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Bauhaus - 90 Anos

por Carlos Pereira \foleirices, em 13.05.09

Por Almandrade

 

 

Mais do que uma escola que revolucionou o ensino da arte, do design e da arquitetura, a Bauhaus foi um movimento de transformações no campo da arte e da arquitetura que marcou o século XX.

Fundada na Alemanha em 1919, sob a direção do arquiteto Walter Gropius e com um corpo docente que incluía artistas de vanguarda como Oskar Schlemmer, Paul Klee, Wassili Kandinski, Josef Albers, Johannes Itten, Lyonel Feininger e o arquiteto Mies Van der Rohe, foi responsável por fixar diretrizes estéticas que se difundiram em outros países do ocidente. A harmonia entre forma e função sem detalhes decorativos supérfluos na arquitetura e nos objetos da vida cotidiana era um princípio da nova era funcionalista.

Essa estética racionalista estava aliada à ideologia progressista de organizar o ambiente da vida social e torná-lo compatível com a realidade industrial, mas ia de encontro aos ideais da antiguidade clássica defendida pelos nazistas. A escola, por exercer forte influência sobre a sociedade local, com suas utopias sociais e idéias avançadas passou a incomodar os setores conservadores. Acusada também de propagar uma arte degenerada, foi perseguida, a Bauhaus passou por três diferentes cidades até o seu fechamento definitivo em 1933, quando o partido Nazista assumiu o poder.

A meta da Bauhaus era a arquitetura. "A arquitetura é a meta de toda a atividade criadora”, palavras de Walter Gropius, no primeiro manifesto redigido em 1919. Mas esta só aparece depois das artes plásticas, do design e do exercício do artesanato. Além de revolucionar a didática do ensino de arte e arquitetura, com o objetivo de preparar um profissional ligado aos fenômenos culturais e sociais mais expressivos do mundo moderno. Tinha uma proposta clara e inovadora de integração entre arte e sociedade, a criação de uma estética humanista do mundo moderno, com uma vontade mais ampla de adequar a sociedade à realidade tecnológica do século dominado pela revolução industrial. Enfim, ordenar do espaço moderno de convivência.

A Bauhaus abriu o campo para o desenho industrial como: móveis, luminárias, pesquisas de tecido, artes gráficas. Definiu um estilo para seus produtos despidos de qualquer ornamento, que levasse em conta o lado prático e econômico, cujos protótipos saíam de suas oficinas para a execução em série na indústria. Os objetos produzidos pela indústria deveriam ser um misto de engenharia e arte, beleza e funcionalidade, dentro do compromisso arte / sociedade, de convocar a participação do trabalho do artista para construir uma alternativa racional a fim de humanizar o novo ambiente comprometido com a máquina. Um sonho logo absorvido pela sociedade capitalista e transformado em dispositivo de acionar a competição e o consumo.

As duas principais ramificações do abstracionismo geométrico, a holandesa de Mondrian e o construtivismo russo de Tatlin, Malevitch e El Lissitzky, fundiram-se e foram incorporadas ao currículo da escola alemã. A Bauhaus é também responsável pela divulgação dessas linguagens e foi um momento representativo das ideologias construtivistas, na primeira metade do século XX.

Quando os soldados de Hitler fecharam as suas portas, grande parte de professores e alunos já haviam partido para outros países divulgando suas idéias até chegarem à América como os arquitetos Walter Gropius que lecionou em Harvard e Mies Van der Rohe um dos principais arquitetos da remodelação de Chicago. O ensino inovador da escola já havia se difundido nos principais centros de arte. A Bauhaus exerceu uma influência extraordinária sobre a arquitetura do século XX no mundo ocidental, um estilo marcante pelas linhas retas dos prédios, ambientes claros, espaços bem aproveitados e pela ausência de adornos. Estilo que chegou também ao Brasil através de ex-alunos da antiga escola, hoje esquecidos, como o alemão Alexandre Altberg e o belga Alexandre Buddeus.

No Brasil, a arquitetura moderna foi importada e adaptada através da versão francesa, principalmente com a vinda do arquiteto Le Corbusier, a convite do ministro Gustavo Capanema, na segunda metade da década de 1930 para realizar estudos para o projeto do Ministério de Educação e Cultura (MEC). Projeto que foi desenvolvido por uma equipe de jovens arquitetos brasileiros, como: Oscar Niemeyer, Lúcio Costa e Affonso Eduardo Reidy, obedecendo ao traçado do mestre. Porém na primeira fase do modernismo, foram os alemães que influenciaram a arquitetura brasileira, pioneiros no uso do concreto armado, bastante difundido e utilizado na nossa arquitetura.

Na Bahia, a arquitetura moderna, também nesse primeiro momento do modernismo, apareceu sobre influência alemã. Destaca-se o Instituto de Cacau da Bahia, localizado no comércio, no centro de Salvador, como um dos poucos exemplos no Brasil de uma arquitetura influenciada pelos princípios da Bauhaus. Projeto do arquiteto belga ex-aluno da referida instituição, Alexander Buddeus. Uma arquitetura com um toque expressionista, como podemos observar em alguns projetos do mestre Gropius.


Almandrade
(artista plástico, poeta e arquiteto)

Texto retirado da revista STORM MAGAZINE

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publicado às 11:31


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