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#1230 - Helena da Rocha Pereira recebe Prémio Vida Literária

por Carlos Pereira \foleirices, em 08.03.10



A escritora Helena da Rocha Pereira foi distinguida com o Prémio Vida Literária, da Associação Portuguesa de Escritores, foi hoje anunciado.


In "Público"

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publicado às 11:53

 

Maria Velho da Costa venceu o primeiro prémio da 7.ª edição do Prémio Literário Casino da Póvoa, anunciado hoje na abertura do Correntes d' Escritas, que decorre na Póvoa de Varzim. A escritora, cujo nome foi escolhido pela maioria do júri, foi distinguida pelo livro “Myra”.


In Público

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publicado às 12:29


#112 - Saramago lança livro onde “se mete com toda a gente"

por Carlos Pereira \foleirices, em 19.02.10


 

Saramago lança livro onde “se mete com toda a gente” (COM VÍDEO)

O Nobel da Literatura José Saramago acaba de lançar um novo livro: ‘Caderno 2’, que resulta da compilação das suas crónicas escritas no blogue com o mesmo nome.

Depois do primeiro volume, esta continuação editada pela Caminho, com prefácio do escritor Umberto Eco, aglutina os escritos produzidos entre Setembro de 2008 e Novembro do ano passado.

No seu prefácio, Umberto Eco descreve Saramago como sendo alguém que “tem 87 anos e (diz eles) alguns achaques, ganhou o Nobel, distinção que lhe permitiria nunca mais produzir nada porque seja como for já tem no Panteão o seu lugar garantido”. Já sobre a base do blogue, o escritor de ‘O Nome da Rosa’ realça que no espaço online Saramago “se mete um pouco com toda a gente, atraindo sobre a sua pessoa polémicas e excomunhões vindas de muito lado”.

“Então volta à cena o Saramago filósofo-narrador, já não zangado mas meditativo e incerto. Contudo não nos desagrada mesmo quando se enfurece. É simpático”, acrescenta Eco. [In Correio da Manhã]

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publicado às 21:57


#1171 - Novo livro de Urbano Tavares Rodrigues

por Carlos Pereira \foleirices, em 04.02.10



A novela Assim Se Esvai a Vida dá título ao novo livro de Urbano Tavares Rodrigues, que reúne três obras e é apresentado hoje, às 18.30, na Livraria Barata, em Lisboa. O livro, editado pela Dom Quixote e apresentado por Francisco José Viegas, inclui "O cornetim encarnado" e "Os olhos do demónio e outros contos".

 

In "DN"

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publicado às 12:37


#1167 - Rosa Lobato de Faria (1932-2010)

por Carlos Pereira \foleirices, em 02.02.10

Rosa Lobato Faria morreu aos 77 anos

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publicado às 22:04


#1165 - Prémio Vergílio Ferreira

por Carlos Pereira \foleirices, em 02.02.10



A Universidade de Évora decidiu distinguir, na 14ª edição do Prémio Vergílio Ferreira, a escritora Luísa Dacosta.

 

In Jornal Público

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publicado às 21:36


#1153 - Novo Livro de Valter Hugo Mãe

por Carlos Pereira \foleirices, em 27.01.10



a máquina de fazer espanhóis
Autor: valter hugo mãe
Editora: Alfaguara
N.º de páginas: 307
ISBN: 978-989-672-016-2
Ano de publicação: 2010

 

Em o apocalipse dos trabalhadores (QuidNovi, 2008), o anterior romance de valter hugo mãe, um ucraniano com nome de craque do Dínamo de Kiev (Andriy Shevshenko) explica a dada altura que «para abrir caminho na ferocidade de um país alheio» é preciso alcançar a «felicidade das máquinas». No novo livro do escritor de Vila do Conde, há uma extrapolação desta metáfora, se entendermos a ideia de máquina como uma entidade abstracta, composta por peças muitas vezes à mercê de uma lógica e de uma energia cinética que as ultrapassa.
A primeira máquina com que nos deparamos no livro é um lar de idosos, com o habitual nome eufemístico – Lar da Feliz Idade – e uma espécie de funcionamento para a morte. O número de residentes é fixo (93), as camas só vagam quando alguém morre, e por isso impera uma rotatividade que começa com a entrada para um dos melhores quartos (em frente ao jardim onde passam crianças) e termina na ala esquerda (com vista para o cemitério, em mórbida antecipação do fim).
É a este mundo opressivo que chega, ainda atropelado de dor pela morte da mulher (Laura), o protagonista do romance: António Silva, 84 anos, antigo barbeiro com problemas de consciência que nem o tempo foi capaz de sarar. Ele de início recusa a vida colectiva da casa, mas depois integra-se num grupo de homens palradores, quase todos partilhando o seu apelido, portugueses de gema que passam os dias a discutir justamente o que é isto de ser português, sobretudo quando todos levaram com quase meio século de fascismo em cima. Um fascismo que deixou a raiz podre dentro das cabeças, dentro dos «bons homens» que não mexeram um dedo contra Salazar, que aceitaram uma «cidadania de abstenção», por medo ou apego à família, e ainda hoje são habitados pelo fantasma do que não tiveram coragem de fazer; ou que cobardemente permitiram que se fizesse.
A segunda máquina, a que dá título ao livro, é então Portugal, esse eterno problema que temos connosco mesmos e que valter hugo mãe aborda com raro desassombro. Há ainda uma terceira máquina: a «máquina que tira a metafísica». Sem metafísica, os velhos deixam de ter algo a que se agarrar e resvalam de vez para a morte. Um tal engenho, entrevisto em delírios por alguns dos residentes, pode ser uma mera fantasia senil ou um inesperado objecto real, posto ao serviço de uma rentabilidade económica de contornos criminosos.
No seu projecto de huis clos, valter hugo mãe deparou-se com um problema. A tremenda intensidade dramática com que descreve o sofrimento das personagens (o colapso dos corpos, a solidão, a loucura, as arestas cruéis da memória) depressa se torna insustentável, demasiado violenta, irrespirável. Para escapar a isto, valter criou então pontos de fuga, mudanças de ritmo narrativo, jogos metaliterários (como o de incorporar à história Jaime Ramos e Isaltino de Jesus, agentes da PJ saídos dos livros de Francisco José Viegas, em dois capítulos que quebram a regra de só escrever com minúsculas). Acontece que estas soluções criam por sua vez novos problemas de equilíbrio e consistência narrativa, nalguns casos resolvidos de forma pouco satisfatória. O forte deste autor, diga-se, não é a estrutura. É o estilo. Como perceberá o leitor, ao deparar neste livro com algumas das páginas mais devastadoramente belas da ficção portuguesa recente.

Avaliação: 8/10

 

[Texto publicado no suplemento Actual, do semanário Expresso]

 

Este texto foi escrito por José Mário Silva e  retirado do seu Blog "O BIBLIOTECÁRIO DE BABEL".

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publicado às 12:49


 

Nas livrarias desde a passada sexta-feira, "A máquina de fazer espanhóis" é o quarto romance de Valter Hugo Mãe. Antigo regime, terceira idade, provocação - de tudo se encontra num livro que o autor admite ser terapêutico, mas não piegas.

 

O pai morreu há dez anos, sem ter direito a essa idade que se chama terceira. Surge então o livro, que lhe é dedicado. "É feito para imaginar um espaço sensível, ou tempo sensível, que o meu pai não pôde viver", diz Valter Hugo Mãe, escritor e filho. Em "A máquina de fazer espanhóis" - título que aparenta ter nada a ver com nada -, o autor usa a voz de António Silva para incitar à dignificação.

Reformado de barbeiro, António Silva é um velho dos seus 84 "que começa talvez a maior aventura da vida no momento em que a esposa morre", conta, insistindo: "É um homem que tem de lidar com a revolta do efémero, com a revolta da perda, e de encontrar motivos para, naquela idade e debilitando-se cada vez mais, sobreviver".

Apesar de pouco sair à rua, a personagem central do livro carrega às costas o fardo de despertar consciências. E como? Diz à sociedade que "os velhos ainda são perigosos, neste sentido de que a opinião deles ainda tem de contar", explica o escritor. Mas há mais personagens, às quais Valter recorre para alcançar outro objectivo do novo romance, que é revelar "um certo testemunho que existe nas pessoas mais velhas em Portugal e que se prende com o facto de terem uma experiência directa do que foi o fascismo e do que foi o antigo regime".

É nesse apelo à memória que o livro identifica o que sobrou, ou pode ter sobrado, da ditadura. Eis a constatação do autor: "Que o enfraquecimento do nosso país durante o século XX - e sobretudo um enfraquecimento ao nível das consciências - nos leva a pensar que somos piores do que os outros e que estaríamos melhores se fôssemos espanhóis". Eis-nos, então, chegados ao título.

"Obviamente discordo com a manutenção dessa menorização. Temos a tendência para uma certa menorização que nos foi deixada por décadas de ditadura", critica. E, apesar de considerar que o povo português tem "valores humanos assinaláveis", não deixa de lhe apontar uma "tendência para desmobilizar". "Já passaram 30 e tal anos e a verdade é que nós continuamos, de alguma forma, à deriva", acrescenta.

Voltando à idade que é a terceira, Valter Hugo Mãe diz ainda que o livro é "uma tentativa de perceber que drama é esse de, a dada altura, estarmos a viver contra o corpo". Mas sem exageros. "O livro acaba por ser um pouco terapêutico, mas, sobretudo, não é piegas", garante. "O que pretende é incitar os cidadãos da terceira idade a uma participação maior, a uma exigência de uma dignificação", refere ainda.

A capa do livro resultou de uma feliz coincidência. É que a personagem central costumava namorar com a mulher atrás de cortinas. Depois de António Silva ter feito essa revelação na história, o autor encontrou na Internet uma fotografia muito semelhante, acabando por usá-la agora.

Valter deverá lançar dois livros infantis proximamente e, até ao fim do ano, é provável que publique um outro romance, já concluído há uns tempos. Será uma edição especial, ilustrada, espécie de oferta para quem costuma ler os seus escritos.


Notícia publicada no JN

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publicado às 22:01


#1141 - Encontro

por Carlos Pereira \foleirices, em 24.01.10



ENCONTRO


Que vens contar-me

se não sei ouvir senão o silêncio?

Estou parado no mundo.

Só sei escutar de longe

antigamente ou lá prò futuro.

É bem certo que existo:

chegou-me a vez de escutar.


Que queres que te diga

se não sei nada e desaprendo?

A minha paz é ignorar.

Aprendo a não saber:

que a ciência aprenda comigo

já que nõao soube ensinar.


O meu alimento é o silêncio do mundo

que fica no alto das montanhas

e não desce à cidade

e sobe às nuvens que andam à procura de forma

antes de desaparecer.


Para que queres que te apareça

se me agrada não ter horas a toda a hora?

A preguiça do céu entrou comigo

e prescindo da realidade como ela prescinde de mim.


Para que me lastimas

se este é o meu auge?!

Eu tive a dita de me terem roubado tudo

menos a minha torre de marfim.

Jamais os invasores levaram consigo as nossas torres de marfim.


Levaram-me o orgulho todo

deixaram-me a memória envenenada

e intacta a torre de marfim.

Só não sei que faça da porta da torre

que dá para donde vim.


Poema de  José de Almeida Negreiros (1893-1970) dedicado a Carlos Queiroz e publicado no Suplemento Literário  Diário de Lisboa, em 25 de Novembro de 1937

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publicado às 21:42


#1140 - Livros e Leituras

por Carlos Pereira \foleirices, em 24.01.10


" Da quietude pesada da tarde saiu um lamento, acompanhado de um barulho que parecia produzido por um corpo a roçar nos degraus da escada e pelo som pausado de uma mão que batia na parede a um ritmo de soco. O rumor durou pouco tempo, apenas o suficiente para eu me aperceber da sua estranheza. Mas não me mexi imediatamente. Primeiro, ainda pensei que viesse do interior da minha sonolência. Ou talvez não passasse de uma brincadeira de crianças. Fiquei imerso numa vaga de indiferença, talvez um minuto, a ouvir aquele murmúrio, semelhante a um coração a pulsar na distância. Se tivesse ali permanecido, sem vontade para investigar, nada haveria para contar nestas páginas, o que seria bem melhor para mim, sem dúvida. Mas a curiosidade levou-me a abrir a porta. Saí para o corredor colectivo (a varanda típica corrida dos prédios húngaros) e abri a porta da escada (tarefa que me levou o que parceu uma eternidade, enquanto escolhia o exemplar certo de um molho de chaves indistintas). E entrei na escadaria."

 

Excerto do livro "Territórios de caça", de Luís Naves, edição da Quetzal Editores, 2009, ISBN:978-972-564-826-1

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publicado às 19:48



José Saramago e António Lobo Antunes - O Fla-Flu dos Romancistas

Rivais, os escritores portugueses José Saramago e António Lobo Antunes mobilizam partidários apaixonados e protagonizam uma disputa que envolve vida pessoal e literatura

Por Anna Carolina Mello


A rivalidade não é tão agressiva quanto a que se deu quando o escritor peruano Mario Vargas Llosa descobriu que sua mulher se envolvera com o ex-amigo Gabriel García Márquez; nem tão ressentida quanto aquela que o britânico Martin Amis provocou ao passar para trás a mulher do colega Julian Barnes, contratando outro agente literário. A rixa entre os portugueses José Saramago e António Lobo Antunes não teve vexame ou dissolução de amizade. Mas há algo que a torna especialmente divertida: mesmo sem um motivo aparente para existir, ela mobiliza partidários apaixonados dos dois lados. Comparam-se as obras, medem-se os prêmios e até as vidas pessoais de ambos entram no escrutínio dessa disputa. Nesse embate, sobram palavras e apreciações pouco agradáveis.

 

 

Recentemente, ambos despertaram os ânimos de suas respectivas torcidas com lançamentos quase simultâneos: Saramago, com Caim; Lobo Antunes, com Que Cavalos São Aqueles que Fazem Sombra no Mar?. Eles não se evitam na vida civil, como os citados acima, mas também não fazem questão de disfarçar a hostilidade. Em 1998, Lobo Antunes e seus partidários receberam o mais duro dos golpes: o Nobel de Literatura concedido a Saramago - o primeiro e provavelmente durante muito tempo único entre escritores de língua portuguesa. Na ocasião, um jornalista do The New York Times ligou para Lobo Antunes atrás, naturalmente, de declarações ácidas. Informado do ocorrido, Lobo Antunes silenciou por alguns segundos do outro lado da linha. Depois, fez-se de desentendido e, dizendo que a ligação estava ruim e que mal podia ouvir, desligou.

 

 

Nessa época, Saramago já era bastante festejado no Brasil, com romances como Memorial do Convento (1982) e Ensaio Sobre a Cegueira (1995). Lobo Antunes, ao contrário, era praticamente um desconhecido, com poucos e mal-vendidos livros, entre eles Os Cus de Judas (1979) e Manual dos Inquisidores (1996). Em 2000, durante a feira de livros de Frankfurt - em que são fechados os principais contratos de publicação do mundo - Lobo Antunes rejeitou um pedido de entrevista feita pelo jornal Folha de S.Paulo. "Deixem o Brasil para o Saramago. É o único lugar que ele tem", disparou. No ano passado, durante a Festa Literária Internacional de Paraty, voltou ao tema de forma mais bem-humorada. "Vocês gostam mais do outro", brincou com o público.

 

Saramago, por seu turno, já disse que não conhece "esse sujeito" e que "não se interessa por ele". Em 1998, presenteado com um livro do oponente por um jornalista do tabloide português Tal & Qual, o escritor fechou a cara e devolveu o livro, porque acreditava ser uma provocação. A versão fantasiosa do fato, contudo, atiçou os ânimos: dizia-se que o autor havia jogado o exemplar no chão, por conta do título da reportagem - Atirado ao Chão -, que brincava com o nome do romance de Saramago, Levantado do Chão (1980).

 

À parte as fofocas, existe a divisão literária. Nas páginas a seguir, os jornalistas e críticos José Castello e Paulo Polzonoff Jr., que no Brasil ocupam lados opostos nesse ringue, defendem cada um a obra de sua preferência. Apaixonada mas civilizadamente - sem vexame nem dissolução de amizade.

 

 

O ENSAÍSTA ENVERGONHADO
Ao romper com as regras clássicas da gramática e optar por uma linguagem flutuante, Saramago questiona o dogma contemporâneo da clareza por José Castello

 

José Saramago disse certa vez: "Talvez eu não seja um romancista, mas um ensaísta que escreve romances". Em vez de diminuir a potência de sua ficção, a ideia do ensaísta envergonhado a alarga. Para o escritor português, a literatura deixa de ser só uma experiência estética, ou um jogo de linguagem. Ela se alça ao posto de saber e ombreia com a verdade. Ao desestabilizar as certezas históricas com o sal da ficção, Saramago não só relativiza verdades consagradas, mas destaca seu aspecto imaginário. Ele amplia, ainda, o terreno da própria ficção, que deixa de ser apenas invenção e sonho, para se tornar algo bem mais potente: um elemento crucial na constituição do mundo.

 

Personagens como o revisor Raimundo Silva, de História do Cerco de Lisboa - que, ao introduzir uma palavra inexistente em um ensaio histórico, revira a verdade - ou o escriturário sr. José, de Todos os Nomes - que completa com a imaginação as informações do Registro Civil -, ampliam a potência da verdade, em vez de danificá-la. Alargam, assim, as fronteiras da literatura, que deixa de ser uma ilusão a nos distrair da vida, para se tornar uma pergunta com que a perfuramos.

 

Ao romper com as regras clássicas da gramática e optar por uma linguagem flutuante, Saramago questiona um dos mais sagrados dogmas contemporâneos: a clareza. Nem sempre a objetividade e a transparência são garantias de acesso à realidade. Ao contrário: retendo as coisas em sua moldura de luz, a clareza é, com frequência, falsificação. Para ele, só uma linguagem dançante, que acompanhe os deslizes e imperfeições do pensamento, nos aproxima, de fato, do mundo.

 

Em uma era pragmática, Saramago se preocupa mais em seduzir e hipnotizar o leitor do que em convencê-lo. As dificuldades propostas por seus livros - como o sósia que perturba a vida do professor Tertuliano Máximo Afonso, em O Homem Duplicado - não são questões a desvendar, ou solucionar. São, ao contrário, desafios. Saramago sabe que a escrita nada mais pode que sondar o enigma humano. É a partir desse limite de desamparo (e sabedoria) que ele escreve.

 

A tragédia relatada no Ensaio Sobre a Cegueira não atinge só os personagens do romance, mas o próprio leitor, que é obrigado, também, a "cegar-se" para lidar com o filtro opaco e limitado da língua. Os personagens de Saramago carregam em seus ombros o duplo sentido da palavra sujeito: se eles fazem e acontecem (afinal, a imaginação manda), estão também submetidos (sujeitos) às apertadas amarras que delimitam a realidade.

 

Muitas vezes reduzida, injustamente, a um exercício de estilo, a literatura de Saramago é não só vital, mas convulsiona os fundamentos de nossas vidas. "Vivemos para dizer o que somos", o escritor insiste em afirmar. A literatura, para José Saramago, é a busca interminável (e fracassada) do outro. Por isso, não conseguimos abandonar seus livros.

 

 

José Castello é jornalista e escritor, autor de Fantasma e A Literatura na Poltrona, entre outros.

 

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O CARPINTEIRO DA FRASE
Uma das maiores virtudes de Lobo Antunes é o desprezo por esta entidade cada vez mais homogênea chamada leitor Por Paulo Polzonoff Jr.

 

António Lobo Antunes chamou minha atenção em 1998, em uma entrevista encontrada na internet. Lembro-me de ficar entusiasmado com frases como "Os leitores são umas putas. Amam-nos e depois nos deixam". Mas o que mais me atraiu naquele autor desconhecido foi a visão da literatura como uma obra de carpintaria - para tomar emprestada uma ideia do escritor mineiro Autran Dourado. O primeiro contato com um livro do escritor foi, entretanto, frustrante. Deliciosamente frustrante. Ao contrário de autores de vanguarda, como o irlandês James Joyce, havia mais do que um simples desejo de revolucionar a escrita na falta de linearidade daquela prosa. Havia um propósito.

 

Mas mergulhar nos desvãos da mente humana é complicado. E Lobo Antunes sabe transpor para o papel esta complicação toda. É possível que o leitor se sinta atordoado. Aí é que encontramos mais uma (se não a maior) virtude do escritor: o desprezo para esta entidade cada vez mais homogênea chamada leitor. Não se deixe enganar: este desprezo é uma expressão de respeito pela individualidade do leitor. Na obra do escritor, nenhum grupo merece destaque. É como se não houvesse multidões. Os personagens são seres muito particulares, idiossincráticos, indefiníveis. O coletivo inexiste. As pessoas não andam nem agem em bando. Mais importante: não sentem em bando. Até mesmo a guerra não é vista como uma ação organizada de um grupo militar. Lobo Antunes olha para cada personagem com atenção individualizada.

 

Esta atenção ao ser humano como unidade é a responsável tanto pela fama quanto pela rejeição à sua obra. Nos romances do português, não há grandes ilhas, e sim um gigantesco arquipélago formado por ilhotas individuais, cada qual com seus rios, vales, montanhas, praias e até vulcões. Mas seria um erro dizer que Lobo Antunes é um escritor para poucos. Sim, o estilo de seus romances pode afastar o leitor mais desprevenido. Os Cus de Judas, por exemplo, é um livro atordoante. Mas só até que o momento em que se estabelece um diálogo muito natural entre aqueles parágrafos interrompidos por digressões diversas.

 

Lobo Antunes tem ainda um lado bastante acessível: o de cronista. Infelizmente, seus livros de crônicas não foram publicados no país. Nos textos curtos, ele exibe seu talento para o mundo pequeno de personagens menores ainda. Dramazinhos cotidianos alçados à condição de arte: o pompom da cortina emoldurado e pendurado no Louvre, ou o diálogo na padaria expresso com tanta beleza que pode levar (sem exagero) às lágrimas.

O escritor é dono ainda de algumas das frases mais belas da língua portuguesa. Às vezes - ainda que isso possa parecer, na melhor das hipóteses, uma excentricidade -, gosto de abrir um calhamaço como Boa Tarde às Coisas Aqui Em Baixo e ler apenas uma página, a esmo, em voz alta, saboreando o fraseado.

 

Paulo Polzonoff Jr. é jornalista e tradutor. É autor de A Face Oculta De Nova York.

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publicado às 23:39


#1112 - Prémio Clube Literário do Porto

por Carlos Pereira \foleirices, em 28.12.09



José Rodrigues dos Santos é o vencedor da edição de 2009 do Prémio Clube Literário do Porto 2009. O prémio, no valor de 25.000 € , visa galardoar o autor que mais criatividade teve no  domínio da ficção no ano em que é atribuído.

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publicado às 18:10


#1058 - Novo romance de Valter Hugo Mãe editado pela Objectiva

por Carlos Pereira \foleirices, em 03.12.09

O autor de O Nosso Reino (Temas e Debates), O Remorso de Baltazar Serapião e O Apocalipse dos Trabalhadores (ambos na Quidnovi) regressa com um novo romance em Fevereiro com o selo da Objectiva. Em Julho, Valter Hugo Mãe adiantava nas páginas da LER (nº 82). «Estou a meio do livro. Trata-se do senhor Silva que tem 84 anos e acaba de perder a esposa com quem passou mais de 50 anos de vida em comum. A narrativa pretende fazer um exercício de justificação para a vida depois de uma perda desta dimensão. A morte da companhia é uma fractura terrível mas o ser humano segura-se à vida mesmo sem perguntar o que é que ainda falta. Trata-se de um texto muito forte com passagens muito duras mas também com páginas de uma certa casmurrice, senilidade e ternura. [...] No livro digo que a velhice é suportável porque vamos perdendo a consciência das coisas. O que parece uma asneira para os mais novos é um mecanismo de sobrevivência dos mais velhos para manter o corpo vivo, apreciando alguns raios de sol depois de uma tragédia tão grande. Tenho a certeza que não vou chegar a velho, por isso escrevo o pensamento de um homem mais velho do que eu. Vi chegar a minha calvície aos 19 anos, aí percebi a precocidade da discrepância entre idade real e idade aparente.»

 

Fotografia de Pedro Loureiro.

In Revista Ler

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publicado às 00:17


#1037 - Nada de Dois, por Pedro Mexia

por Carlos Pereira \foleirices, em 18.11.09

Lançamento marcado para amanhã, às 19h, no foyer do Teatro Aberto, em Lisboa, com apresentação de Nuno Artur Silva e leitura de excertos por Joana Seixas e Albano Jerónimo.

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publicado às 13:00


#1027 - Jacinto Lucas Pires apresenta ‘Os Quais’

por Carlos Pereira \foleirices, em 10.11.09

Faro: Sexta-feira, dia 13, no Centro de Artes Performativas


O escritor Jacinto Lucas Pires e o pintor Tomás Cunha Ferreira conheceram-se há cerca de duas décadas. Os gostos comuns pelos diversos aspectos da arte, leva-os, de vez em quando, a juntarem-se em espectáculos de música de qualidade.

É o caso da apresentação do musical ‘Os Quais’, sexta--feira, dia 13, às 21h30, no CAPa- Centro de Artes Performativas, em Faro.

 

Lucas Pires será a voz e a guitarra eléctrica deste duo, que não quer ser apresentado como um dueto e muito menos como um projecto.

 

Lucas Pires será acompanhado por Tomás Cunha Ferreira em omnichord e violão. A voz e pianet T de Madalena Sassetti completa o elenco do programa do espectáculo.

 

Jacinto Lucas Pires tem vários livros publicados. ‘Azul turquesa’ (ficção 1998), ‘Livro usado’ (viagem ao Japão 2001), ‘Perfeitos milagres’ (romance 2007), ‘Assobiar em público’ (contos 2008). Realizou duas curtas-metragens e escreve teatro para diversos grupos e encenadores.

 

Tomás Cunha Ferreira é pintor e expõe regularmente desde 2000. Actualmente, é professor de Pintura, Desenho e Comunicação social na Universidade de Évora.

Os bilhetes para o espectáculo custam seis euros, havendo descontos para menores de 26 anos e maiores de 65 bem como para estudantes.

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publicado às 13:12


#1016 - António Franco Alexandre

por Carlos Pereira \foleirices, em 07.11.09



o teu amor, bem sei, é uma palavra musical,

espalha-se por todos nós com a mesma ignorância,

o mesmo ar alheio com que fazes girar, suponho, os epiciclos;

ergues os ombros e dizes, hoje, amanhã, nunca mais,

surpreende o vigor, a plenitude

das coxas masculinas, habituadas ao cansaço,

separamo-nos, à procura de sinais mais fixos,

e o circuito das chamas recomeça.


é um país subtil, o olho franco das mulheres,

há nos passeios garrafas com leite apenas cinzento,

os teus pais disseram: o melhor de tudo é ser engenheiro,

morrer de casaco, com todas as pirâmides acesas,

viajar de navio de buenos aires a montevideu.

esta á a viagem que não faremos nunca, soltos

na minuciosa tarde dos lábios,

ágil pobreza.


permanentemente floresce o horizonte em colinas,

os animais olham por dentro, cheios de vazio,

como um ladrão de pouca perícia a luz

desfaz devagarmente os corpos.

ele exclama: quando me libertarás da tosca voz dormida,

para que se veja

alto e altivo o coração das coisas? até quando aguardarei,

no harmonioso beliche, que a tua visão cesse?

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publicado às 23:19


#1010 - Gastão Cruz

por Carlos Pereira \foleirices, em 07.11.09

Então a Voz

Então a voz passou por cima

do oceano
e era um som de vagas
 
o mesmo som ouvido nos verões
quando a luz sobre a pele
se transformava em água

 

Gastão Cruz, Os Poemas [1960-2006] - já disponível nas livrarias


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publicado às 19:58


#992 - (Re)Leituras

por Carlos Pereira \foleirices, em 02.11.09



Título: Sinais de Fogo

Autor: Jorge de Sena

N.º pág. 526

Editor: Edições 70, 1978

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publicado às 23:34


#930 - O Livro do Senhor Soares

por Carlos Pereira \foleirices, em 31.07.09

Por Adelto Gonçalves (*)

 

BUONA NOTTE, SIGNOR SOARES (BOA NOITE, SENHOR SOARES), de Mário Cláudio, tradução para o italiano de Brunello de Cusatis. Perugia: Morlacchi Editore, 141 págs., 2009, 13 euros; Lisboa: Publicações Dom Quixote, 2008.
E-mail: editore@morlacchilibri.com
Site: morlacchilibri.com


I
Publicado em 2008 por Publicações Dom Quixote, de Lisboa, o romance "Boa noite, senhor Soares", o mais recente livro de Mário Cláudio (1941) – se bem que é temerário afirmar-se isto, pois o prolífico autor parece que está sempre a publicar uma nova obra –, acaba de ganhar tradução para o italiano pelo professor Brunello De Cusatis, responsável pela cátedra de Literaturas Portuguesa e Brasileira da Universidade de Perugia, na coleção Letteratura Luso-Afro-Brasiliana da Morlacchi Editore, de Perugia, que já editou obras do angolano José Eduardo Agualusa (Frontiere perdute) e do brasileiro José Clemente Pozenato (Il caso del martello) e tem prevista a publicação de Il giorno in cui Paperino s´è fatto per la prima volta Paperina e altre storie, do português João Melo, e Racconti, do brasileiro Sérgio Faraco, todas em português e italiano.


Em Boa noite, senhor Soares, Mário Cláudio recria a sociedade lisboeta de 1931, por meio do heterônimo Bernardo Soares, de Fernando Pessoa (1888-1935), ajudante de guarda-livros e empregado de escritório na Rua dos Douradores, na Baixa de Lisboa. Como se sabe, o personagem seria o autor hipotético do Livro do Desassossego por Bernardo Soares, obra escrita de forma fragmentária por Pessoa entre 1913 e 1935, ou seja, durante quase toda a sua vida literária. Não há dúvida que este personagem, ou heterônimo, confunde-se com o seu criador, a ponto de não se saber onde começa a ficção e termina a vida pessoal.


A narrativa, porém, passa-se em torno de Antônio da Silva Felício, candidato a caixeiro-ajudante no armazém de tecidos da Rua dos Douradores, e do senhor Soares, figura apagada e fugidia que trabalha também como tradutor nesse mesmo armazém, a exemplo do que fazia profissionalmente Pessoa. A vida cinzenta, sem maiores lances de ousadia, de Felício permite ao leitor conhecer uma Lisboa bairrista e tradicional nos costumes, em que a mulher desempenhava um papel secundário na sociedade, representado no texto, de forma particularmente dura, pela irmã do narrador, que levava uma vida escrava de dona-de-casa, dividida entre tratar da filha, cuidar da sogra e ainda ter tempo para cozinhar e satisfazer o marido machista, que, provavelmente, preferia ficar a beber nas tascas com os amigos.
II
Ainda que o aproveitamento de heterônimos de Fernando Pessoa como personagens de romances não seja novidade, depois que José Saramago (1922) escreveu O ano da morte de Ricardo Reis (Lisboa, Editorial Caminho, 1984), ou mesmo do próprio poeta por autores menos talentosos, Mário Cláudio consegue manter o interesse do leitor com uma prosa fluida em que procura intuir, por meio da memória de Felício, o que teria sido o itinerário da vida de Soares.


“Ainda hoje o senhor Soares passa pela Rua Augusta, pela Rua da Prata, pela Rua dos Douradores, e pela Rua dos Fanqueiros, com as abas da gabardine desfraldadas ao vento que vem do Tejo. Ela roça o braço nos empregados do escritório, nas costureiras, nas secretárias, e nos moços de fretes, e um nó de angústia aperta-lhe a garganta, maravilhado e dorido por essa gente que transita (...). (p.74).


Com extrema habilidade para imitar o texto pessoano ou o estilo de Bernardo Soares, o autor dá vida ao armazém do patrão Vasques e do seu sócio capitalista, Alcino dos Santos Camacho, além resgatar outros personagens-funcionários como Borges, um faz-tudo na empresa, Moreira, o guarda-livros, José, Sérgio e Vieira, os caixeiros de praça, Antônio, o aprendiz de caixeiro, Tomé e Ernesto, os caixeiros-viajantes, Antônio, o moço de recados, e o gato Aladino, além, é claro, de Soares, o ajudante de guarda-livros e tradutor. Os demais personagens são integrantes da família de Felício, o aprendiz de caixeiro, que nunca fizeram parte do universo de Soares: Florinda, sua irmã, Gomes, o cunhado, Mimi, a sobrinha, a tia Celeste e Serafim, filho da tia Celeste que emigrara para o Brasil.


Por intermédio de Felício, o narrador, que funciona como ghost writer do antigo ajudante de caixeiro já no ocaso da vida, na década de 1980, trata de reatar os fios soltos de uma Lisboa que não existe mais, que vive apenas na memória do idoso, em suas lembranças mais caras, como aquela do dia em que completou dezoito anos em 1933 e, a convite de seus colegas de escritório, foi até ao Bairro Alto, onde todos jantaram numa taverna, perambularam por vielas e ruas estreitas até que desembocaram na Rua da Rosa, local em que o aniversariante teve a sua primeira experiência sexual, paga pelos amigos do escritório. Foi o seu inesquecível presente de aniversário, a uma época em que nem Sida (Aids) nem outras doenças venéreas assustavam tanto.


É uma cidade cinzenta, imersa no salazarismo em que o anacoreta de São Bento comandava da vida dos portugueses como se cuidasse de um teatrinho de títeres. Para os bem sucedidos na vida, porém, a vida não seria tão cinzenta: a filha de Camacho, o sócio capitalista, chega à maioridade e o ricaço que vivia num chalé de luxo na Brandoa convida todo o pessoal do armazém para uma festa em sua casa cujo ponto culminante é a entrega à rapariga de um “sobrescrito fechado” como cinqüenta contos de réis de prenda, uma dinheirama e tanto. Da festa, que marca o desnível social entre patrões e empregados, o pessoal do escritório fica apenas com uma fotografia em que ao fundo aparece a figura esquiva do senhor Soares com seus “olhitos piscos”.


Vivendo agora nas Galinheiras, um bairro degradado e meio esquecido na imensa Lisboa de hoje, o septuagenário Felício sabe que, apesar da vida fosca que levara, tivera a oportunidade de conviver diariamente com um homem que, meio século depois, transformar-se-ia em gênio da raça portuguesa, da estirpe de Luís de Camões (c.1524-1580), mas que em vida fora visto mais como um louco manso que andava nas nuvens e escrevia sem parar (e que, sem que quase ninguém soubesse, deitava as páginas um tanto a esmo numa arca).


Como não sabe escrever ou, no máximo, assinaria muito mal o nome, Felício começa a pensar num escritor que pudesse resgatar suas lembranças, antes que tivesse de entrar naquele túnel sem volta a que todo ser está condenado. Até que o encontra. E encontra um escriba disposto a escrever a sua história sem lhe cobrar um tostão pela tarefa, embora, por outro lado, não lhe garantisse maior veracidade ao que escrevesse na comparação com o que ouviria:


“(...) Eu utilizo palavras que o senhor é capaz de ignorar, recuso-me a aplicar umas quantas daquelas que o senhor usa, cometo umas elegâncias que alguns julgam excessivas, mas de que há quem goste, e acrescento por capricho vários posinhos ao que para certas pessoas mereceria um posinho só”. (...). (p.138).


Seja como for, ao septuagenário não há alternativa, a não ser confiar naquele que se propõe a ajudá-lo a resgatar do limbo de mais de cinqüenta anos aquelas lembranças fugazes, marcadas mais por gestos tímidos do que por palavras. Até porque o senhor Soares, figura fugaz, era homem de parcas palavras. A ponto de, no seu último dia no escritório do patrão Vasques, ao recolher seus pertences no cacifo e virar as costas em direção à porta da rua, foi com o senhor Soares, vindo na direção contrária, que se deparou. Abraçaram-se. E ouviu um murmúrio, quase um soluço, junto à orelha: “Até sempre, Antônio”. Em resposta, disse-lhe: “Boa noite, senhor Soares”.
III
Mário Cláudio (1941) faz parte de um seleto grupo de escritores portugueses – em número superior ao de brasileiros, apesar da diferença brutal entre o contingente populacional de cada país – que alcançaram projeção internacional, com livros traduzidos para o inglês, francês, alemão, húngaro, croata, checo e italiano.


Essa notoriedade, como assinala o professor Brunello de Cusatis na apresentação deste livro, teve início a partir das três biografias romanceadas que escreveu: uma do pintor futurista Amadeo de Souza-Cardoso (Amadeo, Lisboa:Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1984), outra de uma violoncelista, Guilhermina Suggia (Guilhermina, Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1986), e a terceira de uma ceramista analfabeta, Rosa Ramalha (Rosa, Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1988), personalidades de destaque da cultura lusa nos meios cultos europeus. Outra figura ímpar da cultura portuguesa que teve sua biografia escrita por Mário Cláudio foi Camilo Castelo Branco (Camilo Broca, Lisboa: Publicações Dom Quixote, 2006).


Recuperado do espólio literário de Fernando Pessoa, que hoje faz parte do acervo da Biblioteca Nacional de Lisboa, pelas pesquisadoras Maria Aliete Galhoz e Teresa Sobral Cunha, o Livro do Desassossego por Bernardo Soares foi publicado pela editora Ática, em 1982, em dois volumes organizados por Jacinto do Prado Coelho. Em 1986, António Quadros deu outra organização ao livro, que saiu pela Europa-América.


Em 1991, Teresa Sobral Cunha preparou outra edição, que saiu pela editora Presença. No Brasil, em 1986, Leyla Perrone-Moisés organizou uma edição para a editora Brasiliense. E, em 1999, a Companhia das Letras publicou a edição preparada pelo tradutor de Pessoa para o inglês, Richard Zenith, que propôs outra organização para os fragmentos.
IV
Mário Cláudio, pseudônimo de Rui Manuel Pinto Barbot Costa, nasceu no Porto, numa família da burguesia industrial de raízes irlandesas, castelhanas e francesas ligada à História da cidade nos últimos três séculos. No Porto, cursou o liceu e, em seguida, matriculou-se na Faculdade de Direito da Universidade Clássica de Lisboa, tendo depois se transferido para a Universidade de Coimbra, onde se graduou em 1966.


Assumiu a direção da Biblioteca Municipal de Vila Nova de Gaia, de onde saiu para freqüentar a Universidade de Londres, graduando-se como Master of Arts, em 1976, defendendo uma tese que seria parcialmente publicada com o título Para o Estudo do Analfabetismo e da Relutância à Leitura em Portugal (Porto: Brasília Editora, 1979), o único livro que assinou com o seu nome civil (Rui Barbot Costa). De regresso a Portugal, exerceu funções técnicas no Museu Nacional de Literatura. Em 1985, iniciou-se como professor na Escola Superior de Jornalismo do Porto e, atualmente, é professor convidado da Universidade Católica do Porto e da Fundação de Serralves.


Em 1969, publicou o seu primeiro livro de poesia, Ciclo de Cypris, em edição de autor financiada por seu pai, à época em que estava na Guiné participando da guerra colonial. Em 1972, publicou Sete Solstícios, também de poesia. Foi em 1974 que deu à estampa o seu primeiro romance, Um verão assim (Porto: Livraria Paisagem, 1974). Ao final da década de 70 e início dos anos 80, intensificou sua atividade literária, publicando dois romances – As máscaras de sábado (Lisboa: Assírio & Alvim, 1976) e Damascena (Lisboa: Contexto Editora, 1983) –, três livros de contos – Improviso para duas estrelas de papel (Porto, Edições Afrontamento, 1983), Das torres ao mar (Porto, Edições O Oiro do Dia, 1983) e Olga e Cláudio (Porto: Edições Afrontamento, 1984) – e três livros de poesia – A voz e as vozes (Porto, Editorial Inova, 1977), Estâncias (Porto: Brasília Editora, 1980) e Terra Sigillata (Lisboa, Edições & Etc., 1982), seguindo-se outro livro de poesia na década de 90, Dois equinócios (Porto: Campo das Letras, 1996).
De 1990 a 1997, Mário Cláudio publicou uma segunda trilogia de romances: A quinta das virtudes (Lisboa, Quetzal Editores, 1990; Tocata para dois clarins (Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1992) e O pórtico da Glória (Lisboa: Publicações Dom Quixote,1997), onde a História volta a cruzar com a ficção, mas desta feita incorrendo na autobiografia familiar. Entre 2000 e 2004 publicou outra trilogia, composta por Ursamaior (Lisboa: Publicações Dom Quixote, 200) Oríon (Lisboa: Publicações Dom Quixote, 2003) e Gêmeos (Lisboa: Publicações Dom Quixote, 2004), e que é descrita pelo autor como relacionada com “situações de alguma marginalidade” e “discurso problemático com o poder”.


Ganhou o prêmio Associação Portuguesa de Escritores (APE) de Romance e Novela em 1984 com a obra Amadeo. É considerado um dos mais importantes autores portugueses das últimas duas décadas. Embora se tenha dedicado à poesia, ao teatro, à tradução e ao ensaio e estudos literários, tendo publicado no total pelo menos 58 livros, é no romance que Mário Cláudio mais se tem destacado. Em 2004, foi agraciado com o Prêmio Fernando Pessoa.

____________________________________

(*) Adelto Gonçalves é doutor em Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo e autor de Gonzaga, um Poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona Brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2002) e Bocage – o Perfil Perdido (Lisboa, Caminho, 2003). E-mail: marilizadelto@uol.com.br


Publicado na Revista "STORM MAGAZINE

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publicado às 18:38


#921 - Roteiro da Precária Luz

por Carlos Pereira \foleirices, em 30.07.09

 

Maldito seja quem deste povoado

falar, por isso, como de um

pacote de rebuçados de nostalgia,

pois que digníssima é a dimensão

da linha de praias saturadas de óleo,

dos faróis que não prevêem o desastre dos

naufrágios que compõem um anel de

corrosão, do rosto das crianças exiladas do fogo.

E dura-se, entretanto, em certos interiores,

com o cheiro do café de saco

ou do sabonete da barba, e o

tédio equivale a uma esguia luz

de leitura, à fadiga da faina

desconexa do mercado ribeirinho,

ao amordaçado ruído, enfim, que

executa o movimento

de alguma bola de bilhar


Mário Claúdio - Roteiro da Precária Luz

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publicado às 23:35


#918 - "Se dá trabalho também dá prazer"

por Carlos Pereira \foleirices, em 30.07.09


Alice Vieira, escritora há 30 anos, está de parabéns “por tantos e tão bons livros”, slogan da megacampanha que a Leya lhe preparou em surpresa. Até o neto dar o alarme.


Correio da Manhã – Como é que "uma escritora de manias" mas sem "a mania das grandezas" lida com uma megacampanha que inclui posters e crachás...

Alice Vieira – Só comecei a perceber que havia qualquer coisa por aí quando todos os jornais, de repente, queriam falar comigo... E quando um dos meus netos, o Diogo, disse: "Na FNAC há um cartaz com uma cara igual à tua. Só não és tu porque a do cartaz tem o cabelo azul..." Uma das coisas de que mais gosto na campanha é desse meu súbito cabelo à Wanda Stuart!

– E que manias são aquelas de que é pecadora confessa?

– Antes de começar a escrever tenho de limpar a mesa, ponho um caderno moleskine novo ao lado do computador, encho a parede em frente com fotografias das pessoas que amo e escolho o CD que me vai acompanhar durante o tempo de escrita. Cada romance tem a sua música de fundo... O próximo, a começar no dia 1 de Agosto, vai ter a ‘Mãe’ do Rodrigo Leão.

– Além do merchandising, a editora vai enviar um livro seu para Timor por cada postal que uma criança lhe escreva... Ideia sua?

– Foi. Achei boa ideia ligar a minha paixão pela escrita à minha paixão por Timor... Timor só suscita reacções extremas: ou se odeia ou se ama. Senti que ia ficar ligada desde o momento em que pisei aquela terra. E as pessoas são tão cativantes, abraçam-nos, querem sempre aprender mais. A única coisa que vi as crianças pedir foi lápis.

– Este é o Ano Alice Vieira?

– Todos são. Estou contente por os meus patrões se lembrarem de festejar os meus 30 anos de trabalho, mas não vou trabalhar mais nem melhor... O que dá trabalho, dá prazer e já tenho encomendas para três romances, um livro de crónicas e um texto para o maestro Eurico Carrapatoso musicar para a Orquestra Metropolitana de Lisboa...

– E a sua relação com a poesia?

– É uma relação diferente da que tenho com o resto da minha produção. Acho que devia ter usado outro nome, não como pseudónimo, mas como heterónimo porque, em poesia, sou mesmo outra pessoa.

– Desde a estreia, com ‘Rosa, Minha Irmã Rosa’, o que mudou?

– Tudo. O Mundo. Um mundo sem telemóveis nem laptops, sem via verde nem multibanco, sem televisão por cabo nem microondas, sem CD nem Zara... E nós vivíamos!

PERFIL

Alice Vieira completou este ano 66 de idade, 40 de jornalismo e 30 de literatura. Com obra feita e premiada em todos os géneros, é nos jovens que tem os mais fiéis leitores e, já em Setembro, recebe em Gotemburgo, o Prémio Peter Pan. Há dois anos descobriu a poesia e, dois livros mais tarde (‘Dois Corpos Tombando na Água’ e ‘O Que Dói às Aves’), é oficial: temos poeta!


Entrevista publicada no "Correio da Manhã"

 

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publicado às 12:12


#880 - Prémio Peter Pan distingue romance de Alice Vieira

por Carlos Pereira \foleirices, em 21.07.09

A escritora Alice Vieira obteve, com o romance juvenil "Flor de Mel", a Estrela de Prata do Prémio Peter Pan, atribuída pela International Board on Books for Young People, IBBY, e a Feira do Livro de Gotemburgo, na Suécia.

"Honungsblomma" na tradução sueca, "Flor de Mel" foi publicado na Suécia pela Lusima Böcker em 2008. O prémio, sem dotação pecuniária, consta de um diploma para o autor, o ilustrador, o tradutor e o editor sueco.

Como a autora relembrou à agência Lusa, o livro, um dos primeiros romances juvenis que escreveu, conta "a história de uma criança muito imaginativa que vive com o pai, mas a quem nunca ninguém fala da mãe e para quem ela imagina destinos fabulosos".

No final, o pai "aparece em casa com uma senhora ao lado" mas, observa Alice Vieira, tudo fica "um bocadinho em aberto: os mais optimistas dirão que é a mãe que regressa, outros que é a segunda mulher do pai".

"É uma história muito poética", sintetizou.

Relativamente ao prémio, que vai juntar-se a uma já longa lista de galardões recebidos numa carreira literária iniciada há 30 anos, Alice Vieira realça sobretudo a importância que tem o reconhecimento do seu trabalho literário por entidades prestigiadas como a IBBY.

Instituído em 2000 pelo IBBY e pela Feira do Livro de Gotemburgo, o Prémio Peter Pan é atribuído anualmente a um livro infantil ou juvenil de autor estrangeiro com qualidade literária e temática.

O IBBY, uma associação internacional sem fins lucrativos criada em 1953 em Zurique e com secções nacionais em dezenas de países, entre os quais Portugal, apoia a divulgação, por vários meios, da boa literatura para crianças e jovens em todo o mundo

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publicado às 12:42


#863 - Julieta Monginho ganhou Grande Prémio da APE

por Carlos Pereira \foleirices, em 10.07.09

Ao Prémio concorreram 101 obras de 101 escritores -69 homens e 32 mulheres

 

"A Terceira Mãe", de Julieta Monginho, editado pela Campo das Letras, venceu o Grande Prémio de Romance e Novela APE/Direcção Geral do Livro e das Bibliotecas, no valor de 15.000 euros.

Ao Prémio concorreram 101 obras, o maior número de sempre, de 101 escritores - 69 homens e 32 mulheres - tendo a chancela de 35 editoras, esclarece uma nota da Associação Portuguesa de Escritores (APE).

O júri, liderado pelo vice-presidente da APE, José Correia Tavares, foi constituído por Ana Marques Gastão, Annabela Rita, Armando Silva Carvalho, Cristina Robalo Cordeiro e Fernando Pinto do Amaral.

A mesma nota da APE esclarece que o júri deliberou por maioria, tendo a obra e Julieta Monginho recebido os votos de Ana Marques Gastão, Annabela Rita e Cristina Robalo, enquanto Armando Silva Carvalho e Fernando Pinto do Amaral votaram em "Myra", de Maria Velho da Costa, editado pela Assírio & Alvim.

O Grande Prémio de Romance e Novela distinguiu já 23 autores, de 16 editoras, havendo quatro autores que bisaram: Vergílio Ferreira, António Lobo Antunes, Agustina Bessa-Luís e Maria Gabriela Llansol.

O volume "Bilhetes de Colares 1982-1998 "(Assírio & Alvim), de A. B. Kotter, pseudónimo de José Cutileiro, venceu por unanimidade, o Grande Prémio de Crónica Associação Portuguesa de Escritores/C. M. de Sintra. Do júri, que se reuniu na terça-feira, fizeram parte Ernesto Rodrigues, José Manuel de Vasconcelos e Maria Augusta Silva.

 

 

Notícia retirada do Ípsilon

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publicado às 00:22


Maria Filomena Mónica diz que com a idade está a perder a raiva, porque a raiva cansa muito. Mas continua a fazer e a dizer tudo o que lhe apetece.


Maria Filomena Mónica, em entrevista ao "i", conversa sobre Eça de Queirós

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publicado às 09:37


#838 - Novo livro de Miguel Sousa Tavares nas livrarias

por Carlos Pereira \foleirices, em 07.07.09

 
 
A partir de hoje nas livrarias
 
 

«Esta história que vos vou contar passou-se há vinte anos. Passou-se comigo há vinte anos e muitas vezes pensei nela, sem nunca a contar a ninguém, guardando-a para mim, para nós que a vivemos. Talvez tivesse medo de estragar a lembrança desses longínquos dias, medo de mover, para melhor expor as coisas, essa fina camada de pó onde repousa, apenas adormecida, a memória dos dias felizes.»

 

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publicado às 09:21


#826 - Lançamento de ‘Fernando Pessoa: O Guardador de Papéis’

por Carlos Pereira \foleirices, em 24.06.09

 

O volume Fernando Pessoa: O Guardador de Papéis (Texto), que reúne ensaios de José Barreto, Steffen Dix, Patricio Ferrari, Sara Afonso Ferreira, Ana Maria Freitas, Carla Gago, Manuela Nogueira, Rita Patrício e Jerónimo Pizarro (com organização deste último, membro da Equipa Pessoa), é apresentado esta tarde, a partir das 18h30, na Casa Fernando Pessoa, pela sua directora, Inês Pedrosa.

 

Post retirado do blog "Bibliotecário de Babel"

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publicado às 12:38


#825 - O novo romance de Miguel Sousa Tavares

por Carlos Pereira \foleirices, em 24.06.09
 
Extractos do próximo romance de Miguel Sousa Tavares, No Teu Deserto, a lançar pela Oficina do Livro no final da primeira semana de Julho:
 
 
«Éramos donos do que víamos: até onde o olhar alcançava, era tudo nosso. E tínhamos um deserto inteiro para olhar.»

«Ali estavas tu, então, tão nova que parecias irreal, tão feliz que era quase impossível de imaginar. Ali estavas tu, exactamente como te tinha conhecido. E o que era extraordinário é que, olhando-te, dei-me conta de que não tinhas mudado nada, nestes vinte anos: como nunca mais te vi, ficaste assim para sempre, com aquela idade, com aquela felicidade, suspensa, eterna, desde o instante em que te apontei a minha Nikon e tu ficaste exposta, sem defesa, sem segredos, sem dissimulação alguma.»

«Parecia-me que já tínhamos vivido um bocado de vida imenso e tão forte que era só nosso e nós mesmos não falávamos disso, mas sentíamo-lo em silêncio: era como se o segredo que guardávamos fosse a própria partilha dessa sensação. E que qualquer frase, qualquer palavra, se arriscaria a quebrar esse sortilégio.»

«Eu sei que ela se lembra, sei que foi feliz então, como eu fui. Mas deve achar que eu me esqueci, que me fechei no meu silêncio, que me zanguei com o seu último desaparecimento, que vivo amuado com ela, desde então. Não é verdade, Cláudia. Vê como eu me lembro, vê se não foram assim, passo por passo, aqueles quatro dias que demorámos até chegar juntos ao deserto.»
 

Apresentado como «Quase Romance», No Teu Deserto terá apenas 128 págs.

 

Post retirado do blog "Ler"

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publicado às 12:32


Francisco José Viegas finalista do Prémio Roma

por Carlos Pereira \foleirices, em 19.06.09

A  edição italiana de Um Céu demasiado Azul, de Francisco José Viegas, está nomeada para o Prémio Roma de Literatura, na categoria de Narrativa Estrangeira.

 

O autor português concorre com o chileno Luís Sepúlveda (A Lâmpada de Aladino), a indiana Anne Cherian (A Good Indian Wife), o israelita Amir Eli (Jasmine) e do libanês Rabih Alameddine (Hakawati). Publicado originalmente em 1995, o livro Um Céu demasiado Azul foi editado em Itália pela editora La Nuova Frontiera, que também já editou Longe de Manaus, dois dos romances protagonizados pelo detective Jaime Ramos. O escritor e jornalista, que já dirigiu a Casa Fernando Pessoa, é actualmente director da revista Ler e está à frente da Quetzal. Os vencedores são conhecidos a 16 de Julho.

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publicado às 11:20


Cartas

por Carlos Pereira \foleirices, em 17.06.09


 

Correspondência trocada entre Jorge de Sena e José Blanc de Portugal


De José para Jorge


Benf. Maio 942


Caro e bom amigo


Eu é que fiquei feliz pela sua grande carta! Calcule que de há muito é o único contacto social que tenho com o mundo excepto os colegas de trabalho ou a gente das ruas e comboios de todos os dias!


Quanto às minhas coisas eu um dia farei tudo o que aconselha (embora muito sèriamente ache certíssimo o que V. diz "Uma coisa é preocupação pessoal, outra preocupação de lugar". Etc Etc... E quanto ao "escreva sempre" aqui estou de novo.


Não me espanta o que diz do Ruy. Depois da vez que nos viu juntos não o tornei a ver. Revi as provas (de artigos dos outros) da Revista e fui nessa mesma tarde levá-las a casa dele. Até hoje não mais novas nem mandados de qualquer ordem! É uma pessoa que parecendo cheia de delicadeza de sentimentos tem às vezes bem duras atitudes para os outros. Mas tudo se passará em bem...


Eu nada sei de Manuela Porto e do recital. Não tratarei disso é a única coisa que lhe posso dizer, mas também lhe digo que gostava imenso que se realizasse e gostaria imenso de lá ouvir qualquer coisa minha. Já vê que não sou falsamente modesto e que tenho ostensivamente anor-próprio mas não sou eu que tenho a intimidade ou à-vontade do Ruy ou do Kim para tratarem com ela.


Gostei tanto do seu trocadilho acerca do Atlântico e "costas de Portugal" (ou versalhada?!) que pensando em senas e azes do jogo da Vida (claro de V - "V for Victory"!) lhe improviso êste acróstico:

 

                         ACRÓSTICO


J   ogue a glória a quem quiser as sortes

O  limpo Apolo dê aos seus eleitos

R  enasçam fénix de infindas mortes

G  orjeiem cantos os coros celestes:

E  ste esmagará seus pares terrestres!


C  anções, poemas mil às musas dando

A  ele não podeis deusas ensinar!);

N  asce dele a poesia toda inteira

D  esse qual Júpiter nova Ateneia!

I   rrompe em fogos contra a asneira

D  omando-a fero em forte peia,

O  único que falar pode de cadeira!


D  esta terrena e breve vida passageira

E  téreo ele só, não seguindo de ninguém a esteira,


S  e não perde do mundo na voragem

E  neste globo, infrene tavolagem,

N  ativo herói das elíseas pazes

sena bate em cheio os azes!!!


(Do "Novo Parnaso Lusitano-Brasílico Dedicado aos Amadores das Musas dos Dois Países Irmãos por Uma Sociedade de Homens de Letras").


Não é talvez o meu melhor poema mas tenha paciência... Já que não lê o Sempre Fixe...


Lembra-me  o [José] Osório [de Oliveira], o Osório que eu persisto em crer meu amigo.


Com todos os seus defeitos à vista não é perigoso para ninguém e quanto aos "tantos que o detestam" alguns há que se serviram dele para o que ele (lhes) podia servir...


Mas afinal a má língua sou eu e os defeitos pegaram-se-me. Não é isso?


Eu anseio pelos seus trabalhos. Temas que me interessam, pessoa que me interessa, mas para mais elogios vá... ao Acróstico!


Um abraço do afastado amigo que não lhe dá novidades mas as pede


                                                                                                                                    José de Portugal



Última hora

De acordo com a participação recebida agora sei que em 6-4-1942 casaram e me oferecem a Sua Ilustre Casa a Senhora Dona Maria Adelina de Amaral Simões Neves Monteiro Grillo e o Senhor Joaqyuim Fernandes Thomaz Monteiro Grillo [Tomaz Kim].


Felicidades aos noivos! Viva a poesia realizada!


 

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De Jorge para José

 

Porto, 24/10/42

 

Meu caro amigo

 

          A sua carta veio ter comigo ao Porto e eu já sabia (e até contava escrever-lhe),  pelo João António Lamas, que V. tinha qualqer coisa para me dizer, independentemente do muito que temos para dizer e fazer neste momento ridìculamente crítico... - rìdiculamente porque só tem o direito de ser crítico aquilo que o é pela força directa das circunstâncias e não o tem o que é pela força das circunstâncias que as foram tirar dessas outras. Isto tudo é confuso mas, até por issso, digno do momento.

          Ora, primeiro, vamos ao nosso assunto. Vou escrever para a Portugália (não tenho comigo senão exemplares, poucos, já dedicados e não entregues ainda) para que ponham à sua disposição um exemplar. E, por favor, não o compre. Eu quando voltar a Lisboa, quero escrever nele uma dedicatória - sou eu que lho ofereço e com tanto mais alegria quanto V. ofereceo o seu para que alguém o lesse. Quando estiver disposto (eu soube muito tarde do seu desgosto, não falemos nissso como entende e bem) diga-me qualquer coisa acerca do livro ou, se  o preferir, guardemos isso para a minha volta a Lisboa. Até agora, pode dizer-se que ninguém me falou dele, uma vez que só cumpriram a promessa os que se apressaram em não compreender. Claro que não falo das pessoas que, por próximas, tinham a sua opinião já tàcitamente formada; como nem a minha vida nem a sua permitem que V. esteja, para mim, na mesma proximidade, é essa a razão por que lhe peço o que pedi.

          V. já deu ao Cinatti poemas para a Aventura 3? Sabe, por ele, do editorial que eu vou escrever para êsse número? Trata-se de desmascarar as confissões voluntárias em que se debate a nossa pretyensa intelectualidade que, por saber demasiado o que deseja, acaba por não fazer dignamente o trabalho que lhe é imposto pela dignidade que devia ter. Queria que V. visse o editorial. Creio que nós, eu e V., devemos defender a Aventura pelo que ela representa e pelo que, por nós e o Cinatti, pode vir a representar: posição definida contra o que não fôr uno, nítido e futuro.

          É nesse sentido que tenciono orientar a conferência que, de combinação com a Manuela Porto, tenciono fazer, em Dezembro, sobre as "Possibilidades da poesia portuguesa". Evidentemente que a poesia portuguesa pode bem vir a ser exactamente o contrário da pureza e da intensidade abstracta que eu pretendo, mas nem por isso tudo o que se fizer deixará de actuar na composição e decomposição das forças, uma vez que só o inantingìvelmente puro está livre das nossas contingências de acção. Não será isto? E agora voltei ao princípio da carta e fechei o verdadeiro círculo. Poesia científica e poesia social (com base nas revivescências ancestrais) tudo isso é terrível, se não souber onde as coisas principiam e acabam. A poesia é profundamente psicológica e epistemológica (no domínio em que coincidem estes dois aspectos), quer queiram quer não, e por isso humana, nacional e individual. Nem notas psicológicas, nem apetências sociais, nem esforços registados do conhecimento - mas consciencialização do homem total num sentido que não tem sido dado a esta expressão, um sentido mais lato, não só individual, não colectivo no instante: num sentido individual e colectivo aplicado à extensão do tempo, extensão mensurável (como me lembro agora que Proust aponta maravilhosamente para cada criatura) nas variações e na invariância do homem. Creio que um sinal da verdade disto é pensarmos agora (e creio que V. pensa isto pelo pouco que posso recordar e assimilar a isto) alguns o mesmo e inteiro, quando, de tal modo, toda a gente pensa partes. A nossa época é de integração no espaço e no tempo de todos os valores positivos e negativos: trata-se de definir um domínio e não definir nem o homem, nem a terra, nem a humanidade (como várias modas fazem), que são, digamos,  conjuntos falsos feitos à custa de elementos que pertencem ao domínio verdadeiro que às modas não convém ver, porque são modas e passam deixando apenas dedadas, contingências, difíceis de lavar e de cuja responsabilidade lavam as mãos. Terá V. paciência de pensar, por escrito, alguma coisa, numa carta, a este respeito?

          Receba um grande abraço do amigo e camarada

 

 

Jorge de Sena

Rua de Cedofeita, 478

Retirado da Revista Colóquio | Letras n.º 132/133 Abril-Setembro de 1994.

Edição e propriedade da Fundação Calouste Gulbenkian.

Director David Mourão-Ferreira

 

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publicado às 14:48


"El arte puede vencer a la muerte"

por Carlos Pereira \foleirices, em 28.05.09

ENTREVISTA: ANTÓNIO LOBO ANTUNES Escritor

"El arte puede vencer a la muerte"

MIGUEL ÁNGEL VILLENA - Madrid - 28/05/2009

António Lobo Antunes (Lisboa, 1942) se recuperó hace un par de años de un cáncer y, para alegría de sus lectores, ha publicado después Mi nombre es Legión (Mondadori), una novela sobre personajes marginales en una Lisboa periférica con un policía como hilo conductor. "Sentía vergüenza", manifestó ayer en Madrid, "cuando me recuperaba de la enfermedad en el hospital porque yo iba a seguir viviendo y otra gente, más joven, iba a morir. Pensé durante mi tratamiento que en honor a esa gente hay que dejar testimonio del paso del tiempo y de la vida. Un anciano me dijo en el hospital que no estamos preparados para morir, sino para vivir. Es verdad, lo suscribo. Por ello creo que la literatura es la única manera de vencer al tiempo, sólo el arte puede vencer a la muerte".

"El mundo de la literatura está plagado de envidias y de competencia"

"Las fronteras entre el bien y el mal siempre aparecen muy difusas"

Con esa actitud de "las cartas boca arriba" que proporciona haber superado un trance grave, Lobo Antunes compareció ayer ante los periodistas y mantendrá hoy un coloquio con sus lectores en Casa de América tras haber obtenido el premio Fil de literatura en lenguas romances que concede la Feria del Libro de la mexicana Guadalajara. Escéptico sobre las distinciones -"que ni mejoran ni empeoran la obra literaria"- uno de los autores europeos vivos más importantes, traducido a muchos idiomas, desmitificó sin piedad a los escritores. "La literatura representa un mundo", comentó, "plagado de competencia y de envidias. Los escritores deberían ser como los tigres que no se devoran entre ellos. Pero no ocurre así. Antes de dedicarme a la literatura, los escritores me parecían gente muy fascinante y luego sufrí una cierta desilusión. Además, en algunas épocas todo este ambiente de premios, traducciones y contratos por libros que no has escrito hizo que me sintiera como un Julio Iglesias de las letras".

Hasta tal punto este irónico, descreído y brillante Lobo Antunes ha puesto las cartas boca arriba después de su enfermedad que se permitió comentar a los periodistas: "Ustedes pregunten lo que quieran que yo contestaré lo que me parezca". No para de filosofar sobre la vida y la literatura este hijo de familia de abogados y médicos, psiquiatra de formación, que fue oficial en la guerra colonial en Angola y que sostiene que nunca ha escrito sobre aquella terrible experiencia "por respeto a los muertos". Y en conversación con este diario Lobo Antunes explica, a propósito de su novela Mi nombre es Legión, que "las fronteras entre el bien y el mal siempre aparecen muy difusas". "En la guerra estás matando porque te entrenan para eso y, un rato después, estás salvando vidas. Es cierto además que en las situaciones límite encontramos la parte más sublime y la más despreciable de las personas".

Tras anunciar que escribirá más libros, pese a haber anunciado en alguna ocasión que se cortaba la coleta, Lobo Antunes sentencia que cada novela es un organismo vivo que el autor debe manejar. "En Mi nombre es Legión", aclara, "el policía protagonista se convierte en una especie de escritor que lucha con el material que tiene y que, en este caso, son personajes solos y desarraigados en un ambiente de emigrantes africanos. Son gentes que sólo saben expresarse a través de la violencia porque no pertenecen ya a una África que han perdido ni a una Europa que no las acepta". En una Lisboa de desarraigados, Lobo Antunes ilustra la reflexión moral entre el bien y el mal con una anécdota escalofriante. "Vivo en un barrio donde acuden travestis y veo, en ocasiones, que llegan clientes en buenos coches con sillitas de bebés en los asientos traseros. Es decir, esos clientes de la prostitución son honrados padres de familia de día y sórdidos demandantes de que los penetren con los tacones por las noches".

Vitalista y amante de los placeres, fumador y buen comedor, admirador de las mujeres atractivas, Lobo Antunes se siente en España como en casa, aunque añora las gaviotas y el mar de Lisboa. "Toda la península Ibérica debería ser una federación", proclama uno de los escritores portugueses más seguidos en España. Declara que mantiene una vida aislada y frecuenta poco los actos sociales, aunque editoriales, universidades y centros culturales lo reclaman en medio mundo. Pero sus amigos representan un tesoro para Lobo Antunes. "Es más fácil confesarse y hablar con los amigos que con la familia. En definitiva, la familia son los amigos que tú eliges".

 

Entrevista retirada do jornal "El País", de hoje.

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publicado às 16:10


Jose Luís Peixoto - do blog

por Carlos Pereira \foleirices, em 12.05.09

Nas livrarias portuguesas a partir de meados de Maio

 

Le Portugal

 

As coisas não começaram bem. No sábado, tinha acabado de sair do cybercafe onde, entre outras coisas, coloquei online o texto anterior, quando recebi um telefonema a perguntar onde estava. Tinha chegado a hora da minha leitura e não sabiam de mim. Percebi então que tinha entendido mal o que estava escrito no programa e tinha calculado mal a hora a que deveria ler (era um dos últimos da lista e, na noite anterior, tinham seguido a ordem). Corri para o hotel para apanhar os livros e, passados minutos, tinha um carro à espera para me levar à abadia de Neumunster. Cheguei, ouvi meio poema em alemão e, esbaforido, fui apresentado. Estavam duzentas e tal pessoas. Uma vez que era a noite em que todos os poetas liam, tinha apenas 5 minutos. Tudo bem.

Comecei por ler “na hora de pôr a mesa” em francês, depois o original em português. Li depois “Arte poética”, também em francês e, quando ia para ler em português, fui interrompido pelo poeta do Luxemburgo que organiza o encontro. Tentei cumprimentá-lo, mas fiquei de mão estendida no ar.

No momento, não me apercebi. Foi só ao longo da serão que foram chegando até mim as queixas dos muitos portugueses que estavam lá (afinal, há portugueses que assistem a leituras de poesia no Luxemburgo). A cada uma, ia percebendo que aquelas pessoas tinham a expectativa de ouvir mais em português e que a forma abrupta como terminou a leitura foi frustrante para elas. Ao mesmo tempo, tinha na memória a leitura da véspera na Kulturfabrik, em Esch, onde 6 poetas convidados leram das 19.30 até quase à meia-noite, nenhum deles respeitando o tempo que lhes tinha sido destinado.

Assim, no domingo, 26, tinha a leitura na Galeria Simoncini, com menos poetas e com mais tempo para ler. Não me considero uma pessoa que guarda ressentimentos (a vida é curta), mas lembrei-me dos portugueses que fizeram e serviram o jantar de ontem, lembrei-me da portuguesa com quem fiquei a conversar na cozinha da Escola Europeia, lembrei-me das cabo-verdeanas que arrumavam os quartos do hotel e com quem também conversei, lembrei-me de que estava ali a representar Portugal e fiz o seguinte: antes da leitura, agradeci ao Instituto Camões (que apoiou o festival, custeando a minha viagem) e expliquei aos presentes que o propósito desse instituto é promover a língua e a cultura portuguesa, uma língua que é falada por cerca de 200 milhões de falantes (obrigado, Brasil) e que, no Luxemburgo, é falada por, pelo menos, 80 mil portugueses (maior comunidade de estrangeiros). Depois, expliquei que começava por ler o poema “Arte Poética”, que não tinha tido tempo de ler na véspera e, que no fim, se tivesse tempo, leria a tradução francesa. Li vários poemas de “A Criança em Ruínas” e de “A Casa, a Escuridão” tanto em português, como em francês. E, no fim, não tive tempo de ler a tradução francesa de“Arte Poética”.



O ANIMAL


Logo após a leitura da Galeria Simoncini, estavam todos os participantes do festival a almoçar numa esplanada de um hotel da Place d' Armes, no centrão da cidade do Luxemburgo, quando se afastaram as nuvens e ficou um sol bastante intenso. Tirei o casaco. Estava a conversar com o César Stroscio, mas ouvi claramente os dois empregados portugueses que estavam a pôr os pratos. Um deles, pensando que não o entendia e referindo-se às minhas tatuagens diz para o outro: “Já viste este? Tem o braço todo sujo.” Ao que o outro responde: “Ah pois tem, o animal.” Quando me virei para eles e lhes disse: “Talvez esteja mais lavado do que imagina”, arregalaram os olhos e foram-se embora.

Na nossa mesa, estava o dono do hotel, o patrão deles. Não sei se foi por isso que o empregado que me chamou animal voltou passados alguns minutos para pedir umas desculpas atrapalhadas. Enfim, nada como uma descida à realidade.

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publicado às 16:13


J. Rentes de Carvalho

por Carlos Pereira \foleirices, em 18.04.09

 

De ascendência transmontana, J. Rentes de Carvalho nasceu 1930, em Vila Nova de Gaia, onde viveu até 1945. Frequentou no Porto o Liceu Alexandre Herculano, e mais tarde os de Viana do Castelo e de Vila Real, tendo cursado Românicas e Direito em Lisboa - onde cumpriu o serviço militar. Obrigado a abandonar o país por motivo políticos, viveu no Rio de Janeiro, em São Paulo, Nova Iorque e Paris, trabalhando para jornais como O Estado de São Paulo, O Globo ou a revista O Cruzeiro. Em 1956 passou a viver em Amesterdão, na Holanda. como assessor do adido comercial da Embaixada do Brasil. Licenciou-se (com uma tese sobre Raúl Brandão) na Universidade de Amesterdão, onde foi docente de Literatura Portuguesa entre 1964 e 1988. Dedica-se desde então à escrita e a uma vasta colaboração em jornais portugueses, brasileiros, belgas e holandeses, além de várias revistas literárias. A sua bibliografia inclui romances (entre eles Montedor, 1968, O Rebate, 1971, A Sétima Onda, 1984, Ernestina, 1998, A Amante Holandesa, 2003), contos, diário (Tempo Contado ou Tempo sem Tempo), crónica (Mazagran, 1992) e guias de viagem. O seu Portugal, een gids voor vrieden (Portugal, Um Guia para Amigos), de 1988, esgotou dez edições.

 

Com os Holandeses (Waar die andere God woont, publicado originalmente em neerlandês, em 1972, e um sucesso editorial na Holanda) é a primeira obra de J. Rentes de Carvalho no catálogo da Quetzal. O mais recente título de Rentes de Carvalho é Gods Toorn over Nderland - A Ira de Deus sobre a Holanda.

 

post retirado do blog da quetzal

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publicado às 19:07


Lançamento de"O Segredo de Leonardo Volpi"

por Carlos Pereira \foleirices, em 16.04.09


O primeiro romance de Fernando Pinto do Amaral será apresentado hoje na FNAC do Chiado, pelo escritor Mário de Carvalho.

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publicado às 17:02


Novo Livro de Manuel António Pina

por Carlos Pereira \foleirices, em 11.04.09

A Assírio & Alvim vai lançar este mês o novo livro de Manuel António Pina que é destinado essencialmente ao público infanto-juvenil.

O livro tem como título "História do Sábio Fechado na Sua Biblioteca".

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publicado às 18:08


Jorge de Sena

por Carlos Pereira \foleirices, em 04.03.09

 

Glosa à chegada do Outono

 

O corpo não espera. Não. Por nós

ou pelo amor. Este pousar de mãos,

tão reticente e que interroga a sós

a tépida secura assetinada,

a que palpita por adivinhada

em solitários movimentos vãos;

este pousar em que não estamos nós,

mas uma sede, uma memória, tudo

o que sabemos de tocar desnudo

o corpo que não espera; este pousar

que não conhece, nada vê, nem nada

ousa temer no seu temor agudo...


Tem tanta pressa o corpo! E já passou,

quando um de nós ou quando o amor chegou.

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publicado às 17:51


Maria Gabriela Llansol - aniversário da sua morte

por Carlos Pereira \foleirices, em 03.03.09

1.º aniversário da morte de Maria Gabriela Llansol

 

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publicado às 11:07


CORRENTES d'ESCRITAS

por Carlos Pereira \foleirices, em 13.02.09

Prémio Literário Correntes d’Escritas/Casino da Póvoa para Gastão Cruz

O livro A Moeda do Tempo (Assírio & Alvim, 2006), de Gastão Cruz, é o vencedor por unanimidade do Prémio Literário Correntes d’Escritas/Casino da Póvoa 2009, este ano dedicado à poesia e com o valor de 20 mil euros. Do júri fizeram parte Ana Luísa Amaral, Casimiro de Brito, Fernando Guimarães, Jorge de Sousa Braga e Patrícia Reis. A lista dos outros 11 finalistas pode ser consultada aqui.

[In Bibliotecário de Babel]

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publicado às 13:16


Primeiro romance de Fernando Pinto do Amaral publicado em Março

por Carlos Pereira \foleirices, em 13.02.09

O Segredo de Leonardo Volpi é o título do primeiro romance do poeta, ensaísta e professor Fernando Pinto do Amaral, a publicar em Março pela Dom Quixote, que lança ainda por essa altura A Vingança de Marcolina ou O Último Duelo de Casanova, ficção do historiador e ex-ministro da Cultura José Sasportes, Eu Sou a Charlotte Simmons, de Tom Wolfe, O Sétimo Véu, de Juan Manuel de Prada e A Filha do Destino, autobiografia de Benazir Bhutto — para além de reedições de Machado de Assis (Dom Casmurro) e Robert Wilson (A Companhia de Estranhos e O Último Acto em Lisboa).  [In Revista Ler]

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publicado às 12:58


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