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#1413 - Luis Vaz de Camões

por Carlos Pereira \foleirices, em 17.06.11

Carlos Nejar

 

 

Luis Vaz de Camões

 

 

Não sou um tempo

ou uma cidade extinta.

Civilizei a língua

e foi resposta em cada verso.

E à fome, condenaram-me

os perversos e alguns

dos poderosos. Amei

a pátria injustamente cega,

como eu, num dos olhos. E não pôde

ver-me enquanto vivo.

Regressarei a ela

com os ossos de meu sonho

precavido? E o idioma

não passa de um poema

salvo da espuma

e igual a mim, bebido

pelo sol de um país

que me desterra. E agora

me ergue no Convento

dos Jerónimos o túmulo,

quando não morri.

Não morrerei, não

quero mais morrer.

 

Nem sou cativo ou mendigo

de uma pátria. Mas da língua

que me conhece e espera.

E a razão que não me dais,

eu crio. Jamais pensei

ser pai de tantos filhos.

 

(Os viventes)

 

 

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publicado às 22:57



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