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#1355 - Alerta europeus!

por Carlos Pereira \foleirices, em 10.05.11

 

1. Festejou-se ontem o Dia da Europa, com a União a entrar numa decadência profunda, dificilmente disfarçável. Os grandes valores europeus - como a unidade e a solidariedade - estão, como dizemos, pelas ruas da amargura. Os egoísmos nacionalistas reaparecem em força - e perigosamente - e os populismos, demagógicos e sem princípios, contaminam países que se consideravam sensatos, como a Finlândia, a Eslováquia e o Reino Unido. Vamos, alegremente, a caminho de novos e perigosos conflitos que põem em causa a paz e em que uma faúlha se pode transformar em guerra aberta. Os povos europeus já se esqueceram do que foram os anos trágicos de 1939-45?

 

É certo que não temos hoje um Hitler nem sequer um Mussolini. Nem passámos ainda por uma guerra preparatória, como foi a tão cruel guerra civil espanhola! Mas, como se viu no passado, uma simples fogueira pode gerar um grande incêndio, sem quase nos apercebermos, como sucedeu no ano fatídico de 1939. Precisamos pois de evitar, sem perda de tempo, que um ou vários conflitos aparentemente menores, nos voltem a empurrar nesse caminho.

 

É caso para se alertarem os Povos da Europa. Não deixemos morrer um projecto de paz, de liberdade, de justiça social e de bem-estar para todos - único no mundo - como é a União Europeia. Atenção: não temos hoje líderes à altura, nos grandes países europeus, tenho-o escrito repetidamente. Merkel, Sarkozy, Berlusconi, Cameron, para só citar os maiores, são políticos de vistas curtas, sem alma nem valores, que não vêem sequer a médio prazo... Só os seus interesses politiqueiros imediatos os movem.

 

Pondere-se a notícia, logo desmentida, publicada na revista alemã Der Spiegel, a propósito da ameaça grega de sair da Zona Euro e talvez mesmo da União. Causou o pânico entre os Grandes Estados europeus que se reuniram em petit comité, sem nada transparecer, como de costume, para o eleitorado. Foi, aliás, desmentida, no dia seguinte, pelo primeiro-ministro grego, Papandreou. Mas o pânico espalhou-se, o que demonstra as fragilidades e os receios da União Europeia que hoje temos...

 

Outro exemplo: a recusa da França do Presidente Sarkozy de receber uma centena de imigrantes vindos da Tunísia, de passagem pela ilha italiana de Lampedusa. Berlusconi, furioso - e desta vez com razão - ameaçou sair da União. Sarkozy deslocou-se a Itália para apaziguar Berlusconi e, como não encontraram uma solução a contento de ambos, resolveram propor o fim do Tratado de Schengen, ou seja: voltarmos às fronteiras cerradas no espaço europeu. Imagine-se! Duas grandes conquistas da União Europeia - a moeda única e o desaparecimento voluntário das fronteiras - poderiam ser sacrificados, segundo os líderes europeus, apenas para satisfazer interesses menores, meramente circunstanciais. O que revela bem a fraqueza dos lÍderes que hoje governam a Europa e o seu desinteresse efectivo pelo projecto comunitário.

 

In "DN"

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publicado às 15:22



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