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#1781 - Poema de Almada Negreiros

por Carlos Pereira \foleirices, em 19.11.12

Eram sete e meia.

O mais tarde que podias entrar era até às oito

e depois das oito tornava-se reparado.

Havia ordem no mundo

e meia-hora para nós,

meia-hora que não foi como queríamos

meia-hora em que cada um de nós nos prejudicava

habituados que estávamos a não nos termos visto nunca.

Levámos meia-hora a combinar outra hora para nós

meia-hora que afinal só começou depois de terminada

ao despedirmo-nos até à vista.

E até tornar a ver-te

eu não me senti, nem a fome, nem a sede

nem outra vontade que tu,

fiz como os poetas

que apagam a realidade

para lhe pôr outra melhor por cima.

 

(Inédito)

 

Poema de Almada Negreiros in Revista Ler n.º 50, 2001

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publicado às 19:37


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