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AS ESTÁTUAS
Não gosto de estátuas jacentes.
Os olhos convexos preenchendo as órbitas
Reflectem no corpo horizontal
A quietude da morte irremediável.
Gosto mais das estátuas erectas.
Os olhos convexos preenchendo as órbitas
Transmitem ao corpo vertical
A impressão de gesto suspenso,
De curta paragem, de instante contido
Que vai libertar-se no segundo mais próximo.
De gesto suspenso a movimentar-se
Num sopro de vida despertando a pedra,
Quem sabe se um grito que súbito aqueça
O gelo da pedra, a carne da pedra.
22 de Maio de 1994