As Minhas Lembranças Observam-me

por Carlos Pereira \foleirices, em 12.09.12

 

'As Minhas Lembranças Observam-me', o livro de memórias do poeta sueco Tomas Transtroemer, prémio Nobel da Literatura 2011, a única obra que o autor escreveu em prosa, chega às livrarias a 20 de Setembro, numa edição da Sextante.

 

Com prefácio do crítico e poeta Pedro Mexia e tradução de Ana Dinis, o livro inclui ainda Primeiros Poemas, dez poemas inéditos (traduzidos por Alexandre Pastor), e várias fotografias de Tomas Transtroemer, considerado um dos mais importantes poetas contemporâneos.

Na obra, o poeta, nascido em 1931 em Estocolmo, relata a sua infância e adolescência na Suécia, descreve as suas rotinas e educação e conta como descobriu a poesia, que começou a escrever aos 23 anos.

 

Transtroemer estudou Poesia e Psicologia na Universidade de Estocolmo e, a par do trabalho que desenvolveu como psicólogo com toxicodependentes e jovens delinquentes, construiu uma carreira como poeta muitas vezes classificada como «fulgurante», porque os seus livros eram publicados com grandes tiragens e reimpressos, tendo sido premiado diversas vezes e traduzido em mais de 60 línguas.

Quando, em 2011, foi distinguido com o prémio Nobel da Literatura, o poeta, hemiplégico e afásico devido a um acidente vascular cerebral sofrido em 1990, agradeceu o galardão tocando piano.



Lusa/SOL

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publicado às 19:15


Lançamento hoje em Espanha do último volume de Stieg Larsson

por Carlos Pereira \foleirices, em 18.06.09



É lançado  hoje em Espanha o terceiro e último volume da trilogia Millenniun de Stieg Larsson que tem como título "A Rainha no palácio das correntes de ar"

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publicado às 13:27


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