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#1587 - Neoliberalismo e ordem global - crítica do lucro

por Carlos Pereira \foleirices, em 18.01.12

 

Parte III (continuação)

 

 

É precisamente a opressão exercida sobre as forças situadas fora do mercado que nos permite observar o modo de actuar do neoliberalismo não só como sistema económico, mas também como sistema político e cultural. Podem aqui verificar-se as suas diferenças para com o fascismo, com o seu desprezo pela democracia formal e com os seus movimentos sociais altamente mobilizados pelo racismo e pelo nacionalismo, que são notáveis. O neoliberalismo actua melhor quando existe uma democracia eleitoral formal, mas desde que a população seja desviada das fontes de informação e dos debates públicos que habilitam à formação participativa de uma tomada de decisão. Como foi salientado  pelo guru do neoliberalismo, Milton Friedman, na sua obra Capitalism and Freedom, e dado que a obtenção de lucro é a essência da democracia, qualquer governo que conduza políticas contra o mercado está a comportar-se de forma antidemocrática, sendo irrelevante o apoio que goze por parte de uma população esclarecida. Logo é mais conveniente restringir a acção dos governos à tarefa de proteger a propriedade privada e fazer cumprir os contratos, e limitar o debate político a questões menores. (As questões importantes como sejam a produção e distribuição de recursos e a organização social devem ser determinados pelas forças do mercado.)

 

Munidos com esta perversa visão da democracia, os neoliberais, como Friedman, não levantaram quaisquer objecções ao golpe de Estado que em 1973 depôs o governo democraticamente eleito de Allende, visto que o presidente estava a interferir com o controlo dos negócios da sociedade chilena. Quinze anos após uma ditadura que com frequência foi brutal e selvagem - tudo em nome do democrático e livre mercado - a democracia formal foi restabelecida em 1989, com a promulgação de uma constituição que torma substancialmente mais difícil, senão impossível, aos cidadãos desafiarem o domínio da sociedade chilena exercido pelo complexo militar dos negócios. A democracia neoliberal pode resumir-se: um debate banal sobre questões menores levado a cabo por partidos que basicamente prosseguem as mesmas políticas favoráveis ao capital, independentemente de diferenças formais ou da forma que revestem os debates eleitorais. A democracia é permissível desde que o controlo dos negócios esteja fora dos limites de escolha ou de mudança como demonstração da vontade popular, i.e., desde que não exista democracia.

 

 

Excerto de um texto escrito por Robert W. McChesney em Outubro de 1998 e que serve de introdução ao livro de Noam Chomsky "Neoliberalismo e Ordem Global-crítica do lucro, publicado em 1999 e editrado em Portugal por editorial notícias em 2000.

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publicado às 15:09


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