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O livro “Como se desenha uma casa”, do escritor Manuel António Pina, recentemente falecido, é o vencedor da 8ª edição do Prémio de Poesia Teixeira de Pascoaes, organizado pelo Município de Amarante.

A obra, editada pela Assírio & Alvim, foi escolhida de entre os 166 livros, de cento e cinquenta e nove autores, apresentados a concurso, tendo o júri sido constituído pelos escritores Abel Barros Batista, António José Queiroz, João Paulo Sousa, Joana Matos Frias e Luís Adriano Carlos.

Com entrega marcada para 15 de dezembro, no auditório da Biblioteca Municipal Albano Sardoeira, o Prémio Teixeira de Pascoaes, de periodicidade bienal, foi instituído em 1997, aquando do 120º aniversário do nascimento do poeta.


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publicado às 19:27


#1648 - Os Livros

por Carlos Pereira \foleirices, em 14.03.12

quadro de joana rego

 

 

É então isto um livro,

este, como dizer?, murmúrio,

este rosto virado para dentro de

alguma coisa escura que ainda não existe

que, se uma mão subitamente

inocente a toca,

se abre desamparadamente

como uma boca

falando coma nossa voz?

É isto um livro,

esta espécie de coração (o nosso coração)

dizendo 'eu' entre nós e nós?

 

Poema de Manuel António Pina, "como se desenha uma casa", edição Assírio & Alvim, 2011

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publicado às 16:07


#1638 - O quarto

por Carlos Pereira \foleirices, em 04.03.12

 

O QUARTO

 

 

Quem te pôs a mão no ombro,

a faca que te atravessou o coração,

são feridas alheias, talvez algo que leste;

entretanto partiste

 

para lugares menos iluminados

e corações menos vulneráveis,

pode perguntar-se é o que fazes ainda aqui

se já cá não estás.

 

A hora havia de chegar em que

nos perderíamos um do outro.

E acabaríamos necessariamente assim,

mortos inventariando mortos.

 

Morrer, porém, não é fácil,

ficam sombras nem sequer as nossas,

e a nossa voz fala-nos

numa língua estrangeira.

 

Apaga a luz e vira-te para o outro lado

e acorda amanhã como novo,

barba impecavelmente feita,

o dia um sonho sólido onde a noite se limpa e se deita.

 

Poema de Manuel António Pina in «Como se desenha uma casa»

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publicado às 21:57


#1635 - O regresso

por Carlos Pereira \foleirices, em 29.02.12

Como quem, vindo de países distantes fora de

si, chega finalmente aonde sempre esteve

e encontra tudo no seu lugar,

o passado no passado, o presente no presente,

assim chega o viajante à tardia idade

em que se con fundem ele e o caminho.

 

Entra então pela primeira vez na sua casa

e deita-se pela primeira vez na sua cama.

Para trás ficaram portos, ilhas, lembranças,

cidades, estações do ano.

E come agora por fim um pão  primeiro

sem o sabor de palavras estrangeiras na boca.

 

poema de Manuel António Pina retirado do livro "Como se desenha uma casa", edição Assírio & Alvim

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publicado às 12:02


#1623 - Como se desenha uma casa

por Carlos Pereira \foleirices, em 18.02.12

 

Como se desenha uma casa

 

Primeiro abre-se a porta

por dentro sobre a tela imatura onde previamente

se escreveram palavras antigas: o cão, o jardim impresente,

a mãe para sempre morta.

 

Anoiteceu,  apagamos a luz e, depois,

como uma foto que se guarda na carteira,

iluminam-se no quintal as flores da macieira

e, no papel de parede, agitam-se as recordações.

 

Protege-te delas, das recordações,

dos seus ócios, das suas conspirações;

usa cores morosas, tons mais-que-perfeitos;

o rosa para as lágrimas, o azul para os sonhos desfeitos.

 

Uma casa é as ruínas de uma casa,

uma coisa ameaçadora à espera de uma palavra;

desenha-a como quem embala um remorso,

com algum grau de abstracção e sem um plano rigoroso.

 

Poema de Manuel António Pina in "Como se desenha uma casa"

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publicado às 00:45


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