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Por outras palavras, de Manuel António Pina

por Carlos Pereira \foleirices, em 30.10.08
 
 
De repente, a vida
 

De repente, a vida


Preparava-me para, como todos os dias, chafurdar nas notícias dos jornais [o trabalho que dá mantermo-nos próximos da realidade tentando não nos afundarmos nela, passando por ela como aquela actriz de "rostinho estreito, friorento" de Cesário atravessando "covas, entulhos, lamaçais, depressa,/ com seus pezinhos rápidos, de cabra"!], preparava-me eu, dizia, para fazer pela vida quando dei com a morte, ou a sua sombra, num poema de Szymborska.

"Parece que nada mudou, /e no entanto mudou./ Que nada se mexeu,/ mas tudo mudou de lugar (…) /Ouvem-se passos nas escadas,/ mas não são 'esses'". E tudo, jornais, notícias, e aquilo que, à falta de melhor, chamamos vida, perdeu sentido. Talvez a vida seja outra coisa, menos barulhenta e mais solitária, mais fria, mais transparente, mais vasta. "Morrer não é coisa que se faça a um gato" nem a ninguém; "que pode fazer um gato/ num apartamento vazio?". Quando, amanhã, a realidade, ou lá o que é, voltar (porque, como os mortos, a realidade volta sempre), também eu irei ter com ela "com patas ofendidas", e sem alegria nem queixas. Pelo menos ao princípio.

 

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publicado às 17:06


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