Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Booker Prize

por Carlos Pereira \foleirices, em 16.10.08

Romance sobre a Índia dos pobres ganha Booker Prize

Aravind Adiga tem 33 anos e venceu o Booker com livro de estreia

O Man Booker Prize foi ontem para o romancista indiano Aravind Adiga pelo seu primeiro romance The White Tiger (O Tigre Branco), lançado pela Atlantic Books. O autor tem 33 anos e é o segundo jovem a receber a distinção em 40 anos de atribuição do prémio. O galardão tem o valor de 50 mil libras (64 mil euros).

Aravind Adiga, que vive em Mumbai, nasceu na Índia, em Madras, e foi criado, em parte na Austrália. Estudou em Columbia e em Oxford. Correspondente da Times, tem colaborado também no Financial Times, no Independent, e no Sunday Times. É o segundo escritor jovem a receber este prémio. Ben Okri tinha 32 anos quando foi galardoado, em 1991, com a obra The Famished Road.

"O que distingue este livro é a sua originalidade", disse Michel Portillo, ex-ministro de John Major, no jantar de gala em Londres no qual foi anunciado o vencedor. E sublinhou: "Para muitos de nós, este é um território inteiramente desconhecido - o lado sombrio da Índia."

The White Tiger surge entre duas Índias socialmente extremadas e a personagem principal, de uma classe desfavorecida, poderia encontrar-se, segundo o autor, numa qualquer viagem pelo seu país.

Trevas e luz fundem-se, pois, nesta obra irreverente e profunda que, no entendimento do júri, analisa questões sociais muito importantes: "a divisão entre ricos e pobres, bem como a impossibilidade destes escaparem ao seu destino."

O livro trata dessa temática com um imenso humor, sendo a sua leitura considerada perturbadora e aliciante, por vezes desconcertante. A narrativa acompanha o percurso de Balram Halwai, filho de um puxador de riquexó (à semelhança do pai do escritor) cujo sonho de escapar à miséria vivida na sua aldeia o levou a realizar uma viagem a Nova Deli e Bangalore. Comparando a personagem do livro a Macbeth, de William Shakespeare, Portillo considera-a tão simpática como "absolutamente vil".

Confessando a sua emoção ao ver-se chegar ao fim da corrida ao Booker Prize, lado a lado com nomes como Amitav Ghosh ou Salman Rushdie , Adiga não deixou de referir que nasceu em Mumbai, onde não há muita gente que conheça este prémio: "Continuo a ter de esperar em longas filas, a ter de viajar, pela manhã, em comboios superlotados e a viver com medo de adoecer porque a água que bebemos não é segura."

Numa entrevista ao site do Booker (http/www.themanbookerprize.com), o escritor afirma que a vida continua como dantes, desmentindo a ideia de que The White Tiger possa ser um livro com intenções políticas ou sociais: "É um romance, criado para provocar e entreter os leitores."

Adiga pede, no entanto, a quem o lê que reflicta sobre alguns aspectos da obra, porque está cada vez mais convencido de que "o sistema senhor-escravo, que afecta a classe média indiana, está a abrir a sociedade ao crime e à instabilidade."O autor já havia dito à agência Reuters, antes do anúncio do prémio, que Balram Halwai pertence à "subclasse indiana invisível": "O romance procura dar voz literária àqueles que ficam de fora das narrativas de nossos tempos: os pobres", salientou. Ao prémio, dedicou-o, segundo o The New York Times, à gente de Nova Deli, onde viveu e escreveu o livro.

Notícia retirada do "DN"

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 12:07



Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

  Pesquisar no Blog




Links

Outras Foleirices

Comunicação Social

Lugares de culto e cultura

Dicionários

Mapas

Editoras

FUNDAÇÕES

Revistas