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#1649 - A hipocrisia nossa de cada dia

por Carlos Pereira \foleirices, em 14.03.12

 

A história da acumulação primitiva do capital é uma história do coração das trevas — o horror, o horror, o horror. Tanto do ponto de vista humano — vidas são sacrificadas — quanto da corrupção e da violência. 

 

O banqueiro J. P. Morgan acertou quando disse que poderia justificar sua fortuna, mas não seu primeiro milhão. A acumulação primeva é quase sempre brutal.

 

A fortuna de um poderoso empresário brasileiro, praticamente visto como aristocrata, tem origem na venda de escravos. Naturalmente, sua biografia, hoje exemplar, omite a “mancha” dos negócios do avô.

 

No filme “O Poderoso Chefão 3”, de F. Ford Coppola, o mafioso Michael Corleone tenta “limpar” seus negócios buscando alianças com empresários e banqueiros legais — inclusive financistas do Banco do Vaticano.

 

Entretanto, ao se envolver com os homens dos negócios “limpos”, Corleone descobre que seus negócios são tão “limpos” quanto os das organizações criminosas ítalo-americanas. O mafioso tinha uma ideia equivocada do mundo real. O que “mata” Corleone não é apenas uma doença, mas sobretudo a percepção de que sua inteligência prática, o pragmatismo herdado do pai, rico em frases de efeito, o enganara no confronto com o mundo dos homens “normais”.

 

O filme sugere um elogio da máfia, por causa de certa glamourização. Na verdade, Coppola anuncia, no terceiro filme, a morte da máfia que tentou ser inteiramente “legal”. Devolve, por assim dizer, a máfia ao crime mais banal, à violência. A máfia de smoking não funciona — é o recado dos “mafiólogos” Mario Puzo e Coppola.

 

Numa frase até grosseira, um filósofo inglês sugeriu: “Quer pureza no mundo real? Então, não vá ao convento”. O fato é: a sociedade quer que todos os negócios sejam limpos? Talvez até queira, mas a vida real corre por linhas tortas, como notou Kant, citado pelo filósofo anglo-letão Isaiah Berlin. Uma sociedade mais “reta” precisa ser mais lenta, menos voltada para o presente consumista e mais para um futuro menos comercial. Entretanto, como notou com perspicácia o instigante Berlin, não há sociedade e homens perfeitos. A tentativa de construí-los acaba por levar não ao paraíso — os marxicidas queriam, sim, construir uma sociedade de iguais, pois eram idealistas —, ou à democracia social, e sim à ditadura.

 

Mas, sim, de vez em quando precisamos pegar um fruto podre, ou supostamente podre, e jogá-lo “fora”. Aí ficamos com a impressão de que a sociedade melhorou e, portanto, estamos “limpos”. Faz bem à eterna “impureza” do ser. 

 

Texto de EULER DE FRANÇA BELÉM publicado na Revista BULA

 

 

 

 

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publicado às 16:59


José Saramago e o capitalismo neoliberal

por Carlos Pereira \foleirices, em 06.11.08

O escritor José Saramago criticou as "situações completamente absurdas" criadas pela crise do capitalismo neoliberal, cujas "fantasias, apresentadas quase como verdades científicas, se desfizeram em pó", e lamentou a inexistência de uma alternativa política.

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publicado às 16:38


Tudo se vende, tudo se compra

por Carlos Pereira \foleirices, em 18.09.08

Duas mulheres vendem virgindade
Natalie Dylan quer pagar os estudos
 

 

Duas mulheres vendem virgindade

 

 

 

 

“Quando era mais nova era 100% a favor do romance, até de esperar até ao casamento. Mas vivemos numa sociedade capitalista e por que razão não hei-de capitalizar a minha virgindade”, disse Natalie Dylan, de 22 anos.

Segundo o canal de televisão CBS, Natalie já recusou uma oferta de 250 mil dólares e avisa que não vai com um brutamontes qualquer. “Valorizo a inteligência”, disse em entrevista à cadeia de televisão norte-americana.

“Não tenho qualquer dilema moral com a venda da minha virgindade”, acrescentou a jovem morena de olhos castanhos, que quer o dinheiro para pagar os estudos e licenciar-se como conselheira matrimonial.

Para a modelo italiana, natural de Nápoles, terra de Sofia Loren, a virgindade é um meio para pagar as aulas de representação e comprar uma casa em Roma. "Estou ansiosa para ver quem vai sacar do dinheiro para me possuir", disse Raffaela Fico, citada pelo tablóide britânico "Ther Daily Telegraph".

 

"Não sei o que é ter sexo", disse Raffaela Fico, de 20 anos, em entrevista à revista Chi. E, pelos vistos, a menina nem exige que lhe apareça um Adónis milionário."Se não gostar do homem com quem tiver sexo, bebo um copo de vinho e esqueço o assunto", disse.

A família garante que, apesar do ar sensual e das poses sexy com que vai preenchendo os sonhos de muitos homens, Raffaela é pura e casta, em respeito pelos mandamentos da fé católica, românica e apostólica. "Ela nunca teve um namorado. Juro pela alma da minha mãe", disse o irmão de Raffaela. "Ela é uma católica devota que reza todos os dias ao padre Pio", acrescentou.

Leilão online no "Rancho das Coelhilhas"

No caso Natalie Dylan, a revelação do leilão foi feito no polémico programa de Howard Stern. A virgindade da jovem de San Diego está a ser leiloada, online, no sítio da internet do bordel americano “Rancho das Coelhinhas”, onde já trabalha a irmã. Em bunnyranch.com, é possível ficar a conhecer melhor a mulher de 21 anos que quer fazer negócio com a virgindade.

“Acho que é uma grande ideia”, disse Dennis Hof, proprietário do “Rancho das Coelhinhas”, em declarações ao “Daily News”. “Porquê perder a virgindade com um gajo qualquer no banco de trás de um Toyota quando se pode capitalizar e pagar os estudos”, acrescentou.

Já em 2005, uma modelo peruana, de 18 anos, também leiloou a virgindade. Pretendia angariar dinheiro para pagar as despesas médicas da família, mas acabou por mudar de ideias, quando já tinha uma proposta de 1,5 milhões de dólares (1,05 milhões de euros). 

 

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publicado às 13:14


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