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AS LÂMIAS
Segundo os clássicos latinos e gregos, as Lâmias habitavam em África. Da cintura para cima a sua forma era a de uma bela mulher; mais em baixo a de uma serpente. Alguns definiram-nas como feiticeiras; outros como monstros malignos. Não tinham a faculdade de falar, mas o seu assobiar era melodioso. Atraíam os viajantes nos desertos para depois os devorarem. A sua remota origem era divina; resultavam de um dos muitos amores de Zeus. Na parte da obra The Anatomy of Melancholy (1621) que trata da paixão do amor, Robert Burton narra a história de uma Lâmia que tinha assumido a forma humana e seduziu um jovem filósofo "não menos bonito do que ela". Levou-o ao seu palácio, que ficava na cidade de Corinto. Convidado para a boda, o mago Apolónio de Tíanos chamou-a pelo seu nome e de imediato desapareceram a Lâmia e o palácio. Pouco antes de morrer, John Keats (1795-1821) inspirou-se no relato de Burton para compor o seu poema.
Texto de Jorge Luís Borges retirado do Livro "O livro dos seres imaginários" edição Editorial Teorema, Abril de 2005