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#2816 - Grita...o mais alto que puderes

por Carlos Pereira \foleirices, em 03.04.18

 ALEXANDRA DE PINHO  EXPRESSÕES

 

Sobe

sobe até ao ponto mais alto do monte

e grita

Grita o teu nome

o nome dos teus pais

o nome dos teus filhos

se os tens

 

Grita

grita o mais alto que puderes

até sentires o peito a arder

mas grita

não te importes com a dor

muitas vezes alivia

 

Sobe

sobe ao sítio mais alto do monte 

e berra

berra as provocações que sofreste

as humilhações cravadas na cabeça para que não esquecesses

os maus e feios nomes tatuados na face da tua pele

 

Não gemas

grita

berra

o mais alto que a dor conseguir suportar

até as nuvens sumirem e

o céu ficar todo azul

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publicado às 18:53


#2299 - CARTA DE J. DE ALMADA NEGREIROS

por Carlos Pereira \foleirices, em 20.04.17

almada negreiros034.jpg

ALMADA NEGREIROS (1893-1970)

 

(Nesta carta o artista explica a sua atitude no comício do Chiado Terrasse e onde se refere ao incidente com Leal da Câmara)

 

Sr. Redactor:

 

Tendo aparecido no Diário de Lisboa de segunda-feira, o meu nome ao lado do do Sr. Leal da Câmara, vizinhança distinguida que me assoberba, me enobrece e me inebria, venho gostosamente desvendar a florescência daquele começo de incêndio no palco do Chiado Terrasse, ao iniciar da sinceridade do grande caudilho das Artes decorativas.

 

Nesse eco o Diário de Lisboa (1) dá essa breve troca de palavras entre o orador e eu, como tendo sido vantajosa para o Sr. Leal da Câmara, o que, na verdade, é vexante para mim.

 

Faltaria, pois, a um dos meus mais sagrados deveres se, hoje, não viesse eu próprio testemunhar a exactidão desse eco, em vez de vir dizer que não é nada disso que se trata, pedindo apenas um acrescentozinho.

 

Ao Sr. Dr. Raul Leal sucedeu no uso da palavra o Sr. Leal da Câmara, que, não trazendo os seus méritos bem atestados logo de entrada recorreu gratuitamente e para tomar melhor balanço, ao estado de espírito com que o orador precedente prostara o público. Assim foi que o Sr. Leal da Câmara começou a mimosear a parte mais fácil do público com inteligências apropriadas a qualquer orador desobrigado. Surpreendeu-nos o facto de o Sr. Leal da Câmara ter perdido o olfacto à entrada do palco e sem ter ninguém que o avisasse disso. Foi pontualmente nesta altura que perguntei ao Sr. Leal da Câmara se aquilo era para rir. O Sr. Leal da Câmara, sem ter ainda dado pela falta de olfacto, disse-me simplesmente que não era para rir. Francamente, gostei daquela resposta. O engano era meu. Cheguei mesmo a pensar em apertar-lhe a mão à saída.

 

Mas qual não foi o meu espanto quando oiço, daí a pedaço, o Sr. Leal da Câmara outra vez a alistar àquela porção mais fácil do público, com mijaretes de artifício e outras puxadelas à substância sentimental, sem dúvida na crença de aquecer o mais depressa possível méritos oratórios, ou então, era da minha vista!

 

Foi pontualmente nesta altura que me intrometi cavalheirescamente entre o  orador e a porção mais fácil do público, para dar tempo ao orador de afinar melhor as cordas vocais. Mas o Sr. Leal da Câmara, quando deve ser discreto, e dissimulador, deu ordem terminantemente a si próprio de não recuar nem mais um passo, houvesse o que houvesse, custasse o que custasse e zumba de meter-se no peito da porção mais fácil do público, forçosamente intelectual. - Foi pontualmente nesta altura que me veio a compreensão de que era totalmente desnecessária a minha lealdade de intelectual para com o orador. O engano era meu. O que a lealdade intelectual tinha exigido de mim para com o orador era fazer-lhe ver que trazia a sua atitude de artista comprometida, ali, no comício intelectual. Fi-lo ver, discretamente. Pode-se pensar e ser discreto ao mesmo tempo. É porque, às vezes, traz-se a atitude de artista comprometida, como se traz, sem querer, a fita das cerolas caídas pelas pernas das calças abaixo e por cima das botas de alástico.

 

Quis eu, pois, com a minha lealdade, avisá-lo de que trazia  a sua atitude de artista caída pelas pernas das calças abaixo. Mas, aqui o confesso, o engano foi meu. O artista não tinha tal deixado cair o  olfacto, nem tão-pouco trazia a atitude comprometida; mas há, na verdade, momentos inacreditáveis na vida de um homem em que a emoção não pode prender-se com ninharias, muito menos com o  que vai pelas pernas das calças abaixo.

 

Foi pontualmente na altura em que o Sr. Gualdino Gomes, que presidia ao comício intelectual, se ergueu no seu próprio lugar e, dirigindo-se â plateia, propositadamente, para o lado oposto àquele de onde eu estranhamente tentava favorecer o orador, aconselhou, em geral, a não interromper os que tinham a palavra.

 

Veio a matar!

 

Não sei o que seria de mim a estas horas, se eu tivesse insistido em querer favorecer tão estranhamente o orador desobrigado, - outrora tão genial nas suas magistrais desarrincadelas de sacristas parecidíssimos!

 

Pois quis a minha boa sorte de que a observação do Sr. Presidente tivesse sido pontual. Sem ela, eu teria fàcilmente prosseguido no que tão generosamente me estava empenhando com afinco, o que talvez me tivesse custado caríssimo, pois só a seguir à observação do Sr. Presidente é que reparei que as minhas palavras estavam sendo  malcriadíssimas na opinião geral do público intelectual e não apenas na sua parte mais fácil.

 

Eu, que espalho aos quatro ventos a conveniência de imitar a elegância até mesmo quando em favor dela deva ser sacrificada a boa educação!

 

Como episódio mais próximo desta minha leviandade citar-lhes-ei a meretíssima avançada de um sincero e robusto mancebo dos seus dezanove anos, (aproximadamente), um novo, portanto! o qual não pôde deixar de vir até dois metros de distância para me chamar «vaidoso e invejoso» com todas as ganas!

 

Ora, é absolutamente indispensável que eu desfaça um mal-entendido que há-de forçosamente servir-lhe de emenda.

 

Custa-me que tenham duvidado da minha boa fé, mas garanto-lhes que outras intenções não tive senão a de querer, a todo o transe, prevenir o meu colega Sr. Leal da Câmara de que ele, desgraçadamente para a Arte com A grande, tinha deixado aberto... aquilo que costuma estar fechado...

 

Ora aí está o busílis!

 

Não tendo infelizmente testemunhas desta desgraça entre o ilustrado público do comício intelectual por se ter dado a circustância imprevista de toda a gente ter preferido as ideias dos oradores às imprevidências da toilette.

 

Dos mal-entendidos é que nascem os grandes conflitos.

 

A mim já me chamaram pau de dois bicos, quando, na verdade, eu tenho tantos bicos quantos os necessários para deixar de ser pau e ser eu1

 

Mal-entendidos!

 

*

 

Antes de fechar a carta devo dizer que tanto o Sr. Leal da Câmara como quase todos os oradores fizeram calorosa e facciosamente a apologia do século XIX, exactamente o século mais estéril, na opinião de Frederico Nietzche, o mais evidente precursor da hora presente!!!...

 

Outra vez:

 

Dos mal-entendidos é que surgem os grandes conflitos.

 

Boas-noites!

 

*

 

Quando entrei em casa, a seguir ao comício intelectual, abri o Zarathrusta, Frederico Nietzche tinha, entretanto, escrito com o próprio punho:

 

«Tu deves ser o martelo, eu pus o martelo na tua mão!»

 

Para quê, Zarathrusta? Para quê, o martelo?!

 

«Pour cesser d'être des hommes qui nient devenir des hommes qui benissent.»

 

In Diário de Lisboa, de 21 de Dezembro de 1921

 

Do livro de José de Almada Negreiros "Textos de Intervenção, Obras Completas" edição Editorial Estampa, de 24 de Julho de 1972

 

 

 

 

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publicado às 19:34


#2043 - Rui Paixão

por Carlos Pereira \foleirices, em 02.06.16

 

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publicado às 12:03

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publicado às 20:30


#999 - Exposição no Museu de Serralves

por Carlos Pereira \foleirices, em 04.11.09

 


AUGUSTO ALVES DA SILVA  


23 Out 2009 - 31 Jan 2010 - MUSEU

Augusto Alves da Silva (n. 1963, Lisboa) é um dos mais importantes artistas portugueses revelados na década de 1990. Embora não trabalhe exclusivamente com a fotografia, é neste meio que tem executado alguns dos trabalhos mais marcantes no contexto artístico português dos últimos vinte anos. Augusto Alves da Silva tira partido da ilusória neutralidade da fotografia e dos códigos convocados automaticamente por determinados regimes de imagens (paisagem, retrato), apresentando imagens claras, nítidas, em que o excepcional nunca salta à vista, antes tendo de ser procurado; em que, no fundo, nunca nada é dado a ver de forma imediata, promovendo um diferimento que desmente retrospectivamente, consoante olhamos mais atentamente para cada imagem, aquilo que, num primeiro olhar, ela parecia significar. Esta será a primeira exposição retrospectiva de um dos mais importantes fotógrafos portugueses da actualidade.

Comissariado: João Fernandes
Produção: Fundação de Serralves


Visita Guiada exclusiva para Amigos
24 OUT (Sáb.), 17h00 por Ricardo Nicolau

Visita guiadas
03 DEZ (Qui), 18h30, por Ricardo Nicolau
14 JAN (Qui), 18h30, por João Fernandes
19 JAN (Ter), 18h30, por Ulrich Loock (em inglês)

 


 

Mecenas Exclusivo da Exposição
Mecenas do Museu


 

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publicado às 22:05


#870 - Vultos da nossa terra

por Carlos Pereira \foleirices, em 10.07.09

Vasco Pulido Valente, fotografia de João Cutileiro

 

Sophia de Mello, fotografia de Fernando Lemos

 

Ruy Cinatti, fotografia de João Cutileiro

 

José-Augusto França, fotografia de Fernando Lemos

 

José Cardoso Pires, fotografia de João Cutileiro

 

Helder Macedo, fotografia de João Cutileiro

 

Carlos Wallenstein, fotografia de Fernando Lemos

 

António Pedro, fotografia de Fernando Lemos

 

José Cutileiro, fotografia de João Cutileiro

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publicado às 12:54

A bailarina e coreógrafa Vera Mantero, de 43 anos, foi ontem distinguida com o Prémio Gulbenkian Arte 2009, no valor de 50 mil euros, atribuído no ano passado ao cineasta Pedro Costa. Num comunicado, a Fundação Gulbenkian descrevia ontem Mantero como “uma das artistas mais criativas e singulares da cena nacional, com uma sólida carreira construída ao longo de mais de duas décadas”.

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publicado às 10:25


A arte ao serviço dos refugiados

por Carlos Pereira \foleirices, em 22.01.09

(1)(2)(3)

 (1) Manuel Quintana Martelo  -   Inkjet, aguatinta y aguafuerte sobre papel.

 

 (2) Juan Genovés, Decisiones, 2002 - Acrílico sobre papel.  

 

 (3) J.M.Riera i Arago, Avión en ángulo, 2000.  - Mixta sobre papel.

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publicado às 18:29


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