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 Manuel Aires Mateus, arquitecto, é o vencedor do Prémio Pessoa 2017.

 

O Prémio Pessoa é concedido anualmente à pessoa de nacionalidade portuguesa que durante esse período e na sequência de uma atividade anterior tiver sido protagonista de uma intervenção particularmente relevante e inovadora na vida artística, literária ou científica do País. Esta é a 31.ª edição do Prémio Pessoa, uma iniciativa anual do jornal Expresso, com o patrocínio da Caixa Geral de Depósitos e tem o valor de 60.000 euros.

De acordo com o comunicado emitido pelo júri,  constituído por Francisco Pinto Balsemão (Presidente), Emídio Rui Vilar (Vice-Presidente), Ana Pinho, António Barreto, Clara Ferreira Alves, Diogo Lucena, Eduardo Souto de Moura, José Luís Porfírio, Maria Manuel Mota, Pedro Norton, Rui Magalhães Baião e Rui Vieira Nery  "a sua arquitetura é moderna, abstrata e contemporânea, mas parte de uma recolha de formas e materiais vernaculares portugueses, que integra de um modo exemplar. A construção de formas e volumes é feita com um caráter inovador, por subtração de matéria, esculpindo vazios, contrariando assim o sentido clássico do projetar. Na obra doméstica e na recuperação de edifício é raro provocar ruturas, mas não cede a mimetismos fáceis, conseguindo estabelecer uma continuidade entre passado e atualidade."

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publicado às 17:13


#1138 - Gabriela Motta entrevista Siza Vieira

por Carlos Pereira \foleirices, em 21.01.10



O português Álvaro Siza acredita que projetar um museu, biblioteca ou igreja é como propor uma utopia para o mundo. Com um currículo extenso, o arquiteto nasceu em 1933, na cidade de Matosinhos. Desde a década de 1960, vem assinando uma série de criações que o levaram, em 1992, a conquistar o Pritzker Prize, a maior premiação da arquitetura. Em maio, um de seus trabalhos será oficialmente inaugurado em Porto Alegre. É o prédio da Fundação Iberê Camargo, cujo projeto ganhou em 2002 o Leão de Ouro na Bienal de Arquitetura de Veneza, uma das mais concorridas do planeta.

O prédio reune a produção do pintor gaúcho morto em agosto de 1994, e também serve de espaço de exposições temporárias e outros eventos. Ao conceber a sede da fundação, Siza fez questão de levar em conta essas múltiplas exigências, justamente por acreditar que "as atividades culturais não são compatíveis com uma idéia de fixação". Tal conceito também está presente em algumas de suas obras mais famosas, como o celebrado Museu Serralves, no Porto, e o Edifício Bonjour Tristesse, em Berlim.

A seguir, um pouco do pensamento de um dos principais arquitetos contemporâneos, com quem BRAVO! conversou em Porto Alegre, no ano passado, antes da inauguração da Fundação.

 

BRAVO!: Por que o senhor considera seus projetos como utópicos?

Álvaro Siza: Porque, para mim, um edifício deve responder à sua função com muito rigor, mas ao mesmo tempo deve ter a capacidade de se desligar dessa função. É nesse sentido que encaro a arquitetura como utópica­­­­ — só que se trata de uma utopia com os pés na terra. Veja, por exemplo, um convento. É feito para uma comunidade que possui regras de comportamento muito estritas. No entanto, ao longo dos anos, os conventos vêm sendo utilizados para tudo: como bibliotecas, escolas, hotéis. Tudo o que se possa imaginar cabe dentro de um convento. Ele tem a capacidade de desempenhar inúmeras funções, além da propriamente religiosa, e assim durar no tempo, não se tornar obsoleto. O meu propósito é exatamente este: o de investir na continuidade dos projetos. Não tenho a idéia de que um edifício deva durar 20 anos e, depois, ser posto abaixo.

O senhor acredita que o brasileiro Oscar Niemeyer seja também "um utópico com os pés no chão"?

Ainda há pouco li uma entrevista de Niemeyer numa revista em Portugal. Lá pelas tantas, falando de um edifício histórico, não lembro qual, ele disse: "É um edifício muito moderno. Foi construído no século tal, mas é moderno". Essa maneira de ver as coisas revela justamente a capacidade de se desprender das circunstâncias para buscar uma influência maior na vida das cidades.

E como o senhor se sente realizando um museu no Brasil, onde Niemeyer é tão onipresente?

Sinto-me bem! Os edifícios no Brasil são belos. E os de Niemeyer, não só os dele, mas os dele em especial, estão muito relacionados com a paisagem do país: Ipanema, o Corcovado, o Pão de Açúcar, aquelas curvas todas. Quem nasce num meio assim absorve isso.

Hoje a arquitetura é discutida por todos em decorrência de projetos de impacto. O que se perde com isso?

De fato, fala-se muito sobre arquitetura também em Portugal. Aliás, é relativamente recente a entrada do assunto nos jornais diários portugueses. No entanto, ainda que haja divulgação, nem sempre essa divulgação me parece bem feita, por estar bastante vulnerável a fatos externos, que não dizem respeito à arquitetura em si mesma, como interesses políticos e econômicos. De qualquer maneira, acho bom que se discuta o tema, porque a arquitetura não é feita para a contemplação de meia dúzia de pessoas.

Qual a sua relação com os projetos quando acabam?

Vou para casa.

E não volta?

Diversas vezes, não volto. Em outras ocasiões, quando volto, fico desgostoso. Projetar é algo muito intenso, exigente e absorvente. Há mesmo que se fazer um esforço de desprendimento para construir e inaugurar um edifício. Custa sempre muito quando se acaba um projeto, porque, na verdade, ele nunca está acabado. Ainda assim, deve-se aceitar que um projeto, no final das contas, faz parte do patrimônio público e, portanto, segue sua vida própria. Isso, claro, se tiver força, estrutura para agüentar o passar dos anos e as modificações que nele se processam. Se não tiver, o projeto também demonstra a sua fragilidade, a sua inviabilidade.

O senhor conhecia a obra de Iberê Camargo antes de ser chamado para projetar a fundação?

Não conhecia a obra dele nem Porto Alegre. Na verdade, o Iberê é pouco conhecido em Portugal. Claro, existem algumas pessoas, críticos de arte, que o conhecem. Eu realmente não o conhecia — o que é uma vergonha, de qualquer maneira. Mas a culpa não é só minha. Não há muita informação sobre ele em Portugal e mesmo na Europa.

Em que medida o projeto reflete a obra de Iberê?

Não reflete tanto, não. Até porque a obra de Iberê, como a de qualquer artista que tenha uma coleção, não é algo muito estanque, fechado. Ao longo do tempo, por exemplo, será confrontada com o trabalho de artistas que foram próximos a ele ou que o influenciaram. E um museu precisa levar em conta essa dinâmica. Assim, não é possível desenhar a sala tal para o quadro tal. O projeto arquitetônico deve exibir uma certa neutralidade, uma certa flexibilidade, e permitir que se montem exposições de acordo com a sensibilidade e os objetivos de quem as organiza. Atividades culturais não são compatíveis com uma idéia de fixação.

 

Gabriela Motta é crítica e curadora, autora de Entre Olhares e Leituras: Uma Abordagem da Bienal do Mercosul (Zouk Editora, 2007). In Revista Bravo

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publicado às 23:59


Bauhaus - 90 Anos

por Carlos Pereira \foleirices, em 13.05.09

Por Almandrade

 

 

Mais do que uma escola que revolucionou o ensino da arte, do design e da arquitetura, a Bauhaus foi um movimento de transformações no campo da arte e da arquitetura que marcou o século XX.

Fundada na Alemanha em 1919, sob a direção do arquiteto Walter Gropius e com um corpo docente que incluía artistas de vanguarda como Oskar Schlemmer, Paul Klee, Wassili Kandinski, Josef Albers, Johannes Itten, Lyonel Feininger e o arquiteto Mies Van der Rohe, foi responsável por fixar diretrizes estéticas que se difundiram em outros países do ocidente. A harmonia entre forma e função sem detalhes decorativos supérfluos na arquitetura e nos objetos da vida cotidiana era um princípio da nova era funcionalista.

Essa estética racionalista estava aliada à ideologia progressista de organizar o ambiente da vida social e torná-lo compatível com a realidade industrial, mas ia de encontro aos ideais da antiguidade clássica defendida pelos nazistas. A escola, por exercer forte influência sobre a sociedade local, com suas utopias sociais e idéias avançadas passou a incomodar os setores conservadores. Acusada também de propagar uma arte degenerada, foi perseguida, a Bauhaus passou por três diferentes cidades até o seu fechamento definitivo em 1933, quando o partido Nazista assumiu o poder.

A meta da Bauhaus era a arquitetura. "A arquitetura é a meta de toda a atividade criadora”, palavras de Walter Gropius, no primeiro manifesto redigido em 1919. Mas esta só aparece depois das artes plásticas, do design e do exercício do artesanato. Além de revolucionar a didática do ensino de arte e arquitetura, com o objetivo de preparar um profissional ligado aos fenômenos culturais e sociais mais expressivos do mundo moderno. Tinha uma proposta clara e inovadora de integração entre arte e sociedade, a criação de uma estética humanista do mundo moderno, com uma vontade mais ampla de adequar a sociedade à realidade tecnológica do século dominado pela revolução industrial. Enfim, ordenar do espaço moderno de convivência.

A Bauhaus abriu o campo para o desenho industrial como: móveis, luminárias, pesquisas de tecido, artes gráficas. Definiu um estilo para seus produtos despidos de qualquer ornamento, que levasse em conta o lado prático e econômico, cujos protótipos saíam de suas oficinas para a execução em série na indústria. Os objetos produzidos pela indústria deveriam ser um misto de engenharia e arte, beleza e funcionalidade, dentro do compromisso arte / sociedade, de convocar a participação do trabalho do artista para construir uma alternativa racional a fim de humanizar o novo ambiente comprometido com a máquina. Um sonho logo absorvido pela sociedade capitalista e transformado em dispositivo de acionar a competição e o consumo.

As duas principais ramificações do abstracionismo geométrico, a holandesa de Mondrian e o construtivismo russo de Tatlin, Malevitch e El Lissitzky, fundiram-se e foram incorporadas ao currículo da escola alemã. A Bauhaus é também responsável pela divulgação dessas linguagens e foi um momento representativo das ideologias construtivistas, na primeira metade do século XX.

Quando os soldados de Hitler fecharam as suas portas, grande parte de professores e alunos já haviam partido para outros países divulgando suas idéias até chegarem à América como os arquitetos Walter Gropius que lecionou em Harvard e Mies Van der Rohe um dos principais arquitetos da remodelação de Chicago. O ensino inovador da escola já havia se difundido nos principais centros de arte. A Bauhaus exerceu uma influência extraordinária sobre a arquitetura do século XX no mundo ocidental, um estilo marcante pelas linhas retas dos prédios, ambientes claros, espaços bem aproveitados e pela ausência de adornos. Estilo que chegou também ao Brasil através de ex-alunos da antiga escola, hoje esquecidos, como o alemão Alexandre Altberg e o belga Alexandre Buddeus.

No Brasil, a arquitetura moderna foi importada e adaptada através da versão francesa, principalmente com a vinda do arquiteto Le Corbusier, a convite do ministro Gustavo Capanema, na segunda metade da década de 1930 para realizar estudos para o projeto do Ministério de Educação e Cultura (MEC). Projeto que foi desenvolvido por uma equipe de jovens arquitetos brasileiros, como: Oscar Niemeyer, Lúcio Costa e Affonso Eduardo Reidy, obedecendo ao traçado do mestre. Porém na primeira fase do modernismo, foram os alemães que influenciaram a arquitetura brasileira, pioneiros no uso do concreto armado, bastante difundido e utilizado na nossa arquitetura.

Na Bahia, a arquitetura moderna, também nesse primeiro momento do modernismo, apareceu sobre influência alemã. Destaca-se o Instituto de Cacau da Bahia, localizado no comércio, no centro de Salvador, como um dos poucos exemplos no Brasil de uma arquitetura influenciada pelos princípios da Bauhaus. Projeto do arquiteto belga ex-aluno da referida instituição, Alexander Buddeus. Uma arquitetura com um toque expressionista, como podemos observar em alguns projetos do mestre Gropius.


Almandrade
(artista plástico, poeta e arquiteto)

Texto retirado da revista STORM MAGAZINE

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publicado às 11:31


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