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#1976 - 37

por Carlos Pereira \foleirices, em 17.04.16

 MÁRIO DIONÍSIO

 

37

 

mil anos que viva não se apaga

a imagem sombria e vacilante

dum homem desconhecido numa esquina

com um lenço na mão manchado de sangue

 

uma imagem sombria e vacilante

cambaleante no regresso instável

das zonas baças onde o tempo pára

com um lenço na mão manchado de sangue

 

cambaleante no regresso instável

sem se lembrar da rua onde morou

só com uma ténue sombra do passado

no lenço na mão manchado de sangue

 

ninguém sabia a sua história

ninguém ouvira a sua voz

de seu só tinha bem pesado

um lenço na mão manchado de sangue

 

não tinha voz não tinha nome

não tinha pais não tinha amigos

não tinha lar só tinha um lenço

na mão manchado de sangue

 

Poema de Mário Dionísio [1916-1993] in "O Riso Dissonante", 1950

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publicado às 18:44


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