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As tuas mãos dormiam na lagôa incenso.
E pelas alamedas destruídas, loucas,
Desceu-se em minha alma a procurar as bocas
Que me rezaram Ser sôbre o teu manto extenso.
Vagamente desceu sôbre o silêncio, a arfar,
Combatendo de luz, a esvoaçar no ataue...
E de noite caiu Egipto em meu olhar,
Nos teus braços em cruz, sepulcros em Karnak.
Bocas de Faraós rezam múmias cansadas...
Tebas em mim fenece em bronze de toadas,
Apagando-se em cinza em lâmpadas sombrias.
E tu aormecida há tanto tempo, em pranto.
Os cisnes na lagôa embraqueceram tanto,
Que se esqueceram Côr nas tuas mãos esguias.
Poema de Alfredo Pedro Guisado retirado do livro "Orpheu, edições Ática, 3.ª reedição do volume I