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#1579 - Vila Perdida

por Carlos Pereira \foleirices, em 14.01.12

Natércia Freire

 

VILA PERDIDA

 

 

A vila não é aqui.

Vamos cegos mas sabemos

que a vila não é aqui.

Entre chaparrais e moitas,

se me afoito, se te afoitas

onde os tectos e os jardins

da vila que só eu vi?

 

Correm verões para a beira-rio

na velha vila deitada.

Correm verões anos a fio.

E a casa que está fechada,

a casa que nos ouviu

passos de voz compassada,

jaz na música do tempo,

humana, morta, inundada.

 

(Há romãzeiras no vale,

há pegos de água brilhante,

sons lentos, no salgueiral

de um murmúrio rastejante.)

 

Não estou aqui, nem ali.

Mas foi de lá que eu parti

com rumo à minha Cidade.

Sentei-me à beira da estrada.

Moços, pássaros, ciganos,

vi que passavam em bando.

E eu não perguntei o  quando.

Parti nos sonhos de todos

e até de mim me esqueci.

 

Porque era longe a Cidade

de um correio me servi.

Escrevi cartas para Deus.

Respostas de eternidade

recebi e recebi.

 

O regresso não o encontro

nos passos que um dia demos.

Mora num dia incompleto;

baila os rostos esfumados,

veste-se de oiro e de preto.

 

Está no fundo da lagoa,

é de vidro e soa e voa.

 

 

Poema de Natércia Freire, Poesia Completa, QUASI EDIÇÕES, 2006


 

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publicado às 20:47



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