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#2560 - As contradições de um corpo mergulhado numa piscina

por Carlos Pereira \foleirices, em 23.08.17

 

IMG_1650.JPG

 

a oscilação da vontade e da recusa em fazer alguma coisa

a fala que não se entende com a língua

a luz brilhante e quente que não aquece

a chuva que bate na vidraça em silêncio

as portas que só rangem no escuro

percorrer o quarto obliquamente suspenso do tecto sobre o ar amarelo da poeira

uma cambalhota e o corpo desmaia

um cão atravessa a madrugada

gotas de suor escorrem das torneiras

quando o sol se põe a árvore amadurece e a fruta flutua no vazio

as pedras rosnam quando são calcadas e armadilham o caminhar desprevenido do caminhante

parece caótico o carreiro das formigas dizem as cigarras

um crocodilo pisca o olho a outro crocodilo e morde-lhe o rabo

uma garrafa de cristal que julga ser a aristocrata do vidro

um grito ou um gemido?

há diferenças no prazer e na dor

o espelho parte-se discreto sem alarido sem sangue era vidro muito antigo

a vontade é resoluta a recusa também

na arte de não ceder anunciam-se acordos de paz para melhor pensar a guerra

querubins sopram trompetes

as notas da partitura guardadas em meias com mau cheiro exalam fedor

as cadeiras estão vazias o maestro perdeu a batuta a sala está vazia

silêncio absoluto

uma mosca bate as asas

o ruído provoca mais ruído e o pente que já não penteia

a cabeça está careca e em vez de cabelo nasceu musgo e o pente isso não penteia

 

rapidamente anoitece e as portas só rangem no escuro  para amedrontar o medo

enquanto o corpo adormecido repousa sobre a membrana da água de uma piscina

 

É Verão simplesmente

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publicado às 15:14


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