Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Três poemas musicais de Manuel de Freitas

por Carlos Pereira \foleirices, em 06.11.08

GUSTAV LEONHARDT, 2005

Às vezes, por breves instantes,
a beleza habita sobre a terra,
tão urgente e impronunciável
como o rosto em trompe l’oeil
na abóbada da igreja de São Roque.

Com isto, estarei talvez a fazer
a mesma triste figura da rapariga espanhola
que ao meu lado rabiscava poemas
dialécticos – «Argumentos» e Contra-
Argumentos» velozmente incinerados
pela fundamentação física do génio.
Nós, poetas, só escrevemos disparates.

A beleza, dizia eu. Mas os meus pés,
o seu indiscutível peso sobre a terra,
coincidiam com o mármore da sepultura
número 44 (dois terços de paixão, outro de pó).

E aquele homem ajudava-nos a morrer
melhor.


LEONARD COHEN, 1979

 

Era bem claro, nessa noite,
o quanto a sua música
se afastava de «other forms
of boredom advertised as poetry»,
denúncia que se mantém válida.

Não serão bússolas duradouras
– tudo, enfim, falece –,
mas são palavras que nos protegem
da avalanche dos dias e dos meses,
destas poucas horas a que chamamos nossas.

Uma maneira de voltar a morrer?
Talvez,
quando até nas cinzas encontramos lume.


PINA BAUSCH, 2008

Müller,
Café Müller.

 

A morte sabe onde fica.

[in Jukebox 2, de Manuel de Freitas, Colecção Poesia Portuguesa Contemporânea, Teatro de Vila Real, 2008]


Post retirado do blog "Bibliotecário de Babel"

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:31



Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

  Pesquisar no Blog




Links

Outras Foleirices

Comunicação Social

Lugares de culto e cultura

Dicionários

Mapas

Editoras

FUNDAÇÕES

Revistas