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#1377 - O lamento da Terra

por Carlos Pereira \foleirices, em 25.05.11

Jules Supervielle

 

Um dia quando dissermos: "Era o tempo do sol,

Recordem-se, alumiava o mais pequeno ramo

E tanto a mulher idosa como a rapariga admirada,

Sabia dar a sua cor às coisas mal nelas pousava.

Seguia o cavalo corredor e parava com ele.

Era o tempo inesquecível em que estávamos sobre a Terra,

Em que fazia barulho deixar cair qualquer coisa,

Olhávamos em volta com os nossos olhos versados,

Os nossos ouvidos entendiam todas as subtilezas do ar,

E quando o passo do amigo aí vinha, logo o sabíamos;

Apanhávamos tanto uma flor como uma pedra polida,

O tempo em que não podíamos agarrar o fumo,

Ah! só isso as nossas mãos apanhariam agora."

 

Poema de Jules Supervielle [1884-1960] traduzido por Filipe Jarro e retirado do livro "Rosa do Mundo"

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publicado às 20:20


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