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#1208 - Sinais de Vida

por Carlos Pereira \foleirices, em 19.02.10



ANJO MORTO


O corpo passa entre fendas na madeira.


Graficamente a representação é igual

aos veios claros e escuros. Podes

ser um corpo e no entanto também uma

linha cor de sépia. Tu foste

asfixiado pela Poética. A liberdade que

Te era possível na estrutura do Poe-

ma levou-te até à agonia. Mas a voz

em estertor é minha. E as linhas frágeis

no papel comovem-me. Tu és o Único

nesta gravura baça a água-forte.


És um resíduo incandescente. Quan-

do Te invoco recupero-Te poe-

ticamente. Nada de Ti me falta. Apenas

não Te conheço mais completo do que

ver-Te entre fendas. Ou sem lucidez.

A possibilidade que tens de me seres

alheio torna-Te incisivo como o corte

da goiva. A tua presença morta é a úl-

tima confirmação da natureza íntima

da imagem. Sulco morto na matéria.


Poema de Fiama Hasse Pais Brandão extraído do livro "Obra Breve - Poesia Reunida", edição Assírio & Alvim n.º 0976, Maio de 2006

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publicado às 20:51



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