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#2803 - Cidade Velha Revisitada

por Carlos Pereira \foleirices, em 19.03.18

JOSÉ LUIZ TAVARES

 

CIDADE VELHA REVISITADA

 

Darling, agora que mareio

ao descompasso desta chuva,

num maxixe bem swingado,

é vida esse eco que escoa

ao rasgão do frio na pele?

 

No sossego delatado

pela voz de um búzio,

dói, darling, essa distância

em que tudo se faz cerração

 

e o pensamento declina

ao gosto da época,

mesmo se a safra é agora

o pólen que fica nos dedos

e evoca longínquas serranias.

 

Ó, darling, o mundo

é esta derme que escurece

enquanto a boca mastiga

a heteronímica dúvida

se o homem é apesar

da sua pele ou da faca

que lhe fincam ao invés.

 

Sangra-me essa dúvida, darling,

num derrame prolongado,

e é sem respostas que me enrolo

à poeira que desumidifica

o rufar de domingo,

 

enquanto, ao débito da calema,

subo, darling, humílimo transeunte,

até onde o deus se acocora

e  entre gritos selvagens

vinco-lhe na boca

a limpidez que supusera

as primícias do teu nome.

 

POEMA DE JOSÉ LUIZ TAVARES

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publicado às 17:19


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