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#3231 - LIVROS E LEITURAS ||| Histórias de loucura normal

por Carlos Pereira \foleirices, em 26.09.22

 

Estas histórias, inspiradas na própria vida do autor, são tão selvagens e inusitadas quanto as histórias dos seus romances. Bukowski foi uma lenda no seu tempo e um visionário para aqueles que se lhe seguiram. Louco, recluso, amante. Afável e mesquinho. Lúcido e insano. Sempre inesperado. As excepcionais Histórias de loucura normal vêm directas do âmago de uma vida, a que ele mesmo viveu, marcada pela violência e pela depravação. Histórias de liberdade, tão profanas quanto sagradas.
Da prostituição à música clássica, Bukowski traça neste livro um retrato irado, apesar de terno, bem-humorado e inquietante, da vida marginal de Los Angeles, uma realidade obscura e perigosa que emoldurou a vida de um dos maiores escritores de culto do século XX.

Histórias, afinal, da loucura que espreita dentro de cada um de nós, que faz do corpo uma marioneta e que não desaparece senão com a morte.

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Charles Bukowski nasceu na Alemanha, em 1920, mas cresceu em Los Angeles, onde viveu durante cinquenta anos. Publicou o seu primeiro conto em 1944, quando tinha vinte e quatro anos, e começou a escrever poesia com trinta e cinco anos. Morreu em 1994, aos setenta e três anos, pouco tempo depois de completar o seu último romance, Pulp. Viu publicados mais de quarenta e cinco livros de prosa e poesia, incluindo os romances Post Office (1971), Factotum (1975), Women (1978), Ham on Rye (1982), Hollywood (1989) e Pulp (1994). É um dos autores americanos contemporâneos mais conhecidos a nível mundial e, possivelmente, o poeta americano mais influente e imitado de sempre.

FONTE: WOOK

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publicado às 18:38


#3207 - "TOMÁS NEVINSO" - O NOVO LIVRO DE JAVIER MARÍAS

por Carlos Pereira \foleirices, em 21.12.21

SINOPSE

Dois homens - um deles na ficção, o outro na vida real - tiveram oportunidade de assassinar Hitler antes que ele desencadeasse a Segunda Guerra Mundial. Um mal menor teria impedido um mal maior. Se é legítimo pensar que aqueles dois homens deveriam ter disparado sobre o Führer para evitar a morte de milhões, até que ponto podemos decidir quem merece viver ou morrer?

Tomás Nevinson, marido de Berta Isla, cai na tentação de regressar aos Serviços Secretos após uma temporada de ausência. Estamos no ano de 1997. Tomás é incumbido de se deslocar a uma cidade do Noroeste de Espanha para identificar uma pessoa que, dez anos antes, participara em atentados do IRA e da ETA.

A missão é-lhe atribuída pelo seu ex-chefe, Bertram Tupra, figura ambígua que já anteriormente lhe atrapalhara a vida. Ambos são anjos desagradáveis que devem velar pela tranquilidade dos demais. Feito espião que sonda a verdade, Javier Marías constrói uma intriga inquietante, uma reflexão profunda acerca do alcance e das consequências das nossas acções.

Quão longe podemos ir para evitar o triunfo do mal? E, num mundo de claro-escuro, como podemos estar certos do que é o mal?

Tomás Nevinson é o retrato do que acontece a alguém a quem já tudo aconteceu, o retrato de um homem que tenta intervir na História e acaba desterrado do mundo.

 

CRÍTICAS DE IMPRENSA
««Tomás Nevinson será talvez o melhor romance que Javier Marías já publicou.»
José-Carlos Mainer, El País

«Sempre que leio Javier Marías, tenho a impressão de estar a ouvir uma sinfonia.» Julia Navarro, Hoy por Hoy

«Marías escreve como sempre, escreve como ninguém, [...] porque está num outro nível: eleva-nos e está a fazer - porque não dizê-lo? - o que Shakespeare fez com a sua época e com os seres humanos da sua época.»
Alberto Olmos, El Confidencial

«É impossível dizer se este é o melhor romance de Marías. Mas é, sem dúvida, um dos mais empolgantes.»
J. A. Masoliver Ródenas, La Vanguardia

«Uma história poderosa, com uma pulsação fortíssima. [...] Um assombroso retrato da realidade. [...] Um romance impressionante.»
Antonio Lucas, El Mundo
 
 
Tomás Nevinson
ISBN 9789897843518Edição/Reimpressão 12-2021Editor: Alfaguara PortugalIdioma: PortuguêsDimensões: 149 x 233 x 42 mmEncadernação: Capa molePáginas: 656Tipo de Produto: LivroClassificação Temática: Livros em Português Literatura Romance
 
 
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Javier Marías nasceu em Madrid em 1951. É um dos mais destacados autores espanhóis da atualidade. É autor de Los dominios del lobo, Travesía del horizonte, El monarca del tiempo, El siglo, El hombre sentimental (Prémio Ennio Flaiano), Todas las almas (Prémio Ciudad de Barcelona), deste Amanhã na batalha pensa em mim (Prémio Fastenrath, Prémio Rómulo Gallegos, Prix Fémina Étranger), Negra espalda del tiempo, Tu rostro mañana (3 volumes), Os enamoramentos e Coração tão branco (vencedor do Prémio da Crítica em Espanha, do Prix l’Oeil et la Lettre e do IMPAC Dublin Literary Award), estes dois últimos já publicados na Alfaguara).
Tem ainda editados vários livros de contos, antologias e coletâneas de ensaios e crónicas.
Em 1997, recebeu o Prémio Nelly Sachs, em Dortmund; em 1998, o Prémio Comunidad de Madrid; em 2000, os prémios Grinzane Cavour, em Turim, e Alberto Moravia, em Roma; em 2008, os prémios Alessio, em Turim, e José Donoso, no Chile; e, em 2011, o Prémio Nonino, em Udine, e o Prémio Literário Europeu, todos eles pelo conjunto da sua obra. Entre as traduções de sua autoria, destaca-se a de Tristram Shandy.
Foi professor na Universidade de Oxford e na Universidade Complutense de Madrid. A sua obra encontra-se publicada em quarenta e dois idiomas e cinquenta e quatro países, com seis milhões de exemplares vendidos em todo o mundo.
É membro da Real Academia Espanhola.
 
FONTE:WOOK
 

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publicado às 09:00


#3205 - O MAIS FORTE ENTRE OS ESTRANHOS

POEMA DE CHARLES BUKOWSKI

por Carlos Pereira \foleirices, em 10.12.21

não os encontrarás com regularidade

pois não se encontram

onde se encontra 

a multidão

 

estes seres ímpares,

não há muitos

mas deles

vêm

os poucos

bons quadros

as poucas

boas sinfonias

os poucos

bons livros

e outras

obras.

 

e dos

melhores

entre os estranhos

talvez

nada.

 

eles são

os seus próprios

quadros

os seus próprios

livros

as suas próprias

obras.

 

às vezes penso

que

os vejo - por exemplo

um determinado

velho

sentado num

determinado banco de jardim

de uma determinada 

forma

 

ou 

uma cara fugaz

num carro

que passa

em direcção

contrária

 

ou

há um certo

gesto de mãos

do rapaz ou

da rapariga

a embalar compras

em sacos

de supermercado.

 

às vezes

até é alguém

com quem se vive

há algum

tempo -

dás conta de

um fugidio

olhar luminoso

que nunca lhes viras

antes.

 

às vezes

apenas notas

a sua existência

subitamente

e de forma vívida

alguns meses

alguns anos

depois de

partirem.

 

lembro-me

de um caso

assim -

ele tinha

cerca de 20 anos

bêbedo

às 10 da manhã

a fitar

um espelho partido

em Nova Orleães

 

cara sonhadora

contra

as paredes

do mundo

 

para

onde

fui eu?

 

POEMA DE CHARLES BUKOWSKI, DO LIVRO "OS CÃES LADRAM FACAS (ANTOLOGIA POÉTICA", EDIÇÃO ALFAGUARA, NOVEMBRO DE 2018

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publicado às 06:49


#3202 - OS TAGARELAS

POEMA DE CHARLES BUKOWSKI

por Carlos Pereira \foleirices, em 03.12.21

OS TAGARELAS

o rapaz de pés enlameados atravessa-me a 

alma

a falar de recitais, de virtuosos, de maestros,

dos romances menos conhecidos de Dostoiévski;

a falar de como corrigiu uma empregada de mesa,

uma bimba que desconhecia que o molho francês

era feito disto e daquilo;

tagarela sobre as Artes até

eu odiar as Artes,

e não há nada mais limpo

do que voltar para um bar ou

do que ir para o hipódromo

e vê-los correr

ver coisas a passar sem este

clamor e falatório,

falar, falar, falar,

a boquinha a mexer, os olhos a piscar,

um rapaz, uma criança, doente com as Artes,

a agarrar-se a elas como à saia da mãe,

e pergunto-me quantos dezenas de milhares

existem como ele por esta terra

em noites chuvosas

em manhãs soalheiras

em serões que prometiam paz

em salas de concerto

em cafés

em recitais de poesia

a falar, a sujar, a discutir.

é como o porco

que vai para a cama

com uma mulher linda

e por causa disso

deixas de querer aquela mulher.

 

POEMA DE CHARLES BUKOWSKI in "Os cães ladram facas"[Antologia Poética], edição Alfaguara, Novembro de 2018

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publicado às 06:42


#3079 - um desenhador de peixes ||| poema de Charles Bukowski

por Carlos Pereira \foleirices, em 07.03.20

um desenhador de peixes

 

ele não parava de desenhar peixes

em papéis

e eu disse:

Jack, o que é que se passa?

mas ele não respondia

e a mulher dele disse

não há meio de ele procurar emprego

é isso que se passa

e eu tenho de tomar conta

dos putos; não sei

como é que vamos

fazer esta merda.

 

ele não parava de desenhar peixes

em papéis

e nem bêbedo estava.

 

fui à rua e trouxe 2

garrafas de vinho

e a patroa dele

encheu os copos.

 

e o Jack bebeu o dele

depois praguejou: esta

esferográfica fica sempre

sem tinta

quando estou mesmo no ponto crucial,

no cerne, quando estou

finalmente a arder

na cera imbecil do fogo...

 

atirou a caneta

para uma saco de papel cheio de garrafas vazias,

latas de sardinha e

de feijão vazias, vestiu o casaco

e saiu.

 

para onde é que ele vai?

perguntei.

 

estou-me nas tintas

para onde ele vai,

disse a patroa dele.

depois levantou o vestido

e mostrou-me as pernas;

eram bastante boas, eu

sempre fui um gajo de pernas

mas dirigi-me ao armário

e vesti o casaco.

 

onde é que vais? perguntou ela.

 

vou procurar emprego,

disse-lhe,

há um anúncio no Times,

precisam de porteiros

no novo edifício Fleischman.

 

desci os degraus

e andei meio quarteirão para norte

até ao bar mais próximo.

 

O jack estava lá sentado.

 

Não sei, disse ele,

acho que me vou

matar.

 

não faz mal, disse eu,

isso vai acontecer

de qualquer modo.

 

ficámos ali sentados o resto da tarde

a beber

e por volta das 7 da tarde saímos,

ele com uma tipa de cabelo flamejante

e eu com uma manca

leitora de Henry James

que se ria de boca

à banda.

 

estavam 17 graus

e pouco restava

do mundo.

 

POEMA DE CHARLES BUKOWSKI RETIRADO DO LIVRO "OS CÃES LADRAM FACAS", EDIÇÃO  ALFAGUARA DE NOVEMBRO DE 2018. ROSALINA MARSHALL TRADUZIU E VALÉRIO ROMÃO FEZ A SELECÇÃO, A ORGANIZAÇÃO E O PREFÁCIO

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publicado às 18:22


#2928 - LIVROS E LEITURAS

por Carlos Pereira \foleirices, em 04.12.18

charles bukovski os  caes ladram facas023 (2).jpg

CONSELHO

 

tal como o vento corta, outra vez, desde o mar

e a terra é assolada por tumultos e desordem

tem cuidado com o sabre da escolha,

lembra-te

o que talvez fosse nobre

há 5 séculos

ou até mesmo 20 anos

é agora

a maior parte das vezes

um acto desperdiçado

a tua vida passa uma única vez

já a história tem oportunidade atrás de oportunidade

para provar a imbecilidade dos homens.

 

Tem cuidado, portanto, diria eu,

com qualquer 

acto

ideal

ou acção

aparentemente nobre,

seja por este país ou por amor ou pela Arte,

não te deixes possuir pela proximidade do minuto

nem pela beleza ou pela política

que murcharão como flores cortadas;

amor, sim, mas não enquanto ardil do casamento,

e cuidado com comida má e trabalho excessivo;

terás de viver num país,

mas amar não é uma ordem

seja mulher seja nação;

leva o teu tempo; e bebe tanto quanto seja necessário

por forma a manter a continuidade,

porque a bebida é um modo de vida

através do qual o participante reclama

uma nova oportunidade na vida;

mais ainda, direi,

vive sozinho o máximo possível;

cria filhos se por acaso acontecer

mas tenta não ter de aguentar

criá-los; não te envolvas em questiúnculas

de mão ou voz

a não ser que o teu adversário atente contra a tua vida

ou contra a vida da tua alma; então,

mata, se necessário; e quando chegar a hora da morte

não sejas egoísta:

pensa como é económica a morte

e no lugar paraonde vais:

sem qualquer marca de vergonha ou de fracasso

ou necessidade de compaixão

como o vento corta desde o mar

e o tempo passa

erodindo os teus ossos numa paz suave.

 

POEMA DE CHARLES BUKOWSKI EXTRAÍDO DO LIVRO "OS CÃES LADRAM FACAS", EDIÇÃO ALFAGUARA, NOVEMBRO DE 2018

 

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publicado às 17:28


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